Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril.

Todos os anos e, se possível, todos os dias.

Porque o 25 de Abril é libertação, é igualdade perante a lei, é a liberdade de dizer o que pensamos, de votarmos em quem quisermos – incluindo em partidos que se opõem aos valores de Abril, algo que a ditadura nunca teria permitido – e de lutarmos pelos ideais que nos guiam.

25 de Abril é Democracia.
É a paz, o pão, habitação, saúde e educação.
Para todos, todos, todos!

Sim, ainda há caminho a fazer para cumprir Abril. Mas não te deixes iludir pelo cherry picking dos saudosistas da ditadura, cuja estratégia assenta em explorar as debilidades da nossa democracia para te bombardear com a maior mentira dos últimos 52 anos: antigamente é que era bom.

Só que não era. [Read more…]

25 de Abril! Ontem, hoje e sempre

Comício em Família

Primeiro, Luís Montenegro adiou a abertura ao público dos jardins do Palácio de São Bento, tradicionalmente parte da agenda oficial das celebrações do 25 de Abril, com a esfarrapadíssima desculpa do luto pelo Papa Francisco, que o Vaticano decidiu começar a dia 26 de Abril.

Adiou para quando?

Para o período de luto pelo Papa Francisco, decretado pela Santa Sé, que termina a 4 de Maio.

Percebem o gozo que nos estão a dar?

Agora, no feriado do Dia do Trabalhador, decide transformar o Palácio de São Bento na Festa da Família, seja lá o que isso for. [Read more…]

Deixem as crianças em paz, fachos!

“Confrontos no 25 de Abril: rapaz de 13 anos identificado entre os agressores da extrema-direita.”

25 de Abril no Porto: fotografias

Os Aliados encheram para receber as comemorações dos cinquenta e um anos da Revolução.

Viva Abril, viva a Liberdade.

Fotografias: João L. Maio

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25 de Abril para todos

Homo sum: nihil humani a me alienum puto.
Terêncio
‘Sou homem: considero que tudo o que é humano me diz respeito.’

No dia 12 de Março, Kilmar Abrego Garcia foi detido em Baltimore. No dia 15, foi enviado para El Salvador, de onde tinha fugido em 2011. Abrego Garcia foi enviado para o país de origem, para o Centro de Confinamento do Terrorismo, uma prisão em que estão 40000 reclusos,  com base em acusações que não estão provadas, o que, numa sociedade civilizada, quer dizer que é inocente.

De um lado, está Trump, com o discurso musculado dos cobardes poderosos, praticantes de um marialvismo bacoco que fascina os que acreditam que as vítimas serão sempre os outros. Do outro lado, está Nayib Bukele, presidente de El Salvador e lambe-cu de Trump, não necessariamente por esta ordem, que já decidiu, sem necessidade de tribunais, que Abrego Garcia é um terrorista que, portanto, não pode ser devolvido aos Estados Unidos, mesmo que, repita-se, não haja nenhuma condenação em tribunal.

O mundo sempre foi dirigido por bestas que se comportam como qualquer um de nós, que somos capazes de decidir que alguém é culpado de alguma coisa porque tem mesmo cara de ser culpado dessa coisa. A História, no fundo, é esta contínua luta contra a barbárie em que nos espojamos, uma luta contra os nossos caninos sedentos do sangue de iguais. As leis, a civilização e a decência atrapalham-nos muito. [Read more…]

25 de Abril: a luta continua. Sempre!

Num tempo em que o ódio, o racismo e a maldade saem à rua sem vergonha, celebrar Abril torna-se ainda mais importante.
Existencial.

Na rua, em casa ou nas redes sociais, manter viva a memória da revolução, as suas conquistas e a brutalidade de que nos libertou é, parece-me, uma obrigação de todos os democratas. Para travar os que tentam reescrever a história e convencer-nos de que no tempo da guerra, da miséria, do analfabetismo, da censura e da corrupção salazarista é que era bom. Não era. E não admira que os defensores desta ideia estapafúrdia sejam os mesmos que hoje têm sonhos molhados com Putins e Trumps. Não tenhas ilusões: no dia em que lhes for permitido, entregam tudo aos oligarcas e atiram-te pela janela do 17.º andar.

A luta continua, não porque este seja um slogan bonito, mas porque a democracia é um projecto sempre em construção, sempre inacabado e sempre alerta para resistir aos novos fascistas. E por muito que guinchem e estrebuchem, são e continuarão a ser a minoria. É por isso que desejam a ditadura. Porque só assim conseguem impor a miséria ignorante à maioria.

Resistiremos!

25 de Abril SEMPRE, fascismo NUNCA mais!

Almada Contreiras (1941-2024)

Ontem, perdemos mais um dos heróis da democracia.

