O discurso do Presidente da República e o excessivo *contato com a luz

Item 3 (diente ‘tooth’) and Item 9 (tribus ‘tribes’) do not fit the structure /ˈCVCV/ strictly; nevertheless, diente was used to allow for closer comparison with the comments from Moya Corral (1977: 34–35) and tribus was used as the combination /ˈCiCu/ is extremely rare in Spanish.
A. Herrero de Haro

Et cantant novum canticum dicentes:
“Dignus es accipere librum et aperire signacula eius, quoniam occisus es et redemisti Deo in sanguine tuo ex omni tribu et lingua et populo et natione; et fecisti eos Deo nostro regnum et sacerdotes, et regnabunt super terram ”.
— Ap 5,9 (apud NV, cf. KJV)

The high linguistic diversity resulting from the extreme multiethnic and multilingual composition of the post – De Boeck recalled that in 1901-2 Bangala-Station was composed of “people ex omni tribu et lingua” and a real “Tower of Babel” (De Boeck 1940a: 91) – made a lingua franca a dear necessity, for which the Europeans considered the Bobangi pidgin the most ready candidate.
— Michael Meeuwis (pdf)

***

Apocalipse significa descobertaApocalipse significa revelação. No entanto, os assuntos de hoje diferem um pouco do implícito na epígrafe, onde encontramos salientadas palavras interessantes e muito actuais, quer no Antigo Testamento, quer em investigação recente. O primeiro assunto de hoje é, imagine-se só, política portuguesa pura e dura. O segundo assunto é o do costume.

Fiquei intrigado com o conteúdo deste texto de Alfredo Barroso e fui espreitar o discurso do Presidente da República. Efectivamente, pode discutir-se a consistência de argumentos contra a cerimónia na Assembleia da República, aduzidos, por exemplo, aqui no Aventar, por António Fernando Nabais, Carlos Garcez Osório, Fernando Moreira de Sá ou Francisco Figueiredo, e alhures, por outros intervenientes na vida pública, como Pedro Correia, Miguel Sousa Tavares ou João Soares. Aquilo que não se pode fazer, como faz Marcelo Rebelo de Sousa, é reduzi-los globalmente à [Read more…]

Grândola

Com sete letrinhas apenas se escreve a palavra Salazar

… e a ponte sobre o Tejo
— Pedro Ayres Magalhães/Heróis do Mar

T.V. is the reason why less than ten percent of our
Nation reads books daily
Why most people think Central America
means Kansas
— Disposable Heroes Of Hiphoprisy:
Television The Drug Of The Nation

Magro, sombrio, encurvado
sob o açoite do Pecado,
com que o persegue Satan,
o pobre gêbo parece o monstro do Lockness
ou um monge de Zurbarán.
— Roberto das Neves, “Salazar

***

Nasci no dia em que a PIDE assassinou José António Ribeiro dos Santos. Durante os meus anos portugueses, o 25 de Abril foi sempre vivido na baixa, na Avenida dos Aliados e arredores, quase invariavelmente na excelente companhia do meu pai. Nos meus anos alemães, comprava rote Nelken no Hauptmarkt de Trier e festejava Abril de cravo vermelho na lapela, enquanto pedalava a minha fiel Diamant, trauteando o E Depois do Adeus, no regresso à Olewiger Straße. Chegado a casa, eternizava Abril, depositando os meus cravos na jarra com água que projectava pela sala os raios de sol do quintal onde cresciam morangos selvagens. Ainda tenho essa jarra. Há bocado, aproveitei as compras semanais no supermercado ali da esquina e trouxe um perfume de liberdade em cravos a estes 44 dias de confinamento bruxelense. Estou eternamente grato a quem lutou pela possibilidade de Portugal ser um país livre.

Muita gente fica eufórica com este filme, no qual vemos a palavra SALAZAR a ser retirada à martelada da ponte mais a jusante do Tejo.

Não gosto deste filme. Efectivamente, eis um acto cheio de significado, baseado num princípio com o qual estou plenamente de acordo. Todavia, trata-se de um mero gesto de fachada. Os princípios de nada valem se forem materializados em actos para inglês ver.

