Defenestrem-se os Vasconcelos! Viva a Restauração!

Passaram 381 anos desde que atiramos o Vasconcelos pela janela e começamos a chutar os espanhóis para o lado deles da fronteira. E nada contra os espanhóis, que tenho lá bons amigos, tudo gente do melhor que há. Mas Portugal não é Espanha e nós já não temos idade – já não tínhamos, em 1640 – para brincar às anexações. Muito menos para ser anexados.

Por falar em anexações, quem volta e meia brinca com o tema é o partido neofranquista Vox. Ainda há dias voltaram a fazer um daqueles mapas, inspirados no período cujo o fim celebramos hoje, onde Portugal surgia como um território sob domínio da coroa espanhola. Bourbons por Bourbons, prefiro os de Linhaça. Mas, se quiserem, podem anexar André Ventura, que para autoproclamado nacionalista e defensor da pátria, executa um “Viva a Espanha” bastante convicto. E suspeito.

[Read more…]

“Deus, Pátria, Família… Trabalho”, segundo André Ventura

Deusaquela vez em que decidiu invadir um funeral para se deixar fotografar para os jornais. Muito católico, não haja dúvida.

Pátriaaquela vez que Ventura foi a um comício do Vox gritar “Viva a Espanha!, Viva a Espanha!”, num portunhol que, para portunhol, estava muito mal amanhado. Muito patriótico, sem dúvida.

Família – o líder do Chega, casado com uma catequista e sendo ele mesmo um ex-seminarista, não tendo sequer filhos (se descontarmos a coelha como herdeira) é, sem dúvida, o melhor porta-voz do ideal de família.

Trabalho – apologia feita pelo líder partidário que mais vezes faltou ao seu trabalho.

Era uma vez um maneta que dizia que o mal do Mundo estava em todos terem mãos.

As 1001 mentiras de André Coisinho e os Liberais a aproveitar o restolho

André Ventura foi ao Twitter dizer que, qual mártir da honestidade, abdicou do salário de deputado municipal “com enorme desapego”, cargo para o qual foi eleito nas últimas autárquicas.

Acontece que tal é impossível, pois o salário de deputado municipal…não existe. Pessoalmente, também não costumo ter apego por aquilo que não existe. Mas isso sou eu, um patego!

Não ter um pingo de vergonha na cara: lição 2348

Noutra notícia, nada relacionada: então parece que a Iniciativa Liberal quer pescar no Chega? Sabemos que a extrema-direita é o Plano B do Neo-liberalismo. Só não sabíamos que iria ser tão rápido.

João Cotrim Figueiredo, em declarações à LUSA, aqui citadas pelo pasquim da Manhã

Quando o Pai – que é como quem diz, o PSD – espirra, os filhos – que é como quem diz, o CH e a IL – constipam-se. E tudo isto com o primogénito – que é como quem diz, o CDS – em fase terminal num Hospital Privado. 

O sistema de Ventura

Na passada Sexta-feira, no Parlamento, a criminalização da riqueza injustificada de titulares de cargos públicos e um conjunto de medidas anticorrupção foram aprovados, por unanimidade, por todos os partidos e deputados não-inscritos com assento parlamentar.

Todos?

Quase todos. Houve um deputado, o autoproclamado combatente anti-sistema, que faz da luta contra a corrupção uma bandeira, apesar do seu contributo parlamentar na matéria ser um redondo zero, que esteve ausente. Estava demasiadamente ocupado, com os seus amigos neofascistas, a passear por Bruxelas e a tirar boas fotografias, nomeadamente com Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita RN, que desviou 6,8 milhões de euros de fundos europeus para contratar assistentes para o seu partido, valor que se destinava a dar suporte aos representantes do partido no Parlamento Europeu. [Read more…]

