Mais valia perder o avião

O Ministério dos Negócios Estrangeiros emitiu um comunicado via feicebuque dizendo que “lamenta e condena a expulsão, pelas autoridades policiais venezuelanas, da delegação do Parlamento Europeu que se deslocava a Caracas a convite da Assembleia Nacional. A Venezuela precisa de gestos de abertura e não de medidas hostis.”

Ora,

  1. Sendo as “autoridades policiais venezuelanas” uma força da República Venezuelana que actua sob a autoridade do Estado e do seu Presidente.
  2. Sendo o novo Presidente da República Venezuelana, pelo menos como tal reconhecido pelo Governo português, o senhor Juan Guaidó.
  3. De acordo com a premissa exposta em 1, o governo português acaba de lançar o primeiro ataque diplomático ao novo Presidente Juan Guaidó, que ainda há pouco dias reconheceu.

Mais valia perder o avião.

A Flor e o Espinho de Mário Centeno

Vanishing Act

O jornal Público faz referência à viagem de comboio de Mário Centeno de Lisboa até Vila Nova de Gaia, onde arrancou a campanha do PS para as eleições europeias. O Ministro das Finanças, histórico socialista e aparentemente profundo conhecedor dos símbolos que representam o seu partido, terá dito, segundo o jornal, que trazia consigo apenas uma “rosa, símbolo do PS, que significa a importância do que aí vem, não preciso de mais nada”. Centeno proferiu estas palavras a partir de um púlpito decorado com o punho cerrado que tradicionalmente identifica o partido que representa. Para o cidadão menos atento, a mensagem de Mário Centeno será uma referência poético-botânica sem especial significado, destinada a comover as hostes, num comício de campanha onde as palavras são atiradas como punhos aos corações abertos da claque, sempre pronta a engolir sem mastigar, nunca distinguindo, por isso, o mel do fel do seu penso. Tudo é mel e água pura.

Mas a referência de Centeno não é, na verdade, inocente, nem mero lirismo gratuito. É muito mais do que isso. Infelizmente, não temos tempo para desenvolver aqui o assunto.

Ler aqui:  Eurogroup, The Vanishing Act.

 

A moção de censura do CDS

A moção de censura prometida pelo CDS e antecipadamente chumbada pela maioria do Parlamento é um acto político característico de um partido que quando não é irrelevante é desagradavelmente inútil. E quando calha de ter responsabilidades governativas é pernicioso. Nada disso, porém, lhe retira o direito de apresentar todas as moções que entender e que a Lei preveja. Mas tão desagradável e pernicioso como o CDS pode ser um Primeiro-Ministro que parece contaminado por uma certa vulgaridade no uso da palavra, quando se refere à iniciativa centrista como “um nado-morto”. 

Quer esteja na Assembleia da República, à saída de um Hotel ou sentado à mesa do café, um Primeiro-Ministro não pode esquecer-se que a sua função exige uma meticulosa avaliação do discurso, o qual todos – ou quase – os portugueses tomam como paradigma da autoridade, do siso e do comedimento.

ADSE: “chantagem”, afinal, foi fogo amigo

© PÚBLICO

O problema surgido entre os hospitais privados e a ADSE – dirigida pelo histórico socialista João Proença -, sobre a qual aqueles estariam alegadamente a exercer uma inaceitável chantagem foi, como se previa, um mal-entendido. Muito desagradável.

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ADSE: está tudo bem.

Devemos confiar nas instituições e nos seus representantes. O senhor Dr. João Proença é o Presidente do Conselho Geral e de Supervisão da ADSE, pelo que, não duvidemos, rapidamente resolverá esta questão da alegada chantagem dos operadores privados. A bem de todos, como é seu timbre.

ADSE

A alegada chantagem que as empresas privadas do sector da Saúde estão a fazer sobre o Estado, no caso da ADSE, só teria efeitos práticos se esse mesmo Estado tivesse prévia, inadvertida ou intencionalmente, enfraquecido o Serviço Nacional de Saúde em benefício objectivo das empresas que agora exercem a tal chantagem, ao ponto de o tornar incapaz de cumprir as funções para que foi criado e a que está obrigado constitucionalmente.

O Serviço Nacional de Saúde existe e foi instituido para ser universal, gratuito e para responder às necessidades de todos, sejam eles funcionários públicos, funcionários de outra coisa qualquer, ou mesmo que não funcionem.

