Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril.

Todos os anos e, se possível, todos os dias.

Porque o 25 de Abril é libertação, é igualdade perante a lei, é a liberdade de dizer o que pensamos, de votarmos em quem quisermos – incluindo em partidos que se opõem aos valores de Abril, algo que a ditadura nunca teria permitido – e de lutarmos pelos ideais que nos guiam.

25 de Abril é Democracia.
É a paz, o pão, habitação, saúde e educação.
Para todos, todos, todos!

Sim, ainda há caminho a fazer para cumprir Abril. Mas não te deixes iludir pelo cherry picking dos saudosistas da ditadura, cuja estratégia assenta em explorar as debilidades da nossa democracia para te bombardear com a maior mentira dos últimos 52 anos: antigamente é que era bom.

Só que não era. [Read more…]

O Evangelho segundo Quentin Tarantino

Nada disto surpreende. Até porque a religião, para um extremista, raramente é convicção. Regra geral, é um meio para atingir um fim. E, no caso dos nacional-populistas americanos, é evidente que personagens sinistras como Trump, Thiel, Bannon ou Miller são a absoluta negação dos valores do Cristianismo. De todas as formas possíveis.

Mas não deixa de ser mais uma prova factual do quão vazio, mal encenado e patético tudo isto é, ver Pete Hegseth, o troll fundamentalista que dirige o Pentágono, usar o monólogo do Samuel L. Jackson na cena do apartamento do Pulp Fiction, durante uma oração do próprio perante militares e familiares do soldado resgatado no Irão, como se de uma passagem bíblica se tratasse.

Spoiler alert: não é Ezequiel 25-17. É Quentin Tarantino.

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O Anticristo

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Qualquer outro líder político que cometesse a “heresia” de se retratar como Cristo seria imediatamente sujeito a um Auto de Fé digital e queimado na fogueira das redes sociais pela turba de alegados cristãos parida nas catacumbas do nacional-populismo.
O chapinhar na lama e os guinchos seriam ensurdecedores.
Diriam tratar-se de um ataque inaceitável contra a matriz judaico-cristã, contra os valores da família, contra a tradição e mais não sei o quê. Haveria indignação, teorias da conspiração sobre o anticristo e petições para ilegalizar a existência dessa pessoa. Pedir-se-iam cabeças. Literalmente. É gente violenta. Gente que diz adorar Jesus, apesar de se assemelhar mais ao Maomé das guerras do século VII.

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Viktor Orbán e derrota da oligarquia nacional-populista

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A queda de um autocrata é sempre motivo de celebração. Melhor ainda quando cai por dentro, sem derramamento de sangue. Sem violência policial ou tentativas de golpe de Estado. Sem terrorismo, vá.

Mas não foi só Orbán que perdeu.

Perdeu Putin, que ficou sem o seu cavalo de Tróia no Conselho Europeu.

Perdeu Trump, que viu cair o aliado mais importante em solo europeu, após se ter envolvido directamente na campanha e ter enviado Rubio e Vance a Budapeste.

Perdeu Netanyahu, que tinha em Orbán um defensor do genocídio em Gaza e da colonização da Cisjordânia.

Até Xi Jinping, que tem privilegiado a relação com a Hungria, pode sair a perder desta eleição.

Ganhou a democracia.

 

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Viktor Orbán: o corrupto favorito de André Ventura

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Sim, eu sei: quem é que quer saber da Hungria? A menos que Portugal vá lá jogar – e até foi, em Setembro, fazer uma bela partida, que vencemos por 2-3, com aquele golaço do Cancelo – ninguém quer saber da Hungria.

Acontece que a Hungria dos anos 20 deste século, mais do que o culto da Seita dos Trumps dos Últimos Dias, é o farol de propaganda e o laboratório de ideias que cria a jurisprudência da internacional iliberal.

“Iliberal” é um eufemismo muito bem sacado.

Para uma oligarquia com um nível de corrupção idêntica à russa, uma colonização quase total dos tribunais, da administração pública, dos grandes negócios do Estado e da comunicação social, que distorceu o sistema eleitoral em seu benefício, enquanto enriquece os homens do presidente, “iliberal” soa muito fofinho. Mais ainda se tivermos em conta o alinhamento fraterno com Moscovo e Mar-a-Lago, ou a honra que lhe foi concedida por Pequim, que incluiu a Hungria no périplo de Xi pela Europa, em 2024, parte de uma lista restrita de apenas três países: Hungria, Sérvia e França.

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A melhor arma contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia

Provedoria de Justiça pede revisão de candidaturas recusadas no programa  “Edifícios Mais Sustentáveis” - Expresso

No episódio do A Prova dos Factos que tem Mafalda Livermore como protagonista, é na reportagem que não tem nada a ver com o CH que podemos ter um vislumbre da formação do combustível que alimenta a narrativa da extrema-direita.

A investigação conta a história de várias associações de condóminos que submeteram pedidos de obras de beneficiação energética em prédios antigos, ao abrigo do PRR, e que, dada a demora da tutela em despachar os processos, muitas obras aprovadas correm o risco de não avançar devido à validade do apoio que termina a 30 de Junho.

