O ano do cancelamento de Ricardo Reis

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Ricardo Reis é um dos economistas portugueses mais reputados, dentro e fora de portas. E estava na linha da frente para ser o novo economista-chefe do FMI.

Acontece que Ricardo Reis, sendo um economista sério, independentemente daquilo que possamos achar do seu pensamento económico e político, teve a ousadia de afirmar o óbvio: que as tarifas de Trump afectariam sobretudo o regular Sam.

Trump não gostou.

Reis foi cancelado.

E a sua candidatura a economista-chefe do FMI desconsiderada.

Quem o afirma é o Financial Times, esse perigoso órgão de propaganda comunista.

Se não servir para outra coisa, que o cancelamento de Ricardo Reis sirva para que a direita democrática – sobretudo a liberal que gosta de flirtar com Mileis e Bukeles – perceba que ninguém está a salvo do fascismo pós-moderno de Trump. Agora podem ser os “socialistas”, but make no mistake: os próximos “socialistas” serão vocês. E não digam que o Niemöller não avisou.

 

Seinfeld e os hipócritas

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Não me interessa se o Seinfeld vem ou não a Portugal.

Não muda nada.

Não salva uma pessoa, não acaba com a fome, não pára o genocídio.

E não faltam por cá colaboracionistas que defendem a matança e o terrorismo sionista nas principais TVs e jornais deste país.

Também não faltam hipocrisias.

Das alegadas feministas que promovem produtos da Prozis aos alegados cristãos a defendem o bombardeamento de civis inocentes, passando pelos nacionalistas que juram vassalagem aos líderes de outros países ou pelos anti-comunistas que deslocalizaram a produção para Guangzhou, temos cá de tudo, da esquerda à direita, do liberalismo mais selvagem ao conservadorismo mais castrador.

Também não me venham com as ligações da MEO ao regime sionista. Se vamos por aí, vamos ter que boicotar muitas empresas portuguesas. E todos os partidos do PS até aos neonazis. E clubes de futebol. E empresas de construção. E comunicação social. E marcas de roupa. E hipermercados. Nunca mais saíamos daqui.

Uma coisa te garanto: se o festival fosse patrocinado por uma empresa russa próxima do Kremlin e tivesse um putinista como cabeça-de-cartaz, não estaríamos a ter a mesma conversa.

E essa é a maior de todas as hipocrisias.

P.S: A direita woke guincha, histérica, com o alegado cancelamento do Seinfeld. Enquanto aplaude as perseguições, os homicídios de dissidentes e a proibição de livros que Trump e a sua seita de corruptos têm promovido. Parabéns, por conseguirem ser ainda mais morcões que a esquerda woke. Não foi fácil, mas vocês conseguiram.

 

Um esgoto alegadamente cristão

Repugnante é a palavra que me ocorre. Porque nada nesta notícia falsa e canalha, parida no esgoto neofascista do costume, é deixado ao acaso.

Primeiro, oferecem-se telemóveis aos refugiados ou imigrantes que chegam a Espanha. Milhões acreditam no absurdo. Gritam nas redes, juntamente com os bots das troll farms. A mentira espalha-se e transforma-se em verdade para alguns. Por muito que se desminta, o mal está feito. E propagar-se-á pela eternidade.

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Porque é que os oligarcas odeiam sindicatos? A Coreia do Sul explica.

Na Coreia do Sul, algo raro aconteceu que merece a nossa atenção.

O caso passou despercebido por cá, e percebe-se porquê. Porque, numa decisão sem precedentes, a Samsung decidiu distribuir cerca de 23 mil milhões de euros pelos seus funcionários.

Sim, leste bem: 23 mil milhões de euros.

Não foi na ordem dos milhões.
Foi na ordem dos mil milhões.

A decisão resulta de uma ameaça de paralisação total por parte dos sindicatos. A greve teria um custo muito elevado que a empresa não quis pagar.