As informações que têm vindo a ser prestadas pelas autoridades vão no sentido de afirmar o vigor e a qualidade do SNS. O próprio senhor Primeiro Ministro afirmou já, por repetidas vezes, o seu propósito de defender e fortalecer o Serviço Nacional de Saúde, no espírito dos preceitos constitucionalmente consagrados, pelo que não se percebe onde reside o problema com a dita e alegada chantagem. Essa alegada chantagem apenas produziria efeitos no caso de, na verdade, o Serviço Nacional de Saúde estar, tal como, aliás, afirma o líder do PSD, a “rebentar pelas costuras”, caracterização que não concorda com o compromisso e a garantia do senhor Primeiro-Ministro.

A Circulatura do Quadrado

Um conhecido programa televisivo de variedades chamado “Quadratura do Círculo” passou agora a chamar-se “Circulatura do Quadrado”. O nome parece tirado de uma daquelas listas da “empresa na hora” e poderia perfeitamente ser “Manilha da Talingadura”, “Catrafa da Sustenga”, “Polígono do Gaspacho”, “Segmento do Zafireu”, “Varapau da Quiliose”, “Bratanga do Plistoceno”, ou até, quem sabe, “Damasceu do Tirolês”.

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Chancas e tacões

Tacões no Palácio de Versailles.

A Ponte Luís I, que une as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, tem o seu tabuleiro inferior em avançado estado de degradação há vários anos. E “vários” quer dizer mais de uma década. O tabuleiro superior foi recuperado, por causa da passagem do Metro, mas aquele que é conhecido como “o tabuleiro de baixo” apresenta sinais de degradação totalmente incompatíveis com a importância urbana e patrimonial da estrutura. Não se conhece o motivo pelo qual numa ponte desta importância se recupera um tabuleiro e se deixa o outro a apodrecer.

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O “crowdfunding” dos enfermeiros

Diz-se que a ASAE terá sido chamada a investigar a recolha de fundos da greve dos enfermeiros. Bizarra, esta competência da polícia alimentar.

Da próxima vez que alguém receber um convite para jantar rotário, ou sessão branca de alguma guilda de carpinteiros de limpos, ou tertúlia dançante de picheleiros, que traga a informação do custo do repasto convertida em “15 Rosas”, ou “10 Estrelas”, ou “12 Miminhos”, faça o favor de chamar imediatamente a polícia. Mas uma Polícia que esteja disposta a perceber com detalhe forense o modo com se financiam não apenas os sindicatos, ou as confrarias dos melões e da broa, ou as grandes lojas do rapé, as comissões de festas, o santuário de Fátima ou a Obra do Escrivá. Uma que também explique, tim tim por tim tim,  como se financiam os partidos políticos.

coniunctio oppositorium

Algo de extraordinário sucedeu nas últimas semanas, sem que, aparentemente, alguém tivesse reparado. Na questão venezuelana, que tem trazido ocupada a comunidade internacional depois de ter sido (in)devidamente encerrado o “dossiê Brasil”, dá-se o caso bizarro de termos do mesmo lado da barricada o Ministro dos Negócio Estrangeiros do governo português, o Dr. Augusto Santos Silva, e o “terrível fascista” – assim, pelo menos, designado por muitos – e alegado estratega e mentor dos movimentos globais de extrema-direita, o senhor Steve Bannon.

É sabido – embora mal sabido – que a política internacional tem muitas vezes destes paradoxos e que a História da humanidade se fez e vem fazendo sobre os despojos de insanáveis e aparentes contradições, as quais emergem tantas vezes da necessidade, como da necessidade emerge também a manifestação completa da essência humana, expressa no coniunctio oppositorium que Nicolau Krebs entreviu há 500 anos, mas que talvez Augusto Santos Silva não tenha interpretado do modo mais fiel ao espírito filosófico do conceito. É que, no fim de tudo, entre ele, Santos Silva, e o “terrível fascista” Steve Bannon, é bem possível que os Homens escolham aquele que se manteve fiel aos seus princípios e em nome deles actuou com coerência, desprezando o que agiu de acordo com os interesses de circunstância e jamais foi coerente com coisa nenhuma. Nem com os princípios que jamais teve.

