Obrigado, Cavaco!

Na capa do DN desta semana, o homem que foi financiado várias vezes pelos Espírito Santo, e que, talvez por isso, nos assegurava, a poucos dias do início da derrocada, que o BES estava sólido, posa em frente ao seu elefante branco, que derrapou qualquer coisa como 500%, não se aproximando, ainda assim, do assalto que alguns criminosos seus amigos protagonizaram via BPN, com o qual Cavaco fez bom dinheiro através da compra e venda de acções. Se Portugal é lanterna vermelha do Euro, não podemos deixar de lhe agradecer o inestimável contributo.

Livre arbítrio e imposição coerciva: descubra as diferenças


Faz-me imensa confusão, esta comparação disparatada entre a possibilidade do governo nos enfiar uma app telefone adentro, transformando agentes de segurança em monitorizadores de telemóveis, e os dados que entregamos voluntariamente aos Facebooques da vida. Será assim tão difícil de perceber a diferença entre uma imposição coerciva e uma decisão pessoal e voluntária?

Sejamos sérios: se eu, ou qualquer um de vocês, decide entregar informação pessoal a uma plataforma digital, bem ou mal, é de uma escolha livre que se trata. Uma escolha que pode ser revertida a qualquer momento. Se um governo decide impor uma aplicação, fazendo uso de multas e de patrulhamento policial, é o espírito da democracia que está a ser posto em causa. São os nossos direitos, liberdades e garantias que estão na prancha. [Read more…]

Neo-nazismo ilegalizado

A democracia alcancou hoje uma grande vitória, com o veredicto da justiça grega que ilegalizou o partido de extrema-direita Aurora Dourada. A partir deste dia histórico, para a Grécia e para todo o mundo democrático, o gangue neonazi grego passou a ser, oficialmente, uma organização criminosa.

Na foto podemos ver o arianíssimo Nikos Michaloliakos, líder do Aurora Dourada e negacionista do Holocausto, condenado por liderar uma organização criminosa responsável por homicídios, espancamentos, perseguições e outras actividades comuns entre a extrema-direita. O julgamento condenou ainda 68 outros arguidos, entre eles 18 ex-deputados do partido. Não admira que esteja com este ar de zangado.

Que a Europa ponha os olhos no berço da democracia e ganhe coragem para, de uma vez por todas, ilegalizar e julgar todos os criminosos que querem fazer do medo e da violência uma arma política. O lugar deles é na prisão.

Durão Barroso, vacinas e marxismo cultural

É o exemplo acabado de um político de carreira. Quando batia, na década de 70, doutrinou-se em marxismo cultural e foi dirigente do MRPP, extrema-esquerda a sério, maoista. Na década de 80, tornou-se social-democrata, no sentido PPE da coisa, e rapidamente chegou ao governo de Cavaco Silva. No início dos 90 já era ministro dos Negócios Estrangeiros, o ministério perfeito para fazer amigos e entregar currículos, e por ali ficou, sereno, até ao final do cavaquismo.

Uns anos de oposição depois, chegou a primeiro-ministro, mas por curto período de tempo. A sua guerra era outra, e foi como mordomo da fabricação de uma que se lançou numa imparável carreira internacional. Começou na Comissão Europeia, de fraca memória, que liderou durante o desastre que foi a resposta da União à crise das dívidas soberanas, essa que se revelou um enorme sucesso de vendas para a entidade empregadora que se seguiu na vida de Durão Barroso: o Goldman Sachs. [Read more…]

António Costa’s Tancos-Vieira connection

António Costa foi a Tancos, pegou numa bazuca pelas orelhas e rebentou com os dois pés. O que ainda ninguém percebeu foi porquê. O que terá passado pela cabeça de Costa, a velha raposa política que sobreviveu a Sócrates para derrubar Passos com uma Geringonça, para se atirar de cabeça contra uma parede de betão? Estará a pôr-se a jeito para perder as próximas eleições? Para forçar antecipadas? Terá sobrestimado a sua popularidade, que já conheceu melhores dias? Ninguém sabe. Tirando o próprio e os assessores que terão passado o chão a pano. [Read more…]

E a Festa do Avante, pá?

