Otelo, liberdade e democracia

Há quem considere que Otelo foi um herói que, anos mais tarde, cometeu alguns erros. Mas Otelo não cometeu erros. Erro cometi eu, quando uma vez fechei a porta de casa com a chave metida na fechadura do lado de dentro. Já Otelo integrou uma organização terrorista que assassinou 17 pessoas, e isso não foi um erro. Porque os erros, como fechar a porta com a chave na fechadura do lado de dentro, são involuntários. Ou fruto de ingenuidade, de distracção. O que as FP-25 fizeram foi calculado, planeado, intencional. Hediondo. E a negação dos ideais de Abril.

Há quem considere que Otelo foi um simples criminoso. Mas Otelo foi nada menos que o cérebro da Revolução dos Cravos, a tal que nos libertou do fascismo opressor. Conspirou contra o regime, mobilizou militares e civis, correu enormes riscos, arquitectou o plano e dirigiu-o com genialidade, na noite de 24 para 25 de Abril, a partir do Quartel da Pontinha. Sem ele, a revolução que derrubou a ditadura poderia não ter sido possível. Com outro líder, é possível que a revolução tivesse sido sangrenta, que não foi. Otelo é, sem sombra de dúvida, um dos grandes obreiros de Abril. Da liberdade e da democracia. E o país, a liberdade e a democracia, devem-lhe muito.

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Armando Vara soma e segue. Encarcerado.

Armando Vara, figura proeminente do Partido Socialista na era socrática, foi deputado, secretário de Estado, ministro e exerceu ainda as funções de administrador da CGD e de vice-presidente do BCP. Apesar do percurso de “poderoso”, Vara está a cumprir o terceiro ano de uma pena de cinco, no Estabelecimento Prisional de Évora. Hoje foi condenado a mais dois anos de prisão efectiva, por crime de branqueamento de capitais. Serão, no total, sete anos de prisão efectiva.

A justiça portuguesa não goza – nunca gozou – de grande popularidade. Por culpa própria e da incompetência/cumplicidade dos legisladores que, efectivamente, tomam decisões. Não obstante, e perante os desenvolvimentos dos últimos meses, e, em particular, das últimas semanas, não me recordo de outro momento, na história deste país, em que tantos intocáveis tenham perdido a aura inimputável como hoje. Nem em quase cinco décadas de democracia, muito menos no tempo do regime estruturalmente corrupto de Salazar. E isso, num tempo em que a democracia é diariamente atacada por aqueles que querem regressar ao autoritarismo estruturalmente corrupto e totalmente impune, é digno de registo.

Vieira detido, Ventura contido

Quando são negros, ciganos, feministas, socialistas ou qualquer outro grupo de pessoas contra quem André Ventura e o Chega canalizam o seu ódio, todo e qualquer caso polémico ou de justiça, provado ou em investigação, é motivo para insultos, para gritos histéricos de “vergonha”, para as mais variadas acusações, regra geral sem fundamento, para as mais rocambolescas e estapafúrdias teorias da conspiração e até, como foi o caso da família Coxi, para chamar criminoso a quem não o é. Depois temos a detenção de Luís Filipe Vieira e o que ouvimos do homem que diz as verdades que os outros não têm coragem de dizer? Ouvimos:

A justiça tem que aturar de forma rápida, firme e transparente.

Nem um “vergonha”, nem uma indignação histérica, nem uma cena teatral com perdigotos pelo ar. Nada. Apenas um cachorrinho a fazer “beu beu”, tão baixinho que ninguém o ouve. Tão tímido que parece uma adolescente apaixonada na puberdade, perante o amor impossível com o barão do crime. Tão cobarde que se torna impossível não constatar o facto provado: Ventura é uma fraude e a sua agenda resume-me à imposição de uma sociedade autoritária. Acabar com o sistema e a corrupção? Nada disso. Ventura quer é o seu monopólio. E só não vê isto quem não quer. Ou quem quer o mesmo que ele.

