Marés Vivas expulso por um festival de prédios

O espaço onde até agora tem sido realizado o Festival Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia, vai começar a ser ocupado por um gigantesco empreendimento imobiliário licenciado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. A zona ribeirinha onde se realizava o Festival de música vai acolher “um comboio urbanístico de oito edifícios” mesmo em cima do Rio Douro, pressionando a Reserva Natural do Estuário e alterando para sempre a belíssima paisagem da foz.

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Democracia à moda de Vila Nova de Gaia

Imagem: Junta de Freguesia de Mafamude e Vilar do Paraíso

A Junta de Freguesia de Mafamude e Vilar do Paraíso (PS), em Vila Nova de Gaia, reuniu ontem a sua Assembleia de Freguesia. Trata-se de uma das maiores freguesias do país, com mais de 50 mil habitantes, e é um exemplo do exercício da Democracia pelo poder autárquico socialista em Vila Nova de Gaia. Assim, observe-se a composição da Mesa:

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SIRESP não funciona em Vila Nova de Gaia

Quem o afirma é Fernando Curto, presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, sem ter sido desmentido pelo responsável da Protecção Civil de uma cidade com mais de 300 mil habitantes.

 

António Costa

Do ponto de vista político, não há muito de que António Costa se possa queixar. Houve um conjunto muito significativo de pessoas que fizeram tudo o que estava ao seu alcance  para que ele pudesse chegar a Primeiro Ministro de Portugal.

O que se exigia a Antonio Costa é que revertesse o caminho percorrido durante os quatro penosos anos de governo PSD/CDS, ao longo dos quais o povo português experimentou um modelo político de tortura social, fundado na mentira, na manipulação e no mais perfeito desprezo pelo sofrimento humano. Não se pedia a António Costa que fizesse diferente. Exigia-se que o fizesse.

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A Ordem dos Advogados deveria patrocinar gratuitamente as vítimas de Pedrógão Grande

 

© PAULO CUNHA / LUSA

Valdemar Alves, presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, fez um apelo para que “não se alimentem querelas políticas em torno de pedidos de demissão ou do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP)”. Para o autarca, que parece ter a lição bem estudada, é necessário “restabelecer a paz e o sossego”. Tudo muito conveniente.

O que seria de esperar de Valdemar Alves, enquanto presidente de Câmara, é que estivesse já a dar apoio jurídico às vítimas desta catástrofe, para que elas pudessem, nas instâncias judiciais próprias, exigir a indemnização a que possam ter direito pelos danos causados em consequência do eventual comportamento negligente do Estado Português.

Não tomando a Câmara Municipal de Pedrógão Grande essa iniciativa, deveria a própria Ordem dos Advogados fazê-lo, nomeando desde já uma equipa escolhida entre os seus mais ilustres membros, para que, em regime pro bono, representassem em juízo as famílias atingidas, numa acção cível, ou mesmo crime, contra o Estado. É a isso que também se dá o nome de Estado de Direito Democrático.

Em defesa do São João do Porto

Milhares de pessoas encurraladas à espera de passagem para o Porto pelo tabuleiro superior da Ponte Luís I. Gaia, cerca das 1h30 da madrugada.

Aquilo que se passou ontem na cidade do Porto, na mais importante noite do ano, a noite de São João, ficará certamente a marcar a história recente da cidade e da sua relação com o Poder.

O espectáculo de variedades transmitido pela RTP a partir da cidade de Gaia, que durou até depois da meia-noite sem transmitir uma única imagem do São João nas ruas do Porto, foi uma instrumentalização política da festa popular e uma tentativa de apoucar a cidade, as suas gentes e os seus símbolos.

A RTP procurou, ao longo de várias horas de emissão a partir da Serra do Pilar, em Gaia,  com directos de uma inenarrável “marcha sanjoanina” a partir dos Açores, reescrever a história da festa que faz parte da alma da cidade Invicta, colocando-se ao serviço de interesses políticos pouco claros, numa obscura e caríssima acção de propaganda contra o Porto e a sua festa maior.