A incompetência da tutela é revoltante. O Fundo Ambiental, que gere os 12 milhões de euros disponíveis, foi incapaz de cumprir os prazos a que estava obrigado. A investigação da RTP revela que as candidaturas submetidas até ao final de 2023 deveriam ter sido analisadas em 60 dias úteis. Algumas demoraram 540 dias. Um ano e meio.

Há também o caso dos pagamentos atrasados, e não são poucos, que colocam em causa a continuidade de obras em curso. A Prova dos Factos entrevistou gestores de alguns projectos que garantem que obras em curso há meses ainda não receberam um cêntimo do Fundo Ambiental. E empreiteiros que ameaçam deixar obras a meio se continuarem sem receber.

Incompetência total.

Mas não são só obras que se perdem. É o dinheiro que aquelas pessoas puseram do seu bolso. São horas de trabalho pós-laboral. São custos com autorizações, licenças, taxas e taxinhas. É a expectativa de uma vida um pouco mais confortável que se perde, em edifícios antigos e, em alguns casos, bastante degradados. Onde faz muito frio no Inverno e demasiado calor no Verão. É o Estado que falha. São as instituições. É o sistema. E a União Europeia também.

Nada mina a democracia como a incompetência, calculada ou não, que tende a prejudicar sempre os mesmos. É terreno fértil para a narrativa da “bandalheira” germinar. Experimenta colocar-te no lugar daquelas pessoas, muitas delas reformadas, com rendimentos pequenos e dificuldades grandes, que passaram os anos 90 a ver tratantes a sacar milhões em fundos europeus para criar empresas que duraram pouco, mas tempo suficiente para sacar um Ferrari, uma mansão, um apartamento na praia e uma reforma dourada. Quem os pode condenar por acreditar que o “sistema” só beneficia a elite e não lhes serve para nada?

As melhores armas contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia são boas políticas públicas, pessoas competentes e geri-las e justiça social. Quando estão presentes, a democracia é mais forte e o bom senso prevalece. Não é assim tão difícil. Ou pelo menos não devia ser.

Celebrar a morte como um cristão

Pode ser uma imagem de texto que diz "Donald DonaldJ.Trump J. Trump @realDonaldTrump ト Robert Mueller just died. Good, I'm glad he's dead. He can no longer hurt innocent people! President DONALD J. TRUMP 258 ReTruths 775 Likes 3/21/26, 12:26 PN"

Não sei quanto a vós, mas eu ainda estou recordado dos dias após a morte de Charlie Kirk, e da onda de indignação contra aqueles que celebraram a tragédia.

Na altura, muitos foram aqueles que, lá como cá, escreveram longos textos sobre a esquerda degenerada que celebra a morte de adversários políticos, e que, por essa razão, não tem lugar na sociedade, devendo ser perseguida, cancelada e presa.

E reparem que era toda a esquerda, não apenas aqueles que foram para as redes dizer o homem foi bem morto, porque tinha uma retórica violenta e colheu o que semeou. A culpa era colectiva. Como convém aos puros populistas, que a usam sempre que convém, para justificar intervenções divinas como o genocídio em Gaza às mãos da “única democracia do Médio Oriente”.

Pois bem, ainda não se leu ou ouviu um único destes puros sobre o tweet que Trump usou para celebrar, com todas as letras, a morte de Robert Mueller. Mueller que era odiado à direita (apesar de ser republicano) como Kirk a esquerda, não pela retórica agressiva ou pelo incentivo à violência, mas por ter liderado a investigação à interferência russa nas eleições de 2016.

Em princípio estamos perante uma celebração da morte do bem. Parece-me plausível. Seguramente inspirada por Jesus, que de resto foi quem nos enviou Trump. E se Jesus nos enviou Trump, a investigação de Mueller só podia ser obra do anticristo. Deve ser isso.

 

 

Extrema-Inflação

Pode ser uma imagem de texto que diz "CUSTODE DE VIDA Combustíveis fazem taxa de inflação disparar para oS 2,7% em março 1 SSWIS CRISEENEAGÉTICA CRUSE Linfemixina รฟ่ทุณปิว4 LoE GASOLINA GASÓLEO GASÓLEO Puchan Cacho Ruchas 25iBros M2A222 A taxa de inflação de março já efletiu subida dos produtos energéticos, fruto da crise no Médio Oriente Horacio Villalobos Getty Images"

Não é culpa dos impostos.
Não é culpa dos wokes.
Não é culpa do Estado.
Ou da comunicação social.

Também não é culpa do socialismo, que para alguns académicos da Ventura School of Palermonics é tudo o que não seja a direita mais radical ou extrema.

Mas sim, a inflação que dispara tem dedos no gatilho.

Os dedos de Donald Trump, de Benjamin Netanyahu e de todos os líderes internacionais que apoiam mais um acto de terrorismo de Estado, que se está nas tintas para libertar quem quer que seja, como se viu na Venezuela. Terrorismo esse que, incapaz de derrubar o regime iraniano, derruba as condições de vida, as finanças e a segurança do cidadão comum.