Pavilhão Atlântico: mais um caso para o arquivo da direita

Pouco ou nada se falou sobre isto. O que não deixa de ser surpreendente, ou não vivêssemos nós num país comandado pela esquerda, com as instituições e a imprensa controladas pela esquerda, mais o marxismo cultural e não sei quê. E reparem que isto tinha tudo para correr maravilhosamente: está lá o Salgado e o Zeinal, a PJ queixou-se de falta de meios, o MP não ouvi nenhum dos intervenientes no negócio e até ligações ao caso Monte Branco ali existem. Só ficaram a faltar o Sócrates e o Carlos Santos Silva.

Sucede que o beneficiário da negociata é genro de Cavaco Silva, e Cavaco, o não-político com mais tempo de e no poder na história da democracia, goza de um estatuto de semideus que lhe permite ser um Sócrates sem sofrer as consequências de socratar. Seja no BPN, quando os protege, convida para comissões de honra ou faz bons negócios de compra e venda de acções, seja quando faz boas permutas na Herdade da Coelha, seja quando garante ao país que o BES está sólido e que os portugueses devem confiar nele. Enfim, nunca mais daqui saíamos. [Read more…]

Ignorante, cruel e elitista: eis o negacionismo de Maria Vieira

Na passada semana, no Canadá, as temperaturas atingiram valores próximos dos 50°. Na Columbia Britânica, foram reportadas 500 mortes súbitas, um aumento de cerca de 200% face ao período homólogo. Um incêndio na vila de Lytton, cujas causas estão ainda por apurar, levou à imediata evacuação de todos os suas habitantes e, pura e simplesmente, deixou de existir, devido a uma mistura explosiva de trovoada, ventos fortes e temperaturas elevadíssimas, nunca antes registadas.

A Amazónia, segundo um estudo recentemente mencionado pela revista Visão, já estará a emitir mais gases com efeito de estufa de que a absorver, em larga medida devido a combinação de acelerada desflorestação e expansão da agropecuária e da monocultura da soja. Em Madagáscar, a zona sul do país secou, e a fome instalou-se porque os solos deixaram de ser aráveis. Desesperadas, as populações alimentam-se de gafanhotos e cactos. [Read more…]

Joe Berardo, democracia e o monopólio da corrupção

A detenção de Joe Berardo, ainda que acabe por dar em nada (espero que não, teria muito gosto em vê-lo enjaulado durante vários anos e despojado de todos os bens, incluindo os que estão em nome de familiares e fundações, e deixá-lo só com o sorriso imbecil com que nos gozou a todos, há meses, na comissão de inquérito), bem como as prisões efectivas de Armando Vara e Duarte Lima, e, antes deles, de Isaltino Morais, ou mesmo José Sócrates, que chegou a ser detido, e que dificilmente escapará das acusações que lhe foram imputadas pelo juiz Ivo Rosa (wishful thinking, I know), pelas quais poderá passar mais de 10 anos na cadeia, são reveladoras de um aspecto que a cultura da indignação antidemocrática quer, a todo o custo, obliterar do espaço público, porque coloca em causa a narrativa e a agenda autoritária que se quer instalar no poder, seja através dos neofascistas agrupados no gangue chegano, seja através dos aspirantes a autocratas instalados noutros partidos, porque, uns e outros, continuam a ter em Salazar o seu referencial maior de estadista, na medida em que se possa chamar estadista à besta abjecta de Santa Comba Dão.

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Censurar a imprensa, e outras metodologias neofascistas do Chega

Na manifestação convocada pelo Chega – que é o mesmo que dizer “pelo André Ventura” – em frente à residência oficial do primeiro-ministro, onde uma imensa multidão de 150 pessoas, mais facho, menos facho, protestaram contra as medidas de combate à pandemia, o novo normal neofascista repetiu-se: um jornalista do Expresso foi impedido de fotografar a manifestação pela segurança de André Ventura e retirado do local à força, mesmo nas barbas de Ventura, sem que o deputado da nação mexesse uma palha para salvaguardar o direito daquele profissional a exercer a sua profissão. Nada que surpreenda. Não é a primeira, nem a segunda vez, e, seguramente, não será a última, a menos que se começam a meter os extremistas do Chega na ordem, como não aconteceu na manifestação do Movimento Zero.