Num ápice, a Festa do Avante deixou de ser tema. E só voltará a sê-lo, apenas e só, caso seja identificada alguma cadeia de contágio que possa ser comprovadamente associada à festa comunista. E porque deixou a Festa do Avante de ser tema, assim, num ápice, depois de meses a fazer manchetes atrás de manchetes, a alimentar indignações de Rui Rio e outros notáveis militantes do PSD e do CDS-PP, para não falar na fachosfera, para gáudio de uma certa turba embrutecida? Porque o Santuário de Fátima conseguiu fazer incomparavelmente pior que o PCP, que, apesar de tudo – e estou perfeitamente à vontade para o dizer, visto que me opus à realização da Festa do Avante – foi exímio a organizar a sua festa. Já o Santuário de Fátima meteu tanta água, no passado 13 de Setembro, que, a meio das cerimónias, viu-se obrigado a impedir a entrada de fiéis no recinto do Santuário, que se acumularam no exterior, gerando mais um foco de confusão e de potencial contágio. [Read more…]

Cinco questões sobre a celebração do 13 de Setembro, em Fátima

  1. Marcelo Rebelo de Sousa já criticou a DGS por não apresentar antecipadamente as regras sanitárias para a realização deste ajuntamento de milhares, tal como fez a propósito da Festa do Avante?
  2. Qual iniciativa garante melhor o distanciamento social entre os seus participantes: o Avante/PCP ou esta peregrinação/Santuário de Fátima?

  3. Qual é a área disponível por peregrino, considerando a área total do recinto do Santuário? É inferior ou superior à verificada no recinto da Festa do Avante? [Read more…]

André Ventura, o autoproclamado anti-elite no bolso de Luís Filipe Vieira

Querem saber quem é o verdadeiro André Ventura, para lá da propaganda orientada para degustadores de gelados com a testa? Reparem então naquela que tem sido a postura do “tipo que diz as verdades”, sempre tão rápido no gatilho quando o primeiro-ministro lhe aparece na mira, refugiado na sua ensurdecedora cobardia de cartilheiro, incapaz da habitual ferocidade, apesar de estarmos perante um dos mais graves escândalos de promiscuidade institucional que envolvem António Costa.

Exactamente: é a postura de um coelho anão bebé, manso e sossegado, que já teria escrito 140 tweets, convocado duas manifestações, pedido a demissão do primeiro-ministro e repetido a palavra “vergonha” 426.917 vezes, estivesse Costa na comissão de honra de outro presidente qualquer, igualmente envolvido em calotes de centenas de milhões de euros ao Estado, entre outros casos de polícia, entregues à justiça portuguesa. [Read more…]

Hortense Martins, o documento falsificado e o grau de culpa que não foi “particularmente elevado”

Em 2011, já no desempenho de funções parlamentares, a deputada socialista Hortense Martins assinou um documento, no qual renunciava às funções de gestora, exercidas na cadeia hoteleira do pai, apesar de nelas se ter mantido por – pelo menos – mais dois anos. Perante este crime de falsificação de documento, punível com até 3 anos de prisão efectiva, o MP pediu o arquivamento do caso e uma multa de 1000 euros. Mil euros, foi a astronómica quantia que a parlamentar desembolsou para que o seu  crime fosse arquivado. Sem que nada de particularmente incómodo lhe tenha acontecido. Até porque, reza a lenda, o grau de culpa da arguida não foi particularmente elevado. [Read more…]

Saudades da Santa Inquisição

Não vislumbro grande diferença entre este escrito e sermão-tipo de um qualquer fundamentalista religioso, algures numa montanha no Afeganistão. Segundo Ricardo Cristóvão, pároco de Alcobaça, a solução para “romances e poesias mundanas” é a fogueira. Tal como no tempo da Santa Inquisição, em que se queimavam livros e pessoas vivas no fogo purificador, a proposta do clérigo radical passa por reduzir toda a literatura herege a cinzas, pois as suas páginas, certamente obra de Satanás, “excitam a sensualidade” e “inflamam paixões”. No fundo, assegura o padre Cristóvão, trata-se do “meio mais seguro e poderoso para perder os jovens” à disposição do demónio. E basta um destes livros para desgraçar toda uma família. Allah akbar!

