Precariedade não se resume a salários baixos; precariedade é muito mais que salários baixos

Muitos dos trabalhadores com quem tenho dialogado nos últimos meses tem resumido o conceito de precariedade no mercado de trabalho a salários baixos. Os baixos salários são uma das características que ajudam a perceber o conceito em causa mas não o resumem: o conceito de precariedade vai para além dos ordenados baixos. O que não quer dizer que todos nós possamos diariamente pugnar por ordenados mais altos que os actuais. É o nosso dever e é também, não querendo entrar de maneira alguma pela teologia, a nossa salvação.

O conceito de precariedade no seu sentido lato é a “condição daquilo que é frágil, incerto ou pouco estável” – a fragilidade, incerteza ou estabilidade de alguns trabalhadores não são condições comensuráveis unicamente através dos baixos salários que se praticam no nosso país mas também de outras condicionantes impostas pelo sistema que tornam a posição destes fragilizadas. O actual direito do trabalho, as condições de saúde, higiene, ambiente e segurança no local de trabalho, as pressões que são feitas pelas entidades patronais para tornar o ritmo de produção insustentável e nocivo à saúde do trabalhador, a utilização de mão-de-obra temporária ou tarefeira e as questões relacionadas com o assédio sexual e moral, são outras das características que devem ser tomadas em conta para podermos descrever o conceito de precariedade.

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