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João Tilly encina as massas

João Tilly, “intelectual” e ideólogo do Chega, afirma, peremptoriamente, que Portugal é o país mais iletrado da Europa. Na frase seguinte, do alto da sua cátedra de alumínio com antena parabólica, usa a palavra (vamos chamar-lhe assim, para facilitar a interpretação do cheguês) “encino”. Estas merdas não se inventam.

E agora, André Ventura?

Foto via Facebook SL Benfica

Vais ficar do lado do Benfica, ou do lado do teu eleitorado homofóbico? Vais continuar a tomar o partido do bandido, com mais um dos teus truques de contorcionismo, ou vais alinhar no histerismo farsola que sempre te caracteriza nestas situações? Em suma, o que pesa mais na tua agenda? O Benfica, que te permitiu chegar onde chegaste, ou o extrema-direita, que permitirá manter viva a ilusão de que alguma vez serás mais que um Salvini da loja dos chineses? E agora, Ventura?

Orbán agradece a “neutralidade” do Estado português

A presidência portuguesa do Conselho da União Europeia termina dentro de poucos dias. Uma semana, para ser mais preciso. Ainda assim, essa curta semana serviu de argumento para que o governo português se recusasse a assinar uma carta subscrita por 12 estados-membros (Espanha, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Estónia, Letónia e Lituânia), que apela as instituições europeias para “utilizar todos os instrumentos à sua disposição para garantir o pleno respeito pelo direito europeu” face à legislação homofóbica aprovada recentemente pelo parlamento húngaro, que vem reforçar o segregacionismo da comunidade LGBT. O governo português, que alegou “dever de neutralidade”, por ainda ocupar a presidência do Conselho da UE, coloca-se, deste modo, do lado do opressor. Porque não existe verdadeira neutralidade quando perante um tabuleiro tão desequilibrado. Existe a coragem ou a rendição. E o governo português, sempre tão alegadamente progressista, escolheu vergar-se ao homofóbico neofascista Orban. Escolheu ceder quando não podem haver contemplações, como o primeiro-ministro holandês deixou hoje claro. E sim, isto deve preocupar-nos. Começam a ser sinais a mais de défice democrático.

Covidiotas “pela verdade”

Um tipo saudável, na casa dos 40/50 anos, que pratica exercício e corre a ocasional maratona, teve covid. A doença, que uma cambada de idiotas afirma não existir, destruiu-lhe os dois pulmões. Fui sujeito a um duplo transplante pulmonar. Safou-se. Outros não tiveram igual sorte. E outros, muitos outros, lutam contra as sequelas, como aquela jovem nadadora de 15 anos, que vi ontem no telejornal, e que nunca mais voltou à piscina, onde passava três horas por dia. Mas a cambada de idiotas, presumidos cientistas e especialistas em porra nenhuma, viram um vídeo no YouTube, feito por outro idiota de igual calibre, e descobriram a conspiração do século. Raispartam os covidiotas.

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Regionalização sim, mas só com um elevado nível de monitorização dos tiranetes autárquicos

Já fui um regionalista convicto, hoje tenho algumas dúvidas, nomeadamente no que diz respeito ao poder excessivo que a governação autárquica acumularia. A regionalização, para acontecer, terá que ir além de uma descentralização cega, onde Lisboa transfere quantidades significativas de poder para uma realidade onde abunda o compadrio, a fraude, o tráfico de influência e a corrupção. E, regra geral, onde o escrutínio é praticamente inexistente, dada a natureza quase monárquica e autoritária que reina de forma absoluta em algumas autarquias.