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Do incompreensível

© Mónica Joady

Ontem, dia 20 de junho de 2017, em pleno Luto Nacional pela catástrofe que assolou Pedrógão Grande e o país durante o fim de semana, antes ainda de terem decorrido os funerais das vítimas, o PS Gaia fez a festa de apresentação de mais uma candidatura autárquica.

Será este o sentido que toma a tal “grande consternação” e a “solidariedade com as vítimas” manifestadas pela classe política?

Na imagem (recolhida durante a sessão): Eduardo Vítor Rodrigues, secretário nacional do Partido Socialista e presidente da Câmara de Gaia, ao lado de Maria José Gamboa, candidata do PS a uma Junta de Freguesia, durante a sessão de apresentação da sua candidatura. Sem palavras.

Aqui pode ver-se o resto da festa.

© Mónica Joady

 

 

A voz do dono

Ser militante ou simpatizante de um partido político e apoiante de um governo em funções não pode significar trair o povo a que se pertence. A militância ou a simpatia terminam onde começa o valor maior da verdade e da justiça, ou quando são colocados em causa interesses superiores a qualquer ideologia ou filiação política, como é o caso da vida humana.

Se algum responsável público, seja de que partido for, violar, por acção ou omissão, negligente ou premeditada, os deveres públicos a que está vinculado, é direito e obrigação de todo o cidadão exigir que seja responsabilizado por isso e que preste contas à população que representa e tem que proteger. Seja esse responsável público da nossa tribo política ou não seja. Se for, a responsabilidade que nos cabe aumenta.

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O Nó Górdio

O Senhor Primeiro Ministro foi hoje à televisão levando no bolso Aristóteles e no gesto Alexandre da Macedónia:

– Foi azar. – disse.

Foi belo. Há que estar atento aos elefantes.

Pedrógão Grande e a segurança interna

Aquilo que se passou, e está a passar, em Pedrógão Grande, é uma falha multidimensional no cumprimento de deveres fundamentais que cabem ao Estado. Uma das dimensões dessa falha, que até agora não parece ter merecido a atenção devida, pelo menos publicamente, é a da própria Segurança Interna. Não só no plano civil, mas também no plano militar.

A exposição das populações e do território ao tipo de risco que o incêndio de Pedrógão representa, e que neste caso se traduziu numa catástrofe humana, não é assunto do âmbito estrito da Administração, mas abrange a própria Segurança Interna e o serviço de informações, civis e militares, do Estado Português. Não é compreensível que uma fragilidade desta dimensão não seja conhecida desses serviços e que os mesmos não tenham alertado as hierarquias respectivas para a possibilidade de um acontecimento desta natureza, resultante da falência combinada dos sistemas de comunicação, de organização e de operacionalização dos meios de defesa e combate a uma ameaça repetidamente anunciada, expondo as populações e o território.

É preciso evitar falar em responsáveis

A verdade sobre o que aconteceu em Pedrógão é insuportável. É esse o motivo pelo qual os agentes políticos e os seus porta-vozes evitam, a todo o custo, falar em responsabilidades. Foi conhecendo já a verdade insuportável que o Presidente da República se apressou a dizer que “fez-se o máximo que se podia ter feito”. Mas não fez. E a própria declaração apressada do Presidente foi o primeiro sinal de que uma gravíssima negligência tinha ocorrido e que a estratégia de protecção mútua dos responsáveis políticos tinha começado.

Enquanto os bombeiros apagam o fogo e as televisões facturam, por detrás da cortina há reuniões permanentes de gabinetes, encontros assessorados por empresas especializadas na gestão da comunicação em ocasiões de crise, há snipers anónimos espalhados pelas redes sociais, cooptados nas juventudes ou entre dirigentes partidários arruaceiros contumazes, mais propensos à cacetada e ao vernáculo de taberna, cuja missão é insultar quem questione a palavra de ordem: é preciso proteger a imagem do governo. É preciso evitar que se fale em responsáveis. Daqui a uma semana já ninguém se lembra disto.

