Já lá foram 45 anos

Santana Castilho*

Boa parte da população portuguesa não tinha nascido a 25 de Abril de 1974. E porque a disciplina de História é bastarda para o que resta do currículo nacional, será cada vez maior o desconhecimento sobre o 24 de Abril, se não devolvermos siso ao sistema nacional de ensino. Porque narrar com rigor histórico o que aconteceu no passado não é apenas pugnar pela identidade de uma comunidade. É dar aos mais novos um instrumento vital para fazerem opções de futuro.

Não me aqueceu a alma a sessão solene do 25 de Abril, formalidade sem rasgo, com muitos ecos falsos, a começar por Carlos César, do PS. Com tanta coisa por fazer, apenas Marcelo, ainda assim em modo Cavaco (sem cravo na lapela), fez uma intervenção para ser ouvida, comparando o querer dos jovens de então com o querer dos jovens de hoje. Ferro Rodrigues proclamou-se, explicitamente, pior tratado “do que os cães” e, implicitamente, masoquista. Porque aceita tais tratos de polé, de livre vontade, digo eu, pelo menos desde 1985.

O PSD enganou-se no papel e fez um belicoso discurso de campanha. O CDS, incapaz como sempre de distinguir os dois 25 (o de Abril e o de Novembro), esforçou-se por esconder que a data (a primeira) o incomoda. O PCP e o Bloco fizeram intervenções condicionadas pelo suporte dado à “geringonça”, beneficiada a do Bloco pela emotividade inerente ao percurso de vida de Jorge Falcato.

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Foi para isto que se fez o 25 de Abril?

Ontem em dia de sessão solene evocativa do acontecimento, lá apareceu o inenarrável deputado Carlos César falando em nome do partido do governo. Pensando no número de familiares a quem o político conseguiu emprego no Estado, dei comigo a pensar, será que Portugal mudou assim tanto nos últimos 45 anos? Bem sei que talvez não seja caso único, mas este deputado é um símbolo do descrédito que nos merece toda a classe política. Depois queixem-se do populismo…

O 25 de Abril em versão comercial

bisolnatural_25abrilO acto histórico que mais impacto tem nas vida das pessoas da minha geração entrou agora naquela fase sem adjectivos possíveis. Faltam-me mesmo as palavras. Dá-me comichão, ataca-me a tosse.
Talvez o bisolnatural seja mesmo aquilo de que estou a precisar.
Viva o 25 de Abril.

O foro de Moro

Não tenho qualquer simpatia por José Sócrates e acredito que possa ser culpado de tudo aquilo de que o acusam e mais ainda. Mas uma coisa é eu acreditar, outra é ele ser, outra ainda é provar que ele o é. E é por isso que o estado de direito funciona como funciona. São as regras da democracia, que podem nem sempre ser justas, mas até ver são as melhores que existem. [Read more…]

O povo é quem mais ordena?

Lamento arruinar o clima sempre festivo de mais um 25 de Abril, mas o povo não é – nunca foi – quem mais ordena. A cantiga é bonita e inspiradora, arrepia-me porque me transporta para um importante e decisivo momento que, infelizmente, não vivi, mas não passa de um belo verso de um ainda melhor poema.

Não é minha intenção negar as conquistas de Abril. Elas aconteceram, mudaram este país para melhor, libertaram-nos da opressão de um regime desprezível e temos hoje à nossa disposição um conjunto de escolhas e possibilidades que antes nos estavam vedadas. Vedadas ao povo, claro, que às elites económicas e outros aristocratas que gravitavam em torno do salazarismo nunca nada faltou, os não vivessem eles na exacta mesma promiscuidade público-privada da qual ainda hoje nos queixamos. Poucas coisas são tão portuguesas como o compadrio, a corrupção e o tráfico de influências.

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25 de Abril

Todo o Ser Vivo vem a este mundo com um desígnio primeiro, que é o de cumprir-se. Cumprir-se é esgotar todos os seus possíveis, todo o potencial que transporta como a semente de algo que ele é e que simultaneamente o transcende e que o aguarda num tempo e num espaço ainda para si desconhecidos. Caminhará sempre por um Mar de obstáculos que colocarão à prova não tanto a sua inteligência como a sua Liberdade. A Liberdade de perante cada um desses acidentes do caminho optar, fazer escolhas, decidir. Assumir com absoluta integridade essa missão de estar vivo, de materializar, trazer ao lugar da Manifestação, os mundos infinitos que habitam em potência a tal semente. Lugar e não-lugar onde é ele próprio em transcendência, em rigorosa e absoluta Obediência ao desígnio de ser livre.