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No meio da tempestade, André Ventura levou um banho de realidade

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Na localidade de A-dos-Cunhados, em Torres Vedras, André Ventura levou um banho de realidade quando Paulo Maria, proprietário de uma exploração agrícola afectada pela tempestade Kristin, lhe explicou o óbvio:
Só queria salientar um pouco do tema que é muito atual, que é o tema da mão-de-obra. Nós dependemos de mão-de-obra estrangeira a 100%. Na minha empresa, temos 80 colaboradores e só temos um português que é o técnico, o engenheiro. Se hoje os trabalhadores estrangeiros fossem embora, eu fechava a empresa imediatamente.
No fundo, aquilo que Paulo Maria explicou a André Ventura foi o que qualquer empresário francês da construção civil poderia ter explicado a outro populista autoritário nos anos 60: se os portugueses não viessem para cá, não havia ninguém para trabalhar.

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Desputedo

André Ventura quer “despartidarizar” a administração pública.

@expresso

Mama do Bem

Rui Cristina, antigo deputado do PSD que o partido de André Ventura foi recrutar ao “sistema”, foi eleito presidente da CM de Albufeira em Outubro. E como prometido, acabou com a mama.

Como?

Garantindo uma boa nomeação para a própria irmã, outrora candidata do sistema pelo PSD, nos quadros da autarquia.

Dir-me-ão: mas os partidos do sistema não fazem o mesmo?

Fazem.

O que vem provar que, a este nível, a nível da tal mama, e do compadrio em geral, nada distingue o CH de PS ou PSD. Com a diferença que Ventura deseja 3 salazares para o país, desejo que, no geral, equivale a encerrar a democracia, instaurar uma ditadura, impor a miséria à maioria, torturar os dissidentes, matar os mais audíveis e entregar o monopólio dos negócios do Estado à elite económica e financeira do país. Em triplicado. Porque, por muitas voltas que se queiram dar, o regresso de Salazar seria igualmente o regresso do regime mais corrupto da história da República.

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Muda o tacho e toca o mesmo

Rui Cristina (CHEGA), ainda agora aterrou na presidência da CM de Albufeira e já tratou de nomear a própria irmã como adjunta.

Não são anti-sistema, são o pior que o sistema já pariu. O documento pode ser consultado AQUI.

Rui Cristina, ex-PSD, foi eleito presidente da CM de Albufeira nas passadas eleições autárquicas. A ligação política à irmã já vem dos tempos do PSD quando, juntos, eram candidatos a vários cargos na Câmara Municipal… de Loulé.

 

PSD Loulé – 2021

 

Quem não quer ser Ventura que não lhe vista a pele

João Cotrim de Figueiredo apareceu no panorama político nacional como uma frescura. Um ar que nos dá. Uma brisa que passa. Tal como o partido em que milita.

“O primeiro partido liberal português”, o que em parte pode ter um fundo de razão, é também uma hipérbole porque do PS ao Chega todos eles, de uma forma ou outra, integram o liberalismo nas suas hostes (seja social ou económico). No entanto, passados meses e anos, aquele que parecia, afinal um partido verdadeiramente liberal transformou-se noutra coisa qualquer que pouco tem a ver com o liberalismo clássico que as ideias iluministas nos trouxeram.

O crescimento da IL, que estagnou, fez-se também a reboque do crescimento do Chega. Se o Chega crescia doze, a IL crescia cinco. Sustentado num discurso radical e, em boa medida, também ele populista, a IL atraiu jovens, empresários e gente da elite económica do país, que ali via um espaço da direita neo-liberal mais assumida. E João Cotrim de Figueiredo foi o seu primeiro líder.

Durante anos, defendi a tese de que Cotrim era dos únicos, dentro da IL, com algum bom senso para não defender ideias libertárias que aproximavam a IL de uma nova extrema-direita que surgia e se colava aos movimentos MAGA nos EUA ou que deu o poder a Javier Milei na Argentina. Enganei-me redondamente. Há uns anos, João Fernando teve uma tirada absurda no Parlamento: enquanto se discutia o racismo e a xenofobia na sociedade portuguesa, o então líder da IL, do alto da sua sapiência, comparou o racismo ao desdém que alguns mostram pela elite financeira. Dizia ele que: “Se substituirmos as palavras ‘negro’ ou ‘cigano’ (…) por investidor privado ou investidor bolsista é arrepiantemente próximo da discriminação e do ódio que aqui (…) queremos condenar”. Ri-me, achei atrevido, mas deixei passar. [Read more…]

Made in Bangladesh

Isto não é o Bangladesh. Mas as camisolas de campanha do encantador de burros, vêm directamente do Bangladesh.

Nunca acabem, antas com pernas.

Quem te mandou aceitar o Nobel da Paz, Maria Corina Machado?

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Existe uma diferença entre ordenar um golpe de Estado para instalar um fantoche, como os EUA fizerem várias, sobretudo ao longo da segunda metade do século XX, e o que se passou na noite de Sexta para Sábado, que foi uma operação rápida e tremendamente eficaz de sequestro do presidente venezuelano, seguido do anúncio de Trump de que os EUA irão governar a Venezuela e gerir os seus recursos. Uma espécie de colonização-relâmpago.