Bagunça na Área Metropolitana do Porto

A Área Metropolitana do Porto, onde pontificam alguns daqueles que com mais violência se insurgiram contra o acordo de Descentralização proposto por este governo, está a implodir. As desinteligências são diárias, com acusações recíprocas na comunicação social, ameaças de demissão, atitudes prepotentes e um clima generalizado de desconfiança. O problema, para já, parece estar relacionado com a gestão dos transportes, mas cedo se perceberá que são bem mais fundas as divergências. A realidade é que há muitas ambições pessoais em jogo, que não passam pela estrita luta política, mas se estendem, como a seu tempo se verá, à guerra de sucessão na presidência do Futebol Clube do Porto, a maior autarquia da região.

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Gaia é a cidade com mais desempregados do país

O Jornal de Notícias chama hoje à sua primeira página uma notícia sobre a descida da taxa de desemprego nos municípios portugueses, dando bizarro destaque à evolução desses números em Vila Nova de Gaia e apresentando este município como um “campeão” na descida do número de pessoas desempregadas. Acontece que o JN distorce completamente os dados, manipulando a informação e usando valores absolutos para comparar aquilo que só pode ser comparado com valores relativos de variação. Para o JN, se Gaia baixou o número de desempregados, entre 2012 e 2018, de 33.428 para 16.793, recuperando 16.635 postos de trabalho, teve uma evolução muito melhor do que Almada, por exemplo, que passou de 9.812 desempregados, em 2012, para 5.768 em 2018, recuperando “apenas” 4.044 empregos. O que o Jornal de Notícias omite é que, em termos relativos, que é o que interessa, Almada teve uma variação do número de desempregados de -58,7%, enquanto Gaia teve apenas de -50,2%, atrás de Almada, de Matosinhos e até do Porto.

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Dr. António Costa, receba um abraço solidário!

Imagem SIC Notícias

A entrevista concedida ontem à SIC Notícias pelo senhor Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do Partido Socialista, Dr. António Costa, é um documento político e ético relevante, tendo-me sensibilizado particularmente a sua reacção às alegadas acusações públicas da Dra. Assunção Cristas, feitas através de órgãos de comunicação, onde terá escrito que António Costa “é uma pessoa sem carácter”.

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O jogo da mala

Segundo dá conta a comunicação social, o Estado português tentou introduzir armas e operacionais para-militares em território venezuelano, 24 horas antes de anunciar o seu apoio ao auto-proclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, e depois de ter sequestrado em Portugal 30 milhões de euros pertencentes ao Estado venezuelano.

Quem olha com atenção para este país de brandos costumes e moral celeste, e vê na televisão políticos e seus sucedâneos passeando de algemas, roubando à luz do dia bancos públicos, ou paióis militares sendo assaltados com recurso a carrinhos de mão, talvez já imaginasse que algo de muito original caracteriza esta democracia da finisterra. Mas tanta falta de respeito pela inteligência alheia, parece excessivo. É que nem todos os países do mundo gostam da palha que cá nos dão a comer.

A posição do Estado português sobre a Venezuela

As relações internacionais estabelecem-se sobre um código de conduta semelhante ao das hienas e dos cães selvagens. Não há nações amigas, há nações com interesses comuns. Na defesa desses interesses a única regra é não haver regra nenhuma, a não ser aquela que assegure a vantagem imediata, independentemente das consequências dolosas que essa vantagem possa acarretar para terceiros. Neste quadro, os actuais líderes europeus não se guiam por princípios éticos mais nobres do que aqueles que conduziram Átila, Nero ou Himmler. Parece haver uma regra milenar não escrita segundo a qual as relações internacionais entre Estados só podem ser dirigidas por gente com estômago para cometer as maiores atrocidades sem verter uma pinga de suor.

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Haja decoro

O Dr. Marco António Costa com a senhora Bastonária da ordem dos Enfermeiros

Espalha-se como uma bactéria nas redes sociais um mal-entendido que importa esclarecer com urgência. Parece estar em causa a greve cirúrgica dos enfermeiros e a actuação da senhora bastonária da respectiva Ordem que, segundo alegações não fundadas em facto algum estabelecido para além de qualquer dúvida razoável, estará a ser incentivada na sua demanda por dirigentes do PSD, designadamente pelo senhor Dr. Marco António Costa.