A vingança de André Ventura

Foto: Eduardo Costa/Lusa@Público

Quero começar por endereçar os merecidos parabéns a Rui Rio, que teve visão e habilidade política para mandar o cordão sanitário às urtigas e escancarar os portões da democracia para a entrada da extrema-direita. Um ano depois, o resultado está à vista: perdeu eleitorado para os extremistas, viu o seu junior partner ser canibalizado, a ponto de ficar ligado às máquinas, e o acordo para os Açores está na iminência de cair à primeira birra de André Ventura, que andou a mendigar ministérios num hipotético governo PSD, não conseguiu e lá se vingou no arquipélago. Lição nº 1 da extrema-direita: a extrema-direita não tem palavra: move-se, única e exclusivamente, pela destruição da democracia, pelo ódio e pela agenda pessoal do seu dono. [Read more…]

Monólogo venturoso

Nós somos a favor dos portugueses de bem, somos contra os bandidos, também não gostamos da violência, mas os bandidos deviam era estar presos, somos contra qualquer espécie de violência, mesmo a das espécies mais evoluídas, quando mandarmos vai acabar a bandalheira do twitter, temos um problema com os ciganos, somos orgulhosamente portugueses, temos orgulho na história pátria, a senhora deputada Joacine devia ser devolvida à terra dela, violência é que nunca, somos violentos contra a violência, não é contra as pessoas, tirando os bandidos e os ciganos, que ou não são portugueses ou não são de bem, eu não tiro fotografias com bandidos, prefiro tirar fotografias com portugueses de bem, como os neonazis que estão no meu partido, os políticos deste país são uma vergonha, tirando eu, que cumpri o que prometia, demitindo-me e candidatando-me logo a seguir, numa demissão assim mesmo a sério, somos contra a violência dos nossos partidários de Viseu que agrediram um paneleiro que talvez não fosse homossexual, mas o problema de Portugal é a comunidade cigana, tal como essa gente que vive de apoios, ao contrário dos banqueiros que vivem do Alzheimer.

André Ventura, o candidato a Miguel de Vasconcellos de Abascal

Em 2020, a propaganda do neofranquista Vox apresentava um mapa de Espanha no qual Portugal surgia anexado, como se o 1 de Dezembro de 1640 não tivesse acontecido. Por altura do sucedido, André Ventura fez um dos seus números de contorcionismo e exigiu um pedido de desculpas ao partido do aliado Abascal, pedido esse que nunca aconteceu. E logo aqui vemos o patamar de nacionalismo em que se encontra o Chega: o da chalaça.

Seria de esperar, da má velha extrema-direita, que, perante ausência do vigorosamente exigido pedido de desculpas, se seguisse uma acção mais musculada, ou mesmo um corte de relações institucionais. Por muito menos – a data de um congresso – cortou com o CDS. Mas nada aconteceu, perante este insulto a ocidental praia lusitana. Aliás, tivemos até André Ventura a lamber as botas de Abascal, na passada semana, e a gritar “Viva España” num comício da extrema-direita espanhola. Querem ver que o projecto mal parido de Francisco Franco já ofereceu a Ventura uma pasta ministerial no hipotético governo da Ibéria?

Entretanto, o Vox voltou esta semana a cuspir na nação portuguesa e a apresentá-la, em novo mapa, como um anexo de Espanha. E de Ventura nem um tweet furioso, como é seu hábito por tudo e por nada. Nem piou. Meteu a viola ao saco e bateu a bola baixa. E aqui se vê a determinação e o nacionalismo do líder da extrema-direita. O amor à pátria termina onde começam as suas alianças políticas. Um hipócrita, portanto. Nada de novo.

André Ventura, criminoso condenado

Depois de ser condenado em primeira instância, o Tribunal da Relação confirmou o que já todos suspeitávamos: André Ventura é um criminoso. E o criminoso bem pode ficar incrédulo e desiludido, e fazer o seu teatro calimerico, mas qualquer ser unicelular percebia o óbvio: não podes chamar “bandido” a pessoas que nunca cometeram um crime, entre as quais se incluía uma criança pequena, em prime time e perante uma audiência de milhões, usando essas pessoas como arma de arremesso num debate político. Agora, o arrogante é presunçoso Ventura, mais o seu partido de extrema-direita, terão que pedir desculpa à família Coxi. E o não cumprimento da sentença dará origem a uma multa de 500€ por dia de atraso. E cada reincidência terá o custo de 5000€. Portanto ou pedem desculpa, ou vão à falência, ou fazem como os outros neofascistas europeus e pedem ao tio Putin ou ao tio Bannon para bancar.

