André Ventura e o Chega são inimigos do Estado laico

RF

Um dos pilares de qualquer democracia consolidada é a laicidade do Estado. Foi uma conquista arrancada a ferros, depois de séculos de domínio do Vaticano sobre reis e imperadores, feito das mais variadas formas de opressão, cruzadas e “hereges” a arder em fogueiras. Em Portugal, as ligações estreitas entre o Estado Novo e o topo da hierarquia de Igreja Católica são conhecidas, sombrias e a total negação dos ensinamentos de Jesus Cristo. E sim, ainda existem por aí uns quantos abades com sangue inocente debaixo das unhas. E não, não foi assim há tanto tempo.

Não é preciso ir muito longe para perceber o quão nociva é a captura de Estados por instituições religiosas. Basta olhar para o Médio Oriente para perceber isso mesmo. Ou até para o papel dos fundamentalistas evangélicos em governos como o de Bolsonaro, onde a pastora evangélica e ministra Damares Alves exigiu recentemente a prisão imediata de todos os juízes do Supremo, por estes não se vergarem as exigências do presidente. A separação de poderes, tal como a laicidade, é, para os fanáticos religiosos, um alvo a abater. [Read more…]

André Ventura ARRASA André Ventura

v

Com este tweet, André Ventura admitiu duas coisas. Que foi feita uma investigação profunda aos seus segredos político-partidários, admitindo a sua existência, e que está ligado a manobras pouco respeitáveis, por oposição às do irmão de Marcelo Rebelo de Sousa. O método Trump tem esta desvantagem: perante factos que o colocam em xeque, a reacção imediata e intempestiva, para consumo instantâneo nas redes, corre quase sempre mal. Só que Ventura não é Trump, e nós não somos tão assim tão ignorantes. [Read more…]

Vírus para uns, amigo para outros

Neste fim-de-semana, apesar das regras mais rígidas, os portugueses começaram a ir à praia e fazer outras atividades. No entanto, as medidas continuam a ser pouco claras e das duas uma: ou não há coerência ou o vírus é muito seletivo. Este vírus, segundo a DGS, parece que escolheu horas para atacar e tem sítios preferidos. Por exemplo, este vírus detesta Fátima, mas tem um apreço especial por manifestações da CGTP. O vírus detesta pessoas na praia que não façam desporto, mas adora quem faz surf. O vírus detesta o português médio que quer ir ao centro comercial, mas adora membros do governo que se juntam em tascas. O vírus detesta música pop e festivais, menos se houver t-shirts do Che Guevara a cada tenda. O vírus, até há umas semanas, não via as máscaras como obstáculo. Agora, é das maiores barreiras que tem. O vírus detestava médicos, hipertensos e diabéticos. De repente, devem ter feito todos um jantar e já ficaram amigos outra vez.

[Read more…]

Um português, um indiano e um cigano…

O título deste texto parece o início de uma anedota, mas também se adapta a um dos últimos episódios da política portuguesa e tiveram como protagonistas André Ventura, António Costa e Ricardo Quaresma. Achei melhor dizer, pois há quem se dê mal ao brincar com estereótipos. Ai se os Gato Fedorento fossem dos dias de hoje…

[Read more…]

André Ventura acha que André Ventura não tem razão

André Ventura, como Trump e Bolsonaro, é exímio na arte da mentira, da deturpação de factos e da instigação do ódio, do medo e da divisão. E, como bom demagogo que é, contradiz-se quase todos os dias. O que verão os seus eleitores neste político, que tem todos os defeitos dos restantes, não acrescenta nada de novo e ainda vem acompanhado por uma horda de neo-nazis, determinados em derrubar a democracia?

André Ventura, Nuno Melo e o sonho do silêncio

Muito recentemente, Nuno Melo, ao criticar a presença de Rui Tavares na telescola, deixou claro que, para se ser professor, não se pode ter ideias políticas de esquerda ou que um professor não pode citar um especialista, se o especialista for de esquerda. Não foi isto que disse, mas foi isto que quis dizer, fingindo que defende uma imparcialidade que não o seria, mas antes uma assepsia impossível e indesejável. É claro que não desmontou nenhum dos argumentos usados pelo historiador Rui Tavares, mas a grande vantagem de se ser populista é não estar obrigado a argumentar.