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Só uma pergunta, ó senhor Fernandes

Se o gasóleo é para acabar, por que motivo o seu colega dos Negócios Estrangeiros anda a fazer ultimatos ao país que tem as maiores reservas de petróleo do mundo? É amor à liberdade?

Gaia, cidade inclusiva

Uma coisa é a propaganda, outra a verdade.

Passeio junto ao Hospital (Gaia)

Parece que Nicolás Maduro está isolado

 

 

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Descentralização

A direcção do Partido Socialista acaba de publicar uma “nota à imprensa” sobre o Processo de Descentralização, nota essa na qual se congratula “com a assunção dos compromissos assumidos e com a adesão de mais de uma centena de municípios” ao Acordo. Adianta ainda que “o governo socialista comprometeu-se com o reforço da autonomia do Poder Local, as suas competências e os meios disponíveis para o efeito, bem assim como com o cumprimento da Lei das Finanças Locais e aproximação aos níveis europeus da participação nas receitas do Estado por parte das autarquias”.

Legítima, esta Nota à Imprensa não explica, porém, como foi possível ter origem no interior da própria direcção do PS o mais eficaz e violento ataque ao referido Processo de Descentralização, ataque esse liderado pelo autarca “socialista” de Gaia. Os opositores do PS agradecem esta aliança espúria com Rui Moreira, aliás digna de uma medalha de mérito.

 

O interino

Este é Juan Guaidó, fotografado em 2014. Este é o “presidente interino” em defesa do qual o governo português fez um ultimato ao Estado soberano da Venezuela.
Lindo serviço.

O Interino

Do you speak english?

Quem é este rapaz?

Telegraph

Tha Guardian

Venezuela

Existe uma enorme comunidade portuguesa na Venezuela. Esperemos que a recente decisão do Governo português, de fazer um Ultimato ao Estado venezuelano, não traga consequências negativas aos nossos compatriotas que lá vivem. É certo que tal possibilidade foi acautelada.

É que, se não foi, não estamos apenas perante uma mistura de hipocrisia com cobardia, mas também perante uma imensa irresponsabilidade.

Oxalá que não.

Bacalhau

Um dos eixos principais da estratégia política do Presidente da República consiste na tentativa de contenção, no nosso país, daquilo a que se chama agora “nacionalismo populista”. Parece um paradoxo, mas não é. O Presidente da República fá-lo ocupando o espaço semiótico com acções coordenadas que não têm uma natureza estritamente política, mas psicopolítica, daí derivando o epíteto de “Presidente dos afectos”. Esses “afectos”, que se traduzem simultaneamente numa grande excentricidade do exercício das suas funções e numa proximidade simbólica ao “homem comum” exacerbada, pretendem captar e prender pela emoção primária, também ela populista, todos aqueles que, de outro modo, se poderiam mostrar receptivos à mensagem que varre com força uma boa parte do ocidente e que normalmente se identifica na radical oposição ao modelo de “democracia global” até agora vigente. A originalidade de Marcelo Rebelo de Sousa é o seu Populismo Católico, instrumento com que tenta travar a chegada, a este lado da península ibérica, dos exércitos de Bannon. Nada garante que Bannon não chegue cá, mas se não fosse Marcelo, talvez já cá estivesse.

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3,5 milhões de euros para o adro da Igreja

Clique para aumentar.

 

A Câmara de Gaia vai gastar 3,5 Milhões de euros para “reabilitar” o Adro da Igreja de Mafamude, do senhor Padre Jorge. Mais do dobro do que diz ter gasto a fazer um Centro de Saúde de raiz. A própria Igreja Católica, se tivesse alguma consciência social, deveria recusar esta enormidade política, cívica e moral. Um insulto não apenas à laicidade do Estado, mas à mais elementar e singela decência.

 

Eduardo Vítor Rodrigues, Padre Jorge e o Bispo do Porto em animada festa.

Ligação para a notícia (antes que a apaguem).

Despacho

Agora é necessário auditar a avaliação de qualidade feita à auditoria. Depois avaliar a qualidade da auditoria feita à avaliação de qualidade realizada sobre a primeira análise sumária e provisória. Posteriormente, encomendar um estudo de “benchmarking” sobre avaliações e auditorias em contexto fenomenológico e metafísico forense, em função de cujos resultados deve ponderar-se a nomeação de uma Comissão independente que defina, sem pressa, no quadro da semântica processual administrativa, os limites da jurisprudência “a quo”, nos termos previstos em regulamentação específica a criar nos termos e para os efeitos previstos, cujos trâmites aguardam despacho vinculativo do grupo de trabalho “ad hoc” que, por determinação de acórdão ainda não transitado, desce à comissão. A pé e pelas pelas escadas.

