Um conto e quatrocentos por uma garrafa de azeite

e queixam-se do preço da Gasolina.

Evocação

Júlio Pomar (1926-2018).

Património da inanidade

Notícia de 19 de Novembro de 2015 (Jornal de Notícias):

JN, 19/11/2015

 

Imagem de 25 de Março de 2018 (Caves de Vinho do Porto, Vila Nova de Gaia):

Caves de Vinho do Porto, 25 de Março de 2018

 

Protecção de dados

Os únicos dados que estão bem protegidos são os do casino.

 

A Livraria Moreira da Costa, no Porto

Há quem queira fechar a Livraria Moreira da Costa, no Porto, por ser “inflamável”. Passei lá hoje e confirma-se que a chama permanece acesa. Votos que seja eterna!

Imagem daqui.

António Arnaut

Ficou hoje mais próximo da luz um homem – António Arnaut – cujo exemplo inspirou muita gente. Além de inspirar, deu também alento aos que, poucos, continuam a acreditar que uma sociedade mais justa é possível. Infelizmente, não há como disfarçá-lo, esse propósito tão humanista da Justiça tem encontrado obstáculos que não parecem, pelo menos num futuro próximo, fáceis de ultrapassar.

António Arnaut teve, durante a sua vida, uma actividade muito variada, mas talvez tenha sido pela criação do Serviço Nacional de Saúde que mais ficou conhecido, mesmo – ou principalmente – entre aqueles a quem não cabe decisão ou palavra alguma nos destinos do país e campeiam anónimos pelos caminhos da pobreza e da sobrevivência.

Esse seu legado, o Serviço Nacional de Saúde, está também em vias de desaparecer. Um pouco de atenção ao discurso e às acções daqueles por cujas mãos desaparecerá, será o suficiente para verificar que a palavra Serviço (Nacional de Saúde), fundamental no conceito expresso pela Constituição da República Portuguesa e pelo espírito de António Arnaut, está a dar lugar à palavra Sistema (Nacional de Saúde), conceito totalmente antagónico ao da Lei Fundamental e ao valor intrínseco da ideia de progresso que moveu homens como este socialista antigo. A passagem do Serviço ao Sistema representa a mercantilização absoluta de um direito humano basilar e a transformação da Doença não apenas numa indústria poderosíssima, mas em mais um instrumento de design social e de opressão sobre os mais fracos que garantirá, aos mais fortes, a perenidade do seu domínio e a perpétua servidão.

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Evocação

António Arnaut (1936-2018).

Bodas reais

Não me interessa o casamento real. Não sou súbdito da rainha, a qual considero invasora e ocupante do meu país.

Os Outros

O presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, está a ser julgado no Tribunal de Gaia pelo crime de Difamação agravada. Outros cidadãos estão lá a ser julgados por outros crimes, ou a tratar de assuntos que lá têm que ser tratados. Mas enquanto esses, os outros, esperam largos minutos numa fila para poder entrar no edifício, o senhor presidente entra por uma porta especial da Casa da Justiça, sem ter que sofrer a maçada da espera, misturado com gente comum e, por vezes, mal vestida. Afinal, todos os homens são iguais, mas uns são mais iguais do que outros.

Veja as imagens:

Política e futebol

Colocando de parte os actos de violência, que cabe às autoridades competentes investigar e julgar, o que mais impressiona no assunto que envolve o Sporting é a proximidade entre o Futebol e a Política.
Tal confusão entre mundos é o sinal de que a República e a Democracia atravessam um momento especialmente perigoso. Não significa isto que o poder político não possa pronunciar-se sobre os recentes acontecimentos envolvendo actos de violência, mas a amplitude e a insistência com que o faz, denotam a existência de uma frágil fronteira entre a dignidade dos representantes do Estado e o mundo do futebol, com toda a sua diversidade tribal.

A Cómoda

Há um erro gigantesco e utilíssimo que todos aprendemos na escola, erro esse que teve e tem a função de nos ajudar a ver o mundo como uma cómoda de quarto, cheia de gavetas.

Uma das gavetas é para as peúgas, outra para as camisolas, outra para as ceroulas, e por aí adiante. As pessoas que percebem desses assuntos chamam-lhe “especialização”, arte que consiste em compartimentar, o mais possível, a realidade, de maneira a fazer dela uma espécie de trama infinita, e infinitesimal, infinitamente segmentada, infinitamente dividida em realidades sempre mais pequenas, micro-gavetas da velha cómoda onde se guardam fibras microscópicas das peúgas, cuja utilidade temos esperança de vir a descobrir.

