O expediente específico

Ensuma l’essència, recula cap a la natura salvatge i frondosa, cap als boscos de fusta olorosa nodrits amb romanís, farigoles i espígols i regats amb ungüents de pluja, amb colònia de llac i salt de riu, que han acabat impregnant en les planes que ara gaudeixes les olors d’una vida escapçada.

— Anna Ortiz i Huguet, “Llibre objecte/Libro objecto (L’olfacte)”

Uma vergonha.

— Rodolfo Reis, 21/5/2017

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Obrigado, Jornal Económico

Pela ortografia que por vezes aparece no Expresso.

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Efectivamente, não pode ser

The people ahead of them are shooting up to the stratosphere, and then comes the scapegoating.

Noam Chomsky

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Amigo atento enviou-me esta primeira página, com palavra criada exclusivamente para a norma portuguesa pelo Acordo Ortográfico de 1990. É sabido, desde d’Andrade e Viana, que a ‘rutura’, além de inventada, é “injustificada”. Contudo, ei-la.

Além disso, tratando-se do presidente da direcção do Sporting, a grafia correcta é ‘ruptura’.

Exactamente.

Aliás, como é sabido, pelo menos desde que se leu aquilo que ainda há pouco escrevi («palavra criada exclusivamente para a norma portuguesa pelo Acordo Ortográfico de 1990»), no Brasil, [Read more…]

É muito fácil

Every word I said is what I mean

Chris Cornell & Hunter Shepherd

May I continue?

— Noam Chomsky

“Somos Porto”. É fácil dizer [ˌsomuʃˈpoɾtu].

— Rodolfo Reis, 14/5/2017

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De facto, também é fácil dizer “Portugal vinculou-se ao Acordo Ortográfico“.

Repare-se: [puɾtuˌɡaɫ vĩkuˌɫosɨˌau̯ ɐˌkoɾdu ɔɾtuˈɡɾafiku].

Muito fácil.

Efectivamente.

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Chris Cornell (1964-2017)

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Augusto Santos Silva «escreve segundo as normas do novo Acordo Ortográfico»

Escreve?

A sério?

«Segundo as normas do [Read more…]

A ortografia do jornal A Bola

Como vimos, o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade evita a adopção do AO90 em notícias do Benfica.

Contudo, o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade adopta o AO90 em notícias do F.C. Porto, adulterando o nome de uma claque.

Depois de ter reagido à proibição de exibir uma tarja com «O espírito de campeão vive? Apenas nos nossos adeptos», espero que esta claque exija uma retractação ao jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade.

Efectivamente, é óptimo

Exactamente. Efectivamente. Viva o Benfica.

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Quite possibly

Segundo Euan Ferguson, «Portuguese is quite possibly the loveliest language in which to sing soft, good, songs».

«Talvez devagarinho possas voltar a aprender»

Efectivamente. Parabéns, Salvador. Ah! Viva o Benfica!

«É muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa»

CYRANO. Un baiser, mais à tout prendre, qu’est-ce ?
Un serment fait d’un peu plus près, une promesse
Plus précise, un aveu qui veut se confirmer,
Un point rose qu’on met sur l’i du verbe aimer.

Edmond Rostand, “Cyrano de Bergerac

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«É muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa».

Efectivamente, parece propaganda ortográfica. Não é. Mas parece, até estilisticamente. «É muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa», de facto, neste caso, trata-se de propaganda futebolística. Contudo, vamos àquilo que nos interessa.

Em ‘reataram’ e ‘realizada’, o primeiro ‘a’ (= <a>) corresponde à vogal oral central média baixa [ɐ].  É escusado virem com o ‘reatam’, em que o primeiro ‘a’ (=<a>) não corresponde à vogal oral central média baixa [ɐ], mas à vogal oral central baixa [a], pois em em ‘reatam’, o primeiro ‘a’ (=<a>) encontra-se em posição tónica. Como diria o outro, «there’s the rub».

Exactamente.

De facto, um cê faz imensa falta.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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Extracto → extrato → estrato

um estrato de tomate criado em Portugal

— Expresso (Caderno Economia), 18 de Julho de 2014, p. 14, apud Paulo J. S. Barata, “Um estrato (muito) mal extraído“, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 31 de Julho de 2014.

alunos oriundos de diferentes extratos socioeconómicos

— Dire[c]ção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência.”Resultados Escolares por Disciplina, 2.º Ciclo – Ensino Público, Ano le[c]tivo 2014/2015“, apud Expresso8 de Maio de 2017, às 15h07

Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Salvador Sobral (interpretação)/Luísa Sobral (autoria)

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Para quem não estiver a par destes temas importantes, um redactor da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência escreveu ‘extratos’ em vez de ‘estratos’ e este descuido foi notícia no Expresso. Como é sabido (embora o Expresso não acrescente a nótula), extratos constitui um duplo erro: além de neste contexto ser mesmo ‘estratos’, a palavra ‘extratos‘ não existe em português europeu. A palavra grafemicamente correcta é extractos.

