O “Robles” da descentralização

Debate na Antena 1. Imagem. Clique para aumentar.

 

Há algumas semanas, o presidente “socialista” da Câmara de Gaia e do Conselho Metropolitano do Porto – Victor Rodrigues de sua graça – fez um grande alarido a propósito do acordo de descentralização firmado entre a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e o Governo do PS. Além de atacar o governo do seu próprio partido com acusações várias, o autarca de Gaia atacou também, do modo agressivo e insensato que o caracteriza, os seus camaradas socialistas e restantes autarcas que dirigem a ANMP, fazendo-lhes as mais variadas imputações, entre as quais a de que este acordo só descentralizava o “pessoal da limpeza”, era um “presente envenenado” e fazia dos autarcas como ele meros “tarefeiros”.

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A sede da CPLP deveria ser transferida para o Porto

A CPLP, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, é uma organização internacional que congrega países lusófonos que, segundo afirma a própria instituição, são “nações irmanadas por uma herança histórica, pelo idioma comum e por uma visão compartilhada do desenvolvimento e da democracia”.

A CPLP afigura-se, no presente e no futuro, uma estrutura fundamental da política externa portuguesa, não apenas no domínio da língua e da cultura, mas nos domínios cujo desenvolvimento pode por elas ser potenciado, com base num património histórico e identitário comum. 

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A privatização do Infarmed

O “grupo de trabalho” criado para avaliar o impacto da mudança do Infarmed de Lisboa para o Porto produziu um relatório onde afirma, entre outras coisas, que se deve “contemplar em legislação excepcional compensações aos funcionários em deslocação ou alterar a natureza jurídica do Infarmed, de instituto público para entidade reguladora independente”.

Ou seja, se o Infarmed não vai para o Porto a bem, vai a mal:

– Privatiza-se.

Não seria este, afinal, o principal objectivo desta polémica?

A Livraria Moreira da Costa, no Porto

Há quem queira fechar a Livraria Moreira da Costa, no Porto, por ser “inflamável”. Passei lá hoje e confirma-se que a chama permanece acesa. Votos que seja eterna!

Imagem daqui.

Finanças: instrumento ou ditadura?

No mundo global com que, de acordo com recomendações superiores, temos de nos conformar, a Economia deixou de ser uma ciência social ao serviço das pessoas e passou a ver as pessoas como carne para canhão em nome de conceitos económicos ao serviço do capitalismo selvagem representado por multinacionais e grandes banqueiros. Os governos, submetidos a ditames vários, usam os recursos dos respectivos países para ajudar ao sustento dos poderosos, preferindo entregar dinheiro a bancos e diabolizando os mais fracos, encarados sempre como empecilhos. A Economia, portanto, é apenas um instrumento ao serviço das Finanças (ou da Finança).

Não é possível defender a extinção da Economia, porque está no cerne de qualquer sociedade mesmo que primitiva, mas ignorar em absoluto o contributo dos especialistas ou as especificidades de tantas áreas é criminoso.

Na semana passada, houve reuniões entre técnicos do Ministério das Finanças “com presidentes dos conselhos de administração de alguns hospitais do Porto para discutir questões ligadas à oncologia pediátrica naquelas unidades de saúde.” Segundo parece, não esteve presente nenhum representante do Ministério da Saúde, facto que mereceu alguns comentários do bastonário da Ordem dos Médicos. É um mau sinal dos tempos. Mais um. [Read more…]

A força dos óculos ideológicos

“Gasta-se o dinheiro a aumentar os médicos e os enfermeiros e depois não há para o Joãozinho ” – foi assim que um conhecido comentarista da televisão e jornais sintetizou a situação da construção de uma ala pediátrico do Hospital de S. João, no Porto, onde o Joãozinho seria uma hipotética criança com cancro. Ficamos a saber, portanto, que não foram os 17 mil milhões cedidos à banca, mas sim os salários dos trabalhadores, a causa de males nacionais, tais como o desinvestimento na saúde. Há um preconceito ideológico por trás de afirmações como estas, que negam uma realidade de todos conhecida, inclusivamente por João Miguel Tavares, autor da citação, o qual vê moinhos de vento em cada assalariado que tenha recebido um poucochito mais com as reposições de António Costa.