Este erro gigantesco e utilíssimo é o que vem a constituir o fundamento, a estrutura, não apenas da nossa cosmovisão – uma cómoda do tamanho do Universo -, mas de coisas bem mais terrenas, como a nossa organização social, as nossas teorias do conhecimento, a base doutrinal comum a todas as ciências, a todas as artes e até – daí a sua utilidade – do governo dos países e do mundo.

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A voz do dono e os eufemismos do DN

Diário de Notícias, 14 de Maio de 2018

 

O Diário de Notícias, assim como uma grande parte da comunicação social portuguesa, fala em “confrontos” entre palestinianos e o exército israelita. “Confronto” seria se o embate se desse entre dois exércitos, ou entre dois grupos militares com o mesmo poder de fogo. Mas não é disso que se trata. Trata-se de mais um massacre, um acto bárbaro que fecha com chave de ouro o Festival da Canção. O director do Diário de Notícias costumava ser mais incisivo – e verdadeiro – com as palavras.

 

Imagem: The Guardian

Árvores dendrites

 

Árvores dendrites

A árvore dendrite encosta ao céu as mãos
enquanto come luz
e fala distraidamente com os pássaros.

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O Vale

Quintessência.

 

O Vale*

Que vale eu escrever
se daqui a nada não lembro?
Que traz o gesto
se for só o resto?
Só o suor do ver?

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Les Uns et les Autres

A Direcção Nacional do Partido Socialista coloca em prática a estratégia política que muito bem entende, mandatada e legitimada que está, para o fazer, pelos órgãos próprios do partido. Pode, além disso, mudar de estratégia, tal como ficou bem visível na sequência das recentes declarações públicas de altos responsáveis do PS que, directa ou indirectamente, se referiam a um ex-Secretário-Geral do partido e ex-Primeiro-Ministro de Portugal, declarações essas que levaram o visado, o Engenheiro José Sócrates, a anunciar a sua desfiliação do Partido Socialista.

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Code Red

“Não tenho ilusões.”
Napoleão Bonaparte

Geringonça à moda antiga

Os primeiros “geringonços”.

Imagem: Arquivo RTP

A Geração 20/30 de António Costa

A Moção Política de Orientação Nacional com que o actual Secretário-Geral do PS, António Costa, se apresenta ao próximo Congresso, tem como título “Geração 20/30” e as suas propostas desenvolvem-se sobre 4 vectores fundamentais que, segundo o líder socialista, se constituem como “as grandes questões estratégicas que se colocam ao país”.

A saber:

  1. As Alterações Climáticas
  2. A Demografia
  3. A Sociedade Digital
  4. As Desigualdades

O facto de serem quatro “as grandes questões estratégicas” é, em si mesmo, parte significativa da estratégia de António Costa, que pretende centrar e estabilizar o discurso político com o qual justifica uma certa suspensão da acção governativa em torno dos postulados e do dogma da “regra de ouro”, buscando com isso uma anestesia, ou mesmo uma regressão da expectativa, a qual considera já plenamente satisfeita com a “devolução de rendimentos” e o “fim da política de empobrecimento”.

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A novela do Infarmed

Uma cidade faz-se e cresce a partir da força das suas instituições e da massa crítica que consegue gerar. Essa massa crítica resulta não apenas do grau de consciência cívica dos seus cidadãos e do modo como estão prontos a colocá-la ao serviço da cidade, mas também do seu lastro histórico, ou seja, de como e em que medida essa massa crítica foi construindo Cultura (Civilização) aos longo dos anos e dos séculos, sedimentando-a num corpo colectivo e identitário chamado Cidade. Uma Cidade não é um lugar onde vão muitos turistas que pagam para se divertir. Isso é um bordel.

Vem isto a propósito da inaceitável instrumentalização de importantes instituições do país, a que se assistiu na novela da putativa transferência do Infarmed para o Porto, já antes agravada por uma brincadeira eleitoral que teve como epicentro a Agência Europeia do Medicamento e uma “candidatura” vergonhosa, feita numa capela, que colocou em causa não apenas a credibilidade do Porto, mas a de Portugal como um todo.

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22º Congresso do PS | Moções Globais de Estratégia

“Reinventar Portugal” e “Geração 20/30” são as duas moções globais de estratégia a ser apresentadas ao próximo Congresso (22º) do Partido Socialista, pelos dois candidatos ao lugar de Secretário-Geral, Daniel Adrião (Reinventar Portugal) e António Costa (Geração 20/30).