Ultraconservadores que não deixam ninguém em paz. Nem as crianças

No limite, este poderá muito bem ser o resultado de ceder aos fundamentalistas, religiosos ou não, que defendem um sistema de ensino vinculado às suas próprias crenças, mesmo quando essas crenças se “fundamentam” em ficções, extremismos ou teorias da conspiração. Ensinar o criacionismo, por exemplo, não pode ser uma opção. Ensinar que a Terra é plana também não. Não numa democracia liberal. Combater esses lobbies obscurantistas, orquestrados por um ultraconservadorismo elitista que pretende estupidificar para reinar, é um imperativo ético para todos os que prezam a democracia, sejam de direita ou esquerda, conservadores ou liberais. Porque o choque que se avizinha, a grande batalha que nos espera, não será entre a esquerda e a direita. Será entre os que se levantarão pela democracia e os que agora saem do armário para a abater. E já começou.

As noticias sobre a birra de André Ventura foram manifestamente exageradas

Se Ana Gomes ficar à frente de André Ventura nas Presidenciais, a probabilidade de o líder do Chega fazer aquilo a que se propõe neste tweet não deverá ser muito diferente daquela que se verificou relativamente à promessa eleitoral que fez, antes de chegar à Assembleia da República, quando garantiu aos portugueses que se desvincularia imediatamente de todas as outras funções exercidas, por imperativo de consciência, para se dedicar à actividade parlamentar em regime de exclusividade: 0%

QAnon: o pináculo da demência neofascista

Entretanto, numa manifestação de teóricos da conspiração contra o uso de máscaras, seguidores da seita QAnon clamam pela dupla Putin-Trump, que os salvará do deep state, das vacinas contra o sarampo, do marxismo cultural e, claro, de Satanás. São chanfrados? Sim, são chanfrados. E isso torna-os ainda mais perigosos. Já tínhamos os mujahedines, os telecurandeiros do dízimo e agora estes. Em princípio, é desta que o mundo acaba.

Segundo estas raríssimas espécies, “A Tempestade” está para breve. E o que é “A Tempestade”, perguntam vocês? É o dia em que o exército tomará o país de assalto, durante o qual milhares de membros da cabala mundial de pedófilos adoradores de Satanás serão presos e sumariamente executados, e a Terra será salva. Não é um Nineteen Eighty-Four, mas dava um bom argumento para uma série televisiva. A Netflix que abra a pestana. [Read more…]

Tolerância zero

Unlimited tolerance must lead to the disappearance of tolerance. If we extend unlimited tolerance even to those who are intolerant, if we are not prepared to defend a tolerant society against the onslaught of the intolerant, then the tolerant will be destroyed, and tolerance with them. — In this formulation, I do not imply, for instance, that we should always suppress the utterance of intolerant philosophies; as long as we can counter them by rational argument and keep them in check by public opinion, suppression would certainly be unwise. But we should claim the right to suppress them if necessary even by force; for it may easily turn out that they are not prepared to meet us on the level of rational argument, but begin by denouncing all argument; they may forbid their followers to listen to rational argument, because it is deceptive, and teach them to answer arguments by the use of their fists or pistols. We should therefore claim, in the name of tolerance, the right not to tolerate the intolerant.