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Pedrógão, conhecer é lembrar

O ministro Capoulas dos Santos atribuiu hoje a tragédia de Pedrógão a fenómenos meteorológicos paranormais.
Há aspectos em que este governo se está a tornar melhor do que o anterior. Um deles é a falta de vergonha.

Notícia de 18 de Maio de 2017:

“4 horas à espera do 112”

Em Pedrógão. Lá no fundo. Lá longe.

Falha total do sistema de Protecção Civil

© Expresso

A consternação, cada um que a viva a sós consigo, para que ninguém mais possa avaliar a sinceridade com que o faz.
A denúncia da tentativa de desresponsabilização imediatamente iniciada por governantes e políticos, essa, deve ser pública e sem tréguas.

Há vários factos inéditos nesta tragédia. Um deles é a imediata resposta do sistema de propaganda e contra-informação que, de modo muito eficaz, procurou culpabilizar a trovoada seca e os relâmpagos pela absoluta inaptidão dos meios de protecção civil, inaptidão essa que ainda há poucos dias foi denunciada, pela segunda vez, pelo presidente da Câmara Municipal de Vila Real e líder dos autarcas socialistas, a propósito do acidente ocorrido no túnel do Marão que, felizmente, causou apenas danos materiais. Desta vez.

A “optimização de recursos” e o governo do país guiado pelas folhas de Excel tem os seus custos. Por vezes incomportáveis, como é o caso vertente. Em ano de eleições autárquicas, seria importante avaliar a quantidade de dinheiros públicos que estão a ser desviados para festas, festivais culturais, conferências sobre investimento inteligente, inaugurações de pedras, subsídios a instituições para compra de votos, pagamento a snipers anónimos que campeiam pelos blogues, perfis falsos de feicebuque, compra de meios de comunicação locais e o mais que constitui o regabofe dos orçamentos autárquicos em ano de eleições, ao mesmo tempo a que se assiste à degradação contínua dos serviços públicos e ao abandono do interior do país.

Sábado, 17 de Junho de 2017, cerca das 9h00, quase toda a comunicação social fez eco do aviso lançado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que colocou quatro distritos em Alerta Vermelho, prevendo temperaturas de 44 graus para algumas zonas do país e elevado risco de incêndio em praticamente todo o território, com natural agravamento nas zonas do interior.

Eram 14h00 quando o incêndio teve início, em Escalos Fundeiros, no concelho de Pedrógão Grande. Só às 19h00 o IC8 foi cortado, entre a zona industrial de Pedrógão e o nó de Outão. Estavam no terreno 180 bombeiros, dois meios aéreos e 52 viaturas, num dos maiores incêndios de sempre em Portugal. A Barragem do Cabril, um imenso reservatório de água, fica a escassos dois ou três quilómetros do centro de Pedrógão Grande.

Às 21h30, já com várias aldeias cercadas pelas chamas, um bombeiro desaparecido, vários feridos entre civis, o Presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande afirma: “É impossível acudirmos a todas as aldeias. Estamos a todo o custo a ver se nos chegam bombeiros de Lisboa”.

Às 23h45, quase dez horas depois do início do incêndio, o Secretário de Estado Jorge Gomes fala e confirma a morte de, pelo menos, 19 civis.

Às 00h35 o primeiro-ministro chega à Autoridade Nacional de Protecção Civil. Cinco minutos depois, chega o Presidente da República a Pedrógão Grande, afirmando que “se fez o máximo que se podia ter feito”.

Às 5h00 o Governo declara “estado de contingência activa”, explicando que “isso torna possível o acesso a mais meios e a outras possibilidades” (!)

Às 9h00 confirma-se a existência de 43 vítimas mortais.

Às 10h00 estavam no terreno, segundo o jornal Expresso, “cerca de 800 operacionais, apoiados por 244 viaturas”. Quando chegaram, não se sabe.