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A reciclagem do fascista

Certo dia tive uma acesa discussão com um presidente de Câmara, à porta do seu gabinete, sobre os mistérios do 25 de Abril, da Liberdade, da Esquerda e da Direita. Vangloriava-se, o triste autarca, cheio de orgulho boçal, de o senhor seu pai ter “corrido comunistas à paulada” da porta da fábrica onde era capataz, naqueles tempos quentes próximos da Revolução. Hoje era vê-lo, ao autarca, a discursar de um púlpito coberto de falsos cravos, com a Democracia e a Liberdade na boca, a Grândola ecoando, em surdina, pelo salão nobre, reciclando fascistas.

Uma espécie de Protocolo

No passado mês de Janeiro foi aqui analisado um estranho Protocolo que a Câmara de Gaia, pelo punho do seu presidente, assinou com uma “escola de línguas” chamada Lancaster College, Protocolo esse que foi profusamente publicitado pela comunicação social como sendo uma “oferta de 75 bolsas de estudo” para famílias “carenciadas” do Concelho de Gaia.

Esse artigo de Janeiro apontava várias “inconformidades” ao referido Protocolo, tais como um Segundo Outorgante, o tal “Lancaster College”, que aparece no documento identificado com um número de pessoa colectiva pertencente a outra empresa, facto que aparentemente tem justificação na circunstância pouco ortodoxa de o Lancaster College não ter, simplesmente, existência jurídica.

Mas, afinal, o pior estava para vir:

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O Quinto Império invertido

“Ninguém enriquece seguindo as regras”.

Porto, Igreja dos Congregados. Abril de 2018.

Arquidiocese de Braga diz que ataque com armas químicas na Síria foi “história inventada”

É o relato de uma testemunha, uma portuguesa de 38 anos, publicado no sítio da internet da Arquidiocese de Braga, segundo o qual o alegado ataque com armas químicas não passou de um “cenário”, uma “história inventada” e “mais uma desculpa para poderem atacar”.

Maria de Lúcia Ferreira diz que o bárbaro ataque com armas químicas atribuído ao regime de Bashar al-Assad no dia 7 de Abril, não passou de um falso pretexto destinado a justificar o ataque militar levado a cabo pelos Estados Unidos, a França e o Reino Unido.

“Não houve nenhum eco de armas químicas aqui no país. Não se ouviu dizer nada” – afirmou a religiosa que vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, em Qara.

O Segredo

Cratera no Centro Histórico de Gaia (Clique para aumentar)

 

A primeira tentativa que fiz para aceder ao verdadeiro Projecto da Disneylândia do Vinho foi a 28 de Novembro de 2017, através de comunicação dirigida ao presidente da Câmara de Gaia, ao abrigo da legislação em vigor sobre o acesso a documentação administrativa.

Passados quase cinco meses, depois dos sucessivos obstáculos que a autarquia de Gaia foi colocando à divulgação desses documentos, e após queixa à CADA (Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos) que ficou, até agora, sem resposta, e ainda reclamação junto do Secretário de Estado das Autarquias Locais, o respectivo Gabinete acaba de me informar que para que possa ser sequer equacionado um pedido de acesso ao Projecto previsto para a cratera que nesta altura ocupa o Centro Histórico de Gaia (ver imagem), na zona das Caves de Vinho do Porto, o requerente, ou seja, o cidadão da República, deve, obrigatoriamente, “demonstrar interesse legítimo”.

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A utopia terá que esperar

A última tentativa levada a cabo para influenciar, a partir do interior, as políticas da União Europeia, no que se refere ao seu modelo financeiro, social e económico conhecido por TINA (There Is No Alternative), foi feita pela Grécia, quando era seu Ministro das Finanças Yanis Varoufakis.

Essa tentativa falhou redondamente.

Varoufakis tinha a ciência, a coragem e a legitimidade democrática para provocar no seio da União Europeia, e na sua linha de pensamento único, um abalo com potencial suficiente para se estender a outros países, nomeadamente do sul, conferindo-lhes um poder negocial muito superior ao que hoje detêm, com o apoio, eventualmente, do bloco dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Mas, como é sabido, num momento crítico da sua estratégia, para a qual estava mandatado pelo seu Primeiro-Ministro, Varoufakis perdeu o apoio de Tsypras e foi demitido. Não se sabe o que terá levado o Primeiro-Ministro grego a assumir a derrota, mas é possível que não tenha garantido o apoio internacional necessário ao sucesso da sua “rebelião”, ou que esse apoio tivesse custos superiores aos de uma capitulação ante o Eurogrupo.