Almada Contreiras foi o Capitão de Abril que teve a brilhante ideia de sugerir a eterna Grândola Vila Morena como senha que colocaria os militares em marcha, rumo à revolução que libertou Portugal da longa noite fascista.

Que descanse em paz, como merece.

Muito obrigado, comandante.

O cravo das mãos do povo

A maior parte do território que é a minha alma está ocupada por um imenso oceano de cinismo, em que os políticos são todos demasiado parecidos, a humanidade é essencialmente desagradável e o futuro é tão provavelmente mau que a felicidade é constituída por pequenas ilhas onde habitam hojes prazenteiros que convém aproveitar, porque os amanhãs até poderão cantar, mas há sempre o risco de desafinarem.

Esse cinismo afasta-me frequentemente do orgulho ou do sentimentalismo, mas há excepções. Lembrar-me da alegria do 25 de Abril e ouvir a “Grândola” deixam-me sempre arrepiado e perto da lágrima feliz.

Por estes dias, morreu Celeste Caeiro, lembrada pelo João Mendes. E eu, avesso a trompas épicas, impedido pela minha personalidade de ser bairrista, de ser saudosista ou de acreditar desmesuradamente em qualquer ideologia, sorrio, enternecido, quando me lembro que o símbolo de uma das revoluções mais bonitas da História saiu das mãos de uma mulher do povo, do mesmo povo que o monstro do salazarismo pisou durante quase 50 anos.

É por isso que, todos os anos, faço um pequeno intervalo no meu cinismo e pego num cravo. Muito obrigado, Celeste Caeiro.

Celeste dos Cravos, Sempre!

No dia em que se assinalam os 50 anos da aprovação do decreto-lei que deu a todas as mulheres portuguesas o direito de votar em liberdade, perdemos uma das mais icónicas personagens do 25 de Abril. Celeste Caeiro, a mulher que, sem saber, se eternizou a distribuir cravos pelas espingardas dos militares revoltosos no dia da revolução, partiu hoje, aos 91 anos.

Espero que Lisboa saia à rua para lhe dar a despedida que merece. Ela não hesitou, apesar das debilidades, em descer a Avenida nos 50 anos do 25 de Abril.

Descansa em paz, Celeste dos Cravos.

Quando um Homem Parte Cedo Demais – Fausto (1948 – 2024)

Deixou-nos uma das vozes da revolução. Cantou pela liberdade, fez música com Zeca Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho ou Adriano Correia de Oliveira, e deu-nos temas eternos e intemporais como “O Barco vai de saída”, “A Guerra é a Guerra”, “Quando um Homem Quer Partir” ou “Por este rio acima”.

Fausto tinha 75 anos e partiu cedo demais.

Um dia triste para a democracia, para a música e para a cultura portuguesas.

Que descanse em paz.

O MFA e o 25 de Abril: Uma Exposição memorável e que precisa de ser conhecida para além de Lisboa

No âmbito das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, está a decorrer até 26/6/2024, na Gare Marítima de Alcântara, a Exposição „O MFA e o 25 de Abril”. Fui vê-la há uns dias, tendo o privilégio – juntamente com as mais de 50 pessoas que também aproveitaram a oportunidade – de seguir uma visita guiada, pelo seu curador, Pedro Lauret, que integrou o grupo restrito de oficiais de Marinha que foram responsáveis pela ligação ao Movimento dos Capitães, e que fez parte da comissão que redigiu o Programa do Movimento das Forças Armadas .

Por muito que veja, ouça e leia sobre o que tornou possível e o que aconteceu no 25 de Abril de 1974, nunca poderei apreendê-lo inteiramente. Inúmeras foram as capacidades, as razões, os passos, os acasos, as contingências, as vontades, “para que, no dia 25 de Abril, às três da manhã, de cerca de 30 unidades diferentes, de Norte a Sul do país, em simultâneo, saíssem forças rumo aos seus objectivos, numa operação militar – Operação Viragem Histórica – extraordinariamente bem concebida, planeada, conduzida e executada.” [Read more…]

PPD/PSD: 50 anos de um ADN mal resolvido

O PPD surge no pós-25 de Abril, pela mão de, entre outros, outrora liberais da Assembleia Nacional. A dita Ala Liberal tolerada pelo Estado Novo. Como se tratasse de uma irreverência bem comportada, em nada semelhante à contestação merecedora de espancamento, prisão, deportação ou mesmo assassinato.

Não foi difícil que, em pouco tempo, começassem apelidos pouco elogiosos, como “guarda-chuva dos fascistas”. Um estigma que cedo Francisco Sá Carneiro percebeu que tinha de resolver. Tanto mais que o socialismo era a palavra de ordem.

Ao tempo, ser de Esquerda era ser de vanguarda e afinava pelo diapasão dominante. E nada como a Social-Democracia, para o PPD ser legitimamente de Esquerda com o carimbo PSD que, à época, ser liberal não seria bom caminho.