É curioso que o Expresso dê tanta importância a este assunto. Percebo que um especialista como Helder Guégés o faça. Contudo, para quem, como o Expresso, adopta o AO90 de forma tão descontraída (além deste exemplo, também temos este, aquele ou mesmo aqueloutro) e para quem, como o Expresso, comete exactamente os mesmos erros (ver epígrafe) agora apontados a outrem , este excerto à laia de comentário académico

Entre tantos números, escalas, percentagens, gráficos, etc., incluídos nas 58 páginas do documento, dir-se-ia que os autores do mesmo se deixaram levar pelo lado contabilístico que marca este trabalho,

parece um bocadinho areia atirada para os olhos dos leitores (areia para os olhos, note-se, e não arena para os óculos).

Será curioso verificar se [Read more…]

A vergonha habitual, no sítio do costume

Beat. he that hath a beard, is more then a youth: and he that hath no beard, is lesse then a man.

— Much Ado About Nothing (Folio 1, 1623)

George: Good, better, best, bested. [Back to Nick] How do you like that for a declension, young man? Eh?

— Edward Albee, ‘Who’s Afraid of Virginia Woolf?’

Uma autêntica vergonha.

— Rodolfo Reis, 10/6/2015

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Por razões habituais, óptimas, espectaculares, excelentes, formidáveis e estupendas (a lista de atributos algo aleatórios encontra-se activa),

não consegui ver em directo o Glorioso e não actualizei o ponto da situação no sítio do costume.

Efectivamente, [Read more…]

Ecco il mio destino

 

Oui tellement faux
Mon seul tourment et mon unique espérance
Rien ne t’arrête quand tu commences
Si tu savais comme j’ai envie d’un peu de silence

Dalida & Alain Delon

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Leituras matinais

Exactamente: 2017 = 2002.

Estranheza e estupefacção

Hoje, através de uns amigos, soube que Tiago Barbosa Ribeiro, deputado do PS, reagiu com “estranheza e estupefação [!!!!!!]” a assunto que não me interessa discutir.

Todavia, não é verdade que o deputado tenha reagido com “estranheza e estupefação“. O deputado reagiu com “estranheza e estupefacção“. Efectivamente: com estupefacção. Isto é, com cê.

Depois de termos ficado a saber que «se quisesse, o Governo podia denunciar o acordo ortográfico – mas não quer», nada como uma pitada de “estranheza e estupefacção” de um deputado (do PS), para se perceber que tudo isto é muito hipócrita, tudo isto é muito fado.

Exactamente, haja pachorra e estupefacção.

Efectivamente, tudo isto é estranho.

Eis a situação

When the fire broke out on the Rio Grande
Put my foot to the board and she ate up the sand
With a horse on the side dragged tailing behind
Fire that aims to please

When the fire broke out on the Rio Grande
Left nothing standing but the smell of the land
And hubcaps that burnt through the skin of your hand
But nothing left at all but the sound of a rock ‘n’ roll band

David Bowie

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Efectivamente.

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«Marine Le Pen vai ser uma grande governanta»?

Há uns anos, escrevi ‘governanta’, para lembrar que «a governanta governa uma casa, a governante governa um país». Lembrei-me disso, ao ler este títuloExactamente.

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Da veracidade dos fatos e dos contatos

Hippolyte: Cher Théramène, arrête

— Racine, Phèdre

Fico triste, chateado, zangado, aborrecido.

— Rodolfo Reis, 23/4/2017

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«Acha que foi penalty de Schelotto sobre Grimaldo?»

jornal da resistência silenciosa é efectivamente assim: tem medo das perguntas complicadas. Exactamente: contra a contrafacção.

Rodolfo tem razão

Não há contacto

– Rodolfo Reis, 2/4/2017

Sai do meu sangue, sanguessuga que só sabe sugar.

Caetano

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Efectivamente, não há.

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Canelas e caneladas

E assim arranjado, com as canelas vermelhas de diabo aparecendo sob o paletó, a gargantilha escarlate à Carlos IX emergindo da gola, a velha casqueta de viagem na nuca, o pobre Ega tinha o ar lamentável dum Satanás pelintra, agasalhado pela caridade dum gentleman, e usando-lhe o fato velho.

Eça

Le jour du mardi gras de cette année 1574, la cour se trouvait à Saint-Germain avec le pauvre roi Charles IX, qui s’en allait mourant.

