O tempo, maduros!

Apetece-me hoje parafrasear, ante a medioridade triunfante e os sentimentos menores que se destilam um pouco por toda a parte, o grande Mário de Andrade que foi grande na outra riba do Atlântico e tão mal conhecido é entre nós.
 
De Mário de Andrade:

“O valoroso tempo maduro”
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
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