O Index e a nova Inquisição

Quem nunca ouviu aquela boa velha linha, que vai mais ou menos assim: “só dás valor às coisas quando já não as tens”? Eu já ouvi, várias vezes, em vários contextos e por vários motivos. A propósito dela, da boa velha linha, há algo que, em certos países, se está a perder. Um algo ao qual talvez não estejamos a dar o devido valor, e que, suspeito, estamos em risco de perder. E não é um algo qualquer. É o jornalismo, um dos pilares que sustenta o edifício das sociedades democráticas. Mais ou menos independente, a morte do jornalismo profissional é uma tragédia para a democracia. E está a acontecer. Aqui e agora, na União Europeia dos direitos humanos e da liberdade de expressão.

O jornalismo pode morrer de muitas maneiras. A mais comum e eficaz é a morte por autoritarismo. Chame-se o que se lhe quiser chamar: autoritarismo, nacionalismo, democracia iliberal ou totalitarismo. Ou o bolsoliberalismo evangélico, subespécie alternativa e ainda pouco estudada, que destrói o jornalismo ao mesmo tempo que cria páginas no Facebook e no Twitter, com pastores evangélicos que pregam o criacionismo e a teologia da prosperidade, através da qual burlam a ignorância e compram bons helicópteros. Com mais ou menos porrada, mais ou menos exploração, vai tudo dar – literalmente – ao mesmo. [Read more…]

Avante, camarada Teresa Guilherme!

O Avante em tempos de Covid

Quero começar por dizer que, da parte que me toca, sou tão favorável à realização da Festa do Avante como a favor das praias a abarrotar sem controle algum, das portas escancaradas ao turismo no Algarve, com os seus holandeses e ingleses ela semear covid-19 no Algarve e o aeroporto de Faro a rebentar pelas costuras, das peregrinações em Fátima, dos concertos no Palácio de Cristal, das manifestações contra o racismo e a favor dele, ou até de algumas enchentes verificadas nas feiras do livro do Porto e Lisboa, para não falar nos comícios do Chega, onde a malta da extrema-direita, que ainda olha para o problema pela óptica bolsonariana da “gripezinha”, faz questão de se apresentar sem máscaras. Isto para vos dizer que, na minha opinião, qualquer organização, de qualquer natureza, que dê origem a grandes ajuntamentos não deveria ser permitida. [Read more…]

André Ventura combate o elitismo e o sistema na Quinta do Lago

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O último comício do Chega, o partido que afirma combater as elites e o sistema, realizou-se neste cenário nada elitista e absolutamente anti-sistema do Medusis Club, na popularucha Quinta do Lago. Um cenário exótico e sofisticado que tresanda a povo. O tal que André Ventura quer a pagar os impostos dos clientes habituais do club da Quinta.

Cocaína na Convenção Republicana

Entretanto, na Convenção Republicana, dominada por Trump, pelos filhos de Trump e pelas namoradas e namorados dos filhos de Trump, o stock de cocaína parece ter chegado ao fim. Vivem-se tempos perigosos e alarmantes, na Land of the free.

 

Tucker Carlson, o fantoche de Trump que saiu em defesa do assassino de Kenosha

 

A insustentável leveza da falsa equivalência

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Jacob Blake, cidadão americano, negro, desarmado, foi baleado por agentes da polícia de Kenosha, Wisconsin, com sete tiros, em frente aos seus três filhos. Está no hospital, paraplégico, a lutar pela vida.

Kyle Rittenhouse, cidadão americano, branco, armado com uma semiautomática AR-15, assassinou dois manifestantes que protestavam contra a brutalidade policial que vitimou Jacob Blake, dirigindo-se posteriormente na direcção da equipa SWAT no local, que não disparou qualquer tiro ou prendeu o criminoso, permitindo que o mesmo regressasse ao Estado vizinho do Illinois. [Read more…]

Censura fake em Viana do Castelo (com o alto patrocínio de Nuno Melo)

NM

O grande incêndio do passado fim-de-semana, no mundo paralelo das nas redes sociais, foi o vídeo de uma escola de dança de Viana do Castelo, alusivo às festas de Nossa Senhora da Agonia, alegadamente censurado pelo Facebook, devido a denúncias de racismo.