Não obstante, o Carlos Araújo Alves tocou num aspecto muito pertinente, que diz respeito à gestão da pandemia e ao efeito nefasto que, no continente, alguns concelhos, actualmente concentrados na Área Metropolitana de Lisboa, têm nos concelhos onde a situação está, pelo menos neste momento, controlada. Deixo o link para o texto do Carlos está na hiperligação em cima, mas tomei a liberdade de lhe roubar a imagem que o ilustra. A região espanhola da Andaluzia, para onde Ferro Rodrigues, do alto do seu elitismo parolo, instou os portugueses a rumar, é uma das piores a nível europeu. O J. Mário Teixeira pegou no tema  e fica a sugestão para passarem por lá. [Read more…]

Deixem os predadores sexuais em paz, suas vagabundas!

Há tempos foi um revisor da CP. No Domingo foi um condutor dos Transportes Urbanos de Coimbra. E, num caso como noutro, o batalhão de bestas quadradas que patrulha as redes e as caixas de comentários dos jornais deu o ar da sua mentalmente indigente graça e sentenciou o caso: são elas, as vagabundas, badalhocas, vadias e putas que provocam os inocentes abusadores. São as saias, os decotes e o cabelo solto e cheiroso. O homem bem quer ser o sexo forte, mas estas porcas obrigam-nos a ser predadores sexuais. As mulheres, no entender destes trogloditas, deviam vestir-se como na mais radical das ditaduras wahhabitas: tapadas dos pés à cabeça, com uma viseira estreita para não se espetarem contra as paredes. E ser lapidadas em caso de não conformidade. Não admira que estes merdas sejam contra o feminismo. Era o que mais faltava, as mulheres ganharem consciência da sua condição e insurgir-se contra o papel socialmente instituído de subalternas submissas dos homens. Umas radicais! Moderados são os machistas, os misóginos e os violadores. Estivessem elas fechadinhas na cozinha, de avental e bandolete, a cozinhar, limpar, lavar, arrumar e a cuidar dos putos, e estaria tudo bem. No tempo do Salazar não havia estas bandalheiras. Raisparta a democracia.

Cristiano Ronaldo, Coca-Cola e o Europeu dos autocratas

Gostei de ver a UEFA a sair em defesa da Coca-Cola, na sequência da ronalidice a que assistimos há uns dias. Até porque nem todos se podem dar ao luxo de cuspir no prato onde comeram, como fez Cristiano Ronaldo.

Por causa deste episódio, fui espreitar os patrocinadores oficiais do Euro 2020. E descobri que pelo menos um terço das empresas patrocinadoras são geridas por oligarcas e directamente controladas por um regime totalitário:

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A continuar assim, qualquer dia acordamos mesmo em Gilead

No mesmo dia em que a Hungria recebeu Portugal para o jogo inaugural do Grupo F do Euro 2020, o governo de Viktor Orban fez aprovar legislação que proíbe a “promoção” da homossexualidade junto de menores de 18 anos, e a “representação” da homossexualidade e da transexualidade em espaços públicos, no âmbito de um conjunto mais alargado de medidas, alegadamente orientadas para a protecção de menores e para o combate à pedofilia. Entre as medidas, filmes como o Diário de Bridget Jones e a saga Harry Potter serão proibidos a menores de 18 anos, por conterem menções à homossexualidade. O Harry Potter, então, é todo um tratado de ideologia de género. Wingardium LGBT.

Não é preciso ser um rocket scientist para perceber o que está aqui em causa. E o que está em causa é um novo ataque do governo húngaro aos direitos, liberdades e garantias de determinados cidadãos, em função da sua orientação sexual, para assim oprimir e segregar ainda mais estas pessoas, sob o falso pretexto da protecção de menores, demonizando a comunidade através da associação à pedofilia, sem qualquer tipo de fundamento, e tudo isto perante o silêncio cobarde/cúmplice (escolher uma, ou ambas) de uma União Europeia incapaz de fazer cumprir a sua Carta dos Direitos Fundamentais, que proíbe qualquer discriminação com base na orientação sexual. Sempre muito poderoso lobby, o LGBT!