A reciclagem do fascista

Certo dia tive uma acesa discussão com um presidente de Câmara, à porta do seu gabinete, sobre os mistérios do 25 de Abril, da Liberdade, da Esquerda e da Direita. Vangloriava-se, o triste autarca, cheio de orgulho boçal, de o senhor seu pai ter “corrido comunistas à paulada” da porta da fábrica onde era capataz, naqueles tempos quentes próximos da Revolução. Hoje era vê-lo, ao autarca, a discursar de um púlpito coberto de falsos cravos, com a Democracia e a Liberdade na boca, a Grândola ecoando, em surdina, pelo salão nobre, reciclando fascistas.

25 de Abril: de 1974 a 2018

Não tenho dúvidas. 25 de Abril de 1974 foi o dia mais importante das últimas décadas na História de Portugal.

Não mudou apenas o regime nessa data.

Para o melhor e para o pior, o país redesenhou-se, abandonou ideias imperiais, virou-se para a Europa, garantiu direitos para os cidadãos, socializou funções do Estado, combateu o analfabetismo e a pobreza extrema, aboliu bairros-de-lata, abriu fronteiras a outros povos, mas também escancarou portas a novas clientelas oportunistas e deixou que se instalassem pseudo-elites resultantes dos equilíbrios então gerados e das dinâmicas de mudança.

São estas que agora discursam no parlamento e nas celebrações. Corrompidas e demagogas, fizeram das encenações oficiais o Dia das Belas Intenções e juram nesta data aquilo que proscrevem durante o ano.

Neste 25 de Abril que já não é do povo ouve-se falar em povo. Também em justiça social, em diminuição das desigualdades, em combate à corrupção e à acumulação de riqueza não tributada, etc.

Contudo, se antes o problema era o 24 de Abril, agora o que é preciso mudar é o 26 de Abril e os dias que se lhe seguem.

O fascismo que espreita

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44 anos depois, mais do que nunca, devemos estar vigilantes. O fascismo espreita ao virar da esquina, com novas roupagens e apelos, aqui como em grande parte do continente europeu, para não falar na ascensão do novo fascismo americano.

Por cá, neste rectângulo que a resistência anti-fascista libertou, ainda existem partidos políticos com assento parlamentar com fascistas assumidos nas suas fileiras, outros com fascistas hipócritas que não se assumem, autarcas e dirigentes públicos corruptos que se comportam como pequenos tiranetes e a mesma impunidade que protegia os poderosos do passado. Não é um cenário particularmente animador. [Read more…]

Portugal é um caso de sucesso

salgueiro-maia_25_Abril[Helena Ferro de Gouveia]

Em apenas 44 anos, Portugal é um caso de sucesso.
De um país muito pobre, atávico, bafiento, pleno de beatas (os) e que cultivava a humildadezinha, passou a um país rico ( entre as nações mais ricas do mundo e da geografia confortável), onde a maioria dos jovens tem a possibilidade de estudar ( viajar, fazer Erasmus, voluntariado, estágios), bonito ( valorizou o seu património cultural e história), tornou-se assertivo (quem pensaria há uns anos ter um secretário geral da ONU português).
Temos tudo para dar ainda mais certo (falta-nos um pouco mais de inscrição e cidadania, mas também isso está a mudar para melhor, e a capacidade de aceitar críticas frontais).

Viva a Liberdade e viva Portugal.

Rui Rio quer “um novo 25 de Abril”

É surpreendente a quantidade de pessoas que clamam – por tudo e por nada – por um novo 25 de Abril. Será que não gostaram do primeiro, do original, do propriamente dito?

