Pergunta: o Expresso adopta o AO90?

Resposta: sim, não e até talvez.

Os U2 e a alfaiataria nacional

You may know I’m guest-hosting tonight because Dave’s got a little eye problem. He’s having trouble seeing. Now that’s the bad news. The good news is he now qualifies to be an umpire on the tennis tour.
John Mc Enroe

the /t/ is often elided

Ida Brunsvik Eriksen

The… what do they call them? The emoticons. At first, I really thought they were dumb, and I didn’t use them, but (by God!) I use them. No. I only use one… two types… well maybe even more…

Douglas Hofstadter

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Vale a pena ler alguns dos comentários a este descuido dos U2.

Infelizmente, muitos dos comentadores não conhecerão a ortografia praticada no sítio do costume.

É pena.

A propósito, daqui a cerca de um mês, vou a Cracóvia falar sobre Lisboa. Lisboa fonológica. Enquanto preparo os últimos pormenores da comunicação, aproveito para vos deixar descansar, repor baterias. Daqui a pouco menos de um mês, acreditai em mim, tudo estará exactamente na mesma. Quando? Daqui a umas semanas. Onde? No sítio do costume.

Efectivamente.

Até meados de Outubro.

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O primeiro Ig Nobel português

Parabéns aos autores do artigo Human Saliva as a Cleaning Agent for Dirty Surfaces. Vale a pena ver a cerimónia.

Não há ortografia

Heute werden die nationalen Bevölkerungen von politisch unbeherrschten funktionalen Imperativen eines weltweiten, von unregulierten Finanzmärkten angetriebenen Kapitalismus überwältigt. Darauf kann der erschrockene Rückzug hinter nationale Grenzen nicht die richtige Antwort sein.

Jürgen Habermas

Vou corrigir este erro meu.

— Rodolfo Reis, 9/9/2018

Ich glaub, es hackt.

Judith Holofernes (Kölner Treff, WDR)

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O presidente da Câmara de Pedrógão Grande disse: “não há irregularidades”. Li isto em notícia do Correio da Manhã, enviada por leitor extremamente atento, a quem agradeço a amabilidade. Graças a esta notícia e a excertos de um comunicado da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, confirma-se que, com a adopção do Acordo Ortográfico de 1990, não há ortografia.

Há casas afetadas e casas afectadas.

subdirector da directoria e há inspetores.

Há «se apuram serenamente os fatos e se repõe a verdade objectiva» [Read more…]

Espalhafatos e coisinhas assim

Lear. Get thee glasse-eyes, and like a scuruy Politician, seeme to see the things thou dost not.

— Shakespeare, “King Lear” (Folio I, 1623)

A TextGrid is a collection of tiers (this rhymes with cheers, not with liars).

— Paul Boersma (p. 350)

… ’tás sempre a falar coisinhas assim.

— Rodolfo Reis, 2/9/2018

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Mais imagens esclarecedoras.

A propósito, convém sempre regressar a este belíssimo texto de Donald Davidson, cujo trecho mais célebre é o seguinte (p. 47):

A picture is not worth a thousand words, or any other number. Words are the wrong currency to exchange for a picture.

oito anos, dois meses e dez dias, o Expresso anunciou a adopção do AO90. Eis um dos resultados tangíveis das grafias utilizadas por quem actualmente adopta esse modelo ortográfico [Read more…]

Eu gosto é do verão

Também gosto do verei, do verás, do verá, do veremos e, efectivamente, do vereis, actualmente tão menosprezado.

Poema do detetive e companhia singular

Detetive, detetiveste, deteteve. Fim.

Dúvidas legítimas da Fenprof

Lear. Blow windes,& crack your cheeks; Rage,blow
You Cataracts, and Hyrricano’s spout,
Till you haue drench’d our Steeples, drown the Cockes.
You Sulph’rous and Thought-executing Fires,
Vaunt-curriors of Oake-cleauing Thunder-bolts,
Sindge my white head. And thou all-shaking Thunder,
Strike flat the thicke Rotundity o’th’world,
Cracke Natures moulds, all germaines spill at once
That makes ingratefull Man.
[…]
Heere I stand your Slaue,
A poore, infirme, weake, and dispis’d old man
— Shakespeare, “King Lear” (Folio I, 1623)
Reg. We shall further thinke of it.
Gon. We must do something,and i’th’heate. 
— Shakespeare, “King Lear” (Folio I, 1623)
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Segundo o Expresso, o secretário-geral da Fenprof duvida que esteja tudo preparado para uma abertura sem problemas do ano ‘letivo’. Mário Nogueira menciona uma visão idílica do ministro da Educação, por este garantir que tudo está preparado para que o ano ‘letivo’ comece com normalidade. De facto, se experimentassem uma abertura do ano lectivo, veriam que um dos problemas ficava logo resolvido.