Peguemos num princípio tão corriqueiro como ter o escritório de casa arrumado. Imagine-se agora que me dava para arrumar o escritório só quando tivesse visitas cá em casa. Obviamente, como sou uma pessoa de princípios, sentir-me-ia incomodado quando me definissem como sendo uma pessoa com o escritório de casa arrumado. Por esse motivo, deixei de receber visitas no escritório.

Com efeito, a carga simbólica da passagem de Ponte Salazar a Ponte 25 de Abril é imediatamente anulada pela persistente presença de Oliveira Salazar na toponímia portuguesa. Actualmente, Portugal continua a prestar vassalagem à memória de Salazar, da mesma forma que o Diário de Notícias o fazia no dia 27 de Julho de 1970, com o célebre (negritos meus)

Portugal está de luto. Morreu o Presidente Salazar. Esta manhã, às 9 e 15 deixou de viver um dos mais ínclitos portugueses da história de Portugal.

Exactamente (está à venda):

Em honra de Salazar, até existe uma alameda (uma alameda!) em Vila Nova de Gaia (em Vila Nova de Gaia!). Para quem não souber, Vila Nova de Gaia é o terceiro maior concelho de Portugal, ficando a dita alameda no Olival. Enquanto houver uma Alameda Dr. Oliveira Salazar em Vila Nova de Gaia, enquanto andarem por aí cantando e rindo, é escusado voltarem a passar o filme da ponte no meu televisor.

Há uma grande diferença entre o país ideal, com o cravo de Abril na lapela e com a Ponte 25 de Abril sobre o Tejo, e o país real, com a Alameda Dr. Oliveira Salazar no terceiro maior concelho do país e com o povo viciado em televisão a aproveitar a primeira oportunidade que lhe aparece à frente para fazer de Salazar o maior português de sempre, espalhando-se a notícia em inglês, alemão, eslovaco, francês, espanhol, checo, neerlandês, croata, etc. De facto, como previsto no Livro de Leitura da 3.ª Classe de 1937 (pdf), as gerações futuras haviam de “dizer baixinho, de olhos fitos no altar da Pátria – Foi um grande Português!“.

Escutemos essas horríveis palavras, na maravilhosa leitura em voz alta de Mário Viegas: [Read more…]

Apeadeiro da Meia Praia

apeadeiro_meia_praia_linha_do_algarveAli mesmo ao pé de Lagos.

Seguidismo

seguidismo – substantivo masculino, qualidade de quem segue ou é defensor incondicional de alguma ideia, teoria ou partido, sem nunca se questionar ou fazer juízos de valor (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

 

Eu, finalmente, consegui perceber. E foi mais uma vez a voz avisada da Directora-Geral da Saúde, pessoa de elevada perspicácia, coerência e assertividade, que me mostrou a “luz”. A justificação para se poder comemorar o 25 de Abril nos moldes em que vai ser comemorado na AR, está na própria configuração do Parlamento. É a forma arquitectónica, o amplo espaço interior e o desenho avançado do hemiciclo que garante as condições sanitárias para que a comemoração se possa fazer tranquilamente. Eu, limitado como sou, apesar de ainda não precisar de um manual de instruções para cantar o que quer que seja à janela, principalmente quando me permitem desafinar e fazer “lyp sinc” (não faço a mínima ideia do que seja, mas como está em servo-croata, deve ser coisa modernaça), pensava que era o estatuto das pessoas ou a própria data. Mas não. Aliás, nem podia ser de outra maneira. Não se iria, obviamente, comemorar uma data que prometeu acabar com os privilégios das castas políticas e com a desigualdade de direitos que o Povo experimentava, fazendo EXACTAMENTE a mesma coisa. Obrigado, Graça Freitas.

[Read more…]

Vamos festejar qual 25 de Abril??? E desculpem lá o francês…

Revolución-de-los-claveles

O 25 de Abril de 74 é mais do que uma data. Quero festejar a data sempre, todos os dias e não num dia certo. A questão aqui é outra. Querem festejar o 25 de Abril em 2020? Força, por mim podiam ir todos para a AR, a seguir descerem a Avenida de Liberdade. Sou suficientemente liberal para defender que cada um faz o que muito bem entender DESDE que não prejudique os outros. E este, até prova médica cientifica em contrário, é o ponto essencial de tudo o que se está a discutir.