Quando Portugal Ardeu ou Uma Comédia Portuguesa – Crónicas do Rochedo XX

miguel carvalho livro

O automóvel que explodiu foi armadilhado aqui em casa. A minha sogra pedia-nos sempre para não matarmos ninguém, “Por favor, não entrem nesse campo, eu não quero cá ninguém assim”. Eles levavam o carro já armadilhado, com o material todo, só faltava colocar os detonadores. Mas iam estragando tudo. À ida pararam na Mealhada, nos leitões. O Ramiro pediu a conta e o homem demorou a trazê-la. E ele disse: “Bem, se não vem já a conta vou-me já embora e depois, olhe, meta na conta deste senhor”. O Ramiro tinha um porta-chaves com a imagem do Salazar num porta-chaves” – Silva Santos em entrevista a Miguel Carvalho no livro “Quando Portugal Ardeu” do jornalista e escritor Miguel Carvalho.

Este episódio, como outros do género que se podem ler na obra do Miguel Carvalho dizem muito sobre Portugal. Vamos ali a Lisboa colocar uma bomba mas antes, claro, toca a aviar um leitão na Mealhada… Eu, por exemplo, se me pedirem para ir ali a Vigo colocar uma bomba tinha de desviar a Viana para comer uma bola de berlim no Natário, obviamente.

Quando terminei de ler o livro fiquei na dúvida se toda esta história é cómica ou trágica. Depois de uma noite de sono a minha conclusão é outra: nem tragédia nem comédia, apenas Portugal. Uns bombistas com bons sentimentos, arrependidos por terem assassinado uma inocente em S. Martinho do Campo, que para todas as missões não dispensavam uma refeição opípara (seja leitão ou marisco) nem o conforto de um hotel de luxo, uns financiadores pretensamente ricaços que se esqueciam de pagar os serviços e, tão português, uns espertalhaços que desviavam os fundos para a causa directamente para o seu bolso e, cereja no topo do bolo, nem falta o empresário bronco que aproveita a onda terrorista para um ajuste de contas pessoal com um seu antigo funcionário. Sem esquecer uma dúzia de gabarolas, a santa igreja católica, autarcas, polícias e juízes corruptos, militares sinistros, prostitutas e uma boa dúzia de tontos. Se isto não é Portugal no seu melhor…

No final de tudo isto ficou uma conclusão que me arrepia, escrita pelo autor da obra: “Oradores exaltados, habituados a atear almas e comícios, recolhiam-se agora em poltronas e gabinetes alcatifados. Conspiradores de outras safras tinham sido reciclados para o conforto dos cargos, das instituições e do poder político. Militares, vetustos juízes, certos polícias e uns quantos ladrões disputavam negócios e sinecuras, à luz do dia e com cobertura legal, mas tão na sombra como no passado. Todos queriam sossego, iniciativa privada, brandos costumes e democracia de estufa. E silêncio, por favor”.

Nada mudou. Só o trotil é que já não está na moda.

Aproveitem para ler esta obra do Miguel Carvalho. Retrata uma época de Portugal que é um espelho de todas as outras, até da nossa. E pode ser que compreendam o verdadeiro papel do General Ramalho Eanes em tudo isto. Pode ser. Eu fiquei com mais dúvidas que certezas. E reparem bem nalgumas das personalidades do Norte que surgem neste livro. Algumas ainda andam por cá. Outras foram, hoje, substituídas pelos filhos. E genros. E afilhados. E sobrinhos. Sem esquecer os primos. É que se Portugal é uma aldeia, o Norte é uma ruela…

Tramados pela propriedade privada

Os jotas do CDS, alguns dos quais ainda suspiram pelo velho regime que não viveram, chegando mesmo a peregrinar até Santa Comba Dão para orar e colocar flores na campa do carniceiro fascista, decidiram dar vida a um cartaz de propaganda, alusivo ao 25 de Abril, usando para o efeito uma célebre fotografia de Salgueiro Maia, captada no dia da revolução pela objectiva de Alfredo Cunha. Ora o autor, ao que tudo indica e por motivos óbvios, não terá gostado da brincadeira dos traquinas centristas. Vai daí, decidiu espetar-lhes com um processo em cima.

Tem piada, to say the least, ver as camadas jovens de um partido, que tanto tem lutado pela sacralização da propriedade privada, metida em trabalhos por causa de uma espécie de violação da propriedade privada. O Hayek que descubra.

Imagem via Pinterest

Merci!