Fui ver o vídeo, que me chegou via WhatsApp, sem ponta de racismo por onde se lhe pegasse, e, quando dei por mim, o incêndio já consumia centenas de hectares virtuais no Facebook e Twitter. Impulsionada pela extrema-direita, nas suas versões oficial, dissimulada e “still inside the closet“, a narrativa era objectiva: a extrema-esquerda antifa e anti-católica havia desferido um violento e ignóbil ataque contra as bicentenárias festas minhotas. A intolerância, o comunismo, a Venezuela e até o Estaline tinham subido à Terra para censurar as jovens bailarinas. Mais um episódio de cancel culture, marxismo cultural e mais não sei o quê. [Read more…]

Bielorrúsia: o mundo real é fodido, não é?

Minsk

Entretanto, em Minsk, a onda de terrorismo de Estado avança, imparável. Um tirano, violento e decadente, que governa a Bielorrússia como se fosse sua, ordenou às forças de segurança que reprimissem os manifestantes, tendo já encarcerado, sem os procedimentos legais normais no resto (ou na maioria) da Europa, mais de 6 mil jornalistas, líderes associativos e sindicais, activistas, opositores políticos e outros “agitadores”. Isto não é comunismo, nem fascismo, nem outro ismo qualquer. Isto é uma monarquia absoluta travestida de República. E a Europa deve deixar-se de politicamente correctos e retaliar. Sanções, boicote económico, corte de relações diplomáticas, não sei. O que os decisores políticos acharem mais adequado. Mas isso obrigaria a fazer o mesmo à China ou à Rússia, só para citar dois exemplos, e seria too much. Porque produtividade, crescimento económico e competitividade e tal. E as democracias ocidentais também têm as suas prioridades. Tal como o capitalismo selvagem, que não funciona sem as ditaduras que providenciam a mão-de-obra barata semi-escrava.

O mundo real é fodido, não é?

O Chega e a glorificação da criminalidade violenta

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Esta manchete é de 2018

Se Portugal fosse um país racista, segregacionista, as manifestações de homenagem a Bruno Candé corriam sérios riscos de serem abalroadas por contramanifestações de neofascistas e neonazis violentos. Felizmente, ainda não chegamos a esse ponto. O racismo existe, está impregnado no nosso tecido social, das mais variadas formas, mas os portugueses, é minha convicção, não são um povo estruturalmente racista.

Isso não significa que o racismo seja um fenómeno residual. Não é. E, a esse respeito, vivemos tempos perigosos, aqui e em todo o mundo democrático. Tempos de ressurgimento de forças que promovem o racismo e a xenofobia, não raras vezes com violência à mistura, e que dão voz à boa velha ilusão conspirativa da invasão árabe, que destruirá a tal democracia europeia que também eles querem destruir, e a submeterá a sharia qualquer. Tão útil que ela é, para contornar os princípios mais elementares que presidem às democracias liberais, e ir por aí fora, a atropelar direitos humanos e liberdades fundamentais, Tiananmen style. E dizem eles que não gostam dos chineses. Tomara eles, poder “governar” como os camaradas do PC Chinês (suspiro). [Read more…]

A falsa equivalência

CR (2)

Na narrativa do fascismo do terceiro milénio, a luta por mais e melhores direitos civis, em particular de quem não os tem, representa uma ameaça à sobrevivência da nação e dos patriotas, seja lá o que isso significa para essas pessoas. Depois existem os idiotas úteis, que, não sendo necessariamente mal-intencionados, caem na esparrela da falsa equivalência, abrindo caminho para a normalização da extrema-direita. [Read more…]

À custa das nossas possibilidades

NB

Ricardo Araújo Pereira sintetizou o embuste na perfeição, numa das últimas edições do Governo Sombra: imaginem que eu tenho um quilo de maçãs, que me custou 2€, e vendo-o a uma pessoa, que eu não sei quem é, por 1€. E essa pessoa diz-me assim “tens 1€ que me emprestes?”, para me pagar o euro. Eu empresto, e depois peço ao fundo de resolução o euro que falta.