Maria Corina Machado, que todos esperávamos ver receber o poder das mãos de Trump, e que muito inteligentemente garantiu que mudaria a embaixada venezuelana em Israel para Jerusalém, algo que acrescenta zero à vida dos venezuelanos, mas que demonstra claramente que Corina Machado sabe onde reside o poder real e que está na disposição de se submeter, foi, ainda assim, prontamente descartada por Trump:

“Não tem o apoio nem o respeito do país.”

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Isto não é Portugal

Cláudio Nunes Valente, cidadão português com autorização de residência nos EUA, que entrou no país em 2000 para estudar na prestigiada Brown University, era o principal suspeito pelo homicídio do físico e professor do MIT, Nuno Loureiro. Suicidou-se pouco antes de ser detido.

Não vim aqui em modo crónica criminal, deixo isso para os populistas profissionais da imprensa sensacionalista, mas quero falar-te sobre o outro lado deste caso escabroso. Sobre o facto de, na sequência do sucedido, Donald Trump ter mandado suspender o programa de vistos DV-1.

Agora repara: por causa de um criminoso, todas as pessoas que se candidataram e entraram nos EUA com um visto DV-1 são agora colocadas em causa. Incluindo outros portugueses, trabalhadores e honestos, sem manchas no currículo. Como se a maioria fosse culpada pelos crimes de uma pequena minoria.

Nada disto surpreende. É a extrema-direita a ser extrema-direita. A extrema-direita que generaliza de forma abusiva para criar medo e alarme, e poder apresentar-se como a solução que não é. E não é muito diferente daquilo que André Ventura, o CH e os incels da quadrilha do palerma que odeia mulheres defendem para Portugal: se um imigrante cometer um crime, sobretudo se for pobre e do subcontinente indiano, a culpa é colectiva.

A grande diferença, parece-me, é que, desta vez, quem vai pagar as favas, nos EUA, serão, também, emigrantes decentes que decidiram deixar o nosso país para procurar uma vida melhor do outro lado do oceano. Emigrantes que muita dessa gente diz defender e representar, pese embora prefira agradar ao corrupto que lidera o culto MAGA, porque o seu nacionalismo está ao nível do de um nazi latino que acredita na superioridade da raça ariana.

Outra diferença é que não há um único registo de um imigrante do subcontinente indiano que tenha assassinado um português em solo nacional. Mas Gurpreet Singh foi assassinado por dois portugueses em Setúbal. É por estas e por outras que a generalização deve ser manuseada com cautela. Nunca sabemos quando nos pode rebentar nas mãos.

André, a greve e a espinha

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Em Novembro, André Ventura estava preparado para ser o parceiro do governo Montenegro na aprovação da contrarreforma laboral.

Sobre a greve geral de ontem, que criticou de forma veemente, Ventura garantiu tratar-se de “um erro em que só a extrema-esquerda e os partidos a ela ligados conseguem ver qualquer benefício”.

Ontem, dia da greve geral, o mesmo Ventura criticou o governo, que acusou de arrastar o país para aquele desfecho, arvorou-se em defensor dos direitos dos trabalhadores (que obviamente não é), quase quase a filiar-se na CGTP, e disse esta coisa fantástica, que cito: “[O governo] optou por uma espécie de linha liberal, que dá ideia a quem trabalha de que pode ser despedido a qualquer altura, que vai perder direitos e que só interessa quem manda e não quem trabalha, e isso é errado.”

Num mês é uma tramoia da extrema-esquerda, no outro é vil ataque neoliberal do governo aos trabalhadores.

Porquê?

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És eleitor do Chega? André Ventura acha que que és burro. E se calhar até tem razão

Português de bem! Esta mensagem é para ti.

Tu, que votaste no Chega, achando que estás a ser mais esperto do que os outros és, para André Ventura, um idiota útil.

Útil, porque votas nele. Idiota, porque acreditas nas coisas que lhe saem da boca. Útil, porque reproduzes em casa, no café, no trabalho ou na rua, as premissas em que nem o André acredita. Idiota, porque acreditas nas coisas que lhe saem da boca. Útil, porque o tempo que passas a trabalhar, a descansar e a conviver, não te deixa espaço senão para os tais 10 segundos de verborreia no TikTok enquanto a tua família vê a Casa Dos Segredos. Idiota, porque acreditas nas coisas que lhe saem da boca.

Há momentos na vida em que tocamos a consciência e, do nada, percebemos e chegamos à conclusão de que fomos uns valentes tansos quando defendemos aquela ideia, quando nos batemos por aquele ideal ou porque acreditamos naquela mentira. Esse momento, por sermos extremamente orgulhosos e egocêntricos, tende a tardar; mas não falha, ele vem sempre até nós.

Por isso, português de bem, quando sentires que estás a concordar com o Ventura, lembra-te: um relógio parado está certo duas vezes por dia… e o André muda de opinião três.