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Morte, caos e miséria: o plano que a extrema-direita tem para ti

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Domingo paguei uma pequena fortuna para atestar o depósito do meu carro. E fiz bem. Tanto quanto sei, o valor do gasóleo atingiu ontem o valor mais alto de sempre.

Leste bem: o valor mais alto de sempre.

Desta vez, porém, o assalto em questão não é da exclusiva responsabilidade da ganância dos oligarcas monopolistas dos combustíveis, que é preciso taxar em proporção. Se eles nos podem explorar como senhores feudais, o povo tem o direito de lutar por ver a sua riqueza taxada. O assalto não pode ficar sem resposta e cada um luta com as armas que tem. Os oligarcas lutam com o dinheiro que lhes permite comprar políticos, órgãos de comunicação social e anúncios nas redes sociais. A nós resta-nos votar em quem esteja dispostos a taxá-los.

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Dizes estas merdas para nos sacar guita, Gustavo?

Juro-vos, pela minha saúde, que não queria emprestar o meu pequeno palco a uma figura tão sinistra como Gustavo Santos.

Um tipo tão cheio de si que se apresenta como uma espécie de enviado de Deus.

E, para grande espanto meu, há quem acredite.

Mas desta vez não pude deixar passar.

Porque isto mexe-me nas entranhas.

E porque sei, minimamente, do que falo.

Faz este mês 10 anos que me juntei à Acreditar.

Sou voluntário no internamento oncológico da ala pediátrica do São João.

Lidei com dezenas, talvez centenas de crianças com cancro.

Crianças, recém-nascidos, bebés e pré-adolescentes.

E com mães e pais desesperados, sem saber o que fazer.

Ora, segundo a pseudociência de treta de Gustavo Santos, o cancro resulta de estados emocionais como raiva, ódio, culpa, vergonha ou rancor.

E eu gostava de perguntar a esse oportunista, que faz vida da exploração dos medos das pessoas mais frágeis, que raiva, ódio, culpa, vergonha ou rancor tem um recém-nascido com um tumor cerebral, como já vi alguns.

Aliás, gostava de o ver dizer isso na cara dos pais dessas crianças. E ficar a ver o resultado da audácia canalha e sem vergonha.

É interessante, para qualquer pessoa que conhece as narrativas alucinadas desta pessoa, notar igualmente a incongruência. Se raiva, ódio, culpa, vergonha ou rancor fossem razão para ter um cancro, Gustavo Santos já teria uns 20.

É revoltante.

Imaginem a mãe ou o pai de uma criança que luta contra um cancro e ter que ler uma monstruosidade como a que Gustavo Santos proferiu.

É difícil descer mais baixo que isto.

Portugal precisa de acordar, de facto, e recusar a demagogia populista deste oportunista sem escrúpulos.

Nem uma criança com cancro respeita.

E isto diz-me tudo o que preciso de saber sobre ele.

Repugnante.

Absolutamente repugnante.

Leão XIV e a Al-Qaeda sionista

No final do Angelus de 16 de Agosto, o Papa Leão XIV dirigiu-se aos peregrinos presentes na Praça de São Pedro para apelar ao fim da violência israelita contra os habitantes da Cisjordânia. E instou a comunidade internacional a concretizar a solução de dois estados.

Segundo a rede de propaganda da Al-Qaeda sionista, que por cá recruta idiotas úteis em partidos, redes sociais e outros bordéis, Leão XIV é um antissemita.

Não porque verdadeiramente o seja, só um mentecapto pensaria tal coisa, mas porque a máquina de propaganda sionista é tão poderosa que consegue convencer imensas pessoas de que qualquer critica à política externa totalitária e genocida do governo de Israel equivale a odiar judeus. Uma conclusão, lá está, só acessível ao mais mentecapto dos mentecaptos.

Estranhamente, pelo menos por cá, existe um conjunto de pessoas, sobretudo de alegados conservadores e defensores dos valores cristãos, que discorda do Santo Padre. Que entende que os terroristas israelitas podem continuar a ocupar a Cisjordânia, a exercer violência sobre os seus habitantes, a roubar as suas casas, a destruir a sua propriedade e a arrancar as suas oliveiras. Que entende que massacrar inocentes civis, incluindo milhares de crianças, é compatível com os ensinamentos de Jesus.