Efectivamente, esta imagem actual do sítio do costume

deve-se a visões idílicas de anos ‘letivos’.

De facto, também a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, aparentemente, decorre com normalidade, ou seja, sem «estrangulamentos e constrangimentos».

Exactamente.

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Os agentes da ortografia

Quis pedir ajuda, mas a língua estava morta.

Mesa & Rui Reininho

Si cada español hablara de lo que sabe y solo de lo que sabe, se haría un gran silencio nacional que podríamos aprovechar para estudiar.

— Manuel Azaña (apud Felipe González)

Wenn der Mann auf dem Bett liegt und dieses ins Zittern gebracht ist, wird die Egge auf den Körper gesenkt. Sie stellt sich von selbst so ein, daß sie nur knapp mit den Spitzen den Körper berührt; ist diese Einstellung vollzogen, strafft sich sofort dieses Stahlseil zu einer Stange. Und nun beginnt das Spiel.

Franz Kafka, (ARD, adapt. 00:26:51)

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Há erros ortográficos que nos dão indicações importantes sobre aspectos fonéticos e fonológicos. Um *’fato’ em vez de ‘facto’ ou um *’contato’ em vez de ‘contacto’, por exemplo, dão-nos interessantes pistas sobre as quais nos podemos debruçar hipoteticamente logo no segundo ponto deste decálogo. De igual modo, é sabido (por exemplo, por Cook) que um falante de uma língua estrangeira, através de certas características ortográficas presentes em textos escritos nessa língua — e não só com dados denunciados pela pronunciação —, pode desvendar particularidades do sistema fonológico da língua materna e não só do sistema de escrita em que o falante, leitor e escrevente aprendeu a ler e a escrever.

Também é sabido há muito (por exemplo, por Maria Helena Mira Mateus) que um <s> em vez de <ç> (como a *’insersão’ em vez de ‘inserção’ dos autores da Nota Explicativa do Acordo Ortográfico de 1990) demonstra a falta de adequação do “critério fonético (ou da pronúncia)”, pois “a ortografia portuguesa é fonológica e etimológica e não fonética”. Sabe-se agora também que <ç> em vez de <s> (como um *’dorço’ em vez de ‘dorso’) leva a polícia brasileira a ter dúvidas sobre a autenticidade de documentos.

Adiante.

No sítio do costume, tudo como dantes.

Através da RTP, percebe-se, [Read more…]

Route 66 (Endee, Novo México, a menos de uma hora de Tucumcari), 11/8/2006

Foto: Francisco Miguel Valada (Endee, NM, a menos de uma hora de Tucumcari), 11 de Agosto de 2006)

«Costa diz que as suas palavras sobre Monchique foram “deturpadas”»

Escreve o Expresso (esse paladino, esse arauto, esse preceptor), grafando ‘excepção‘ e deturpando com ‘exceção‘.

No sítio do costume, obviamente, continuam as grafias grosseiras e vergonhosas.

Ou seja, tudo como dantes.

Boas férias. Regresso em Setembro.

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Vidal e as três razões

Di giorno, se il tempo era bello, s’assistimava in coperta. A leggere.

Andrea Camilleri

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Segundo o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade de expressão, são duas as razões que impedem Vidal de jogar na Premier League.

Mourinho e Guardiola, transmite A Bola, terão rejeitado a contratação de Vidal devido quer à idade do futebolista, quer às duas operações feitas ao joelho do marcador do único golo de um dos melhores jogos de futebol que vi in loco.

Todavia, haverá uma terceira razão.

Efectivamente, o empresário de Vidal ‘contatou’ Manchester City e Manchester United.

Se tivesse contactado, provavelmente, a história seria outra.