Se os bacanos que o querem fazer e o fizerem em ABSOLUTA segurança para terceiros, que no final das comemorações se coloquem em quarentena durante 15 dias, então façam o favor. Agora, não me venham com as hipocrisias do costume: vão festejar o quê? O 25 de Abril prometido ou o 25 de Abril que eles, directa e indirectamente continuam a criar prejudicando a esmagadora maioria dos portugueses? É que esta malta que tanto quer ir para o folclore de Abril é a mesma que pactua com os Jerónimos Martins e boa parte das empresas do PSI20 cujos lucros são tributados nas “holandas” desta vida, são os mesmos que deixam os bancos matar as empresas exigindo, em clara violação da Lei, garantias pessoais  nas linhas COVID19, são os mesmos que deixam os senhores da EDP fazerem o que querem (e estão lá todos, os que chuparam aquilo enquanto foi do Estado, os que a privatizaram aos chineses por tuta e meia e, todos eles, que sustentam esse verdadeiro DDT chamado Mexia.

[Read more…]

25 de Abril com distanciamento social

Adoro o 25 de Abril. Se o 25 de Abril fosse uma pessoa, faria tudo para que me considerasse seu amigo. Todos os anos, comemoro o 25 de Abril, porque o considero um dos meus maiores amigos. A generosidade do 25 de Abril vai ao ponto de ser bom para quem não gosta dele. Às vezes, penso que o 25 de Abril chegou a frequentar a catequese e saiu de lá cheio de amor ao próximo, incluindo os vendilhões do templo. Não que seja perfeito, mas não me lembro de ter amigos perfeitos.

O meu amor ao 25 de Abril não vai ao ponto de gostar das comemorações oficiais. Não preciso delas. Por um lado, irritam-me os que se consideram seus proprietários, censurando os que não gritam as mesmas palavras de ordem; por outro lado, ainda me irritam mais os que nunca lhe perdoaram, os que participam nessas comemorações a contragosto, exibindo, julgando-se superiores, a ausência do cravo na lapela, sempre prontos a descobrir defeitos na democracia e a relativizar a ditadura, a ditadura do Salazar honesto que não metia dinheiro ao bolso, como se isso transformasse um escroque num virtuoso.

Os que querem comemorar o 25 de Abril à força fazem-me lembrar os beatos que só podem orar a Deus em Fátima, numa estranha crença que, como é costume, chega a desprezar a Omnipotência em que, afinal, não acreditam. Não lhes ficaria mal, num tempo em que se recomenda o distanciamento social comemorarem o 25 de Abril à distância. [Read more…]

Bem prega frei Tomás…

Será hoje votada na A.R. a renovação do estado de emergência, que deverá manter em casa a maioria dos portugueses. Aproximando-se a data do 25 de Abril, decidiu o parlamento manter a sessão solene de comemoração da data, mas pasme-se, apesar de reduzir os deputados no hemiciclo a um terço, decisão controversa, porque cada deputado é titular do seu próprio mandato, que não pertence aos partidos e muito menos ao presidente da A.R., pelo que à partida, só não estarão presentes os deputados que não quiserem estar. [Read more…]

Já lá foram 45 anos

Santana Castilho*

Boa parte da população portuguesa não tinha nascido a 25 de Abril de 1974. E porque a disciplina de História é bastarda para o que resta do currículo nacional, será cada vez maior o desconhecimento sobre o 24 de Abril, se não devolvermos siso ao sistema nacional de ensino. Porque narrar com rigor histórico o que aconteceu no passado não é apenas pugnar pela identidade de uma comunidade. É dar aos mais novos um instrumento vital para fazerem opções de futuro.

Não me aqueceu a alma a sessão solene do 25 de Abril, formalidade sem rasgo, com muitos ecos falsos, a começar por Carlos César, do PS. Com tanta coisa por fazer, apenas Marcelo, ainda assim em modo Cavaco (sem cravo na lapela), fez uma intervenção para ser ouvida, comparando o querer dos jovens de então com o querer dos jovens de hoje. Ferro Rodrigues proclamou-se, explicitamente, pior tratado “do que os cães” e, implicitamente, masoquista. Porque aceita tais tratos de polé, de livre vontade, digo eu, pelo menos desde 1985.