Stendhal

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Quanto ao “documento comprovativo desse fato”, sugiro uma visita a esta etiqueta, onde há vários documentos que comprovam o fato. O fato, de facto, é velho e, afinal, as canelas, segundo Eça, são vermelhas.

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Nótula: [Read more…]

Karl Marx e Benfica – F.C. Porto, no dia das mentiras

Desta vez, Nabais, a culpa não é do árbitro: é do João Mendes. Siga. Viva o Benfica. Viva!

Ginestlay (hoje, não há fatos)

Rendez-vous, rendez-vous, rendez-vous
Au prochain règlement

Stromae

Aber genau deswegen ist es an der Zeit, über neue Gesten nachzudenken und von Mourinho zu lernen, wie ein paar flüchtig hochgereckte Finger einen ganzen Roman erzählen können.

– David Hugendick

Alors arrivèrent les plus lâches, qui n’ayant pas osé frapper la chair vivante, taillèrent en lambeaux la chair morte, puis s’en allèrent vendre par la ville des petits morceaux de Jean et de Corneille à dix sous la pièce.

– Alexandre Dumas, La tulipe noire

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No outro dia, não havia contato, mas havia fato.

Hoje, não há fato, mas há contato.

Todavia, como sabemos, apesar de haver dias com fato e sem contato e dias com contato e sem fato, há dias com fato e com contato.

Imaginemos um dia. Um dia em que deixe de haver dias com fato e sem contato. Um dia em que deixe de haver dias com contato e sem fato. Um dia em que deixe de haver dias com fato e com contato. Wouldn’t it be good?

Exactamente.

Ainda bem que temos esta petição, a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90 e a Iniciativa de Referendo.

Assinou? Óptimo.

Efectivamente.

Desejo-vos uma óptima semana.

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Efectivamente, a ideia de batizar parece-me ridícula

Ao contrário daquilo que a SIC anda por aí a divulgar, Miguel Sousa Tavares não disse

A ideia de batizar o aeroporto com o nome de Cristiano Ronaldo parece-me ridícula.

Eis aquilo que Sousa Tavares, de facto, disse

A ideia de baptizar o aeroporto com o nome de Cristiano Ronaldo eu acho duma absoluta infelicidade, para não dizer mesmo ridícula.

Exactamente: baptizar.

Como é sabido, baptizar [batiˈzaɾ] ≠ *batizar [bɐtiˈzaɾ].

Efectivamente.

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Imitação de Miró no Carregado

Exactamente: no Carregado.

Felizmente, não há contatos

Admiror parie{n}s te non cedidisse ruinis qui tot / scriptorum taedia sustineas.

— CIL. IV. 01904

… witches or something like that.

Richard Feynman

Traduz-me!

—Rodolfo Reis, 19/03/2017

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Exactamente, não há contatos. Contudo, há fatos.

Efectivamente, há fatos.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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O critério fonético (ou da pronúncia): a receção das crianças e o contato com os pais

Prenez une copie d’un gosse de troisième, vous verrez que c’est truffé de fautes d’orthographe, que c’est phonétique!

Pascal Praud

Em tese, hoje, o  [F.C.] Porto ganhava, não é?

— Rodolfo Reis, 19/3/2017

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Efectivamente, trata-se cada vez mais da adopção quer de atitudes, quer de regras de higiene.

Exactamente.

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Schnaps und Frauen & Wine, Women An’ Song

Als Sozialdemokrat halte ich Solidarität für äußerst wichtig. Aber wer sie einfordert, hat auch Pflichten. Ich kann nicht mein ganzes Geld für Schnaps und Frauen ausgeben und anschließend Sie um Ihre Unterstützung bitten.

— Jeroen Dijsselbloem

…como, por exemplo, faz o Jonas: a vir atrás, a segurar, a tabelar, a entrar, com o outro [ponta-de-lança] lá metido e com os extremos abertos, ou os extremos a vir dentro e os laterais a subir.

— Rodolfo Reis, 19/3/2017

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Os adjectivos

De là son amertume constante, sa tristesse, sa déception parfois, mais surtout sa hargne et aussi son enthousiasme.

— Amor Cherni

Exactamente:

(1) frustração: nome feminino;

(2) tristeza: nome feminino;

(3a) deceção: “sem resultados“;

(3b) decepção: nome feminino.

Embora seja mais WilmetVan Raemdonck, Havu & Pierrard, deixo-vos Grevisse & Goosse:

L’adjectif est un mot qui varie en genre et en nombre, genre et nombre qu’il reçoit, par le phénomène de l’accord, du nom (parfois du pronom) auquel il se rapporte. Il est apte à servir d’épithète et d’attribut.

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Chuck Berry (1926 – 2017)

«Chuck Berry Dies at 90; Helped Define Rock ’n’ Roll» (NYT)