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Black Lives Matter explicado às criançinhas

da forma mais objectiva, didáctica e visual-friendly que já vi. Mais claro do que isto, parece-me, é literalmente impossível. Não que isto sirva para converter um racista ou a fachosfera no geral, mas sempre serve para destruir toda a argumentação dos extremistas com pele de moderados.

Black Lives Matter ✊

Combater a extrema-direita? Nem com setas de brincar.

Acho muito bem que o Iniciativa Liberal tenha feito um alvo com as caras dos seus adversários políticos. Um pouco veneno nunca fez mal à política. É, aliás, transversal a toda a sua existência. E, se pensarem bem, o acto em si acaba por prestar um bom serviço à causa pública que é a de contribuir para uma sociedade mais transparente. Ao colocar Catarina, Rio e Jerónimo entre os malvados socialistas, deixando de fora Ventura, ficamos um pouco mais esclarecidos sobre quem são os verdadeiros adversários e as prioridades da IL. Combater a extrema-direita não parece ser uma delas. Nem com setas de brincar.

Futebol, o verdadeiro dono disto tudo: o caso Pedro Adão e Silva

Futebol. Um conjunto de instituições de exagerado poder, com tentáculos na política local e nacional, há décadas a viver acima das suas possibilidades e em situação permanente de falência técnica, em particular as suas elites, a quem tudo é permitido, seja corrupção, sejam fraudes fiscais, sejam os mais variados abusos de poder, seja o que for. Vale tudo e está tudo bem.

Até no interior do Parlamento se faz o poder futebolístico representar, através dos poucos fóruns onde o unanimismo reina, que são as associações de deputados-adeptos dos principais clubes, onde podemos encontrar um deputado do CDS a brindar com outro do PCP, e que, não raras vezes, até recebem os seus presidentes e outros dirigentes para almoçar ou jantar.

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Como se Putin precisasse de Medina para alguma coisa

Em Janeiro, um grupo de manifestantes juntou-se em frente à embaixada russa em Lisboa, para protestar contra o regime totalitário de Vladimir Putin, em particular contra a detenção de Alexei Navalny, um dos mais audíveis opositores da ditadura instalada no Kremlin. Meio ano depois, Expresso e Observador noticiaram o caso, que rebentou como uma bomba no espaço publico nacional.

Este caso, gravíssimo e intolerável, não se circunscreve ao alegado erro, que resultou na entrega dos nomes dos organizadores daquela manifestação às autoridades russas, conhecendo o historial de assassinatos de activistas perpetrados pelos sabujos de Putin, pese embora resulte de um procedimento em vigor há 10 anos. Ainda assim, deveria ser suficiente para Medina colocar o lugar à disposição e se afastar do exercício de cargos públicos até que tudo estivesse esclarecido.

Não quero com isto dizer – muito menos alinhar nas conspirações estapafúrdias e imbecis que li no Twitter e no Facebook – que Medina recebeu um telefonema de Putin para denunciar os activistas, e que o autarca fez o frete ao ditador russo. Isto é um absurdo a todos os níveis, até porque Putin não precisa das autoridades portuguesas para nada, logo a começar no facto de a manifestação ter decorrido em frente à sua própria embaixada, observada de perto pelos elementos do FSB com passaporte diplomático. Aliás, se os hackers russos conseguem minar as eleições nos EUA, certamente não precisarão de nenhum Snowden para entrar na rede CM de Lisboa e extrair toda e qualquer informação que lhes interesse.

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Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. E de recordar Alcindo Monteiro

Hoje celebramos o nosso país, Portugal, celebramos os portugueses, celebramos a nosso fabuloso idioma (hoje brutalizado por um acordo ortográfico absurdo), celebramos as forças armadas, as comunidades portuguesas e um dos nossos maiores vultos literários, Luiz Vaz de Camões, que, alegadamente, terá falecido neste dia, em 1580. Um dia de festa, de evocar o nosso passado e as nossas raízes, de enaltecer os nossos feitos, de comemorar a nossa existência comum e de pensar o nosso futuro. Um grande dia! [Read more…]

O dia em que André Ventura se rendeu e vendeu ao socialismo

Na narrativa oficial do Chega, os socialistas são inimigos e o socialismo é O alvo a abater. O discurso não podia ser mais agressivo e a generalização é a regra: são todos iguais. Mesmo todos. Ou será que não é bem assim?