Já o PPD defendia – ou dizia defender -, então, o socialismo. E até tentou entrar para a Internacional Socialista. Mas, Mário Soares não andava a dormir.

Surge, então, em Outubro de 1976, o PSD (curiosamente o mesmo nome de um partido criado por Adelino da Palma Carlos, que não seguiu caminho), que se apresenta de Esquerda, na palavra dos seus próprios fundadores.

Ficou, apenas, a proclamação de baptismo e nada mais. Porque ao longo das décadas que se seguiram, o PSD foi tudo menos socialista. Nem sequer Social-Democrata. Pois que a Social-Democracia é coisa que só o Partido Socialista, de quando em vez, foi e vai sendo, naqueles raros exercícios de socialismo que pratica. É que, ao longo da maior parte da história da democracia portuguesa, o socialismo está para o Partido Socialista, como Clark Kent está para o Super-Homem.

Mas, voltando ao PSD, desde o modelo económico traçado durante o Cavaquismo, até à doutrinação Passista do “ir além da Troika”, feitas as contas, o PSD não é de Esquerda; não é socialista; tem medo de dizer que é de Direita; balança entre o conservadorismo e o liberalismo quer na economia quer nos costumes; face à ameaça do Chega na disputa do seu eleitorado, exercita uns passes de dança entre o popularucho e o conservadorismo saudosista; diz-se reformador e é profundamente messiânico.

Quem o viu e quem o vê: está na mesma.

A IL, o regime comunista do Estado Novo e o combate aos caçadores furtivos que matam unicórnios cujo corno serve para tratar a disfunção eréctil

Como todos sabemos, o corno de unicórnio tem poderes medicinais, sendo usado para tratar a pele atópica e a disfunção eréctil ou a pele eréctil e a disfunção atópica, não sei bem, porque ainda estou a tentar entrar em Medicina e as médias estão altíssimas. Por isso, os unicórnios correm perigo de extinção – nas matas e florestas de todo o mundo, especialmente em Monsanto e na Arrábida, há caçadores furtivos que matam, sem escrúpulos e sem balas, unicórnios aos milhares.

No desfile comemorativo dos 50 anos do 25 de Abril, a Iniciativa Liberal, dentro do mesmo espírito informado e científico, gritou a palavra de ordem “Comunismo nunca mais”, de maneira a pôr os pontos nos bês. Viva a Iniciativa Literal!

Não passarão

A enchente na Avenida da Liberdade e nos Aliados fez-me perceber que me deixei alarmar em demasia com o protesto eleitoral que reforçou a extrema-direita.

Preocupado estaria se, ao invés de captar um voto de protesto conjuntural, os herdeiros do Estado Novo fossem capazes de encher as ruas com dezenas ou mesmo centenas de milhares de pessoas a celebrar o 11 de Março.

Contudo, o máximo que os vi fazer foi encher o pequeno auditório de uma livraria, para ouvir homens a preto e branco defender que a mulher devia estar na cozinha e que a violência doméstica não existe porque elas não se queixam. É repugnante, bem sei, mas o 25 de Abril que tanto desprezam deu-lhes a possibilidade de arrotar estas e outras verborreias.

Combatam-se os saudosistas com a razão.

Não passarão.

Obrigado, 25 de Abril

«Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!»
“Aniversário”, Álvaro de Campos

Os dias, tal como as pessoas, têm virtudes e defeitos. O dia 25 de Abril de 1974 é o pior dia da História de Portugal, à excepção de todos os outros.

Feliz aniversário, Liberdade!

Ainda me arrepio com as histórias, as músicas e os relatos de quem viveu a guerra e a revolução.

Com os documentários, as reconstituições cinematográficas e as imagens daquele dia inicial inteiro e limpo.

Com a coragem daqueles militares, que arriscaram a liberdade e a vida para que todos pudéssemos ser livres e – finalmente – viver.

Com a existência clandestina dos bravos da resistência antifascista.

Com a realização daquela alegada utopia, que na madrugada que todos esperavam emergiu das trevas e limpou o céu.

Com o privilégio que foi nascer em democracia, sem nunca, de forma alguma, ter estado sujeito à censura, à perseguição ideológica, à prisão arbitrária, à tortura ou à morte às mãos de um qualquer carrasco da PIDE.

Poucas coisas me alarmam, tão intensamente, como a ideia de vivermos hoje um tempo em que uma ruidosa minoria decidiu sentir saudade de um tempo que não viveu.

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É agora (vamos)

 

É agora (a saída das tropas dos quartéis)

Um dia

Dois dias

Três dias

Quatro dias

Cinco dias

Seis dias

Sete dias

Oito dias

Nove dias

Dez dias

Bernardo Sassetti e Mário Laginha ao vivo no Encontro “1001 Culturas”

Sempre.