Não merecemos os atletas que temos

Até ontem, poucos sabiam quem era Iuri Leitão. Ser campeão do mundo e triplo campeão europeu não chegou para fazer capa de jornal ou estar nas trends no Twitter. Até hoje.

O mesmo acontece com outros atletas, como a medalhada Patrícia Sampaio, a ginasta Filipa Martins, os canoístas João Ribeiro e Messias Baptista, a nadadora Angélica André ou os triatletas Vasco Vilaça e Ricardo Batista, agora mais conhecidos após participações de excelência nestes Jogos.

Dir-me-ão que o negócio é quem mais ordena e que as outras modalidades, para lá do futebol, não vendem.

Enquanto argumento estritamente económico, é legítimo. Enquanto statement de uma nação que as ignora durante 4 anos, com raras excepções, para depois exigir medalhas e considerar um quarto ou quinto lugar “fraco” não. É a prova de que não merecemos os atletas que temos. Mas temos e devemos ter muito orgulho neles. E exigir que tenham melhores condições para representar o país. O desporto português não pode ser só futebol.

Comments

  1. Luis says:

    Subscrevo!

    • JoaoSemRegras says:

      E no entanto é só futebol
      Já o era, mas a partir do momento em que os papás viram a oportunidade de produzir um mini cr7, puor ficou

  2. Já sabia que vinha aí o típico ataque ao futebol.

    Eu acho piada a isto. Para mim é uma típica resposta simples para um problema complexo.

    Se o futebol “é” o desporto português, gostava que me explicasse este estranho fenómeno de a maioria dos estádios de futebol estarem às moscas.
    É que só há 5 equipas em Portugal com assistências médias acima de 10 mil pessoas. Repito, CINCO.

    Gostava que me explicasse a razão para o Sindicato dos jogadores profissionais de futebol receber constantemente queixas de ordenados em atraso de clubes profissionais (!), com pré-avisos de greve.

    Gostava que me explicasse se o futebol português tem tanto potencial económico, porque é que à primeira há centenas de futebolistas a actuarem lá forma em ligas secundárias (os ordenados devem ser melhores, será?)

    Outra ideia errada é pensar-se que “não exigimos” melhores condições aos desportistas portugueses, quando é precisamente por haver melhores condições que os atletas portugueses conquistam medalhas em diversos desportos consecutivamente desde 1996 nos jogos. Em Barcelona em 92 foram zero. Em Tóquio foram 4.

    Até 1996, só tínhamos potencial para ganhar no atletismo (as outras medalhas em hipismo, esgrima, tiro e vela foram casos pontuais).

    De 2000 para cá, ganhámos em ciclismo, o judo tornou-se uma modalidade com crónicos candidatos a medalha, no triatlo a aposta continua a dar frutos, na canoagem idem. Isto sem falar em títulos mundiais. Nunca na nossa história tivemos tantos campeões do mundo em diversas modalidades. Alguma coisa está a ser bem feita.

    Portugal tem um Velódromo de nível internacional, tem diversos CAR de excelência, tem centros náuticos de nível internacional, o que não nos falta é infraestruturas de qualidade, ao contrário do que se pensa.

    O problema não está no desporto chamado futebol português, que aliás está em grave crise. A maioria dos clubes portugueses raramente vai longe na Europa, a maioria não consegue atingir a fase de grupos.
    A maioria dos países com um grande nível de futebol tem também um grande nível em diversos desportos.

    O problema é acharmos que o desporto se resume a 3 clubes e na ridícula mediatização que os média fazem a coisas menores do futebol. E eu que adoro futebol, acho que os média portugueses de desporto não percebem quase nada de desporto.

    De resto, o que falta aos atletas portugueses para ganharem mais medalhas nas olímpiadas baseia-se sobretudo em 3 factores: falta de patrocinadores; falta de acompanhamento dedicado para atletas, seja em recuperação física seja a nível psicológico (o que é difícil, fazer equipas únicas para atletas únicos – o problema de Fernando Mamede duvido que tenha sido resolvido a nível nacional); o outro é a falta de competitividade nacional – se há pouca competição mesmo ao nível de futebol, como se pode esperar que haja competitividade noutros desportos? A maioria dos nossos atletas têm de ir para outros campeonatos (ténis de mesa é um exemplo), e noutros casos quando chegam aos jogos apanham o choque dos grandes palcos (quantos corredores portugueses, por ex., alguma vez viram estádios de atletismo cheios? quase nenhum).

    O problema não tem nada que ver com o futebol. Tem a ver connosco, com a nossa falta gigantesca de cultura desportiva. Enchermos estádios para ver atletismo, por ex, seria um bom ponto de partida. Mas isso não vai acontecer tão cedo. Não há dinheiro para tanto.

    O problema começa logo nas escolas, quando põem gordos, magros, altos e baixos a fazerem os mesmos exercícios de ginástica, uma espécie de castigo, quando o desporto é o oposto, é a adaptação de corpos diferentes a diferentes modalidades, consoante o gosto de cada um. Nem todos os altos são bons em basquete, nem todos os baixos são bons a correr. Como não acontece, a maioria de nós detesta ver e fazer desporto.

    • JoaoSemRegras says:

      Ainda me lembro de mamar semanas e semanas de volei… como odiava aquilo. Isso e saltos de cavalo… dado por um “stor” que percebia tanto daquilo como eu de equitação.
      Discordando de partes… quando se diz que é futebol e futebol, fala-se de mediatismo, e sim, de interesse. Por culpa da sociedade em geral (porque comemos o que nos põem no prato), mas também de pessoas em particular. Se os pais não expõem a petizada a outras modalidades, normal que só venham a ver bola à frente.
      Quanto à prática, desde pequenino, quem quer, paga. São os clubes, mal ou bem, que ainda carregam isto, mas também precisam de viver, e pagar custa s muitos.

    • JoaoSemRegras says:

      Im ponto tem razão: aqui gosta-se de clubes*, não de desporto. Até adeptos do Barcelona, City ou selecção argentina nascem de geração espontânea. Ver um jogo do que for, pelo espectáculo, sem torcer fanaticamente por um dos lados é impossível.

      *é ver e ler o que se diz do Pichardas, outrora um pobre refugiado, hoje um traidor à pátria.

  3. JgMenos says:

    E nem quero pensar nisso!
    Será que nem mamam do orçamento?

    • POIS! says:

      Pois todos temos de reconhecer…

      Que não há mama que escape a JgMenos! É assim desde pequenino!

      E sempre que deteta uma fonte empertigada logo JgMenos lhe cai em cima, mas por razões patrióticas. É para evitar que os mamões do costume dela façam uso indevido.

      A Nação, deve-lhe um sincero agradecimento. Talvez no próximo Dia de Camiões, seja contemplado com a Grande Coleira da Ordem do Mérdito..

  4. Aires Esteves says:

    Excelente texto, e mais, os sucessivos governos e não só, nada tem feito para apoiar a cultura arte e o desporto em particular, preocupando-se mais com o futebol de onze, que pelos visto da lucro com o total apoio da maioria da comunicação social, ao serviço dos interesses da burguesia e do capitalismo rem particular…

  5. Padre Marx says:

    O que eu queria era ver a Argelina a mandar uns valentes sopapos naquela serigaita nariguda do Chunga e no Beto fozeiro que vomita por aqui de vez em quando.

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