O Sócrates é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que nunca sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele não teve,
Mas todas as que ele não tem.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a ilusão,
Esse comboio de corda
Que se chama eleição.
* resultado de se estragar o poema Autopsicografia de Fernando Pessoa







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