Às 10h10 o director da Polícia Judiciária afirma ter sido encontrada “a árvore que foi atingida por um raio”, alegadamente responsável pelo maior e mais mortífero incêndio de que há memória em Portugal.

Às 10h30, cerca de vinte horas depois de ter início o incêndio, chegam meios aéreos de Espanha e estão a caminho três aviões fornecidos pela República Francesa.

Às 13h30 o governo decreta três dias de luto.

 

Paulo Fernandes, do departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em declarações à RTP, afirma que houve uma “falha total do nosso sistema de proteção civil”. Em causa, por exemplo, “o não encerramento de algumas estradas ao trânsito” e o facto de “não haver um único meteorologista especializado em incêndios florestais que esteja a trabalhar em situação operacional.

 

Algo não bate certo

No país que bate recordes no défice, cujo ministro das finanças é um Cristiano Ronaldo, que cai novamente do goto das agências de rating, que vê a taxa de desemprego “descer” para níveis nunca vistos, cujo PIB dispara como um míssil, que substitui o Banco público por carrinhas, há dezasseis pessoas que morrem na estrada, dentro do carro, atingidas por um incêndio, sem que autoridade alguma o tivesse prevenido.

Onde fica Pedrógão Grande? Será que, neste caso, a Protecção Civil também estava a operar a partir de Almada?

A sina e a purga

Imagem: Jornal Sol

O Partido Socialista foi ontem protagonista de um triste espectáculo público que certamente embaraça muitos dos seus militantes e onde ficou clara uma propensão congénita, muito preocupante em democracia, para a arruaça e para a hipocrisia.

As declarações inadmissíveis do deputado Manuel dos Santos sobre uma militante socialista suscitaram o despertar violento do instinto de matilha, grosso e oportunista, cuja única motivação é política, de vingança sobre o militante prevaricador, que tem assumido posições discordantes com a actual direcção e apontou a gritante incoerência dos deputados do Porto no processo de candidatura de Portugal a sede da Agência Europeia do Medicamento – em segredo votaram por Lisboa e publicamente contestaram o “centralismo”.

A indignação tribal que Manuel dos Santos suscitou não radica em qualquer sentimento genuíno de ofensa pelas declarações que proferiu, antes resulta de um evidente oportunismo político, desmedida hipocrisia e uma arrogância que confirma as preocupações que muitos já manifestam com a aproximação do PS a uma maioria absoluta.

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Homem-Aranha ameaça Câmara de Gaia

Jornal de Negócios, 14 Junho 2017

 

1,3 Milhões de euros para comprar as suas próprias instalações. Ao cuidado dos “descentralizores” e, já agora, do Tribunal de Contas e das autoridades judiciais.

Caves de Vinho do Porto: Gaia quer destruir património que antes quis classificar na UNESCO

A Câmara de Gaia, pelas mãos do seu presidente, prepara-se para licenciar a total descaracterização da Caves de Vinho do Porto, um património que ainda há dois anos anunciava querer candidatar a Património da UNESCO.

Eduardo Vítor Rodrigues afirmava ao Jornal de Notícias de 19 de Novembro de 2015 que “o prazo para a apresentação da candidatura termina no início de 2017. Mas vamos apresentar antes, no verão do próximo ano [2016]”. O autarca ainda acrescentou que “a equipa que irá preparar a apresentação da candidatura, que pretende incluir o Centro Histórico de Gaia, maioritariamente ocupado pelas Caves de Vinho do Porto, já foi constituída, estando já concluído o estudo de ordenamento do território naquele espaço”.

É preciso perguntar ao edil gaiense onde está essa candidatura e se realmente foi apresentada no verão de 2016, tal como prometeu. Deve igualmente esclarecer se o “estudo” apresentado à UNESCO contemplava a demolição de Armazéns de Vinho do Porto, a total descaracterização da encosta e a construção de um centro comercial de ferro e vidro, com mais de 30 mil metros quadrados e um parque de estacionamento para 150 carros.