Não é.

Jesus oferecia a outra face.

Netanyahu usa a fome como arma a mata crianças com bombas. O que o aproxima mais de Estaline e Hitler do que de Jesus.

Percebes a diferença?

Claro que percebes. Não és mentecapto.

Pedro Frazão guinchou: quer cancelar a Lusa

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Por azar, vi um vídeo do deputado Pedro Frazão, do CH, a guinchar, histérico, como uma criança de quatro anos a quem tiraram um brinquedo. Uma criança mal-educada, claro, porque nem todas as crianças fazem as figuras que o deputado Frazão fez naquele vídeo. Mesmo quando lhe tiram o seu brinquedo favorito. Anda um homem a educar o algoritmo para isto.
Que o CH tenha nos seus quadros, com elevado protagonismo, um neurótico desta categoria, surpreende um total de zero pessoas.
O que me surpreende é que a Opus Dei aceite um tipo destes nos seus quadros.

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Rute Sousa: selectivamente pró-vida?

Gaza: “É um horror. Há fome – fome total – no Norte, e está a avançar para  Sul” | Médio Oriente | PÚBLICO

Segundo Rute Sousa, uma mulher “conservadora” que considera que a comunicação social está tomada pela esquerda e pelo progressismo, algo que conjuga harmoniosamente com o facto de a SIC Notícias a ter vindo a promover activamente nas últimas semanas, uns dias como influenciadora, outros como especialista em comunicação, uma criança que seja violada pelo pai deve ser obrigada a ter o filho.

Vamos parar um minuto para pensar nisto.

Uma criança, que nem à adolescência chegou, deve ser obrigada a carregar um feto fruto de uma violação do próprio pai. Como se a possibilidade de se ser violada pelo próprio pai não fosse, por si só, horrenda, Rute Sousa defende que a criança deve ser obrigada a dar à luz um filho que é simultaneamente seu irmão, e viver com isso o resto da vida.

Tudo em nome da ideologia que a Rute defende.

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A Venezuela que a (extrema) direita gosta

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O sector infanto-juvenil da direita radical e da extrema-direita adora usar o argumento “Venezuela”, entre um macaco tirado do nariz e um vidro partido à pedrada.

Contudo, desde que Trump mandou raptar Maduro e chegou a acordo com o restante regime que governa o país há anos, a criançada mudou a cassete. Agora, aparentemente, a Venezuela é um país livre. Apesar de governado pela antiga nº2 do ditador venezuelano, do exército manter o seu poder e da população continuar a viver miserável e oprimida.

Da AD ao CH, passando, claro, pela IL, não faltam adolescentes fascinados com o novo regime venezuelano, que na verdade é exactamente o mesmo, sem Maduro. Parece que se libertou não sei quê. Presumo que terá sido dos barris de petróleo confiscados pelo cartel trumpista. Empreendedorismo do bom. Mercado a funcionar para os donos daquilo tudo, como os luso-salgados adoram.

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Leão XIV é anti-semita?

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No final do Angelus de 16 de Agosto, o Papa Leão XIV dirigiu-se aos peregrinos presentes na Praça de São Pedro para apelar ao fim da violência israelita contra os habitantes da Cisjordânia. E instou a comunidade internacional a concretizar a solução de dois estados.

Segundo a rede de propaganda da Al-Qaeda sionista, que por cá recruta idiotas úteis em partidos, redes sociais e outros bordéis, Leão XIV é um anti-semita.

Não porque verdadeiramente o seja, só um mentecapto pensaria tal coisa, mas porque a máquina de propaganda sionista é tão poderosa que consegue convencer imensas pessoas de que qualquer critica à política externa totalitária e genocida do governo de Israel equivale a odiar judeus. Uma conclusão, lá está, só acessível ao mais mentecapto dos mentecaptos.