Não, não é nada estranho. Acontece todos os dias, em todo o lado onde o capitalismo é quem mais ordena. Desta vez soube-se, porque, convenhamos, o Novo Banco é um banco em decadência, desde a sua criação, e há muito dinheiro dos cofres públicos que se perdeu por lá, para não falar no Salgado, no Sócrates e nos restantes indivíduos que pilharam o GES, depois do GES ter pilhado meio mundo. E quando estamos a falar de pessoas e entidades caídas em desgraça, a coragem dos holofotes mediáticos tende a aumenta substancialmente. [Read more…]

Lições do fascismo português: como casar uma professora do Ensino Primário

facho

No tempo do Salazar é que isto era um país às direitas. Literal e orgulhosamente. Reparem no exemplo das professoras do ensino primário que pretendiam casar, e que só precisavam de aprovação do pai, de um parecer positivo do director do distrito escolar e da autorização do Ministro da Educação Nacional. Nada mais. Era ter estas três aprovações e estava resolvido o problema. Nada dessas modernices vagabundas, que estão a destruir a família cristã, em que a mulher escolhe o seu caminho e faz as suas próprias opções. Com Salazar e o seu grupo de forcados, poucas vergonhas como essa não passavam.

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Democratas não negoceiam com fascistas. Combatem-nos

Portugal não é um país racista, mas o Ultramar pariu uns quantos trogloditas que anteciparam Abu Grahib umas três ou quatro décadas. Num Estado decente teriam sido presos. Mas o Estado Novo não era um Estado decente. Era um gangue de criminosos e fanáticos religiosos, corruptos e crueis, que posava com cabeças de negros empaladas e fazia porta-moedas com as suas orelhas. E é também por isso que a história não pode ser branqueada e que o ódio racial deve ser combatido, sem contemplações. E quem se põe a jeito de fazer cedências ao Chega, o único partido a ter dirigentes que saíram em defesa do homicida de Bruno Candé, está a fazer uma escolha política e civilizacional. Uma escolha sem retorno.

Skid row: danos colaterais do capitalismo desregulado, selvagem e desumano

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Na west coast da maior potencia económica e militar da história da humanidade, no coração da quarta cidade mais rica do planeta, residência de estrelas de cinema, rockstars e tech moguls, famosa pelos seus excessos e extravagancias, com muito sexo, drogas, rock´n´roll e dinheiro à mistura, situa-se o bairro de Skid Row, a dois passos do Staples Center ou do Walt Disney Concert Hall.

Em Skid Row, cuja população ascende aos 17 mil habitantes, cerca de 2 mil angelenos vivem nas ruas, alguns debaixo de um banco de jardim, nos casos em que a pobreza é absoluta, a maior parte em tendas, instaladas nos passeios da cidade, que podem facilmente ser vistas no Google Maps, na 6th Street e em algumas das suas perpendiculares, como a San Julian ou a Crocker St. Sem surpresas, é tida como a área do país com maior concentração de consumidores de crack e de crystal meth. Uma desgraça nunca vem só. [Read more…]

O Estado de Direito não é negociável, senhor primeiro-ministro

É evidente e inquestionável, pelo menos para mim, que o respeito absoluto pelo Estado de Direito tem obrigatoriamente que ser condição sine que non, não para ter acesso ao bailout pandémico da UE, mas para integrar o projecto europeu. É até mais importante, mais indispensável para a pouca cola que ainda une este espaço de democracia liberal, onde a liberdade de expressão, o direito a exercer jornalismo livre ou a possibilidade de pertencer a movimentos associativos e sindicais são direitos invioláveis e inalienáveis. Não é coisa pouca, e basta olhar à nossa volta para perceber isso mesmo. Vivemos numa bolha de privilégio. Um privilégio pelo qual devemos lutar. Por nós e pela sua expansão a outros povos.

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