Jornalixo Nacional

Julgo que descobri, finalmente, um bom uso para um dos termos favoritos dos novos fascistas, dos populistas, dos nacionalistas que veneram alemães, dos adolescentes que odeiam mulheres, porque nenhuma está para os aturar, e dos extremistas de direita em geral.

Falo-vos, claro, do termo “jornalixo”.

E se há caso em que o termo faz realmente sentido, esse caso é esta capa do jornalixo do CH, que dá pelo nome de Folha Nacional.

Todos conhecemos vários casos de mentiras descaradas, manipulação de dados e estatísticas ou sondagens marteladas – mais um dia no escritório lá do sítio – mas fico-me por esta capa que, em boa verdade, resume muito bem o que é a propaganda do CH: um contínuo de aldrabices e de insultos à inteligência de qualquer ser humano. [Read more…]

Os homens que odeiam as mulheres

As mulheres no geral não são muito racionais, nem sequer têm a capacidade de compreender o bem comum, o bem da nação.

Mas isso não é necessariamente mau, eu não estou a fazer um ataque às mulheres, é importante perceber isto. Isto é da natureza da mulher.

Não há problema em a mulher ser assim. Eu não quero dar a decisão do futuro do meu país às mulheres. Eu acho que elas não têm essa responsabilidade. Porque estão biologicamente desenhadas para ter um filho, para agarrar num filho, para cuidar de um filho, não é para tomar decisões importantes para o futuro de um país.

É bastante consensual que os homens são geralmente mais inteligentes que as mulheres, por isso é que eu acho que só os homens mais inteligentes é que devia votar, como acontecia na Grécia Antiga.

 

Já estiveste em alguma sala com 15 mulheres para ver se acabavam as guerras? Elas fazem guerras entre elas naturalmente. Se eu tiver aqui com 15 homens não há guerra nenhuma nem conflito nenhum. Se tiverem aqui 15 mulheres sozinhas, uma é porque tem o cabelo de uma cor, a outra pintou as unhas, a outra passou à frente na fila, a outra anda com um namorado qualquer. Elas criam conflitos por tudo, as mulheres. Para se entreterem.

 

O voto universal não faz sentido. Eu acho que só deviam votar homens portugueses com propriedades. E mulheres não. Eu acho que mulheres não faz sentido que votem. Desde que demos o voto às mulheres, foi a pior coisa que fizemos nos últimos 100 anos na civilização ocidental. Eu não tenho problema nenhum e dizer isto, julguem-me à vontade, eu sei que estou certo.

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Isto não é Portugal

Imagina seres um emigrante português em Genebra, na Suíça.
Nem precisas de ser um daqueles imigrantes que fugiu à ditadura. Imagina que foste um dos que emigrou para lá durante a crise financeira da década passada.
Mas não és assim tão diferente dos emigrantes dos anos 60 e 70.
Também tu foste para lá com uma mão à frente e outra atrás, fazer o trabalho que os suíços já não queriam fazer. E continuam a não querer. Na agricultura, na construção, a limpar hotéis ou a descarregar contentores. Sempre de forma honesta e empenhada.
Apesar de trabalhares no duro, de pagares os teus impostos e de teres uma postura irrepreensível, levaste com propaganda da extrema-direita suíça, que te retrata como uma ovelha negra e quer que “voltes para a tua terra”.
(Soa-te familiar?)

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As bolotas e os porcos

Falava uma deputada do Partido Socialista. Falava e enquanto falava acusava o partido Chega de ser racista e xenófobo. Indignados, os deputados da agremiação tasqueira, pediram a palavra: para dizer que é uma ofensa serem chamados de racistas é xenófobos.

A deputada do Partido Socialista que falava é, só por acaso, negra. Como o é, o deputado Filipe Melo, do Chega, mais conhecido como Bidão Galo, por ser largo e transpirar azeite, decide mostrar que não é nem racista nem xenófobo, atirando um “vai para a tua terra” à deputada socialista.

Eva Cruzeiro, deputada do Partido Socialista.
Imagem: Expresso

Ora, a deputada Eva Cruzeiro nasceu em Portugal, tem origens angolanas e cresceu no Seixal. A menos que o ‘deputedo’ chegano queira que Eva Cruzeiro volte ao Seixal, não estou a ver o que mais pode confirmar o racismo e a xenofobia da seita aventurada transformada em bancada ‘para-lamentar’.

Isto ainda vai piorar: para já, a violência é só verbal. Mas tem vindo a escalar, porque o que interessa é ser notícia, aparecer e “mal ou bem, falem de mim”. Filipe Melo, o deputado que deve mais de quinze mil euros ao fisco, já fez as figuras todas da extrema-direita: já foi machista, já foi homofóbico, já foi racista e já foi xenófobo. Agora, só lhe falta ser anti-semita… mas desconfio que quem arrisca o seu dinheiro no Chega não lhe dê autorização para tal. Durante a troca de palavras, Melo levantou-se e estacionou a sua figura de Barrosão na escadaria entre a bancada da seita que representa e a bancada do partido que representa o quase-governo; a estratégia de intimidação é óbvia e não é nova: levantar a voz, primeiro; levantar-se do lugar, a seguir; aproximar-se do inter-locutor, pressionando-o… e já só falta o próximo passo, o qual todos sabemos qual será.