Ontem, André Ventura revoltou-se com o facto de Ricardo Quaresma ter criticado o próprio André Ventura. Qualquer pessoa pode ficar insatisfeita ou magoada ou o que se queira quando é criticada. Quando essa pessoa, no entanto, pretende que haja um mecanismo que permita silenciar a crítica, deparamos com alguém que acredita na existência de um “delito de opinião”, chegando ao ponto de pedir a intervenção das autoridades e defendendo, implícita mas claramente, que a Federação Portuguesa de Futebol deveria tomar uma medida qualquer. [Read more…]

Precário para canhão

CH

Dificilmente seria possível encontrar uma imagem que melhor ilustrasse a ignorância que alimenta André Ventura, o Chega e o neofascismo em geral. Um estafeta de uma Uber Eats desta vida, precário e explorado, faz publicidade gratuita a um partido que advoga o aprofundamento da precarização e a desregulamentação do mercado de trabalho, sem falar nas borlas fiscais que defende para milionários. Se não é ignorância, é masoquismo. Ou, como li por aí algures, mais um “cão de guarda” da elite, que ladra para a proteger mas continua a comer restos e a dormir na rua. É triste. E é também por isso que combater a extrema-direita e a sua narrativa, todos os dias, é cada vez mais um imperativo moral.

E o André Ventura, não assina?

Pelo fim da prisão preventiva de Rui Pinto

André Ventura assume a sua desonestidade em directo

Se for eleito deputado vou dar o exemplo comigo próprio, mantendo a exclusividade no parlamento. Mesmo perdendo dinheiro! Sim, eu vou estar em exclusividade e vou assumir unicamente o meu lugar na Assembleia da República. Tenho de dar o exemplo. Não pode ser só falar.

O vídeo, gravado poucos dias antes de ser eleito deputado, fala por si. Cinco meses depois, André Ventura continua a ser comentador da CMTV e não existe registo que tenha abdicado da sua posição de consultor na empresa Finpartner. Os embustes de André Ventura sucedem-se, e só se deixa enganar quem quer. Porque só um palerma não percebe a fraude que a sua narrativa populista e demagógica é.

André Ventura e a arte de gozar com a cara do eleitorado do Chega

Podem os chegófilos negar a realidade e encher a caixa de comentários de idiotices fanáticas, como é seu hábito, mas a verdade é que este é apenas mais um dos inúmeros exercícios de desonestidade de André Ventura, o contorcionista político. Em campanha, defende apaixonadamente a obrigatoriedade do exercício do mandato de deputado em regime de exclusividade, afirmando mesmo que nunca acumularia funções, porque tinha que dar o exemplo. Uma vez eleito, manteve intocável a sua relação com o grupo Cofina, bem como as suas funções de consultoria na empresa Finpartner. Para quem se assume como alguém que vem para mudar a política, para a dignificar e para acabar com a “mama”, André Ventura não passa de um embuste. Só um ignorante, ou alguém totalmente alheado da realidade não percebe isto. Um embuste, leia-se, que não se cansa de gozar com a cara do seu eleitorado, o que diz muito sobre o mesmo.

O caso Marega e o efeito Ventura

O efeito Ventura, que escancarou as portas do armário onde a estupidez demagógica e simplista da extrema-direita estava maioritariamente contida, não cessa de surpreender. Acabo de ler, a propósito do caso Marega, que também Luís Figo foi insultado em Camp Nou, assim como João Moutinho em Alvalade. Fazendo a vontade à grunharia, deixemo-nos de politicamente correctos: esta gente é estúpida como a porta do armário de onde saiu.

Vergonha, disse Ventura

São Ventura, que desceu à Terra para nos salvar do políticamente correcto, do marxismo cultural, da ideologia de género e do resto das fábulas do papão comunista, que o tio-avô salazarista nos contou em pequeninos para comermos a sopa toda, continua o seu percurso exemplar de dignificação da democracia. Ontem faltou a votações no âmbito da aprovação do OE20 na especialidade, incluindo votações de propostas do próprio Chega, do qual André Ventura é o único representante. Agora é que isto vai para a frente.

Nazis no Chega?

o polígrafo diz que sim.

Esclareça-nos, Dr. Rui Rio

ainda acha “um bocadinho exagerado classificar o Chega de fascista ou extrema-direita“?