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The Handmaid’s Tale, versão portuguesa Herbert Richers

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É injusto culpar a unipessoal André Ventura pelo surgimento de um movimento de instrumentalização político ancorado no fanatismo religioso, alegadamente criado por mulheres conservadoras. Também lá estão fundamentalistas do PSD e do CDS a ajudar os respectivos partidos a cavar a sua sepultura. Cada partido tem o necrófago que merece.

É bom deixar algo muito claro desde já: quem defende e celebra um genocídio, quem defende o ódio contra outros povos ou religiões e quem defende corruptos que encornam a mulher com prostitutas e actrizes porno está desde logo apresentado. Usam Deus em vão e incorrem em pecado mortal. Dito por outras palavras, são uma fraude. Ou, quiçá, são um estratagema do Diabo para encaminhar o rebanho para o fogo do inferno.

São, em toda a linha, a negação dos ensinamentos de Jesus que dizem defender.

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Frei Tomás, versão extrema-direita

Conheço – de vista – um construtor civil que gosta muito do André Ventura. Porque ele diz as “verdades”, pese embora seja o maior aldrabão da política portuguesa desde José Sócrates. Não admira que tenha votado nele.

Adiante: este construtor civil, ouvi-o eu dizer, está “farto de monhés” e quer, claro, que eles voltem para a sua terra. Curiosamente, tendo passado há dias numa obra da sua empresa, a esmagadora maioria dos seus trabalhadores, imagina tu, são do subcontinente indiano.

Sim, estamos perante um hipócrita, mas não é isso que me traz aqui. O que me traz aqui é que este caso ilustra uma realidade mais ampla, uma característica base da extrema-direita populista, que se resume a pregar como Frei Tomás. [Read more…]

A ameaça terrorista em Portugal

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Em Junho de 2025, a Unidade Nacional de Contra Terrorismo da Polícia Judiciária desmantelou o Movimento Armilar Lusitano, uma milícia de extrema-direita, de inspiração neonazi.

Esta organização terrorista, formada em 2018, defendia abertamente o uso da violência armada contra todos os seus alvos, fossem eles políticos de esquerda ou da direita moderada, imigrantes, ambientalistas ou membros de associações cívicas.

O plano, para além da consolidação do seu grupo paramilitar terrorista, incluía a criação de uma extensão política capaz de representar os seus interesses e de concorrer a eleições. No fundo, uma espécie de Hezbollah português. Resta saber quem seria o Irão destes fundamentalistas nazis.

O objectivo final, segundo a investigação da Judiciária, passava pela deposição do sistema democrático português, pela supressão do Estado de Direito e das liberdades e garantias constitucionalmente garantidas, substituindo-o por um regime totalitário inspirado pelas ideias de Adolf Hitler. Numa fase inicial, apurou a PJ, os terroristas pretendiam criar “tribunais populares” para julgar e executar aqueles que considerava responsáveis pelo “declínio da nação”, como é o caso de Nuno Markl, esse perigoso consumidor de banda desenhada.

Cada país tem o Estado Islâmico que merece.

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Para que serviu a Guerra no Irão?

Tankers struck near Strait of Hormuz amid Iran-U.S. tensions | PBS News

Aparentemente, o conflito no Irão terá chegado ao fim. E chega ao fim sem que qualquer objectivo enunciado por Trump no final de Fevereiro, quando ordenou o ataque contra o regime teocrático, tenha sido alcançado.

Contas feitas, os EUA não derrubaram o regime, não vergaram militarmente o Irão, não destruíram os proxies e, em bom rigor, não mudaram nem obliteraram coisa nenhuma. O único efeito prático da intervenção americana ordenada por Telavive foi a oferta, numa bandeja dourada, de uma nova e poderosa arma à Guarda Revolucionária Iraniana, que é quem, de facto, governa o país: o Estreito de Ormuz. Mais eficaz e fácil de usar que a hipotética arma nuclear que o Irão nunca teve nem estava perto de ter.