A notícia que a seguir se reproduz é datada de 25 de Janeiro de 2015 e estava alojada numa página do site da Câmara Municipal de Gaia que entretanto foi apagada (arquivoweb.cm-gaia.pt/portais/_cmg/Imprensa.aspx?categoryOID…inicio=113…)

Nessa notícia, o presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, afirmava que “manter a imagem tem potencial económico” e que “a ambição da Câmara é valorizar este património, para que a imagem singular da encosta não se descaracterize”.  Agora afirma em tom irónico que  a zona das Caves “tem muito de tradição, de típico, de extraordinariamente histórico [sic], mas não é um espaço museológico”. No contexto das anteriores declarações (2015), o autarca de Gaia afirmou “querer fechar o triângulo”, associando a classificação pela UNESCO das Caves de Vinho do Porto à Serra do Pilar e ao centro Histórico da Invicta. A verdade, como a seu tempo veremos, é que este projecto demolidor para as Caves do Vinho do Porto colocará em causa a própria classificação atribuída pela UNESCO ao Centro Histórico do Porto.

Fica por saber o que terá levado Vítor Rodrigues a mudar de ideias em tão pouco tempo e de modo tão radical.

Epidemiologia da corrupção

Uma das estratégias utilizadas por aqueles que têm na corrupção o seu principal modo de vida é a sua vulgarização social. Espalhando por todo o lado o vírus do crime, infectando as instituições, os órgão do Estado, as empresas e a sociedade em geral, com essa maleita do apodrecimento moral, o corrupto pretende inscrever na ordem da prática e do discurso, no plano da legitimidade tácita, da aceitação pelo uso repetido e prolongado, um comportamento que é recusado e punido pela ordem jurídica e pelo princípio da liberdade e dos bons costumes.

O processo funciona de modo análogo à neurofisiologia da percepção. Se expusermos alguém, durante um longo período de tempo, a cheiros nauseabundos que suscitem inicialmente no organismo uma reacção de repulsa, a dada altura tem início um processo de adaptação neurofisiológica a esses cheiros, a essa agressão, adaptação essa que passa por ensinar ao corpo a reconhecê-los e registá-los como inócuos. Ou seja, a integrá-los no repertório de cheiros aceitáveis sob o princípio da homeostase. A partir daí o seu efeito sensorial será nulo, ter-se-á desenvolvido tolerância, integração, e desaparecido a sensação de náusea. Mas a toxicidade mantém-se inalterada. É isso que se passa com a disseminação da corrupção e a aparente indiferença social que ela suscita.

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100 Milhões para destruir as Caves de Vinho do Porto

Projecto da obra

Beira-Rio antes do abate das Árvores (todas as árvores que se vêem na imagem, junto ao rio, foram cortadas)

A Câmara Municipal de Gaia, liderada pelo “socialista” Eduardo Vítor Rodrigues, prepara-se para “licenciar em dois meses” a desfiguração do mais valioso património material e imaterial de Vila Nova de Gaia – o seu Centro Histórico, as Caves de Vinho do Porto e a própria Marca de vinho mundialmente conhecida, que não deixará de ser negativamente afectada no caso de esta obra avançar.

O projecto privado apoiado pela Câmara Municipal e que toma o nome pomposo de World of Wine, é uma intervenção imobiliária que ultrapassará inicialmente os 30 mil metros quadrados e que prevê a total descaracterização de uma das mais belas paisagens urbanas do mundo, enchendo-a de vidro e cimento, com um “investimento” previsto de 100 milhões de euros. Para justificar o elevado interesse turístico desta aberração urbanística, os promotores dão como exemplo a Cité du Vin, um equipamento cultural também dedicado ao Vinho, situado na cidade francesa de Bordéus. As diferenças, como se pode verificar pelas imagens que aqui se reproduzem, não podiam ser maiores. Até no preço. O orçamento inicial da Cité du Vin de Bordéus era de 60 milhões de euros, acabando a obra por ficar nos 81 milhões. Bastante menos do que o previsto para destruir a zona mais nobre de Vila Nova de Gaia. Cabe a cada um tirar as suas próprias conclusões sobre os motivos da diferença de custo entre a belíssima estrutura arquitectónica erguida na cidade francesa, perfeitamente enquadrada com o rio e a cidade, respeitando o seu património e a sua história, e a “praça” de cimento e vidro que a Câmara de Gaia quer deixar plantar sobre os escombros de Património cujo valor histórico não pode sequer calcular-se.