Portugal
Well, it’s not often that you see an entire country on one single photo, especially one that has as much to offer as Portugal!
Tout un pays sur une seule photo, ce n’est pas tous les jours 😉 D’habitude je zoome sur le Portugal qui offre une belle diversité de paysages, mais pour célébrer la révolution des Œillets et son message démocratique, quoi de mieux qu’une vue d’ensemble ?
Credits: ESA/NASA”
Thomas Pesquet, patilhado no seu Facebook ontem, 25/4/2017

Obrigado pelo bom gosto e pelo sentido de oportunidade.

Acróstico de Democracia

Leonor Pinto

D – ditadura
E – época festiva
M – militares
O – ouro
C – cravo
R -revolução
A – ação
C -cantar em liberdade
I – imortal
A – amigos

Mais tomates, menos sofá

Encontrado na rede social. Actualíssimo.

Os cravos da revolução ficaram sem pinta de sangue perante os avanços da extrema-direita

Não será preciso recuar muito, talvez uns 10 anos, para constatarmos como se considerava impensável este cenário que hoje vivemos.  Ditadores a usarem a democracia para chegarem ao poder, baluartes da liberdade a cederem ao populismo, o Joker, esse do Batman, com a mão sobre o botão vermelho das nukes, os vermelhos transformados em sacerdotes do capital – tudo transformações num mundo que parecia estar em equilíbrio.

E, no entanto, ei-las. Trump e Putin confraternizam, em maior ou menor grau, conforme a táctica do momento, de uma forma que os levaria à fogueira no tempo da caça aos vermelhos e aos ianques. O mundo já não está dividido por esse Tratado de Tordesilhas da modernidade que foi a NATO vs. Pacto de Varsóvia. O Oriente, com a China à frente, atingiu um patamar de poder que o torna uma presença entre pares. Curiosamente, foi a natureza do capitalismo, na sua busca pela maximização do lucro, que cindiu esse mundo bipolar, num acto que acabará, inexoravelmente, por o enfraquecer. [Read more…]

Nunca nos afastamos o suficiente.

[Alex Gozblau]

O dia inicial faccioso e distorcido

Chegados ao 25 de Abril, o segundo da era da Geringonça, damos por nós confrontados com a habitual literatura ficcional-conspirativa, que tende em dar o ar da sua graça por esta altura. O texto de João Marques de Almeida (JMA), publicado no insuspeito Observador, esse hino à imprensa independente, é um belo exemplar do género.

Diz-nos este académico e antigo assessor de um dos exemplos maiores de ética e sentido de estado que foi Durão Barroso, hoje no topo da hierarquia desse farol da liberdade moderna que é o Goldman Sachs, que a luta pela liberdade, protagonizada – não só, que fique claro – pelas forças de esquerda contra o salazarismo não passa de um mito. “Absolutamente falso”. A sua luta, segundo JMA, não era mais do que uma fachada para “impor uma ditadura aos portugueses. Seguramente, mais violenta do que a do Estado Novo”. O resto é mais ou menos o mesmo que os JMA’s desta vida normalmente escrevem nestas ocasiões. Tudo no mesmo saco, a adoração religiosa de Estaline como dogma e as cegueiras ideológicas do PCP com Coreias do Norte e afins como prova científica de que tudo o que mexe à esquerda tem como missão abolir a democracia e todas as formas de liberdade, especialmente a económica, que um tipo de esquerda que se preze tem que ter prioridades.

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Bafiento, bafiento, bafiento. Bafiento dos tempos da União Nacional

PTC

Paula Teixeira de Cruz foi a escolha do PSD para discursar, em nome do partido, na cerimónia comemorativa do 25 de Abril. Num tom crispado e rancoroso, a ex-ministra da Justiça afirmou que

Quando as discordâncias em matéria financeira levam a acusações de que os partidos da oposição se bandearam com as instituições europeias e que são os novos traidores à pátria, o odor a salazarismo mais bafiento e o ridículo mais agudo abatem-se sobre quem faz tais afirmações, que são uma negação de uma democracia convivial, tolerante e inclusiva.