Nova ponte entre Porto e Gaia já começou a meter água

A nova travessia entre as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, anunciada com pompa, circunstância e a mais desbragada propaganda no passado mês de Abril de 2018, ainda não começou a ser construída e já se está a desfazer.

Baptizada com o santíssimo nome de um bispo, mas com o aspecto de uma espada de Darth Vader, a alucinante travessia fluvial prevista para ligar nenhum lugar a lugar nenhum, tinha, segundo os seus promotores, a sua conclusão prevista “num prazo de três a quatro anos e um custo de 12 milhões de euros” (ver notícia aqui).

Vem agora o autarca de Gaia, convencido de que está a falar para uma plateia de símios, afirmar à comunicação social que “cumprindo prazos e respeitando todos os estudos, é possível lançar o projeto de construção da Ponte D. António Francisco dos Santos em 2020 como previsto”.

Ou seja, a dita ponte, afinal, não estará pronta num prazo de três a quatro anos como afirmou em Abril de 2018. O “projecto” é que será lançado num prazo de quatro anos, em 2020. A conclusão da ponte propriamente dita, essa, estará assegurada lá para o dia de São Nunca à Tarde, tal, aliás, como a famosa Capela de Siza Vieira na Afurada, cujas obras deveriam ter sido iniciadas no Verão de 2016 e da qual, passados quase três anos, não se vê ainda uma única pedra. Isto, apesar de a Câmara de Gaia já ter pago 174 mil euros pelo projecto. 

Quem conhecesse minimamente as tácticas e os truques da Câmara de Gaia tinha percebido, já em Abril de 2018, que a “nova ponte” foi uma mera manobra de propaganda destinada a abafar notícias pouco abonatórias, expediente ao qual se resume, aliás, quase toda a gestão municipal, desde 2013. Gaia é, desde então, infelizmente para os gaienses, uma enorme junta de freguesia, totalmente subjugada às tácticas populistas e ao vazio democrático e político. O Partido Socialista pagará, mais tarde ou mais cedo, o preço deste tremendo erro de casting.

“Um rigoroso inquérito”

A expressão transformou-se num insulto.

Uma Imprensa Livre

 

No dia em que o país cai de joelhos perante mais uma maravilha da criatividade financeira – o que eles se riem -, a “imprensa livre” cumpre com marcial rigor a função que lhe cabe num país democrático, esse país flor nascida do Abril das madrugadas quentes, cantada por Ary um baú de tolice uma chatice para dizer quem é basta o que disse é uma besta humana que rumina, Ary, por vezes, não tinha modos, esta é a Primeira Página online de um jornal “de referência”. Hoje. Futebol, Bebé na Bolívia, Poço em Espanha, WhatsApp, Acidente com autocarro, Vale e Azevedo, Lady Gaga, Criança pugilista, Atropelamento. E Grifos.

Evoco, por um esforço voluntário, para sair desta emoção,
Evoco, com um esforço desesperado, seco, nulo,
A canção do Grande Pirata, quando estava a morrer:

 Fifteen men on the Dead Man’s Chest.
Yo-ho-ho and a bottle of rum!

Álvaro de Campos, Engenheiro

 

Se ao menos nos beijassem

Foi hoje publicada na comunicação social uma lista de “grandes devedores” da Caixa Geral de Depósitos, o conjunto dos quais terá provocado uma perda para o banco público a rondar os 1.200 milhões de euros. A coisa deve pecar por defeito.

A referida lista reporta a 31 de Dezembro de 2015.

O segundo maior devedor, com uma perda para a CGD, segundo a lista, de quase 140 milhões de euros, é uma empresa chamada Investifino, cuja sede era, a 24 de Julho de 2012, em Lisboa. Acontece que o último acto societário publicado pela empresa, em Setembro desse ano, foi a mudança de sede para uma “suite” em Malta, bem identificável no “Offshore Leaks Database” do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. Nessa “suite” há de tudo, principalmente casinos.

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