Sabe-se que em Portugal se passou algo semelhante. Numa visita relâmpago que fez ao nosso país, antes do pedido de resgate financeiro, o Presidente da República Popular da China propôs-se pagar toda a dívida pública portuguesa, sendo provável que tenha pedido em troca nada menos que toda a economia. A sua proposta foi recusada.

Vivemos, assim, no fio da navalha, entre a espada e a parede. Somos obrigados a uma estratégia de política externa que não é muito diferente daquela que seguimos ao longo da História, principalmente após a morte do Rei D. Sebastião. Somos uma nação postiça, um povo sem nervo, uma pasta civilizacional que vive de pequenos arranjos diplomáticos, cujo fim é, mais do que favorecer a posição do país e o ânimo do seu povo, alimentar a estrutura burocrática que os representa politicamente. Isso não é desígnio digno da nossa História.

A derrota de Varoufakis não foi apenas a derrota da Grécia. Foi a derrota de uma linha de pensamento político que se opõe à Ordem global vigente, esta da degradação cavalgante dos direitos sociais, dos valores fundamentais da Democracia e do primado da pessoa humana. Com a derrota da Grécia perderam todos os países que vivem sob o jugo da dívida e ambicionavam alcançar, no concerto das nações, condições justas de desenvolvimento. Essa utopia terá que esperar.

Darth Vader e o Estado Laico

A “ponte”.

Ainda se sentem as vibrações do grande terramoto de indignação que causou, entre os convictos defensores da Laicidade do Estado, a atribuição do nome de um Bispo – caso único em todo o país – a uma “ponte” de luz sobre o Rio Douro.

Há um silêncio em Porto d’Olho

Porto d’Olho

Não é um Silêncio igual ao que se faz quando de repente toda a gente pára de falar ou quando um inesperado corte de energia faz calar a televisão e a máquina de lavar roupa.

Não é um silêncio comum, ou mesmo humano, aquele que verdadeiramente nunca se verifica, pois há sempre um ruído mecânico presente, em surdina, sempre um carro que passa ao longe, uma voz da casa ao lado, uma porta que range.

O Silêncio que se vê do alto do Outeiro da Varela, em Porto d’Olho, é o do coração a bater.

É aquele Silêncio que Deus faz quando os olhos emudecem em face da maravilha, quando fica leve o que é pesado e ao alcance da mão o que desde sempre viveu para lá do infinito.

É um Silêncio incomum e paradoxal que traz todas as vozes dentro.
Que pronuncia todas as palavras como se fossem uma, não soprando, contudo, a mais humilde sílaba.
Não é possível, na verdade, descrever um Silêncio destes, assim como se não pode dizer o Pleroma, ou o Nirvana, ou o Céu.

É um Silêncio que desaparece quando se diz, mas que, uma vez ouvido, jamais desaparece.

 

 

*Publicado originalmente no jornal Ecos de Basto.

 

Pequena nota

Na sequência de notícias publicadas, durante o dia de ontem, pelo Diário de Notícias e pela TSF, relativas ao julgamento em que é arguido o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, acusado pelo Ministério Público do crime de Difamação agravada, remeti aos dois órgãos de comunicação social o pedido de resposta e rectificação que se segue:

Ao abrigo do n.º 1, do n.º 2 e n.º 3 do artigo 24º da Lei nº 2/99, de 13 de Janeiro (Lei de Imprensa), conjugados com o n.º 2, alínea a), e o n.º 3 do artigo 26º da mesma Lei, vem o signatário requerer junto de V. Exa., os direitos de resposta e rectificação da notícia publicada pela TSF, no dia 10 de Abril de 2018, sob o título “Acordo falhado pela segunda vez leva autarca de gaia a julgamento por difamação”:

A TSF publicou, na sua edição online de 10 de Abril de 2018, uma notícia com o título  “Acordo falhado pela segunda vez leva autarca de Gaia a julgamento por difamação”, na qual são atribuídas ao presidente da Câmara de Gaia várias afirmações irrelevantes. Há uma afirmação, contudo, que, pela gravidade da suspeita que lança sobre o aqui signatário, exige competente esclarecimento.

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Qual destes políticos fez mais pelo seu semelhante?
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