Filipe Melo, deputado chegano. Imagem: Chega.

Quando a nulidade que temos como presidente da Assembleia da República disse que se pode dizer o que se quer e o que bem nos apeteça na casa da Democracia, não antevendo que quem é tolerante com intolerantes acaba comido pelos segundos, a estória já estava escrita: se a carta é branca e a deputada é negra, “vai para a tua terra” é tão legítimo como qualquer outro argumento, até porque o Aguiar é Branco.

O Chega clama por Salazares. Chora por estados novos. Vocifera contra a indisciplina. E fá-lo porque sabe que toda a autoridade está incumbida de branquear as práticas anti-democráticas, inconstitucionais, criminosas e cleptomaníacas do partido de Um Homem Só, qual União Nacional modernizada.

Quando a autoridade é uma bolota, acaba a ser comida pelos porcos.

Aguiar, o Branco. Imagem: SIC Notícias.

A iniciativa iliberal de Cotrim de Figueiredo

Cotrim de Figueiredo podia ter escolhido qualquer um para seu mandatário.

Podia ter escolhido um liberal.
Podia ter escolhido um moderado.

Escolheu José Miguel Júdice, um radical ligado ao MDLP, a organização de extrema-direita que deu respaldo a assassinatos políticos e atentados terroristas na década de 70.

É uma opção legítima, esta de Cotrim e da IL. Só não é lá muito liberal. Algo que, infelizmente, surpreende cada vez menos.

Burcas e outros adereços performativos

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e a lenço para a cabeça

Acho que já podemos parar de fingir que esta decisão de proibir as burcas tem alguma coisa a ver com o bem-estar das mulheres muçulmanas.

Porque isto partiu dos mesmos que querem a mulher recatada, obediente e do lar.

Dos que enchem a boca para falar de segurança e a seguir assobiam para o lado quando são confrontados com os números da violência doméstica.

E foi parida no mesmo partido onde há quem defenda a remoção dos ovários das mulheres que decidam abortar, a ponto de levar a proposta a congresso e receber o apoio de 15% dos delegados.

O mesmo partido que construiu um altar ao abusador e possivelmente pedófilo Donald J. Trump, cujo regime autoritário em construção acelerada abafou o caso Epstein.

E porque, se estas mulheres forem casadas com fanáticos, deixarão simplesmente de sair de casa.

Podemos parar a encenação, não acham?

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André Ventura ESMAGA-SE a si próprio

Apoiantes do Chega divididos entre a liberdade de expressão desbragada de André  Ventura e o 'respeitinho é muito bonito' dos seus detratores - Expresso

Cartoon: Nuno Saraiva

André Ventura, como populista que é, usa tudo o que pode para pôr as redes sociais a arder. Porque é, politicamente, um incendiário e um completo irresponsável, que não olha às consequências da sua demagogia, prejudique quem prejudicar. Todos os meios justificam o único fim que lhe interessa: poder absoluto.

Sendo o extremista que é, não será de admirar a figura absolutamente ridícula que ontem fez, e que agora transcrevo para vocês. Disse Ventura:

“Pessoal, vocês não vão acreditar, eu acho que ninguém vai acreditar, eu próprio tenho dificuldade de acreditar que isto que eu tenho aqui é verdade. Vocês sabem que o Parlamento português aprovou hoje uma deslocação do Presidente da República – pá, eu tenho que olhar para isto bem que eu tenho que ter a certeza disto – para ir com os nossos impostos e o nosso dinheiro à Alemanha a um Burgerfest. A um festival de hambúrgueres. O CH votou contra, como é evidente, isto é uma bandalheira, mas sabem porque é que isto passa, porque é que estas coisas passam? Porque vocês não sabem disto, vocês não se revoltam com isto porque não sabem. Então eu vou-vos dizer isto: o Parlamento aprovou hoje a ida do nosso Presidente da República, a nossas expensas, às vossas expensas, à Alemanha, a um festival de hambúrgueres. Agora digam o quão ridículo isto é. O quão estúpido isto é.”

Marcelo foi convidado para estar no Bürgerfest 2025, um evento anual realizado na residência oficial do presidente alemão, que celebra o trabalho voluntário e o envolvimento cívico dos cidadãos. E Portugal é o país homenageado na edição deste ano. Bürgerfest significa, literalmente, Festa do Cidadão. Numa coisa, Ventura tem razão: isto é mesmo ridículo. E estúpido. Mas só porque Ventura não conseguiu evitar a diarreia mental.

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Isto está cada vez pior? Comparado com quê?

File:Antonio de Olivera Salazar sitting at his desk (by Bernard Hoffman, 1940) – Google Art Project.png

O Putin português com uma foto do assassino Benito Mussolini na sua secretária

Será verdade que “isto está cada vez pior”?

Não é de agora, não foi criada pelos novos fascistas, mas ninguém cavalga essa percepção como eles.