A pasokização do PSD

Aquilo que se passa hoje no PSD é o resultado de mais de quatro anos de governação trágica, ao longo dos quais foi colocada em prática, sob sua liderança, uma política de destruição de Portugal, das suas estruturas económicas, do seu tecido social, da sua cultura, das suas instituições, dos seus órgãos de soberania e, finalmente, da sua força anímica.

Não sendo a memória uma qualidade pela qual os portugueses se distingam nem a conduta política se avalie, uma vez que o populismo, tão facilmente apontado aos outros, se tornou no principal argumento ideológico e no catalisador da amnésia colectiva que domina a democracia portuguesa, não há-de esquecer-se o glorioso desígnio que moveu o PDS nos seus anos de governação e fez Portugal recuar décadas no índice de desenvolvimento humano.

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Barracos de Luxo

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Gentrificação no Porto?
Barracos por 175.000 euros?
Claro que não! Claro que não!

Ser Portista

Sou portista e a favor que os árbitros roubem o Porto e favoreçam o Benfica. Considero que é uma questão de elementar justiça.
A nós, os do Porto, sendo grandes, eternos e profundos, não assiste o direito de exibir a superioridade outorgada por Deus, esmagando os adversários com os quais o mesmo Deus não terá sido justo, fazendo-os cruelmente inferiores, desanimados, incompletos, atentos somente à perfídia da batota e ao desalento da falta de jeito para jogar à bola.
O árbitro, como o Minotauro, nasceu para roubar os que, como os do Porto, não encontraram nos obstáculos naturais da vida a dificuldade necessária à expressão plena da sua vontade, da sua força e do seu talento transmundano, cuja imagem mais fiel é o próprio Céu de Deus, lugar cuja maravilha, contudo, fica aquém do trono verdadeiro do Portista, coluna inamovível, sustentáculo do Universo e do que além dele se desconhece.

In FAR med

Vamos lá ver se percebi bem. A maioria das farmacêuticas está em Lisboa. Há algumas no distrito de Coimbra. E a escolha da candidatura para a futura localização da Agência Europeia do Medicamento foi o Porto. Falhada a candidatura, Costa arranjou um rebuçado e quer mudar o Infarmed para o Porto. É isto, não é?

Embora rejeitando que a medida se trate de uma compensação pela perda da EMA, o ministro Adalberto Campos Fernandes acabou por admitir que se tratava do “reconhecimento pelo enorme trabalho feito pela região norte”. Esta ideia é, aliás, partilhada pelo coordenador de área da Saúde do grupo parlamentar socialista, António Sales: “É óbvio que não se pode ignorar que com a candidatura à EMA, foram criados projectos e expectativas. É uma questão de agora ser optimizado todo o investimento que se fez neste outro projecto com dimensão e escala”, sublinhou. [DN]

Portanto, vamos satisfazer “expectativas”. Era simpático atender a razões que não fossem do jogo político e outras que poderemos desconhecer. Vamos esperar por esses projectos para melhor se perceberem as motivações.

Por fim, no CDS apoia-se a medida, “é claro” e o PSD “saúda” a decisão. Grandes cínicos, que andaram a vender a ideia de menos Estado, para agora se colocarem do lado do Estado que resolveu actuar em toda a sua prepotência, sem sequer primeiro falar com os diversos protagonistas.

Bairrismos

A propósito de uns tweets de uma colunista do Observador que não vou “linkar” para lhe não dar mais audiência (e este mundo está fartinho de indivíduos com público a mais para o talento que possuem, a começar por “euzinho” apesar do portentoso Aventar não ser, propriamente, “The Huffington Post”) sobre um alegado machismo e racismo exacerbados das gentes do Porto, parece-me justo tentar explicar a perspectiva de um “gajo” do Porto (que pode ou não ser a predominante por aqui).

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Os milhões das autárquicas

Dizem as notícias que as campanhas autárquicas onde o PS irá gastar mais dinheiro decorrerão nas margens do Douro: Porto e Gaia.
Ambas estão ganhas para o Partido Socialista.
No caso do Porto, teremos a vitória do Dr. Manuel Pizarro, que será facilmente eleito Vereador, assegurando a continuidade do convívio fraterno entre os Fenianos e o Ateneu.
Em Gaia, será reeleito o “chega-me isso” do Dr. Marco António Costa, um manga de alpaca que assegurará a paz do trânsito e a rega dos jardins.
Corações ao alto e mão na carteira.