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Route 66 (entre Pacific e Stanton, Missouri), 3/8/2006

Foto: Francisco Miguel Valada (2 de Agosto de 2006)

Caneças e o aspecto de Robles

Lili Caneças, indirectamente, indica os Delfins e, directamente, menciona ‘aspeto‘. No Brasil, efectivamente, ninguém percebeu.

Sexta-feira, 13

Tomorrow is another day.

— Peter Sagan

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Efectivamente. Ainda por cima, sendo sábado, não teremos o nosso querido Diário da República.

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Largo di Torre Argentina, Roma, 24/7/2017

Foto: Francisco Miguel Valada (24 de Julho de 2017)

Reflexão acerca dos azulejos

Segundo  do Boston Globe, «visitors to Portugal will see tiles throughout the country». Ainda bem, porque «o azul não tem qualquer conotação clubística». Efectivamente.

Acordo Ortográfico de 1990: parar de fazer

Vendo bem, não há muito para contar.

— Ana Cristina Leonardo, “O Centro do Mundo

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Os meus agradecimentos ao muito atento e excelente leitor do costume.

Efectivamente.

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Rio sobre Santana:

É uma figura que todos nós acarinhamos.

Santana sobre o AO90:

Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa).

A União das Freguesias de Azueira e Sobral da Abelheira, em 2013, sobre atestado [pdf, p. 10]:

Exactamente:

documento público, escrito, de carácter informativo, relativo a factos, situações ou qualidades ou estados de pessoas determinadas, que são do conhecimento dos membros da Junta de Freguesia, ou que representam a sua convicção. Este documento não tem força probatória material, podendo o seu conteúdo ser contestado e contrariado.

A União das Freguesias de Massamá e Monte Abraão, em 2018 (aliás, foi mesmo ontem, no sítio do costume, obviamente), sobre atestado:

Efectivamente:

documento público, escrito, de caráter informativo, relativo a fatos, situações ou qualidades ou estados de pessoas determinadas, que são do conhecimento dos membros da Junta de Freguesia, ou que representam a sua convicção. Este documento não tem força probatória material, podendo o seu conteúdo ser contestado e contrariado.

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Efectivamente, ‘selecção’ ≠ ‘seleção’

A selecção partiu. A seleção ficou.

Ronaldo, o ˈɛlbəʊ e o Egipto

Om de akoestische kenmerken van een spraakgeluid nauwkeurig te kunnen analyseren is een kwaliteitsvolle opname nodig. Enerzijds is de opnameapparatuur heel belangrijk. De microfoon moet alle variaties in frequentie en intensiteit kunnen opvangen die in het spraakgeluid voorkomen. Een vlakke frequentieweergave van 20 Hz tot 20 kHz en een dynamisch bereik van 90 dB maken optimale spraakopnames mogelijk met maximale variaties binnen de spreek- en de zangstem.

— Smessaert & Decoster

City of orgies, walks and joys!
City whom that I have lived and sung in your midst will one day make you illustrious,
Not the pageants of you—not your shifting tableaux, your spectacles, repay me;
Not the interminable rows of your houses—nor the ships at the wharves,
Nor the processions in the streets, nor the bright windows, with goods in them;
Nor to converse with learn’d persons, or bear my share in the soiree or feast;
Not those—but, as I pass, O Manhattan! your frequent and swift flash of eyes offering me love,
Offering response to my own—these repay me;
Lovers, continual lovers, only repay me.

Walt Whitman

La prononciation uvulaire de ‘rr’, mais non pas de ‘-r-‘, comme R, se répand de plus en plus dans les villes. Cependant, on la regarde encore comme vicieuse, le rr apical étant toujours préférable au grasseyement du R, qui individuellement est plus profond qu’en français ou en allemand.

— Aniceto dos Reis Gonçalves Vianna (1903: 19)

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Por um lado, temos o Ronaldo, o elbow, o pára e o para.

Por outro, temos as habituais cenas tristes no sítio do costume.

Nestas alturas, aliás, convém sempre lembrar que há uma diferença entre selecção e seleção e é igualmente importante recordar que o AO90 é inútil. Não acreditam? Perguntem ao CR7.

Efectivamente.