O PSD enganou-se no papel e fez um belicoso discurso de campanha. O CDS, incapaz como sempre de distinguir os dois 25 (o de Abril e o de Novembro), esforçou-se por esconder que a data (a primeira) o incomoda. O PCP e o Bloco fizeram intervenções condicionadas pelo suporte dado à “geringonça”, beneficiada a do Bloco pela emotividade inerente ao percurso de vida de Jorge Falcato.

[Read more…]

Foi para isto que se fez o 25 de Abril?

Ontem em dia de sessão solene evocativa do acontecimento, lá apareceu o inenarrável deputado Carlos César falando em nome do partido do governo. Pensando no número de familiares a quem o político conseguiu emprego no Estado, dei comigo a pensar, será que Portugal mudou assim tanto nos últimos 45 anos? Bem sei que talvez não seja caso único, mas este deputado é um símbolo do descrédito que nos merece toda a classe política. Depois queixem-se do populismo…

O 25 de Abril em versão comercial

bisolnatural_25abrilO acto histórico que mais impacto tem nas vida das pessoas da minha geração entrou agora naquela fase sem adjectivos possíveis. Faltam-me mesmo as palavras. Dá-me comichão, ataca-me a tosse.
Talvez o bisolnatural seja mesmo aquilo de que estou a precisar.
Viva o 25 de Abril.

O foro de Moro

Não tenho qualquer simpatia por José Sócrates e acredito que possa ser culpado de tudo aquilo de que o acusam e mais ainda. Mas uma coisa é eu acreditar, outra é ele ser, outra ainda é provar que ele o é. E é por isso que o estado de direito funciona como funciona. São as regras da democracia, que podem nem sempre ser justas, mas até ver são as melhores que existem. [Read more…]

O povo é quem mais ordena?

Lamento arruinar o clima sempre festivo de mais um 25 de Abril, mas o povo não é – nunca foi – quem mais ordena. A cantiga é bonita e inspiradora, arrepia-me porque me transporta para um importante e decisivo momento que, infelizmente, não vivi, mas não passa de um belo verso de um ainda melhor poema.

Não é minha intenção negar as conquistas de Abril. Elas aconteceram, mudaram este país para melhor, libertaram-nos da opressão de um regime desprezível e temos hoje à nossa disposição um conjunto de escolhas e possibilidades que antes nos estavam vedadas. Vedadas ao povo, claro, que às elites económicas e outros aristocratas que gravitavam em torno do salazarismo nunca nada faltou, os não vivessem eles na exacta mesma promiscuidade público-privada da qual ainda hoje nos queixamos. Poucas coisas são tão portuguesas como o compadrio, a corrupção e o tráfico de influências.

[Read more…]

25 de Abril

Todo o Ser Vivo vem a este mundo com um desígnio primeiro, que é o de cumprir-se. Cumprir-se é esgotar todos os seus possíveis, todo o potencial que transporta como a semente de algo que ele é e que simultaneamente o transcende e que o aguarda num tempo e num espaço ainda para si desconhecidos. Caminhará sempre por um Mar de obstáculos que colocarão à prova não tanto a sua inteligência como a sua Liberdade. A Liberdade de perante cada um desses acidentes do caminho optar, fazer escolhas, decidir. Assumir com absoluta integridade essa missão de estar vivo, de materializar, trazer ao lugar da Manifestação, os mundos infinitos que habitam em potência a tal semente. Lugar e não-lugar onde é ele próprio em transcendência, em rigorosa e absoluta Obediência ao desígnio de ser livre.

A reciclagem do fascista

Certo dia tive uma acesa discussão com um presidente de Câmara, à porta do seu gabinete, sobre os mistérios do 25 de Abril, da Liberdade, da Esquerda e da Direita. Vangloriava-se, o triste autarca, cheio de orgulho boçal, de o senhor seu pai ter “corrido comunistas à paulada” da porta da fábrica onde era capataz, naqueles tempos quentes próximos da Revolução. Hoje era vê-lo, ao autarca, a discursar de um púlpito coberto de falsos cravos, com a Democracia e a Liberdade na boca, a Grândola ecoando, em surdina, pelo salão nobre, reciclando fascistas.