Anthony Bourdain Parts Unknown: Porto

Em defesa do São João do Porto

Milhares de pessoas encurraladas à espera de passagem para o Porto pelo tabuleiro superior da Ponte Luís I. Gaia, cerca das 1h30 da madrugada.

Aquilo que se passou ontem na cidade do Porto, na mais importante noite do ano, a noite de São João, ficará certamente a marcar a história recente da cidade e da sua relação com o Poder.

O espectáculo de variedades transmitido pela RTP a partir da cidade de Gaia, que durou até depois da meia-noite sem transmitir uma única imagem do São João nas ruas do Porto, foi uma instrumentalização política da festa popular e uma tentativa de apoucar a cidade, as suas gentes e os seus símbolos.

A RTP procurou, ao longo de várias horas de emissão a partir da Serra do Pilar, em Gaia,  com directos de uma inenarrável “marcha sanjoanina” a partir dos Açores, reescrever a história da festa que faz parte da alma da cidade Invicta, colocando-se ao serviço de interesses políticos pouco claros, numa obscura e caríssima acção de propaganda contra o Porto e a sua festa maior.

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Lido por aí: dicas para organizar o mail

O SLB está à organizar os seus e-mails e os mais fáceis de ordenar são os que recebeu do FCP e do SCP porque foram enviados sem títulos!

O que têm em comum Eduardo Vítor Rodrigues e Lucínio Gonçalves Presa?

 

 

 

 

 

 

 

O malfadado e mal-afamado Lucínio Gonçalves Presa, cuja memória deve ser convictamente enxovalhada, foi o Presidente da Câmara Municipal do Porto que destruiu o Palácio de Cristal para em seu lugar construir um pavilhão de Hóquei em Patins.
Eduardo Vítor Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, vai destruir os armazéns de Vinho do Porto para construir um mamarracho destinado aos turistas. Os vindouros olharão para ele como nós hoje olhamos para Lucínio Gonçalves Presa.

Noite escaldante no Porto

Entendeu a Liga Portuguesa de Futebol não realizar os jogos da última jornada do Porto e do Benfica no mesmo dia e à mesma hora, talvez porque a vitória no campeonato esteja decidida, permitindo assim um maior encaixe financeiro com a transmissão directa dos 2 jogos.
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Acontece que, nestas coisas da bola, há cada vez menos bola, em detrimento de mais programas de fanáticos do seu clube, mais gente que não quer saber de bola sequer e, no caso, uma claque de doidos, como todas as outras, que, em vez de estar num estádio a ver o jogo do seu clube, poderá estar à solta noutro local da cidade do seu clube, quiçá ali mais para as bandas do Estádio do Bessa, à hora do Boavista vs. Benfica!
Está o “balh’ armado”, pelos vistos, com incúria e sem precaução nenhuma.

Crónicas do Rochedo XVI – O algodão não engana…

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Ontem escrevi um post sobre o facto de Rui Moreira se ter divorciado do PS. Um dos comentários com que fui brindado no facebook foi:

O problema do teu post, Fernando, é que partes dos princípio que o Rui Moreira funciona segundo os cânones da política partidária. Rui Moreira sempre deixou claro que contava com Pizarro por uma questão de lealdade política, por ter sido um bom parceiro durante o mandato, e que aceitava o apoio do PS nesse pressuposto. Traçou linhas vermelhas na sua relação com os partidos, aceitando o apoio de quem subcrevesse as regras. Violadas as regras, de forma reiterada, assumiu as consequências. Não há nem manha nem calculismo” – Rodrigo Adão da Fonseca.

Ora então, passadas 24 horas, o que temos?

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Vídeo-árbitro

Sobre a utilização do vídeo-árbitro para os jogos da I Liga a partir da próxima época.
Aqueles que controlam o sistema do futebol português – neste momento é o Benfica, como antes foi o Porto, como antes ainda foi o Benfica – arranjam sempre forma de dar a volta.
Nesse sentido, a partir do video-árbitro, a prioridade será a intervenção nas situações de jogo em que o vídeo-árbitro é ineficaz.
Os fora-de-jogo, por exemplo. Se o árbitro cortar uma jogada de golo iminente, marcando fora de jogo, está resolvido. Mesmo que a decisão esteja errada, não há nada a fazer. O video-arbitro não vai mandar fazer a reconstituição da jogada. Eis como uma equipa não marca golo se o árbitro não quiser.
A partir daqui, os fiscais de linha vão ser muito apetecíveis.
E claro, há sempre a hipótese de controlar o próprio video-arbitro. Há jogadas cuja decisão é muito subjectiva. Terá uma certa piada quando o vídeo-árbitro der uma indicação errada ao árbitro.
Vídeo-árbitro? Pode ajudar, mas não é por aí…

