André, a greve e a espinha

Pode ser uma imagem de o salão oval

Em Novembro, André Ventura estava preparado para ser o parceiro do governo Montenegro na aprovação da contrarreforma laboral.

Sobre a greve geral de ontem, que criticou de forma veemente, Ventura garantiu tratar-se de “um erro em que só a extrema-esquerda e os partidos a ela ligados conseguem ver qualquer benefício”.

Ontem, dia da greve geral, o mesmo Ventura criticou o governo, que acusou de arrastar o país para aquele desfecho, arvorou-se em defensor dos direitos dos trabalhadores (que obviamente não é), quase quase a filiar-se na CGTP, e disse esta coisa fantástica, que cito: “[O governo] optou por uma espécie de linha liberal, que dá ideia a quem trabalha de que pode ser despedido a qualquer altura, que vai perder direitos e que só interessa quem manda e não quem trabalha, e isso é errado.”

Num mês é uma tramoia da extrema-esquerda, no outro é vil ataque neoliberal do governo aos trabalhadores.

Porquê?

Porque Ventura não tem espinha dorsal, não tem princípios, não tem palavra. Anda ao sabor de sondagens, de trends e viralidades nas redes sociais e de manchetes de jornais. Diz tudo e o seu contrário, para agradar o máximo de pessoas possível, podendo perfeitamente trair todas essas pessoas no dia seguinte, se o vento das percepções mudar.

Outra coisa não seria de esperar de um tipo que se apresenta como paladino contra a corrupção, apesar de ter entre as suas inspirações e aliados alguns dos políticos mais corruptos do mundo ocidental, como Orbán, Bolsonaro e Trump.

Cair neste engodo não é engano.
É uma escolha que se faz.

Comments

  1. Julio Santos says:

    Este tipo (ventura) é da mesma laia de Tramp e do Putim. Este triunvirato está a mais neste mundo civilizado. Trump é o porta voz de Putin, limita-se e chamar a si o “plano de paz” que não é nem mais nem menos um plano de Putin com tudo o que este lhe impõe. E a pobre UE continua a dar atenção a estes malucos que se preparam para pôr o mundo a ferro e fogo.

    • Quem acha que o “plano” que nem é plano é aceitável à Rússia nem sequer entende as razões da guerra, quando mais que Minsk III nunca será aceite.

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