E o termo é exactamente este: percepção. Não confundir com realidade.

Mas… que percepção é essa?

É a percepção de que “isto está cada vez pior”.

Fun fact: não está.

E entre os responsáveis pela construção, que é em parte deliberada, desta ideia catastrofista, ancorada na demagogia mais ignorante e no populismo mais canalha, contamos políticos, órgãos de comunicação social, comentadores e activistas de extrema-direita, aos quais se juntaram, mais recentemente, YouTubers da área do gaming e da fraude com casinos ilegais, e, claro, influenciadores digitais apostados em monetizar a indignação e a idiocracy reinante.

Importa, contudo, sublinhar que todos eles estão a mentir.

Ou que, na melhor das hipóteses, são apenas ignorantes.

Porque Portugal não está cada vez pior.

Aliás, Portugal está, em muitos parâmetros, muito melhor. Sobretudo desde que o regime defendido pela larga maioria dos profissionais da percepção da desgraça inexistente foi derrubado e substituído pela democracia.

Está melhor na saúde.
Está melhor na nutrição.
Está melhor na liberdade.
Está melhor na educação.
Está melhor na economia.
Está melhor na segurança.
Está melhor na alfabetização.
Está melhor nas exportações.
Está melhor nas infraestruturas.
Está melhor na mortalidade infantil.
Está melhor na liberdade de imprensa.
Está melhor na liberdade de expressão.
Está melhor na esperança média de vida.
Está melhor no respeito pelos direitos humanos.

Em suma, está melhor naquilo que realmente importa. Naquilo que impacta a qualidade de vida da maioria.

Curiosamente, ou talvez não, o grosso daqueles que passam a vida a afirmar que “isto está cada vez pior” e que “antigamente é que isto era bom” são saudosistas da ditadura fascista do Putin de Santa Comba Dão. E defensores das suas maravilhas:

Da corrupção generalizada e intocável, promovida pelo regime salazarista.
Dos pés descalços e os estômagos vazios das crianças pobres.
Da repressão e do regime ditatorial de partido único.
Da oligarquia de Lisboa que tinha Salazar no bolso.
Da inexistência de um sistema de saúde universal.
Do analfabetismo e do trabalho semi-escravo.
Da violência policial, da tortura e da guerra.
Dos bairros de lata na periferia de Lisboa.
Do atraso estrutural a todos os níveis.
Da redução da mulher a objecto.
Da exploração infantil.
Do Ballet Rose.

E, claro, do respeito imposto pela violência. Que não era respeito nenhum.
Era medo.

Portugal tem imensos problemas, em áreas críticas, e é fundamental que os resolvamos todos e que responsabilizemos os seus responsáveis. Criticar o Estado e os políticos eleitos e legítimo. Mas qualquer pessoa que afirme, sem se rir, que isto estava melhor durante o Estado Novo, ou é ignorante ou adepto de ditaduras. No caso dos segundos, que não o assumem por hipocrisia e dissimulação, Putin bem que podia vir até à ponta ocidental da Europa. Porque a agenda do ditador russo é a mesma que defendem.

O diplomata Ventura

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Quando André Ventura se indigna com o momento de clarividência de Marcelo, não são preocupações com a diplomacia que o movem. Caso contrário, não se teria comportado como um perfeito anormal quando Lula da Silva esteve no Parlamento. Goste-se ou não de Lula, ele é o chefe de Estado de um importante parceiro de Portugal e a diplomacia não pode andar ao sabor de histerismos ideológicos.

Na verdade, André Ventura está apenas a defender o seu corrupto preferido, que, de facto, se comporta como activo russo. Enriqueceu em parte à custa de oligarcas russos, o que equivale a dizer à custa do Kremlin, humilhou os serviços secretos americanos para dar razão a Putin, em Helsínquia, e recebeu o ditador russo com aplausos, sorrisos e palmadinhas nas costas, há dias no Alasca, enquanto destrata permanentemente os seus aliados da NATO.

Em cima disto há a humilhação de Zelensky na Casa Branca, a postura de vários oficiais da sua administração que se recusam a assumir que a invasão russa é, de facto, uma invasão, e, soubemos estes dias, que Trump recebeu bons conselhos de Putin sobre como conduzir eleições. Porque se há autoridade na gestão eleitoral transparente e democrática, esse alguém é, seguramente, Vladimir Putin. [Read more…]

O Chega virou woke (ou como o lambão baba o dedo para ver de onde sopra o vento)

Chega woke.

O Chega não tem ideias nem ideais próprios. Os ideais, esses, são os de antanho, de um tempo de miséria e penumbra geral. As ideias, essas, são aquelas que a extrema-direita, sobretudo a europeia, estiver a difundir por aí. No caso, como o único exemplo de uma espécie de moderação da extrema-direita surgiu do governo italiano, encabeçado por Georgia Meloni (e a sua amiga benzoilmetilecgonina), o Chega tem tentado, desde as últimas eleições, tornar Ventura numa Meloni.