25 de Abril: de 1974 a 2018

Não tenho dúvidas. 25 de Abril de 1974 foi o dia mais importante das últimas décadas na História de Portugal.

Não mudou apenas o regime nessa data.

Para o melhor e para o pior, o país redesenhou-se, abandonou ideias imperiais, virou-se para a Europa, garantiu direitos para os cidadãos, socializou funções do Estado, combateu o analfabetismo e a pobreza extrema, aboliu bairros-de-lata, abriu fronteiras a outros povos, mas também escancarou portas a novas clientelas oportunistas e deixou que se instalassem pseudo-elites resultantes dos equilíbrios então gerados e das dinâmicas de mudança.

São estas que agora discursam no parlamento e nas celebrações. Corrompidas e demagogas, fizeram das encenações oficiais o Dia das Belas Intenções e juram nesta data aquilo que proscrevem durante o ano.

Neste 25 de Abril que já não é do povo ouve-se falar em povo. Também em justiça social, em diminuição das desigualdades, em combate à corrupção e à acumulação de riqueza não tributada, etc.

Contudo, se antes o problema era o 24 de Abril, agora o que é preciso mudar é o 26 de Abril e os dias que se lhe seguem.

O fascismo que espreita

SM.jpg

44 anos depois, mais do que nunca, devemos estar vigilantes. O fascismo espreita ao virar da esquina, com novas roupagens e apelos, aqui como em grande parte do continente europeu, para não falar na ascensão do novo fascismo americano.

Por cá, neste rectângulo que a resistência anti-fascista libertou, ainda existem partidos políticos com assento parlamentar com fascistas assumidos nas suas fileiras, outros com fascistas hipócritas que não se assumem, autarcas e dirigentes públicos corruptos que se comportam como pequenos tiranetes e a mesma impunidade que protegia os poderosos do passado. Não é um cenário particularmente animador. [Read more…]

Portugal é um caso de sucesso

salgueiro-maia_25_Abril[Helena Ferro de Gouveia]

Em apenas 44 anos, Portugal é um caso de sucesso.
De um país muito pobre, atávico, bafiento, pleno de beatas (os) e que cultivava a humildadezinha, passou a um país rico ( entre as nações mais ricas do mundo e da geografia confortável), onde a maioria dos jovens tem a possibilidade de estudar ( viajar, fazer Erasmus, voluntariado, estágios), bonito ( valorizou o seu património cultural e história), tornou-se assertivo (quem pensaria há uns anos ter um secretário geral da ONU português).
Temos tudo para dar ainda mais certo (falta-nos um pouco mais de inscrição e cidadania, mas também isso está a mudar para melhor, e a capacidade de aceitar críticas frontais).

Viva a Liberdade e viva Portugal.

Rui Rio quer “um novo 25 de Abril”

É surpreendente a quantidade de pessoas que clamam – por tudo e por nada – por um novo 25 de Abril. Será que não gostaram do primeiro, do original, do propriamente dito?

Quando Portugal Ardeu ou Uma Comédia Portuguesa – Crónicas do Rochedo XX

miguel carvalho livro

O automóvel que explodiu foi armadilhado aqui em casa. A minha sogra pedia-nos sempre para não matarmos ninguém, “Por favor, não entrem nesse campo, eu não quero cá ninguém assim”. Eles levavam o carro já armadilhado, com o material todo, só faltava colocar os detonadores. Mas iam estragando tudo. À ida pararam na Mealhada, nos leitões. O Ramiro pediu a conta e o homem demorou a trazê-la. E ele disse: “Bem, se não vem já a conta vou-me já embora e depois, olhe, meta na conta deste senhor”. O Ramiro tinha um porta-chaves com a imagem do Salazar num porta-chaves” – Silva Santos em entrevista a Miguel Carvalho no livro “Quando Portugal Ardeu” do jornalista e escritor Miguel Carvalho.