Inês Louro, actual presidente da junta de freguesia da Azambuja, eleita pelo PS, onde milita há 31 anos e foi dirigente das Mulheres Socialistas, decidiu desvincular-se do partido para ser candidata à autarquia da qual faz parte a junta que preside, só que desta vez encabeçando a lista do Chega. O início deste processo de transferência já remonta a Abril, mas, estranhamente, pouco ou nada se falou dele.

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João Paulo Rebelo inaugura vedação

Inaugurar uma vedação, com a presença de um secretário de Estado, é a imagem perfeita da palhaçada encenada que é a realidade da maior parte das autarquias deste país, para não dizer de todas. Pior só mesmo o rebanho de idiotas úteis, sempre dispostos a dar o peito às balas por idiotices destas, a troco de um tacho ou de duas festinhas no lombo, enquanto abanam o rabo e pingam saliva no chão. É exactamente aqui que começa o estado a que isto chegou. Nesta mediocridade operacional e consentida.

Turismo de subserviência e outras cabritices

O Reino Unido anunciou hoje a exclusão de Portugal da sua “lista verde”, que permitia aos turistas ingleses fazer férias em Portugal e regressar ao país sem cumprir quarentena. A decisão das autoridades britânicas, baseada na evolução dos números da pandemia, era previsível, depois daquilo que foram os festejos do campeonato ganho pelo Sporting, que agora se reflectem no aumento diário de casos em Lisboa e Vale do Tejo. Ontem, por exemplo, 50,8% dos novos casos positivos foram registados naquela ARS. No dia anterior foram 60,6%. No anterior 81,6%. And so on.

A vantagem sobre outros concorrentes do turismo, como Espanha, Itália ou Grécia, durou pouco tempo. Foi desperdiçada. E, a continuar assim, depois do outro grande evento desportivo que foi o encontro de hooligans ingleses na Ribeira do Porto, corremos algum risco de, daqui por duas semanas, estarmos a assistir a um novo pico de infectados. E, eventualmente, mais restrições. Internas e impostas pelos países que cá vêm passar férias. Ou vinham.

E tudo isto porquê?

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Grupo Impresa: falido acima das sua possibilidades

Talvez nos cruzemos com eles numa qualquer comissão de inquérito no futuro, em que a Mariana Mortágua de então os entalará sem piedade, apenas para ficar a saber que todo o seu património se resume a um palheiro. Ou a uma mota de água. Como o vigarista protegido pelo bandido recentemente condenado, André Ventura. Ou como aquele grande empresário dos tempos do passismo, que tinha metade do passismo no bolso das moedas. Sem ter que pôr o Moedas a funcionar.

A comunicação social portuguesa, no geral, está financeiramente enterrada num buraco sem fundo. Quando a coisa rebenta, os bancos encaixam mais uma imparidade, que, mais tarde, pela via da gatunagem político-empresarial, acabará transferida e assumida pelo cofre fiscal de todos os portugueses. Porque, neste país, quem paga dívidas são os remediados e a periclitante classe média. A elite dos empreendedores parasitas não paga, reestrutura. E foge para o Brasil, ou para uma ilha paradisíaca qualquer, quando a coisa dá para o torto.

O que não se percebe, é como o Grupo Impresa mantém tantos canais no ar e títulos nas bancas. Como paga salários astronómicos a Ricardo Araújo Pereira e equipa. Como adquire formatos estrangeiros de sucesso. Como se financia uma instituição tão enterrada em dúvidas? Melhor: quem financia tal instituição? Aparentemente, não falta quem. Como não falta quem viva acima das suas possibilidades, ainda que falido.