Do país de origem aos testículos ou contributos para uma retórica reaccionária

Nem todos podemos ser pessoas civilizadas: uns não receberam educação em pequeninos, outros fundaram o Chega. Sendo pouca a esperança de que estes pobres desgraçados cheguem à civilização (nada que, ao longo da história, os tenha impedido de chegar ao governo), é nosso dever, cristãmente, deixar alguns contributos para que possam exercer ainda mais cabalmente a sua incivilidade, para que possam continuar a sonhar com o direito a acabarem com os direitos dos outros.

Joacine Katar Moreira defendeu que Portugal deveria devolver património às ex-colónias. André Ventura, por discordar, propôs que, em vez disso, Joacine fosse “devolvida ao país de origem”. É natural que André Ventura, sendo orgulhosamente reaccionário, não se aperceba verdadeiramente da desproporção entre o teor da proposta de Joacine e o conteúdo da sua crítica. Uma qualquer desconfiança ainda o levou a dizer que referência à deportação era ironia.

É claro que, para um reaccionário, país e origem são conceitos muito simples e, no caso em apreço, nem sequer é importante saber que Joacine é cidadã portuguesa ou que as nossas origens são tão incertas que nos arriscamos a ter antepassados africanos, nórdicos, asiáticos ou outros, numa provável mistura que faria vomitar um reaccionário, se perdesse algum tempo a pensar no assunto, deus nos livre e guarde e salazar nos proteja, sempre vigilante. [Read more…]

Não é tarde para um obrigado

[Francisco Salvador Figueiredo]

Penso que num país em que tudo é demorado, me vão perdoar um pequeno atraso em relação ao assunto que abordarei. Hoje, irei debruçar-me principalmente sobre a estreia de três partidos na Assembleia da República. Temos um partido extremista, o Chega e a Iniciativa Liberal. Ah, o partido extremista é, obviamente, o Livre.

Mas antes de tudo, comecemos pelos partidos do costume. Temos um PS a repetir a mesma estratégia, só que com mais gente ainda. O PS faz lembrar aquelas crianças que irritam os pais um bocado e depois vão irritando cada vez mais para ver os limites. Neste caso, o pai é o povo português. Um pai demasiado passivo, diga-se.

Agora, tempo para elogiar uma nova cara na Assembleia, uma verdadeira oposição ao Governo. Estamos a falar do irreverente Rui Rio, que depois de meses a fazer campanha ao PS, assumiu a presidência do PSD e tornou-se numa voz ativa contra o governo. Não gosto de Rui Rio, ideologicamente. Mas tenho de lhe tirar o chapéu. Sempre foi sensato no que disse, sempre seguiu a sua cabeça e nunca teve medo de elogiar algo por não ser do seu partido. Na Assembleia, teve uma postura exemplar, ao tocar em pontos frágeis como, por exemplo, a situação do Hospital S. João, mas mesmo assim não caiu numa tendência populista e demagógica.

O CDS? O CDS pecou pela forma que abordou estas eleições. Quis agradar a todos os lados, não assumindo uma posição de direita firme. Desta forma, perdeu votos para outros partidos de direita. Neste momento, são 5, mas continuam a ser partido do Taxi. No entanto, são aqueles para 6 pessoas. O outro lugar é para chamar a atenção do André Ventura (Chega) ou João Cotrim Figueiredo (IL). Só pode…

Bloco e CDU continuam rigorosamente na mesma, sendo que o Bloco a cada ano que passa está cada vez mais extremista e a revelar a verdadeira pele. Livre? As pessoas que votaram Livre não se podem dar por desiludidas. Queriam aquilo e assim está. Joacine continua fiel às suas ideias, não alterando a forma de estar apenas por ter sido eleita. É de louvar. Mas não é por isso que deixa de ter um discurso ressentido, fraco e inútil. O que Joacine quer não é igualdade de tratamento entre raças, mas sim transformar as raças todas iguais. Há um discurso de ódio contra os portugueses. A minha questão é: Se eu achasse que os negros são contra os brancos, porque razão eu iria para o Ruanda defender uma suposta minoria branca? Não faz sentido. Em relação à gaguez, eu não sou terapeuta, por isso a minha opinião não interessa. No entanto, Joacine faz-me lembrar aqueles jogadores de futebol que fintam meio mundo e depois falham de baliza aberta. Uma pessoa até pensa que ela pode vir a dizer algo bom, mas acaba sempre por dizer algo mal. Em relação a este assunto, a direita, mais uma vez, consegue estar mal. O que tem de ser usado como argumento não é a gaguez da Joacine, mas sim as suas propostas.

