

Este golo, legal por um cabelo, valeu o apuramento do Japão em primeiro lugar do grupo da morte, à frente da Espanha, e enviou a Alemanha para casa. Este grupo teve ainda o condão de durante três minutos da última jornada, entre os 70 e os 73, Alemanha a Espanha estarem eliminadas pela Costa Rica e pelo Japão.

Nesse curto intervalo de tempo onde tudo pode acontecer, onde se demonstra que não há impossíveis mesmo quando a diferença de poder é avassaladora, é o intervalo onde acontece a magia que encanta milhões no futebol. Acabou por cair só a Alemanha, mas a Espanha e os adeptos levam na bagagem aqueles três minutos de improbabilidade que tanto nos ensina e nos apaixona.
Na última jornada da fase de grupos, Brasil e Portugal são as únicas a poder fechar os grupos com três vitórias. A França perdeu esse comboio depois de derrotada pela Tunísia, jogo onde outro herói de outro povo oprimido invadiu o campo, mas desta feita, por se tratar da Palestina, nem destaques na imprensa, nem comoção nas redes sociais.
No balanço da primeira fase destaque ainda para o facto de ter sido no Catar, em 2022, que a primeira equipa de arbitragem exclusivamente constituída por mulheres assumiu um jogo de uma fase final de um Mundial e, como não podia deixar de ser, aquele beijo de Achraf Hakimi à sua mãe depois da vitória de Marrocos sobre a Bélgica, outro dos candidatos a ficar pelo caminho.







Alguém invadiu o campo?
Realmente, quem não tem twitter nem sabe destas coisas. Eles têm ordens para desviar as câmeras de qualquer intruso, esse (e outros?) passou em directo?
A bem da credibilidade, a linha de fundo deverá passar a ser chamada “rectângulo de fundo”.
Caro Renato Teixeira
Apesar de no momento do lance me sentir incomodado, presumo que não terei sido o único, não porque sinta alguma afinidade com algum dos interlocutores, apenas porque pugno pela verdade desportiva, doa a quem doer, incluindo Portugal, com aquele penálti meio manhoso contra o Gana, há uma nova realidade no futebol que já está a dar os seus frutos, levando-o a uma maior transparência, que é a tecnologia. Podemos gostar ou não. Eu gosto. E não me venham com a “estória” da beleza do futebol. Isto são tretas de quem não quer perder privilégios. O futebol sem verdade é um embuste, que, não poucas vezes conduziu à violência. Tem é de haver coerência nas decisões, e posteriormente consequências diante dos factos. Haja essa coragem e é meio caminho andado para que o futebol se mantenha vivo em todo mundo, como a maior competição desportiva do planeta Terra.
Eu vou dar dois exemplos.
O penálti que Portugal beneficiou contra o Gana, foi muito criticado por alguns árbitros. Até eu me senti pouco confortável. A crítica recaiu em especial sobre o VAR. O facto é que o árbitro que apitou esse jogo vai hoje de novo estar em palco diante do Brasil com os Camarões. Presumo assim que depois de muitas análises, a Comissão Técnica da FIFA concluiu que era mesmo penálti, contra a opinião de alguns “analistas”, eu incluído, não sancionando o árbitro por essa decisão.
No ano passado, no campeonato nacional de futebol, num dos jogos entre FCPorto-SLBenfica, os adeptos do clube da Luz insurgiram-se contra a anulação de um golo marcado pela equipa de Lisboa, por indicação do VAR, num fora de jogo de 2cm. Nesse jogo, penso que na capital, os do Norte saíram vitoriosos.
Já este ano, no Dragão, aconteceu o inverso. O árbitro anula um golo ao SLBenfica por fora de jogo, e o VAR repõe a verdade, validando o golo dos encarnados, por escassos centímetros, obrigando o árbitro a inverter a sua decisão.
Procurar dar transparência às competições só pode trazer mais adeptos. Não o inverso. O futebol tem de seguir este caminho. Se o futebol quer sobreviver como competição e fenómeno mediático, ou envereda por esta via, ou um dia as coisas descambam, como já aconteceu no passado, para a violência. Ela vai acabar? Talvez não. Mas a razão é boa conselheira.
Voltando ao seu texto. É verdade que o Japão é um grande país no plano económico, mas no plano futebolístico ainda está em crescimento. Tal como Marrocos. E também tenho sérias dúvidas que se não fosse a tecnologia, este golo seria anulado. Mas seria anulado por duas razões. A primeira porque nos parece estar fora. Até aí tudo bem. Mas o pior é que se até estivesse dentro, deixando alguma margem para jogos florais de bastidores, seria provavelmente anulado, porque o peso da Espanha na estrutura dirigente da FIFA é muito maior do que o Japão. Foi assim no Mundial de Inglaterra, contra Portugal. Foi assim no Mundial da Argentina e Alemanha contra a Holanda. No futebol não pode haver nobres e plebeus. Há apenas jogadores intervenientes numa competição.
Espero que a tecnologia fique. Para sempre. E cada vez melhor. Que uma nova era no futebol floresça, dando esperança a países mais pequenos como Portugal, entre muitos outros, de um dia poderem erguer troféus como o Campeonato do Mundo de Futebol, sem serem atropelados pelas máfias e oligarquias instaladas no dirigismo desportivo das mais altas instâncias do futebol.