Fora Bolsonaro

Entretanto, em São Paulo, Estado onde Bolsonaro ganhou por larga vantagem, na segunda volta das presidenciais de 2018, uma pequena multidão saiu à rua para exigir o seu afastamento. Com Dilma Rousseff começou assim.

Na Irlanda, Israel é, oficialmente, um Estado agressor que opera à margem da lei

No dia 26 de Maio, a Irlanda tornou-se no primeiro Estado da União Europeia a considerar e a designar oficialmente os colonatos israelitas no Cisjordânia como anexação de território da Palestina. Como uma agressão à margem do direito internacional. Como crimalidade patrocinada pelo Estado de Israel, portanto.

A moção do Sinn Fien obteve apoio parlamentar de todos os partidos, da esquerda à direita, e constitui um marco em décadas de submissão ao directório político-económico sionista por parte das democracias liberais. Porque é possível apoiar uma solução de dois Estados sem dar guarida ao modus operandi totalitário de Israel.

Pouco a pouco, o mundo civilizado acorda e continuará a acordar para o colonialismo sangrento de Telavive, até que só restem os aliados que os banqueiros sionistas da City e de Wall Street consigam pagar. Estou cada vez mais convicto que verei a Palestina livre no meu tempo de vida. Que assim seja 🇵🇸

Bandex – Cova da Moura (feat. Suzana Garcia)

Beat do ano. Mandávamos isto para a Eurovisão e os italianos nem cheiravam.

Bielorrússia, Israel e as virgens ofendidas que na verdade são putas

Não foi preciso esperar muito tempo até que aparecesse um representante do PCP, partido que se recusa a condenar o regime totalitário bielorrusso, a dizer que o sequestro do voo da Ryanair é condenável “mas…”. E este “mas”, segundo Lúcia Gomes, dirigente comunista, prende-se com as ligações à direita neo-nazi, nomeadamente ao Batalhão Azov, organização paramilitar e supremacista ucraniana, conhecida pela violência e pela determinação em transformar a Ucrânia numa ditadura de extrema-direita. Protasevich colaborou directamente com o Batalhão Azov e, inclusivé, integrou as fileiras da sua “jota”.

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André tem Mel

O Movimento Europa e Liberdade (MEL) realiza, estes dias, o seu muito falado conclave.

E o que é mesmo o MEL?

Não tenho bem a certeza. Tentei aceder ao site, para saber qual é a cena deles, mas estava crashado. Foi então que encontrei o cartaz do festival no Google, e fui ver o alinhamento. Segundo pude apurar, o MEL é uma convenção de direita, apesar de não se assumir como tal, onde políticos dos partidos de direita convivem com a fina flor da comunicação social de direita, com dois críticos internos de António Costa para fazer de conta que aquilo não é uma convenção de direita. Para quê tanta dissimulação? [Read more…]

A decorrer: atentado ambiental no areal da Praia do Ourigo

Porto, 20 de Maio de 2021. Poucos dias após o arranque da época balnear, deparo-me com esta fotografia, enviada por um camarada aventador, na qual podemos ver uma estrutura em betão armado, construída sobre o areal da Praia do Ourigo, na Foz do Porto. Será certamente um deleite para os turistas estrangeiros, ali poderem contemplar o Atlântico, enquanto comem e bebem algo chiquérrimo, mas o que ali se passa, verdadeiramente, é um atentado ambiental. Mais um.

Resta saber quem são os cúmplices do construtor e do proprietário, sendo sabido que a zona sobre a qual nasce este absurdo edifício é e continuará a ser propriedade do Estado, logo de todos nós. Isto teve o aval do Ministro do Ambiente, que vêm a ser portuense? A APA aprovou esta aberração? Rui Moreira licenciou? Os ambientalistas já se pronunciaram? O PAN, o PEV, o BE e o Livre, sempre tão activos na defesa do ambiente, já tomaram uma posição relativamente a mais este crime ambiental? Ou estará tudo a assobiar para o lado?