O ódio e o extremismo perderam, a democracia e o Estado de Direito ganharam. Venham mais dias assim.

E se os chalupas que tentaram agredir Gouveia e Melo fossem de esquerda, Ventura?

O que se passou há dois dias com o vice-almirante Gouveia e Melo é a ilustração perfeita do quanto a extrema-direita defende os interesses dos militares, e das forças de segurança em geral, que é nada, excepto quando a defesa desses interesses se cruza com os interesses pessoais se André Ventura. Imaginem que o vice-almirante era cercado por uma manifestação de esquerda, ainda que pequena e insignificante como aquele ajuntamento de chalupas que ontem vimos, sendo igualmente insultado como ontem foi. Ventura e as venturettes teriam rasgado todas as vestes do armário de onde saíram. Como foram negacionistas, importante base de apoio dos neofascistas, nem um pio se ouviu ou leu da parte do Bolsonaro português. Nem vai ouvir, pelo simples facto de que Ventura se está perfeitamente nas tintas para militares, policias ou quem quer que seja. Para Ventura existe apenas Ventura. Nada mais.

Calaça

“No fim da segunda sessão legislativa da XIV legislatura, o grupo parlamentar com mais faltas por deputado é o Chega, com 17 faltas. (…)” 

Uma pergunta retórica.

O Pimenta salazarista

Deu ao Chega a sua primeira medalha nestes Jogos Olímpicos.


A Culpabilização da Vítima

Mariana Seabra da Silva

Em pleno ano de dois mil e vinte e um, ainda se ouve muitas pessoas a proferir que a violação acontece fruto de acções, comportamentos ou caraterísticas específicas da vítima. É impressionante que, mesmo quando os indivíduos se deparam com uma quantidade abismal de casos de violação no mundo, no país vizinho e no próprio país, ainda hajam pessoas a culpabilizar o sucedido pelos sujeitos que passam pelo próprio trauma sexual.

Até quando vamos continuar a culpabilizar a vítima por ter sofrido de assédio, violação ou trauma sexual? Já não basta que as vítimas tenham de lidar com a própria experiência traumática, por si só? Ou a sociedade também tem de cair sobre os ombros das mesmas, dizendo-lhes que as responsáveis por aquilo ter acontecido são elas?

Até quando vamos continuar a contribuir para um discurso que perpetua as diferenças e violência de género, a violência doméstica e no namoro? Até quando?

A violação não é culpa da vítima, é de quem viola. A violação não acontece pela forma como a vítima fala ou veste, se tem mais ou menos tecido no corpo. A violação é um atentado aos Direitos Humanos, é um boicote à Liberdade e à Dignidade Humana.

Empenhemo-nos na mudança dos discursos sociais em casa, no café, com amigos, colegas de trabalho, familiares e simples civis que se encontram no passeio, principalmente no que respeita ao fenómeno da violação. Empenhemo-nos em educar os homens e as mulheres da sociedade para que a violação não seja vista como algo normal e justificável. Empenhemo-nos em consciencializar as crianças e jovens, adultos e idosos, que o consentimento é chave principal para o respeito da vontade de cada um, aceitação e empatia pelo outro. Passar a mensagem de que precisamos de saber como o outro pensa e sente, os seus limites e barreiras, para sabermos o nosso lugar.

Por isso, espero que aprendamos a conhecer melhor o nosso lugar no mundo.

Pod do Dia – Homo Cheganus

Em Viseu, elementos ligados à candidatura do Chega à câmara local foram acusados de ter proferido insultos homofóbicos, a que se seguiram, após reacção verbal do queixoso, agressões físicas a este mesmo queixoso.

 

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Pod do Dia - Homo Cheganus







/

Se parece um pato, nada como um pato e grasna como um pato, então provavelmente é um pato

Agora, já não se escondem.