E se poderá existir algum exagero na expressão “traidores à pátria”, a verdade é que a acção do anterior governo, que Teixeira da Cruz integrou, foi de uma subserviência absoluta aos ditames de Bruxelas, procurando inclusivamente ser mais papista que o Papa, algo que fica claro na premissa-lema do executivo PSD/CDS-PP: ir além da Troika. [Read more…]

Abril, 25

Mariana Figueiredo, 6 anos

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as armas e o povo

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as armas e o povo – documentário rodado entre 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974, produzido e realizado pelo Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica. Página na Wikipédia.

não ter nenhum mês senão Abril

Guilherme Portugal – 18 anos

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Abril são muitas palavras, nós conhecemo-la por revolução, essa onde tanques dispararam pessoas aos abraços, e muitos cantares, e era a nossa liberdade que começava no outro e acabava nos outros tantos que ainda estariam por começar. Glossolalia aos versados no discurso da força prepotente da força, mas dia 25 ninguém falava mais português do que qualquer cravo. Não a certeza da presença de um ouvido rente à porta, mas de uma porta rente à página, à nota melodiada, ao discurso urrado. Ninguém entendeu, mas perigoso e infeliz é começar a entender. Perdemos Abril quando formos entendidos nele – chamá-lo de Abril, colocar-lhe dicionários à frente, convencendo-o de que é um mês e não um poema violento de amores. Deixo-vos nos plantares, palavras flores, hoje só anoitece às oito e meia:

Escada que desanda

de cada cadência colorida de um segundo,

cada um, cada essência.

Tão labirinto como escrever ou pôr letras no papel ou redigir.

Digo que andar é desfrasear e destruir, e como emenda,

vai-se buscar água-palavra à fonte (tu) como poema-cantil,

viver a escrever é não ter nenhum mês senão Abril.

 

(imagem daqui)

 

PONTE SALAZAR – Tenhamos a CORAGEM de lhe devolver o nome original.

Ponte Salazar

É este o nome de uma petição que circula na internet e que conta já com a assinatura de cerca de 1700 simpatizantes do fascismo. A petição, lançada na passada Quarta-feira, propõe alterar o nome da Ponte 25 de Abril para o original Ponte Salazar, devolvendo, desta forma, aos fascistas, o saudoso culto do chefe. Mas existe o risco de se tratar de uma jogada humorística, pelo menos a julgar por parte do conteúdo, feito de verdadeiras anedotas. Vejamos algumas: [Read more…]

E o 25 de Abril, pá? Também foi um golpe orquestrado pelo imperialismo americano?

25Abril

Os textos ontem publicados por mim e pelo Ricardo Santos Pinto sobre o colaboracionismo do PCP com a ditadura angolana levaram à revolta de alguns dos nossos leitores afectos ao partido. De todos os argumentos usados, há um que se destaca e que, convenhamos, não é assim tão descabido. Trata-se do financiamento que o jornal Maka Angola, próximo das posições assumidas pelos activistas agora presos, recebeu da norte-americana National Endowment for Democracy, uma organização sombria com ligações à CIA que, sob o pretexto da solidariedade e da luta pelos direitos humanos, procura exportar a “democracia” do Tio Sam para outras paragens. [Read more…]

Dantes era bom


Dantes, antes de agora, havia boa música mas não havia Ana Malhoa.
Dantes é era bom mas agora é melhor.

E depois do 25 de Abril

Cavaco

O dia inicial inteiro e limpo” tem sido sujeito a tempestades imensas. Hoje celebramos a revolução mas não há muito à nossa volta para celebrar. O país vive dias de penúria e assiste ao rápido desmembramento do Estado Social. Pessoas morrem nas urgências enquanto governantes alucinam com um SNS que apenas existe no seu imaginário propagando-partidário. A escola pública é alvo da incompetência da tutela e do apetite voraz do ensino privado financiado pelo Estado e gerido por barões partidários. A justiça é lenta, ineficaz e plena de prescrições para os poderosos. Excepto para José Sócrates, aquele que pagará pelos pecados de todos os outros.

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O cravo português

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Sobre os penedos e xistos do Alentejo e da Beira Interior, nas faces onde o sol aquece a rocha, floresce por esta altura do ano um cravo bravio que leva Portugal no seu nome: Dianthus lusitanus. Modesto, tenaz, bonito, rústico: uma metáfora viva do país neste dia de Abril.

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O Filho do Ferroviário

Salgueiro Maia © Alfredo Cunha Salgueiro Maia © Alfredo Cunha

E já fazíamos outro

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“Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado.
Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos.
Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos!
De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto.
Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!”
Salgueiro Maia, 24/04/1974

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