First, how are implicit and explicit knowledge to be operationalised so that they can be measured, and what is the evidence for implicit second language knowledge according to these criteria?
–Williams (2009)
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Os candidatos Lula da Silva e Flávio Bolsonaro participaram no segundo e último confronto televisivo antes da segunda volta das eleições presidenciais brasileiras. Sobre o primeiro, já vimos alguns aspectos interessantes. Quanto ao segundo, seleccionei uma intervenção de Bolsonaro, para que se reflicta acerca dos tais “factores de desagregação da unidade essencial da língua portuguesa” criados pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.

Flávio Bolsonaro e Lula da Silva enfrentaram-se no último debate das eleições presidenciais deste ano, na TV Globo (Foto: EPA/BBC-Brasil)
Diz-nos Bolsonaro que ouviu muitas vezes, sobretudo enquanto andava pelo Nordeste, a palavra «decepção», salientando que a esperança se tinha transformado em decepção e em medo. Em português europeu, para Bolsonaro ver a palavra decepção, terá de ler textos sem AO90. Parece incrível, mas é verdade. Decepção com <p> em português europeu? Só em português europeu com regras claras e adequadas, ou seja, antes do AO90. Com AO90, o <p> mantém-se no Brasil e desaparece em português europeu.
No Brasil, segundo Bolsonaro, a esperança transformou-se em decepção. É uma asserção subjectiva. Em português europeu, como sabemos, por causa do AO90, a decepção transformou-se em *deceção, mas a decepção manteve-se intacta no Brasil. É um dado objectivo. Aliás, a frase de Bolsonaro “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou decepção” é reveladora: vemos duas palavras afectadas pelo AO90 em português europeu (actual —> atual; decepção—>deceção) que não são afectadas em português do Brasil (atual —> atual; decepção—>decepção).
PB sem AO90 “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou decepção”
PB com AO90 “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou decepção”
PE sem AO90 “Essa é a palavra que se refere ao actual Governo, porque a esperança virou decepção”
PE com AO90 “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou deceção”
Ou seja, nesta frase, havia uma diferença entre as duas normas antes do AO90 e continua a haver uma diferença entre as duas normas com AO90. Com a agravante de se ter criado instabilidade grafémica em português europeu e para quê? Para atingir esta “unidade essencial da língua portuguesa”.
Continuação de um óptimo fim-de-semana.
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Nem um nem outro são flores que se cheire, como se costuma dizer. Ambos não são inimigos de Portugal, mas também nenhum deles é nosso amigo mas, Flávio Bolsonaro é amigo de Tramp e vai submeter o Brasil aos ditames de Trump, o que não vai ser nada bom para os brasileiros.. Mas se eles são burros, o problema é as consequências, são deles.