Podem dar as voltas que derem, dizerem-se anti-sistema quando são, há muito, a escória do sistema, mudarem programas políticos de ano em ano, mudarem o sentido de votação três vezes no mesmo dia; já não enganam ninguém.

A extrema-direita é isto. É ódio, é violência, é ignorância. A extrema-direita é igual em todo o lado e já esteve por todo o lado. A única coisa que surpreende, ainda, mesmo não surpreendendo, é a incapacidade do Ser Humano de aprender com os erros passados. Somos, sem dúvida, a única espécie que tropeça vinte vezes na mesma pedra.

Depois dos ataques à sede da SOS Racismo, depois das ameaças a deputados e deputadas da AR e a activistas sociais, depois de um programa, mais maltrapilho que programa, a defender a extinção do Estado Social e com tiques pidescos, das incitações à desordem, das “sugestões” de deportação de cidadãos portugueses, das máfias e dos dePaços desta vida, já não enganam ninguém. [Read more…]

Vieira detido, Ventura contido

Quando são negros, ciganos, feministas, socialistas ou qualquer outro grupo de pessoas contra quem André Ventura e o Chega canalizam o seu ódio, todo e qualquer caso polémico ou de justiça, provado ou em investigação, é motivo para insultos, para gritos histéricos de “vergonha”, para as mais variadas acusações, regra geral sem fundamento, para as mais rocambolescas e estapafúrdias teorias da conspiração e até, como foi o caso da família Coxi, para chamar criminoso a quem não o é. Depois temos a detenção de Luís Filipe Vieira e o que ouvimos do homem que diz as verdades que os outros não têm coragem de dizer? Ouvimos:

A justiça tem que aturar de forma rápida, firme e transparente.

Nem um “vergonha”, nem uma indignação histérica, nem uma cena teatral com perdigotos pelo ar. Nada. Apenas um cachorrinho a fazer “beu beu”, tão baixinho que ninguém o ouve. Tão tímido que parece uma adolescente apaixonada na puberdade, perante o amor impossível com o barão do crime. Tão cobarde que se torna impossível não constatar o facto provado: Ventura é uma fraude e a sua agenda resume-me à imposição de uma sociedade autoritária. Acabar com o sistema e a corrupção? Nada disso. Ventura quer é o seu monopólio. E só não vê isto quem não quer. Ou quem quer o mesmo que ele.

Censurar a imprensa, e outras metodologias neofascistas do Chega

Na manifestação convocada pelo Chega – que é o mesmo que dizer “pelo André Ventura” – em frente à residência oficial do primeiro-ministro, onde uma imensa multidão de 150 pessoas, mais facho, menos facho, protestaram contra as medidas de combate à pandemia, o novo normal neofascista repetiu-se: um jornalista do Expresso foi impedido de fotografar a manifestação pela segurança de André Ventura e retirado do local à força, mesmo nas barbas de Ventura, sem que o deputado da nação mexesse uma palha para salvaguardar o direito daquele profissional a exercer a sua profissão. Nada que surpreenda. Não é a primeira, nem a segunda vez, e, seguramente, não será a última, a menos que se começam a meter os extremistas do Chega na ordem, como não aconteceu na manifestação do Movimento Zero.

[Read more…]

E agora, André Ventura?

Foto via Facebook SL Benfica

Vais ficar do lado do Benfica, ou do lado do teu eleitorado homofóbico? Vais continuar a tomar o partido do bandido, com mais um dos teus truques de contorcionismo, ou vais alinhar no histerismo farsola que sempre te caracteriza nestas situações? Em suma, o que pesa mais na tua agenda? O Benfica, que te permitiu chegar onde chegaste, ou o extrema-direita, que permitirá manter viva a ilusão de que alguma vez serás mais que um Salvini da loja dos chineses? E agora, Ventura?

O dia em que André Ventura se rendeu e vendeu ao socialismo

Na narrativa oficial do Chega, os socialistas são inimigos e o socialismo é O alvo a abater. O discurso não podia ser mais agressivo e a generalização é a regra: são todos iguais. Mesmo todos. Ou será que não é bem assim?