Acresce que a Cité du Vin – designação bem mais modesta do que o magalómano e provinciano Mundo do Vinho – é um Centro Cultural e turístico cuja construção se fez na zona do porto de Bordéus, afastado vários quilómetros do Centro Histórico da cidade, não interferindo minimamente com a integridade do património aí localizado, nem destruindo a Identidade ou a unidade arquitectónica do núcleo urbano antigo. Além disso, é um projecto maioritariamente financiado com dinheiros públicos (81%), estando ao serviço da população e do turismo, ao contrário do centro comercial com que se pretende eliminar toda a memória histórica de Vila Nova de Gaia e estender a esplanada do exclusivo Hotel Yeatman.

Aliás, não é a primeira vez que a Câmara de Gaia opta por colocar em causa o património da cidade, seja ele edificado ou natural, material ou imaterial, demonstrando uma total insensibilidade a questões tão importantes como o equilíbrio ecológico, arquitectónico e cultural que a todos cumpre defender. Já no ano passado, Gaia foi destacada na imprensa internacional a propósito da intenção de realizar um festival de música em cima da Reserva Ecológica do Estuário do Douro, facto que suscitou veementes protestos aos quais o jornal inglês The Guardian deu o eco internacional. Na altura, a Câmara Municipal foi obrigada a recuar. Espera-se que, desta vez,  as autoridades que têm por dever garantir a integridade do património nacional e a legalidade da actuação do poder local neste tipo de licenciamento, estejam atentas a todos os procedimentos e protejam o interesse das populações e do país, protegendo as Caves de Vinho do Porto.

 

Frasquilho & Lacerda: a geringonça oculta

A trituradora do Bloco Central, afinal, ainda funciona.

Amanhã é já hoje

Ética

“Do grego ethos, ou costumes. Em latim, o sinónimo é mos, donde veio moral. Dois perfeitos sinónimos que só diferem pela língua de origem (Luc Ferry). É a pesquisa da natureza moral do homem com a finalidade de se descobrir quais são as suas responsabilidades e quais os meios de cumpri-las (M.A. Inch). Para Kant, enquanto a moral é um conjunto de princípios, a ética é a sua aplicação em concreto. Outros autores consideram que a moral é a teoria dos deveres para com os outros, enquanto a ética é a doutrina da salvação (soterios) e da sabedoria, enquanto o além da própria moral. Aliás, para os estóicos, a ética implica que nos juntemos e nos ajustemos ao cosmos, onde, mais do que conceitos, se impõe o exercício da sabedoria, menos discursos e mais actos, para que se possa viver como se pensa. Até porque os estóicos se opunham aos cínicos, próximos dos niilistas, os que não acreditam em nada, que actuam sem princípios, sem se preocuparem com os valores e sem respeito pelo outro (Luc Ferry).”

José Adelino Maltez
Abecedário Simbiótico (2011)

Os limites da Propaganda e da Democracia

Comunicação e Propaganda são duas coisas distintas. Infelizmente estão cada vez mais confundidas e a propaganda tem ocupado o lugar que, numa Democracia pluralista, não lhe pode pertencer.

As instituições públicas têm que perceber que há limites para o uso de técnicas e truques que visam manipular os cidadãos que representam. E têm que perceber também que a Democracia marca linhas de fronteira na decência da comunicação, limites esses que um Estado fascista normalmente não respeita. É que um Estado fascista organiza-se e funciona de acordo com preceitos diferentes daqueles que são exigidos a uma Democracia.