Ana Catarina Mendes e a falta de vergonha do PS

Ana Catarina Mendes, cujos feitos políticos são para mim totalmente desconhecidos, veio reivindicar à priori a vitória de Rui Moreira nas próximas eleições autárquicas para a Câmara do Porto. Assim mesmo: «A vitória de Rui Moreira no Porto será uma vitória do PS».
Como se impunha, Rui Moreira tomou a única decisão possível – afastar-se do PS e ir a eleições sozinho (na medida em que ir com o CDS ou sozinho é a mesma coisa).
E eu que tenho criticado muito Rui Moreira, cuja prática política em nada difere da prática de um eleito por Partidos – só posso elogiá-lo por bater a porta ao PS. Apesar de já ser tarde, mais vale tarde do que nunca.

Crónicas do Rochedo XV – De uma decisão há muito tomada…

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Rui Moreira não precisou do PS para ganhar as eleições autárquicas no Porto em 2013. Só precisou no dia seguinte. Para ter uma maioria estável e governar na paz do Senhor durante os quatro anos do seu mandato. Será que precisa para ganhar as eleições deste ano?

Obviamente que não. Nem do PS nem do PSD e muito menos do Bloco ou da CDU. Para ganhar não precisa. Mesmo para governar tenho dúvidas pois estou convencido que, sozinho, consegue os 44% mínimos para ter maioria absoluta. Mas já estive mais convencido disso há uns meses do que hoje por um motivo muito simples: a abstenção fruto do “já ganhou”.

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A Geringuejola PS/CDS-PP

Estava eu a tomar café e a ler a posta do Carlos, que sendo um indivíduo da Invicta conhecerá os meandros da sua autarquia melhor que eu, e dou por mim confrontado com algo que já tinha lido por aí. Que o presidente Rui Moreira é na verdade um boneco articulado do PS Porto e do senhor Pizarro. Será mesmo?

Parece-me bizarro que um indivíduo como o senhor Pizarro tenha tamanho ascendente sobre Rui Moreira, o super-“independente” que limpou a câmara do Porto ao PSD, apoiado por uma Geringuejola PS/CDS-PP. Mais bizarro ainda me parece que o CDS-PP, tão anti-esquerda e actualmente a roçar a extrema-direita, aceite continuar a apoiar um candidato alegadamente manietado pelos perigosos socialistas. Aceite? Esperem, não fiz jus à coisa. O que realmente aconteceu foi uma decisão unânime da concelhia centrista do Porto, que fez uma “análise globalmente positiva” do trabalho do autarca. Do autarca ou do PS? [Read more…]

A Ponte é uma miragem

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Quem tenha estado atento à evolução da cidade do Porto nos últimos anos, não pode ter deixado de reparar numa transformação, em alguns caso radical, do ambiente da cidade. Para o bem e para o mal, o Porto é hoje um lugar muito diferente daquele que conhecíamos há poucos anos. Visitado diariamente por milhares de turistas, modificou a sua paisagem e a sua energia, interveio profundamente no património edificado e as suas ruas, cafés, livrarias e monumentos estão hoje cheias de pessoas oriundas dos mais variados países do mundo e das mais diferentes culturas. Mesmo os seus lugares históricos, e os mais pitorescos, sofreram um processo profundo de adaptação, a maioria das vezes no sentido de melhor responderem às exigências da nova indústria rainha da cidade, o Turismo.

Vila Nova de Gaia é a cidade que fica do outro lado do rio. Do ponto de vista turístico, a sua principal ligação à cidade do Porto é pela Ponte Luís I, uma das mais belas obras de engenharia legadas pelo século do ferro, que constitui um ex libris das duas cidades da foz do Douro e faz parte de uma das mais belas paisagens urbanas do mundo.

