A maior parte do território que é a minha alma está ocupada por um imenso oceano de cinismo, em que os políticos são todos demasiado parecidos, a humanidade é essencialmente desagradável e o futuro é tão provavelmente mau que a felicidade é constituída por pequenas ilhas onde habitam hojes prazenteiros que convém aproveitar, porque os amanhãs até poderão cantar, mas há sempre o risco de desafinarem.
Esse cinismo afasta-me frequentemente do orgulho ou do sentimentalismo, mas há excepções. Lembrar-me da alegria do 25 de Abril e ouvir a “Grândola” deixam-me sempre arrepiado e perto da lágrima feliz.
Por estes dias, morreu Celeste Caeiro, lembrada pelo João Mendes. E eu, avesso a trompas épicas, impedido pela minha personalidade de ser bairrista, de ser saudosista ou de acreditar desmesuradamente em qualquer ideologia, sorrio, enternecido, quando me lembro que o símbolo de uma das revoluções mais bonitas da História saiu das mãos de uma mulher do povo, do mesmo povo que o monstro do salazarismo pisou durante quase 50 anos.
É por isso que, todos os anos, faço um pequeno intervalo no meu cinismo e pego num cravo. Muito obrigado, Celeste Caeiro.






Foi muito bonito o 25 de Abril, sim senhor!
Para além de evitar muita juventude de morrer numa guerra que não era dela não vejo mais nada de bom que daí tenha saído.
Somos “desgovernados” e roubados pelos mesmos.
Ah e tal, podemos falar!
Podemos?
Convém não falar demais!
Eu já não faço intervalo nenhum no meu cinismo!
“Para além de evitar muita juventude de morrer numa guerra que não era dela não vejo mais nada de bom que daí tenha saído”.
A sério, Herr Helder? A sério mesmo?
Pois! Acabava-se com a guerra e o regime salazaresco-marcelesco podia continuar, porque era uma beleza!
Hoje a malta, com razão ou por má língua, queixa-se todos os dias do Serviço Nacional de Saúde por uma razão muito simples: porque existe! Conheci pessoalmente e ouvi relatos de gente que morreu longe de qualquer assistência. (1) Inclusivamente na minha família!
Em 48 anos não conseguiram limitar o vergonhoso fenómeno das taxas de mortalidade infantil, ao nível do 3º mundo em concelhos do interior,, que o regime democrático, particularmente através do SNS, resolveu (em 10 anos baixou para metade, em 20 para 1/4…)
E o ensino público? O analfabetismo ainda grassava em 1974! 48 anos não deram tempo ao regime sequer para garantir 4 anos de escolaridade! No interior existia um liceu ou dois por distrito, umas escolas técnicas dispersas e ensino universitário para uma ultra-minoria de privilegiados! Queixas da escola pública? Há sim! Porque há escola pública!
E podemos falar, claro! Vosselência queixa-se? Tem sido censurado? Foi preso por liberdade de expressão? Condenado ao Tarrafal? Precisa de visitas? Vá lá, desembuche!
(1) Com exceção da do padre. Nessa altura existia um pujante serviço de extremas-unções. Nem sei porquê, por cá ninguém tinha a ousadia de pecar, O Oliveira da Cerejeira não deixava!
Tal como o 25 de Abril de 1974
Tal como os sonhos após o 25 de Abril de 1974
Tal como a esperança que o 25 de Abril de 1974 prometeu
Tal como a liberdade que o 25 de Abril de 1974 prometeu
Tal como os direitos a saúde, educação, habitação, trabalho, que o 25 de Abril de 1974 nos prometeu.
Tal como um sol que era para TODOS e seus descendentes, se apresentou com o 25 de Abril de 1974.
Tal como um Portugal mais justo para TODOS prometido pelo 25 de Abril de 1974.
CELESTE CAEIRO, a fundadora da iconologia dos cravos em25/04/1974, MORRE à espera numa urgência hospitalar, onde a ÚNICA LIBERDADE que teve com o 25 de Abril de 1974, foi a de MORRER sem quaisquer DIREITOS.
“uma grande merda”, mas já pensou que o SNS em 2023 teve um rendimento de 13.5 mil milhões de euros, o que não é nada mau. É o quê, mais ou menos 5% do pib português?
Já pensou que o que se passa pode ser um ataque colossal a esse rendimento? se funciona mal, mais apelativo para os privados.
Conforme disse Henrique Barros numa entrevista de 2019, “o SNS vai continuar a ser atacado porque representa um negócio brutal em termos do volume financeiro que move”.
100% de acordo
100% de acordo, assim como tudo o que os auto designados socialistas e ou sociais democratas, ou o mesmo fruto da mesma árvore podre e corrupta desde 75, a única coisa que querem é privatizar, privatizar, privatizar!… Razão tinha o Saramago: “…Privatize-se a real P Q os P”. Mas para os que esperam um CHEGA anti sistema e regime, desenganem-se, pois trata-se de um cogumelo nascido nas raízes da mesma árvore, ainda por cima bem venenoso.