Este episódio, como outros do género que se podem ler na obra do Miguel Carvalho dizem muito sobre Portugal. Vamos ali a Lisboa colocar uma bomba mas antes, claro, toca a aviar um leitão na Mealhada… Eu, por exemplo, se me pedirem para ir ali a Vigo colocar uma bomba tinha de desviar a Viana para comer uma bola de berlim no Natário, obviamente.

Quando terminei de ler o livro fiquei na dúvida se toda esta história é cómica ou trágica. Depois de uma noite de sono a minha conclusão é outra: nem tragédia nem comédia, apenas Portugal. Uns bombistas com bons sentimentos, arrependidos por terem assassinado uma inocente em S. Martinho do Campo, que para todas as missões não dispensavam uma refeição opípara (seja leitão ou marisco) nem o conforto de um hotel de luxo, uns financiadores pretensamente ricaços que se esqueciam de pagar os serviços e, tão português, uns espertalhaços que desviavam os fundos para a causa directamente para o seu bolso e, cereja no topo do bolo, nem falta o empresário bronco que aproveita a onda terrorista para um ajuste de contas pessoal com um seu antigo funcionário. Sem esquecer uma dúzia de gabarolas, a santa igreja católica, autarcas, polícias e juízes corruptos, militares sinistros, prostitutas e uma boa dúzia de tontos. Se isto não é Portugal no seu melhor…

No final de tudo isto ficou uma conclusão que me arrepia, escrita pelo autor da obra: “Oradores exaltados, habituados a atear almas e comícios, recolhiam-se agora em poltronas e gabinetes alcatifados. Conspiradores de outras safras tinham sido reciclados para o conforto dos cargos, das instituições e do poder político. Militares, vetustos juízes, certos polícias e uns quantos ladrões disputavam negócios e sinecuras, à luz do dia e com cobertura legal, mas tão na sombra como no passado. Todos queriam sossego, iniciativa privada, brandos costumes e democracia de estufa. E silêncio, por favor”.

Nada mudou. Só o trotil é que já não está na moda.

Aproveitem para ler esta obra do Miguel Carvalho. Retrata uma época de Portugal que é um espelho de todas as outras, até da nossa. E pode ser que compreendam o verdadeiro papel do General Ramalho Eanes em tudo isto. Pode ser. Eu fiquei com mais dúvidas que certezas. E reparem bem nalgumas das personalidades do Norte que surgem neste livro. Algumas ainda andam por cá. Outras foram, hoje, substituídas pelos filhos. E genros. E afilhados. E sobrinhos. Sem esquecer os primos. É que se Portugal é uma aldeia, o Norte é uma ruela…

Tramados pela propriedade privada

Os jotas do CDS, alguns dos quais ainda suspiram pelo velho regime que não viveram, chegando mesmo a peregrinar até Santa Comba Dão para orar e colocar flores na campa do carniceiro fascista, decidiram dar vida a um cartaz de propaganda, alusivo ao 25 de Abril, usando para o efeito uma célebre fotografia de Salgueiro Maia, captada no dia da revolução pela objectiva de Alfredo Cunha. Ora o autor, ao que tudo indica e por motivos óbvios, não terá gostado da brincadeira dos traquinas centristas. Vai daí, decidiu espetar-lhes com um processo em cima.

Tem piada, to say the least, ver as camadas jovens de um partido, que tanto tem lutado pela sacralização da propriedade privada, metida em trabalhos por causa de uma espécie de violação da propriedade privada. O Hayek que descubra.

Imagem via Pinterest

Merci!

Portugal
Well, it’s not often that you see an entire country on one single photo, especially one that has as much to offer as Portugal!
Tout un pays sur une seule photo, ce n’est pas tous les jours 😉 D’habitude je zoome sur le Portugal qui offre une belle diversité de paysages, mais pour célébrer la révolution des Œillets et son message démocratique, quoi de mieux qu’une vue d’ensemble ?
Credits: ESA/NASA”
Thomas Pesquet, patilhado no seu Facebook ontem, 25/4/2017

Obrigado pelo bom gosto e pelo sentido de oportunidade.