Lembrando também a existência em Portugal de um órgão de comunicação social que, em vez de promover a expressão livre de ideias, adopta actualmente a resistência silenciosa como forma de vida, vejamos a consistência na utilização de uma grafia contrária à letra do AO90, apesar de certas leituras abusivas, explicadas justamente pela falta de leitura. [Read more…]

«Agora facto é igual a fato (de roupa)»

O resto? O resto é arena atirada para os óculos. Efectivamente.

«OE2019 será negociado ao mais alto nível»

Before the nasal consonants, the vowel /ɔ/ is closer and more centralized than in other positions, i.e. it is pronounced as [ʊ] in that position.

Geert Booij

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Apesar do “mais alto nível” (em inglês, ‘geringonça’ até mantém o pê), teremos muito provavelmente mais do mesmo.

Porquê? Porque basta consultar o Diário da República.

Está tudo igual. Sem tirar nem pôr.

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Greve dos ferroviários para 90% dos comboios?

As Gut (2009: 253) notes, even though they are much more objective, “analyses of acoustic correlates of foreign accents are still rare.”

Agnieszka Bryła-Cruz

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Greve dos ferroviários para 90% dos comboios? Não! Greve dos ferroviários pára 90% dos comboios!

Como «Bloqueio nos fundos da UE pára projecto de milhões na área do regadio» ou «greve na CP pára comboios em todo o país» (efectivamente). É o acordo ortográfico à moda do Expresso.

No sítio do costume, tudo bem?

Tudo bem.

We’re alright.

Quanto a este «infeção por lentes de contato é algo possível de acontecer», devo admitir que a autora do texto, efectiva e auto-referencialmente, tem razão: «infeção por lentes de contato», de facto, aconteceu.

Exactamente, convém evitar os aspetos. No Brasil, por exemplo, não adoptam.

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Bruxelas, 3 de Junho de 2018

Foto: Francisco Miguel Valada

Yanny ou Laurel: o debate

Hickey: I’m a bit tired and sleepy but otherwise I feel great.

— Eugene O’Neill, “The Iceman Cometh

About that time, Charles Bally, one of Saussure’s most eminent students and a co-editor of the Course (together with Albert Sechehaye), was the first to probe explicitly into the sign character of intonation. For him, intonation is the natural expression of modality: “c’est elle qui permet de percevoir si ‘Vous me suivrez’ est une constatation, une interrogation ou un ordre” (Bally 1950: 42). The situation provides signs which always bear the imprint of reality: they are all actual (‘actuels’).

— Vladimir Phillipov

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Fonte: The Herald (https://bit.ly/2wTiw72)

Yanny ou Laurel? Como se diz em Linguística, depende. Neste caso, segundo Patricia Keating, David Alais e este vídeo, talvez da idade. Valerie Hazan explica ainda melhor. É a percepção (área muito problemática).

Nótula: Entre viagens, palestras e uma data de trabalho quando regressar a Bruxelas, ando e andarei sem tempo para ler o Diário da República, as notícias da comunicação social portuguesa e as preciosas nótulas dos leitores, em especial, as do extraordinário e excelente leitor do costume. Com mais calma, voltarei às necessárias actualizações sobre o ponto da situação ortográfica. Até breve.

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Shakespeare sem Acordo Ortográfico de 1990

Hamlet e Macbeth. Efectivamente, há esperança.

O Museu e as Descobertas

A polémica (aqui, ali e acolá) e um contributo de 1989: «Desde as Descobertas temos o vício de implantar/Dúvidas abertas».

Grafias de fim-de-semana

Well the fact of the matter is: we can do just about anything. People like us, let’s say, we wouldn’t be here otherwise, are pretty privileged. We have the kind of privilege that few people have ever had in history or have now and if you have privilege you have opportunity and the opportunities are almost boundless. I mean thanks to the struggles of the past, it hasn’t always been like this, but thanks to the struggles in the past, there is a tremendous amount of freedom. The state may try to repress you, but they can’t do a lot.

Noam Chomsky

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Exactamente.

Efectivamente.

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Mentiras ortográficas

With regard to the prepalatal sibilants, the tip of the tongue touches the gums and the base of the lower teeth, and the form of the tongue is convex.

— Oihane Muxika-Loitzate

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No outro dia, foi a SIC.

Hoje, é A Bola.

Rafa escreve objectivo.

O jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade de expressão transcreve objetivo.

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