Inês Louro, actual presidente da junta de freguesia da Azambuja, eleita pelo PS, onde milita há 31 anos e foi dirigente das Mulheres Socialistas, decidiu desvincular-se do partido para ser candidata à autarquia da qual faz parte a junta que preside, só que desta vez encabeçando a lista do Chega. O início deste processo de transferência já remonta a Abril, mas, estranhamente, pouco ou nada se falou dele.

[Read more…]

Conversas Vadias 15

Nesta edição das conversas vadias, falámos sobre a marquise de Cristiano Ronaldo, passámos pelo Estádio do Jamor, observámos o congresso das direitas (MEL para os amigos), voltámos à pandemia (ou já será só epidemia?) e ainda perdemos algum tempo com velha confusão entre rankings das escolas e avaliação das escolas. Vadios presentes: António de Almeida, João Mendes, Carlos Araújo Alves, José Mário Teixeira, Orlando Sousa e António Fernando Nabais.

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Conversas Vadias 15







/

Bo tem mel

 

Amor, tu mais eu é igual a ui ui ui

 

 

André tem Mel

O Movimento Europa e Liberdade (MEL) realiza, estes dias, o seu muito falado conclave.

E o que é mesmo o MEL?

Não tenho bem a certeza. Tentei aceder ao site, para saber qual é a cena deles, mas estava crashado. Foi então que encontrei o cartaz do festival no Google, e fui ver o alinhamento. Segundo pude apurar, o MEL é uma convenção de direita, apesar de não se assumir como tal, onde políticos dos partidos de direita convivem com a fina flor da comunicação social de direita, com dois críticos internos de António Costa para fazer de conta que aquilo não é uma convenção de direita. Para quê tanta dissimulação? [Read more…]

IL 5% antifa – à maneira dela

“Maria Castello Branco [dirigente da Iniciativa Liberal] desconfortável com Ventura rompe com o MEL”

«Mas decidi que não posso participar numa Convenção que parece querer federar as direitas, sem primeiro colocar a nu as posições dos seus vários constituintes e sem lançar os seus líderes em franco debate. Ao invés, parece querer forçar respostas claras ao que se nos apresenta como um projecto de federação desenhado nas sombras.»

 

O tribunal declara: arrependa-se!

«Eles apelam a um nacionalismo racial. E é um apelo quase velado, se é que é velado. Parece familiar?»

Bandidagem do bem?

A Frente Nacional, partido de extrema-direita comandado por Marine Le Pen, que tem Putin como guia espiritual e Ventura como cheerleader, está sob suspeita de utilização indevida de fundos europeus, destinados ao funcionamento do grupo parlamentar do partido no Parlamento Europeu, que terão sido aplicados no pagamento de despesas correntes do partido, incluindo a contratação de boys e girls da Frente Nacional.

No fundo, está aqui bem espelhada a proposta da extrema-direita europeia, seja em França, Itália, Espanha ou Portugal: os mesmos vícios, as mesmas trafulhices, a mesma desonestidade e, se possível, o controle do mesmo monopólio da corrupção, mudando apenas a natureza do regime, que consistirá na suspensão de liberdades, direitos e garantias, em direcção a uma sociedade autoritária, castradora, censória, violenta e repressiva. E é com esta direita neofascista que PSD e CDS planeiam o futuro da governação do país. Quem disser que não sabia ao que ia é um ovo podre.

Cinco tostões sobre a passagem do inimputável Luís Filipe Vieira pela comissão de inquérito ao Novo Banco

Foto: António Cotrim@Expresso

Na semana passada, Luís Filipe Vieira deu o ar da sua imensa graça na comissão de inquérito ao Novo Banco. Sobre a sua passagem por aquele show de variedades, já tudo foi dito, escrito e esmiuçado. Não obstante, aqui ficam cinco tostões sobre o que vi e que a equipa do Isto é Gozar com Quem Trabalha fez o favor de esmiuçar:

  1. Sem surpresas, Vieira apresentou-se amnésico, fanfarrão e não hesitou no momento de puxar pela cartada Benfica para se vitimizar. Esta comissão de inquérito, que corre o risco de resultar em rigorosamente nada, é um hino à impunidade e a uma certa reverência por fatos caros, status social e nomes de família pomposos, outrora amplamente elogiados pela imprensa económica, hoje convertidos em socialistas, uma vez caídos em desgraça. Tirando Cecília Meireles, o puxão de orelhas de Fernando Negrão a Luís Filipe Vieira e a habitual MVP nestas andanças, Mariana Mortágua, o cenário não inspira. Cotrim de Figueiredo esteve particularmente infeliz. [Read more…]

Diane Keaton e a coligação IL-Chega

Woody Allen, numa homenagem a Diane Keaton, explicou ao público que a cidade natal da actriz é tão reaccionária que ajudar um cego a atravessar a rua é considerado socialismo. Parece uma piada, é uma piada, mas, como geralmente acontece com as piadas, não é absurdo. Entenda-se, aqui, “absurdo” como algo necessariamente inexistente. O curioso do absurdo é ser real. A realidade, aliás, é sempre mais improvável do que a ficção (e do que o humor, uma das suas manifestações).

Ontem, na Assembleia da República, António Costa destacou a importância dos valores democratas e cristãos, na esteira do papa Francisco, considerando que este não era socialista, o que provocou uma reacção de discordância de João Cotrim de Figueiredo e de André Ventura (este com mais entusiasmo, é verdade) – o papa, para estas duas luminárias, não anda longe do socialismo, o que, nestas bocas, não é um elogio. O amor anda no ar – Cotrim e Ventura já acabam as frases um do outro.

A direita, que, em Portugal, assume, frequentemente, uma essência católica, é, com a mesma frequência, pouco cristã, especialmente se seguir a cartilha liberal. Para esta gente, não há desfavorecidos, há preguiçosos e parasitas. Do mesmo modo, não há privilégios, apenas mérito. O ideal (também cristão) de que uma sociedade justa seja um sistema solidário e redistributivo causa-lhes alergia e tudo aquilo que lhes cause alergia, incluindo ácaros, é socialismo – no fundo, são como os conterrâneos de Diane Keaton: o cego que se desenrasque. E o papa que se deixe de cristianismos.

Foi por isto que a direita dita moderada se vendeu?

Na primeira sondagem – valem o que valem, já sei, mas não costumam errar por muito – realizada após a decisão instrutória da Operação Marquês, pela Aximage para o JN/DN/TSF, as intenções de voto do Chega registam uma queda de 1,2%, dos 8,5% de Março para 7,2% em Abril. E isto não deixa de ser curioso e revelador. Se num dos momentos de maior fragilidade do regime que quer derrubar, Ventura não só não descola, como perde gás e se atrasa na corrida com o Bloco pelo terceiro lugar, então é possível que a extrema-direita tenha atingido o seu pico de crescimento. Pelo que se parece confirmar que a direita dita moderada se vendeu por muito pouco. Aliás, parece dar-se o caso de ter até pago para se vender, ao invés de receber, ou não tivesse o crescimento do Chega sido alimentado por uma debandada do PSD e, sobretudo, do CDS. Debandada essa que, convenhamos, tem vindo a crescer, pelo menos até à presente sondagem. Porque, na verdade, a direita toda junta vale hoje tanto como valia em 2015, e não está muito distante de 2019. A variação anda na casa dos 4%. E isto acontece porque a direita, com a excepção do IL, entregou o centro ao PS para lutar com o Chega pelo eleitorado que era seu. Vamos ter mais 6 anos de António Costa. E, a continuar assim, a mais 4 de Fernando Medina ou Pedro Nuno Santos. E esta é apenas uma das consequências de jogar o jogo do Chega. E nem sequer é a pior. No caso do PSD, o mais recente elenco autárquico-mediático, e todas as contradições que encerra, fala por si. Já o CDS enfrenta a extinção, ou, na melhor das hipóteses, a despromoção à liga do Livre (atrás do qual aparece nesta sondagem), a lutar por eleger um deputado em Lisboa. E quanto mais tempo demorarem a pôr os olhos no exemplo de Angela Merkel, pior será. Chama-se cordão sanitário e é uma questão de bom-senso.