Ora, se o Chega é contra os transexuais, convinha tentar não tornar o seu líder num. E se o Chega fala tanto em substituição populacional, que lhe importa se as portuguesas fornicam, engravidam e parem? Afinal, estamos a ser substituídos.

O melhor, nestas matérias, era pôr a anti-feminista Rita Matias a falar… porque já se provou que esta anta usa argumentos feministas para se dizer anti-feminista. E agora o Chega, cheio de tesão woke, quer pôr-se ao lado das feministas também… sendo anti-feminista. Está bem, abelha…

Por fim:

Rita, presta atenção:/Verás que não há nenhum mal,/abre lá o teu coração/e as pernas por Portugal. 
André, não tenhas vergonha/e não sejas salafrário;/eu sei que tu largas peçonha,/mas está na hora de saíres do armário. 

Igreja Universal do Reino de Trump

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Não tenho toda a informação que gostaria para ter uma opinião formada. À velocidade que hoje circula, já não dá para acompanhar porra nenhuma. A overdose de temas, polémicas, romances, notícias, tiktoks, cenas do futebol, cenas da CMTV, escândalos, dramas, tweets e duelos virtuais danificou irreparavelmente o meu foco.

Ainda assim, tenho a forte sensação de que o ICE se transformou numa espécie de Gestapo, com as suas máscaras e passa-montanhas, o seu equipamento táctico e o seu orçamento militar, a aterrorizar não apenas imigrantes ilegais, como residentes e cidadãos regularizados e documentados. Às ordens directas do pior dos presidentes.

Já se viram congressistas e senadores estaduais e nacionais detidos, um juiz algemado e ameaças de uma possível detenção e deportação de Zohran Mamdani, o socialista em ascensão no Partido Democrata, aparentemente o melhor posicionado para vencer as autárquicas em Nova Iorque. Chega a ser comovente, ver artistas de variedades sul-americanos e caribenhos, que cantaram e dançaram por “Mr. Trump”, agora detidos, deportados e indignados:

  • Una injusticia!

Pois claro que é uma injusticia, Janet. Mas estavas à espera de quê? Não o ouviste dizer ao que vinha? Achavas que contigo ia ser diferente, se nem alguns cidadãos nascidos em solo americano estão a salvo?

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Sorria como manda a hipocrisia

Estamos num ponto tal em que já nem sequer choca que o líder da extrema-direita portuguesa recite, como se de uma lista de descartáveis ou criminosos incuráveis se tratasse, os nomes de crianças que frequentam as escolas portuguesas; crianças essas filhas de pais estrangeiros, mas muitas delas já nascidas em território nacional.

Façamos, pois, o exercício contrário.

De repente, enquanto se discutia a lei da imigração em França ou na Alemanha ou na Bélgica ou no Luxemburgo ou na Suíça, um qualquer bobo da corte armado em Hitler da loja dos trezentos balbucia meia-dúzia de cagalhões contra pessoas de origens diferentes que frequentam as escolas lá do burgo, grande parte delas nascidas no próprio país e começa a recitar:

  • Luís Miguel Marques
  • Vitor da Silva Fonseca
  • Mariana Santos Travassos
  • Diana Andrade Ribeiro
  • Ricardo André Esteves
  • Tiago Filipe Cunha
  • Rui Miguel Dias Lopes
  • Fátima Campos Rios

E por aí fora.

Há algum português que não tenha familiares emigrados?

A pimenta, no cu dos outros, é sempre refresco. Mas, em tempos de ódio puro àquele que vem de fora (mas que chique usar, comprar e visitar aquilo que vem de fora), convém sempre relembrar que somos sempre estrangeiros nalgum lugar. E que não somos nem daqui, nem dali, somos do Mundo.

Não ser nem ateniense nem grego é não querer ser mais papista que o Papa. Saibamos integrar e adaptarmo-nos, para que sejamos sempre acolhidos e nos adaptemos.

E as percepções continuam a dar abadas à realidade, quando se comprova, agora, que a maioria das nacionalidades atribuídas se deveram à lei dos judeus sefarditas e, também, ao pedido de nacionalidade por parte de brasileiros, entre outros, com avós portugueses.

Volvidos cinquenta anos, Portugal quer voltar a ficar orgulhosamente só – seguindo a lógica dos Donos Disto Tudo, da Rússia à China, dos Estados Unidos a Israel, do Irão à Turquia -, enquanto uma elite radical se apodera da República para a transformar noutra coisa qualquer que com ela se assemelhe.

A tudo isto, o ilustre Dantas que é Presidente da Assembleia da República chama-lhe “liberdade de expressão”. Já antes nos tinha dado a solene lição de que ser racista é mera questão de opinião, agora confirma-o com veemência. “Morra o Dantas, morra! Pim!”

“Sorria como manda a hipocrisia;
Ser escravo e se adequar é bem mais adequado que dizer que não.
E oportunamente as oportunidades surgirão
Para que você também possa escravizar os seus irmãos.

E por ora é razoável não pisar fora do raso,
Não cagar fora do vaso,
E comer merda todo dia.
Mas no fundo quem aceita o inaceitável
É o grande responsável pelo mal do mundo. Você não sabia?”