Acróstico de Democracia

Leonor Pinto

D – ditadura
E – época festiva
M – militares
O – ouro
C – cravo
R -revolução
A – ação
C -cantar em liberdade
I – imortal
A – amigos

Mais tomates, menos sofá

Encontrado na rede social. Actualíssimo.

Os cravos da revolução ficaram sem pinta de sangue perante os avanços da extrema-direita

Não será preciso recuar muito, talvez uns 10 anos, para constatarmos como se considerava impensável este cenário que hoje vivemos.  Ditadores a usarem a democracia para chegarem ao poder, baluartes da liberdade a cederem ao populismo, o Joker, esse do Batman, com a mão sobre o botão vermelho das nukes, os vermelhos transformados em sacerdotes do capital – tudo transformações num mundo que parecia estar em equilíbrio.

E, no entanto, ei-las. Trump e Putin confraternizam, em maior ou menor grau, conforme a táctica do momento, de uma forma que os levaria à fogueira no tempo da caça aos vermelhos e aos ianques. O mundo já não está dividido por esse Tratado de Tordesilhas da modernidade que foi a NATO vs. Pacto de Varsóvia. O Oriente, com a China à frente, atingiu um patamar de poder que o torna uma presença entre pares. Curiosamente, foi a natureza do capitalismo, na sua busca pela maximização do lucro, que cindiu esse mundo bipolar, num acto que acabará, inexoravelmente, por o enfraquecer. [Read more…]

Nunca nos afastamos o suficiente.

[Alex Gozblau]

O dia inicial faccioso e distorcido

Chegados ao 25 de Abril, o segundo da era da Geringonça, damos por nós confrontados com a habitual literatura ficcional-conspirativa, que tende em dar o ar da sua graça por esta altura. O texto de João Marques de Almeida (JMA), publicado no insuspeito Observador, esse hino à imprensa independente, é um belo exemplar do género.

Diz-nos este académico e antigo assessor de um dos exemplos maiores de ética e sentido de estado que foi Durão Barroso, hoje no topo da hierarquia desse farol da liberdade moderna que é o Goldman Sachs, que a luta pela liberdade, protagonizada – não só, que fique claro – pelas forças de esquerda contra o salazarismo não passa de um mito. “Absolutamente falso”. A sua luta, segundo JMA, não era mais do que uma fachada para “impor uma ditadura aos portugueses. Seguramente, mais violenta do que a do Estado Novo”. O resto é mais ou menos o mesmo que os JMA’s desta vida normalmente escrevem nestas ocasiões. Tudo no mesmo saco, a adoração religiosa de Estaline como dogma e as cegueiras ideológicas do PCP com Coreias do Norte e afins como prova científica de que tudo o que mexe à esquerda tem como missão abolir a democracia e todas as formas de liberdade, especialmente a económica, que um tipo de esquerda que se preze tem que ter prioridades.

[Read more…]

Bafiento, bafiento, bafiento. Bafiento dos tempos da União Nacional

PTC

Paula Teixeira de Cruz foi a escolha do PSD para discursar, em nome do partido, na cerimónia comemorativa do 25 de Abril. Num tom crispado e rancoroso, a ex-ministra da Justiça afirmou que

Quando as discordâncias em matéria financeira levam a acusações de que os partidos da oposição se bandearam com as instituições europeias e que são os novos traidores à pátria, o odor a salazarismo mais bafiento e o ridículo mais agudo abatem-se sobre quem faz tais afirmações, que são uma negação de uma democracia convivial, tolerante e inclusiva.

E se poderá existir algum exagero na expressão “traidores à pátria”, a verdade é que a acção do anterior governo, que Teixeira da Cruz integrou, foi de uma subserviência absoluta aos ditames de Bruxelas, procurando inclusivamente ser mais papista que o Papa, algo que fica claro na premissa-lema do executivo PSD/CDS-PP: ir além da Troika. [Read more…]

Abril, 25

Mariana Figueiredo, 6 anos

img004

as armas e o povo

asarmaseopovo

as armas e o povo – documentário rodado entre 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974, produzido e realizado pelo Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica. Página na Wikipédia.