Chega. Começou por parecer um partido de extrema-direita, mas depois desta campanha já se percebeu que é uma simples direita conservadora. Não me parece que tenha uma força construtiva, mas sim uma força destrutiva. A intervenção de André Ventura na Assembleia não foi uma defesa do Chega, mas sim um roast total ao PS. Nesse aspeto, esteve bem, mas parece pouco para um Partido. [Read more…]

Pedro Passos Coelho, o Dr. Frankenstein de André Ventura

Quando se questionarem sobre quem foi o Dr. Frankenstein de André Ventura, façam um pequeno exercício mental e recuem até à campanha para as Autárquicas de 2017.

Vão ver os elogios que Passos Coelho e respectivos generais lhe fizeram. Os mesmos generais que agora se posicionam para depor Rui Rio e tomar o PSD de assalto.

Vão ler o contorcionismo daqueles que agora o renegam, quando há dois anos o defendiam com unhas e dentes e lhe elogiavam a coragem de ser xenófobo. [Read more…]

Chega: a encenação anti-sistema do partido de André Ventura

Conhecemos André Ventura dos tempos em que foi o candidato apoiado por Pedro Passos Coelho à CM de Loures. Um candidato que, já em 2017, não escondida algum populismo e xenofobia, que hoje encontramos na narrativa do Chega. O discurso de André Ventura foi de tal forma polémico, que o CDS-PP se afastou e retirou o apoio ao candidato do PSD. E é bom recordar que falamos do CDS-PP, que conta nas suas fileiras e órgãos nacionais com elementos da TEM, uma tendência interna muito próxima do pensamento salazarista, liderada por Abel Matos Santos, candidato à liderança do partido. [Read more…]

Saudação nazi

André Ventura chegou ao Parlamento.

E você? Ainda tinha dúvidas sobre André Ventura?

av

via Expresso

Num artigo de opinião que é um rasgado elogio a Matteo Salvini, André Ventura mostra-nos, caso não tenhamos reparado, quem é, quem são as suas referências e ao que vem. Um estado mínimo e autoritário, propaganda populista, demagoga e desonesta, menos impostos para os mais ricos e desrespeito pelas instituições democráticas. Em linha não só com Salvini, mas também com Bolsonaro, Trump ou Orbán. O tal plano B das brigadas neoliberais. [Read more…]

O violento ataque do «Chega» de André Ventura aos Bancos e Grandes Grupos Económicos

O impensável aconteceu: André Ventura lidera coligação de direita com partidos de esquerda

COL.png

Segundo o Expresso, André Ventura lidera uma coligação às eleições europeias entre o partido que criou – na esperança de se transformar no líder da alt-right portuguesa, se é que isso existe – o PPM e o PPV/CDC, que, tanto quanto pude apurar, é uma página extremamente divertida que partilha pensamentos profundos como:

Estou aqui a pensar no Maduro, na Catarina, no Jerónimo, no Costa & C.a. (são todos farinha do mesmo saco).

ou

Saiba porque os mulçumanos vão dominar o mundo. Preparem-se! A mordamia ocidental acabará em breve. A não ser por intervenção divina.

sendo que este último é da autoria do Padre Augusto Bezerra, que, ao que tudo indica, também se dedica ao humor. [Read more…]

PPM barriga de aluguer para Chega e D21

O PPM foi um partido com tradição no panorama político português, tendo inclusivamente integrado dois governos constitucionais. Até agora mereceu o respeito mesmo dos que discordavam do seu programa, tão legítimo quanto qualquer outro em democracia. Presta-se agora ao triste papel de barriga de aluguer para projectos políticos que apostaram tudo nas redes sociais, mas que não conseguiram até ao presente a necessária legalização no Tribunal Constitucional, que lhes permitiria disputar eleições. [Read more…]

CHEGA: a ludibriar a lei antes mesmo de existir

CH.jpg

Fotografia: João Relvas/Lusa@RTP

Depois de anos ao serviço de um dos dois partidos que manda nisto tudo, sem que se lhe conheça, até à saída estratégica, uma crítica que seja ao caciquismo, as danças de cadeiras entre o público e o privado, aos escândalos de corrupção, tráfico de influências, peculato ou gestão danosa, quando protagonizados pelos seus pares partidários, André Ventura arquitectou um projecto pessoal chamado Chega, com uma agenda que em (quase) tudo se confunde com a da extrema-direita. [Read more…]

Desorientação sexual

Há, com certeza, razões ancestrais para que as pessoas se preocupem tanto com a vida sexual das outras pessoas ou com a vida sexual mesmo sem pessoas: o medo do animal que vive em certas partes do corpo, o medo do corpo que vive em certas partes do animal, o medo de que outro corpo leve o corpo de que gostamos, o medo de não sabermos tudo sobre a vida dos outros, o medo de que a vida dos outros seja melhor do que a nossa, o medo da infelicidade dos outros. [Read more…]

Estarão os passistas a orquestrar uma cabala contra Pedro Santana Lopes?

Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens@JN

Primeiro foi Miguel Relvas, que em entrevista à SIC Notícias declarou o seu apoio à candidatura do provedor cessante da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cargo a que chegou por indicação do governo Passos/Portas. De seguida foi a vez de André Ventura, a coqueluche dos dias do fim do passismo, que apesar de se ter mostrado disponível para a corrida, dias antes, vem agora apoiar Pedro Santana Lopes na disputa contra Rui Rio. Quem virá a seguir? Miguel Macedo? Maria Luís Albuquerque? Paula Teixeira da Cruz? Marco António Costa? Hugo Soares? [Read more…]

Governo português manda boca a André Ventura

apelando à abolição universal da pena de morte. Estes geringonços não deixam os passistas em paz, carago!

Popularuchistas

As televisões – todas elas – têm, como sabemos, os seus candidatos em todas as eleições. Promovem-nos de formas subtis e subliminares – quando se trata de interesses das forças sociais dominantes, isto é, quando é a sério – algumas vezes e, outras tantas, de modo chungoso e popularucho, com efeitos imediatos e mais ou menos exuberantes. Estes últimos aparecem nos programas da tarde e nos mais conspirativos da noite, ostentando competências ora jurídicas, ora jornalisticas, ora psicossociais, ora de leitura de horóscopos e outras e desvairadas artes. Já vimos vários destes cometas políticos aparecer e fenecer com a mesma velocidade. O traço que os une é o populismo – ou popularuchismo – mais básico, dirigido a sectores particulares da população ou, no caso dos mais ambiciosos, ao “povo em geral”. Utilizam com frequência partidos “barrigas de aluguer” e não apresentam especial apego a princípios e outros luxos éticos. Há vários em gestação neste momento. E, apesar de candidatos autárquicos, nenhum teve a inclinação para mais pequeno escrúpulo, suspendendo as sua actividades comentatórias. O caso mas obsceno em acção é o tal André Ventura – comentador de futebol, de política, de criminologia e tudo o mais que lhe vier à mão. É artista da CMTV e há muito que espalha as suas obscenas teses, tornadas agora mais conspícuas com a sua promoção de sonda populista-rasca do PSD em Loures. Mas o meu ponto não são estas criaturas, já que quem (se) importa sabe ao que vêm. É que para chocar o ovo da serpente é preciso o calor da cumplicidade. E o que se lamenta é ver quem acompanha e dá legitimidade e um verniz de respeitabilidade a esta gente. O criminologista, escritor e ex-presidente da Câmara Moita Flores, o ex-ministro do PS Rui Pereira e outros que tais. A paga deve ser boa. E, lá diz o diabo do outro, a alma é de cada um. Mas temos o dever da denúncia. De dizer não, não me enganam.

Pedro Passos Coelho perdeu completamente a noção

Fotografia: Lusa@Dinheiro Vivo

Como diz a sabedoria popular, é cada tiro, cada melro. Primeiro foi a fase do Calimero e da negação da democracia representativa. O resultado foi uma fuga para a direita e o início de uma sucessão de quedas em todos os estudos de opinião, que se continua a agravar até hoje.

Depois vieram as profecias da desgraça, com sanções, resgates e ritmos venezuelanos à mistura. Porém, à medida que os números o começaram a tramar, o discurso inverteu-se e afinal era tudo herança dele, apesar de ter passado meses a afirmar que a Geringonça tinha destruído a tal herança e que vinha aí a grande catástrofe. Uma anedota completa. De Calimero passa a ser alvo de chacota, para além de se transformar na melhor coisa que poderia ter acontecido a António Costa: uma oposição fraca, liderada por um líder que não passa uma semana sem meter os pés pelas mãos. [Read more…]

Está registado, sr. Rui Ramos

É tudo uma inventona. E quem discorda sofre de politicamentecorrectivite – que se internem.