O regime americano sai deste conflito em pior posição no Médio Oriente. Aliados desconfiados e com elevados prejuízos, capacidade de produção e exportação de petróleo e gás altamente condicionada, portagens no Estreito de Ormuz e o stock de antiaéreas em mínimos históricos. Até os Patriot estacionados na Coreia do Sul foram transferidos para a região.

Já os oligarcas do trumpismo ganharam imenso dinheiro. Trump, os seus filhos, o seu genro, os techbros, os fundamentalistas evangélicos e os cryptomafiosos saem disto com os bolsos cheios. Os restantes – onde eu e o caro leitor nos incluímos – ficaram mais pobres.

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A obliteração de Thomas Massie

Rep. Thomas Massie, R-Ky., listens during a joint subcommittee hearing of the House Judiciary Committee, on Capitol Hill, April 1, 2025, in Washington. (AP Photo/Mark Schiefelbein, File)

Thomas Massie já era uma estrela do partido republicano quando Trump ainda comprava e votava em candidatos democratas.

Fervoroso opositor do intervencionismo militar, adepto do controle da despesa e de um governo limitado nos seus poderes, Massie foi e é o enfant terrible do Partido Republicano, mas não era um problema para Donald Trump.

Sobretudo se Trump tivesse cumprido o que prometeu.

Mas Trump não só não cumpriu, como, em muitos casos, fez o exacto aposto daquilo que prometeu em campanha.

O caldo começou a entornar-se quando Massie decidiu exigir toda a verdade sobre os ficheiros Epstein. E agravou-se com a oposição à Guerra do Irão e com a denuncia de um alegado “takeover” da administração Trump e do Tesouro Americano por parte do Estado de Israel, representado nos EUA pela poderosa e opaca AIPAC. Thomas Massie cumpriu a sua promessa eleitoral. Donald Trump, que fez campanha a prometer revelar os ficheiros, acabar com as forever wars e meter todas as fichas no America First, não.

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Prostituição política

“O resultado natural destas eleições é a vitória da AD”: a convicção de  Passos Coelho no regresso aos holofotes

Para alguns portugueses – incluindo André Ventura, que parecia um groupie erecto a contemplar o criador – Pedro Passos Coelho é uma espécie de figura messiânica e impoluta que paira acima do comum mortal.

Não é o meu caso.

Ainda tenho memória das mentiras pré-eleitorais, daquilo que foi feito a Manuela Ferreira Leite, da escolha entre a aprovação do PEC IV ou eleições internas, da Tecnoforma, do “ir além da Troika” e de outros sucessos de bilheteira que demonstram, de forma categórica, que Passos não só não paira como está ao nível de qualquer comum mortal, com virtudes – eu não as conheço, mas seguramente as terá – e defeitos.

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Flotilhas e Terroristas

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Duas flotilhas depois, fica claro que a iniciativa deu frutos. Expôs Ben-Gvir, um terrorista sionista execrável promovido a ministro, criou uma crise política que resultará, em breve, na dissolução do parlamento israelita, e isolou ainda mais o regime sionista, que nunca foi tão impopular. Por mérito próprio. E se Netanyahu cair e a democracia israelita ainda funcionar, veremos o genocida ser julgado e preso por corrupção. Seria a cereja no topo do bolo.

A diferença entre a primeira e a segunda flotilha, por cá, foi apenas uma: o ódio da extrema-direita e da direita radical contra Mariana Mortágua. E como na segunda flotilha iam dois médicos de boas famílias, quase não se viram os habituais grunhos a pedir execuções.

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Tamir Pardo, ex-director da Mossad, tem vergonha de ser judeu

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Tamir Pardo foi director da Mossad entre 2011 e 2016. Aparentemente, ter-se-á convertido num perigoso antisemita, pese embora seja judeu. A brutalidade sionista atingiu uma patamar de obscenidade tal que começa a ser difícil encontrar argumentos para a defender. Haja esperança nos israelitas com espinha dorsal.