O Costa do pisca-pisca

O Primeiro-ministro António Costa, um cata-vento, acusou Rui Rio (naquilo que foi um baile ao ex-Presidente da Câmara do Porto), líder do PSD, de ser um cata-vento.

O líder do PSD, Rui Rio, um hipócrita, respondeu (numa de Madalena magoada), acusando o Primeiro-ministro de hipocrisia.

Já a seguir, a não perder: André Ventura, um populista, virá a público chamar populista a Suzana Garcia, candidata do PSD à Câmara Municipal da Amadora.

António Costa, como se sabe, é politicamente bígamo: pisca um olho à direita, para a seguir piscar o olho à esquerda. E Rui Rio, como se sente enganado depois de tantas juras de amor ao PS e ao centrão, já decidiu que ficará com a rameira da política portuguesa: o Chega. E tudo isto, sem que o líder dos laranjas se aperceba que o seu novo namorado, o Chega, só anda com ele por interesse, esperando uma morte certa para lhe ficar com a herança.

Imagem retirada do site funchalnoticias.net

A política do centro em Portugal é como uma novela da TVI: repetitiva, chata, sensacionalista e sem interesse.

Extermínio Social Democrata

Foto: Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens@JN

Na Alemanha, potência e motor da Europa, existe um cordão sanitário que só por uma vez esteve em risco de ser quebrado, na Turíngia, na eleição regional de 2020. Angela Merkel, que classificou a participação da CDU numa aliança presidida pelo FDP que incluía a AfD de “imperdoável”, impôs a retirada do partido do acordo e o líder regional dos conservadores caiu. E notem que foram os conservadores, não os liberais, quem se afastou da extrema-direita, o que não deixa de ser interessante de analisar à luz daquilo que apregoa o próprio liberalismo.

Como resultado, subiu ao poder Bodo Ramelow, candidato do Die Linke, apoiado pelo SPD, Verdes e com a abstenção da CDU. Ao optar por esta solução, Angela Merkel deu um claro sinal à Europa. Um sinal que certa direita radicalizada se recusa, por cá, a aceitar. Merkel disse-nos: não se fazem alianças com fascistas. E, se for necessário fazer uma cedência ao Bloco de Esquerda lá do sítio, nos antípodas do partido de Merkel, que assim seja. Mas não com a extrema-direita. Nunca. [Read more…]

Volta, Passos, estás perdoado

O PSD de Rui Rio é uma casa a arder. É uma oposição absolutamente incapaz de acrescentar, de se afirmar e de ombrear com o PS, colocando-se, não raras vezes, no papel de muleta de António Costa, em situações tão degradantes como a partilha das CCDR-N ou o fim dos debates quinzenais no Parlamento. Quando não está a fazer fretes ao governo, ou oposição a roçar a mediocridade, degladia-se com o Chega, que normalizou com o tiro de bazuca nos pés que deu nos Açores, e que custará caro, muito caro ao seu partido. E entre Suzanas Garcias e Isaltinos, iliberalismos e bafio a Estado Novo, o futuro próximo deste PSD parece passar mais por uma luta com o Chega, pelo controle do lado direito do espectro, do que por um embate com António Costa pelo controle do país.

Sou de esquerda, nunca votaria neste PSD (ou no anterior), mas nem por isso retiro qualquer prazer ou satisfação da situação em que o PSD está mergulhado. Acima de tudo porque Portugal precisa de uma alternativa à direita, mais ainda agora que os neofascistas parecem imparáveis no acambarcamento do eleitorado conservador, do qual o PSD ainda é o principal guardião. Mas Rio não está à altura da tarefa. Nem lá para perto. Lidera, de longe, a pior direcção de sempre do PSD. Tão má, tão fraca, tão recheada de nulidades e incompetentes, que me vejo na inesperada situação de afirmar o bizarro: volta, Passos! Estás perdoado.