A imagem que se reproduz acima foi recolhida durante um evento desportivo que reuniu dezenas de crianças oriundas de algumas escolas públicas de Vila Nova de Gaia, evento esse ao qual assistiram centenas de pessoas, a maioria das quais familiares.

Uma das equipas, composta por crianças cuja idade não ultrapassava os dez anos, apresentou-se no evento exibindo cartazes com a fotografia do presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues e do presidente de uma Junta de Freguesia.

Comunicação e Propaganda são coisas distintas.

A instrumentalização de crianças para fins de campanha política é outra coisa ainda, tão ignóbil e degradante que não caberá aqui classificá-la.

Dia de Portugal

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Em vós que haveis de ser quinto
Depois de morto o segundo,
Minhas profecias fundo
Co estas letras que aqui pinto.

Bandarra

O fim da Caves de Vinho do Porto

O jornal PÚBLICO noticia que arrancou hoje um projecto imobiliário e turístico no coração do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia, implicando a destruição de centenários Armazéns de Vinho do Porto e uma intervenção que afectará uma área superior a 30 mil metros quadrados numa das mais belas e exclusivas paisagens urbanas do mundo.

De facto, esta zona da cidade de Gaia é conhecida mundialmente pela beleza da sua textura arquitectónica única, dominada pelos telhados dos seus Armazéns, as famosas Caves, que estabelecem com o Rio e o núcleo urbano da Ribeira do Porto um cenário cuja beleza não se repete em lugar nenhum do mundo.

O que se iniciou hoje foi o fim desse património intemporal, que se constitui como pilar da identidade não só desta região, mas do próprio país, e que agora se prepara para uma total descaracterização, vendo-se transformado num centro comercial a céu aberto, com o pomposo nome de World of Wine.

Segundo a notícia, o projecto previsto para o local, contíguo ao Hotel Yeatman e que implicará a demolição e total descaracterização dos antigos Armazéns, é uma espécie de Disneylândia do vinho, um corpo estranho ao perfil histórico, sociológico, estético e arquitectónico do local, onde abundará o cimento e o vidro, dedicado aos turistas e prevendo uma “Praça”, museus “interactivos”, 12 restaurantes e, como não poderia deixar de ser, um parque automóvel com capacidade para 150 viaturas. Tudo isto no coração do Centro Histórico de Gaia e com os portugueses a servir à mesa, como bons criados.

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此举

中国对葡萄牙共和国大使

我想表达我对你什么与EDP发生的事情担忧
我相信,中国政府将尽一切努力维护尊重葡萄牙人民
最良好的祝愿

EDP

A questão judicial que envolve o presidente da EDP tem dimensão diplomática. O governo da República Popular da China deveria agir em conformidade, de modo a proteger a sua face.

O Convento de Cristo, a Ordem e o Caos

Este era o estado em que se encontrava, até há poucos meses atrás, o túmulo do fundador da Ordem de Cristo, D. Dinis, plantador de naus a haver, o grande Rei Lavrador, Espírito maior da História e do Universalismo de Portugal.

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Vale tudo

Uma reportagem da RTP deu conta de que o Convento de Cristo em Tomar foi parcialmente destruído durante a gravação de um filme. Houve fachadas danificadas, telhas partidas, árvores cortadas no Claustro. Levaram para o interior do monumento dezenas de botijas de gás para fazer uma fogueira com mais de vinte metros de altura.

O Convento de Cristo é património protegido. É uma parte muito importante da História de Portugal e da nossa identidade. Mas também é verdade que hoje se pode perguntar: qual História? Qual identidade? O que é que isso interessa? Vale tudo.

Almaraz

Os que criticam Donald Trump por recusar o Acordo de Paris são os mesmos que aprovam o Armazém Nuclear de Almaraz?