Anti-semitismo, culpa colectiva e maniqueísmo

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Está a acontecer um fenómeno triste, revoltante e digno de análise, que não é novo nem parece ter as causas que os avençados da embaixada de Israel tentam vender em alguns órgãos de comunicação social.

O anti-semitismo está a aumentar.

Qual será a causa?

Não tenho como provar a minha hipótese, mas julgo que este aumento poderá estar relacionado com o genocídio em Gaza, com a ocupação violenta da Cisjordânia e com a terraplanagem em curso no Sul do Líbano. O ser humano, em condições normais, não lida bem com a morte em massa de inocentes, sobretudo quando há crianças massacradas nesta equação demoníaca. [Read more…]

Guerra Fria 2.0

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Regressamos a um passado de má memória em que duas superpotências ombreiam numa nova corrida. A falta de melhor termo, vou referir-me a ela como A Nova Guerra Fria.
A diferença – uma delas – está nos protagonistas, com os EUA na figura do incumbente hegemónico, ao passo que a China assume agora a posição que outrora pertenceu à (felizmente!) extinta URSS. E, convenhamos, mal por mal, Xi Jinping não é tão monstruoso como Estaline. O que não faz dele um tipo frequentável.
Outra diferença está na corrida. Esta não é uma simples corrida ao armamento. É à tecnologia, à robótica e, claro, em busca da supremacia no culto messiânico dos nossos tempos: a inteligência artificial. Bem vistas as coisas, acaba por ir dar ao armamento também. E à vigilância. E a supressão de direitos. Tudo aquilo que temos direito.

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O Culpado

Pode ser uma imagem de texto que diz "ECONOMIA E Juros da dívida nas economias desenvolvidas batem recordes e ainda devem subir mais até final do ano Portugal não é exceção Depois de terem disparado desde o início da guerra contra o Irão para máximos de vários anos, OS juros da dívida pública nas principais economias desenvolvidas vão continuar a escalar até ao final deste ano. Juros dos títulos dos Estados Unidos e do Reino Unido vão ficar acima de 5% no prazo a 10 anos. Obrigações do Tesouro português vão custar 4% 12:23 Jorge Nascimento Rodrigues"

Um dia, a narrativa será “a culpa foi político X”.

E de facto foi.

Do político Donald Trump.

Mas não será do abusador corrupto, das suas tarifas, ameaças, ou da sua guerra idiota que estaremos a falar.

Será do “culpado”.

Quem?

O primeiro-ministro que estiver em funções quando a bolha rebentar. Seja Luís Montenegro ou quem lhe suceder. A culpa é sempre do tipo que administra, com as mãos atadas por Bruxelas, nunca do sindicato do crime económico internacional que fabrica crises financeiras, golpes de estado e guerras. E lucra com elas. Com juros da dívida pública de países expostos e em apuros, por exemplo.

Deixem a NATO em paz

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A NATO não é o que Donald Trump quer que ela seja, dependendo de como acorda num determinado dia. E muito menos está ao serviço da sua oligarquia corrupta. Ou pelo menos não devia estar.

A NATO é uma aliança defensiva. Com regras bem definidas e plasmadas num tratado fundador. O objectivo primordial da NATO é garantir a defesa mútua dos seus membros. Não é atacar ninguém. E repare, caro leitor, que o que acabou de ler não é uma opinião minha. É o que está escrito no Tratado do Atlântico Norte, que deu origem à NATO e funciona como sua base legal. E foi exactamente com esses termos que os signatários concordaram e debaixo dos quais colocaram a sua assinatura.

Dito isto, o que aconteceu no Médio Oriente, por muito que abominemos o regime iraniano, e eu abomino-o com todas as forças, foi um ataque dos EUA e de Israel contra o Irão, não o contrário. Os Estados Unidos não foram atacados, o que significa que não existe enquadramento legal para envolver a NATO em mais um conflito provocado no Golfo Pérsico para encher os bolsos aos suspeitos do costume. E a Vladimir Putin, que é, literalmente, o grande vencedor desta guerra.

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Sorri, foste assaltado pela extrema-direita. Outra vez.

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O preço dos combustíveis voltou a subir.

Nunca é demais reforçar o factual: nenhuma gasolineira sobe os preços por necessidade ou por risco de falência. Os combustíveis que estão a vender foram comprados há vários meses, a preços bem mais baixos do que valor de referência à data de hoje. O que as gasolineiras estão a fazer é aproveitar-se da instabilidade causada pela guerra e de um monopólio controlado por meia-dúzia de empresas para aumentar os seus lucros.

O argumento dos impostos é falacioso. O problema não está nos impostos, mesmo que concordemos – e eu concordo – que são excessivos. Mas não foram os impostos que aumentaram. Foram os preços. Artificialmente. [Read more…]

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril.

Todos os anos e, se possível, todos os dias.

Porque o 25 de Abril é libertação, é igualdade perante a lei, é a liberdade de dizer o que pensamos, de votarmos em quem quisermos – incluindo em partidos que se opõem aos valores de Abril, algo que a ditadura nunca teria permitido – e de lutarmos pelos ideais que nos guiam.

25 de Abril é Democracia.
É a paz, o pão, habitação, saúde e educação.
Para todos, todos, todos!

Sim, ainda há caminho a fazer para cumprir Abril. Mas não te deixes iludir pelo cherry picking dos saudosistas da ditadura, cuja estratégia assenta em explorar as debilidades da nossa democracia para te bombardear com a maior mentira dos últimos 52 anos: antigamente é que era bom.

Só que não era. [Read more…]

O Evangelho segundo Quentin Tarantino

Nada disto surpreende. Até porque a religião, para um extremista, raramente é convicção. Regra geral, é um meio para atingir um fim. E, no caso dos nacional-populistas americanos, é evidente que personagens sinistras como Trump, Thiel, Bannon ou Miller são a absoluta negação dos valores do Cristianismo. De todas as formas possíveis.

Mas não deixa de ser mais uma prova factual do quão vazio, mal encenado e patético tudo isto é, ver Pete Hegseth, o troll fundamentalista que dirige o Pentágono, usar o monólogo do Samuel L. Jackson na cena do apartamento do Pulp Fiction, durante uma oração do próprio perante militares e familiares do soldado resgatado no Irão, como se de uma passagem bíblica se tratasse.

Spoiler alert: não é Ezequiel 25-17. É Quentin Tarantino.

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O Anticristo

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Qualquer outro líder político que cometesse a “heresia” de se retratar como Cristo seria imediatamente sujeito a um Auto de Fé digital e queimado na fogueira das redes sociais pela turba de alegados cristãos parida nas catacumbas do nacional-populismo.
O chapinhar na lama e os guinchos seriam ensurdecedores.
Diriam tratar-se de um ataque inaceitável contra a matriz judaico-cristã, contra os valores da família, contra a tradição e mais não sei o quê. Haveria indignação, teorias da conspiração sobre o anticristo e petições para ilegalizar a existência dessa pessoa. Pedir-se-iam cabeças. Literalmente. É gente violenta. Gente que diz adorar Jesus, apesar de se assemelhar mais ao Maomé das guerras do século VII.

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Viktor Orbán e derrota da oligarquia nacional-populista

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A queda de um autocrata é sempre motivo de celebração. Melhor ainda quando cai por dentro, sem derramamento de sangue. Sem violência policial ou tentativas de golpe de Estado. Sem terrorismo, vá.

Mas não foi só Orbán que perdeu.

Perdeu Putin, que ficou sem o seu cavalo de Tróia no Conselho Europeu.

Perdeu Trump, que viu cair o aliado mais importante em solo europeu, após se ter envolvido directamente na campanha e ter enviado Rubio e Vance a Budapeste.

Perdeu Netanyahu, que tinha em Orbán um defensor do genocídio em Gaza e da colonização da Cisjordânia.

Até Xi Jinping, que tem privilegiado a relação com a Hungria, pode sair a perder desta eleição.

Ganhou a democracia.

 

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Viktor Orbán: o corrupto favorito de André Ventura

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Sim, eu sei: quem é que quer saber da Hungria? A menos que Portugal vá lá jogar – e até foi, em Setembro, fazer uma bela partida, que vencemos por 2-3, com aquele golaço do Cancelo – ninguém quer saber da Hungria.

Acontece que a Hungria dos anos 20 deste século, mais do que o culto da Seita dos Trumps dos Últimos Dias, é o farol de propaganda e o laboratório de ideias que cria a jurisprudência da internacional iliberal.

“Iliberal” é um eufemismo muito bem sacado.

Para uma oligarquia com um nível de corrupção idêntica à russa, uma colonização quase total dos tribunais, da administração pública, dos grandes negócios do Estado e da comunicação social, que distorceu o sistema eleitoral em seu benefício, enquanto enriquece os homens do presidente, “iliberal” soa muito fofinho. Mais ainda se tivermos em conta o alinhamento fraterno com Moscovo e Mar-a-Lago, ou a honra que lhe foi concedida por Pequim, que incluiu a Hungria no périplo de Xi pela Europa, em 2024, parte de uma lista restrita de apenas três países: Hungria, Sérvia e França.

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A melhor arma contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia

Provedoria de Justiça pede revisão de candidaturas recusadas no programa  “Edifícios Mais Sustentáveis” - Expresso

No episódio do A Prova dos Factos que tem Mafalda Livermore como protagonista, é na reportagem que não tem nada a ver com o CH que podemos ter um vislumbre da formação do combustível que alimenta a narrativa da extrema-direita.

A investigação conta a história de várias associações de condóminos que submeteram pedidos de obras de beneficiação energética em prédios antigos, ao abrigo do PRR, e que, dada a demora da tutela em despachar os processos, muitas obras aprovadas correm o risco de não avançar devido à validade do apoio que termina a 30 de Junho.

A incompetência da tutela é revoltante. O Fundo Ambiental, que gere os 12 milhões de euros disponíveis, foi incapaz de cumprir os prazos a que estava obrigado. A investigação da RTP revela que as candidaturas submetidas até ao final de 2023 deveriam ter sido analisadas em 60 dias úteis. Algumas demoraram 540 dias. Um ano e meio.

Há também o caso dos pagamentos atrasados, e não são poucos, que colocam em causa a continuidade de obras em curso. A Prova dos Factos entrevistou gestores de alguns projectos que garantem que obras em curso há meses ainda não receberam um cêntimo do Fundo Ambiental. E empreiteiros que ameaçam deixar obras a meio se continuarem sem receber.

Incompetência total.

Mas não são só obras que se perdem. É o dinheiro que aquelas pessoas puseram do seu bolso. São horas de trabalho pós-laboral. São custos com autorizações, licenças, taxas e taxinhas. É a expectativa de uma vida um pouco mais confortável que se perde, em edifícios antigos e, em alguns casos, bastante degradados. Onde faz muito frio no Inverno e demasiado calor no Verão. É o Estado que falha. São as instituições. É o sistema. E a União Europeia também.

Nada mina a democracia como a incompetência, calculada ou não, que tende a prejudicar sempre os mesmos. É terreno fértil para a narrativa da “bandalheira” germinar. Experimenta colocar-te no lugar daquelas pessoas, muitas delas reformadas, com rendimentos pequenos e dificuldades grandes, que passaram os anos 90 a ver tratantes a sacar milhões em fundos europeus para criar empresas que duraram pouco, mas tempo suficiente para sacar um Ferrari, uma mansão, um apartamento na praia e uma reforma dourada. Quem os pode condenar por acreditar que o “sistema” só beneficia a elite e não lhes serve para nada?

As melhores armas contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia são boas políticas públicas, pessoas competentes e geri-las e justiça social. Quando estão presentes, a democracia é mais forte e o bom senso prevalece. Não é assim tão difícil. Ou pelo menos não devia ser.