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Desporto como ferramenta de inclusão social

2016-12-18-infantis-adc-santa-isabel-4-7-ascencao-fc-53Todos os fins-de-semana há milhares de tugas que metem pés ao caminho e fazem mexer uma parte fundamental da estruturação da nossa sociedade. São aos milhares, os pais e mães, atletas e treinadores, dirigentes e árbitros que viajam pelas nossas estradas e vias rápidas e, pelos becos e caminhos de Portugal. Meninas e meninos, entre os 8 e os 18, dos escalões de formação das mais diversas modalidades, de equipa como o futsal ou o andebol, ou no atletismo e na natação quando se tratam de competições individuais.

Muitos quilómetros, muita despesa, mas acima de tudo muito amor ao desporto e a práticas de vida saudável. Para além dos valores normalmente associados ao Desporto, a sociedade sedentária e hiper-escolarizada ganha uma nova importância. Os treinos e os jogos são o único momento em que os nossos jovens deixam as máquinas e os jogos digitais.

Se a futebolização do nosso país nos impede ter um olhar sobre outras modalidades, então os olhos de todos estão completamente fechados para o desporto jovem e para o esforço que tantas e tantas pessoas fazem para que ele se mantenha.

É, também por isso, maior a responsabilidade das estruturas federativas na gestão de alguns episódios, cada vez mais frequentes nas competições distritais, neste caso, do Porto. [Read more…]

O patrão e o operário

Aguilhadas : Publicação mensal de critica á arte, á politica e aos costumes, n.º 2, Julho 1903

Aguilhadas : Publicação mensal de critica á arte, á politica e aos costumes, n.º 2, Julho 1903


A propósito das greves operárias no Porto em Julho de 1903.

Turismo, novamente o Porto

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Hoje, na Visão, Ana Matos Fernandes (Rapper Capicua) escreveu um artigo sobre o Turismo e a cidade do Porto. Para a autora, a recente vitória da cidade do Porto (European Best Destination 2017) não a faz celebrar. E logo a ela, como refere na sua crónica, que: “sempre apregoei o Porto como a cidade mais linda”. Qual é então o medo de Capicua?

Segundo a própria, o medo que o turismo seja mais importante que a cidade. Que a Ribeira fique sem roupa a secar à janela ou o Bolhão sem tripeiras e que fachadas impecáveis de azulejo mas com uma cidade inteira que teve de ir morar para outro lado. E não celebra devido ao medo de perder o Porto para sempre, citando: “à medida que o Porto vai perdendo a sua gente e, com ela, a sua graça”.

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Turismo de Portugal?????

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Estou admirado? Não. Espantado? Não. Surpreendido? Também não. Mas, pelos vistos, muitos estão. O que me espanta é ver alguns admirados.

Ora vamos lá contar uma história. Aliás, os blogues também servem para contar histórias. Era uma vez um país chamado Portugal. Os seus governantes decidiram criar uma coisa chamada “Turismo de Portugal” para fazer aquilo que competia a uma Secretaria de Estado do Turismo. Os governantes desse mesmo país, não satisfeitos, decidiram criar uma espécie de “delegações” desse tal de Turismo de Portugal (TP): o Turismo do Porto e Norte de Portugal, o Turismo do Centro, o Turismo de Lisboa e Vale do Tejo (este não se entende muito bem pois já tinha o Turismo de Portugal por sua conta), o Turismo do Alentejo e o Turismo do Algarve. Sem esquecer o da Madeira e o dos Açores tutelados pelos respectivos governos regionais. Só não criaram o Turismo das Selvagens (olha o Aventar a dar ideias).

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Crónicas do Rochedo XIII – Sim, o Porto

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O Porto voltou a ser “Europe’s Best Destinations 2017“. Tive o cuidado de escrever “o Porto” e não “a cidade do Porto” porque no Porto e neste prémio entra Gaia (pelas Caves, pela Serra do Pilar, pelas vistas fabulosas para a Ribeira do Porto e pela Afurada), Matosinhos (por Matosinhos Sul, pelos seus restaurantes onde se come o melhor peixe e marisco), por Braga e Guimarães sem esquecer o Douro Vinhateiro para onde se deslocam muitos dos turistas que visitam a cidade do Porto aproveitando para conhecer um pouco mais o Norte de Portugal.

Seria o mesmo que ganhar Palma de Maiorca, a que carinhosamente chamo de “Rochedo” e não sublinhar que seria pela cidade mas também pela Tramuntana, pelas praias de Cala D’Or, pelo Parque Natural de Mondragó, por Artá ou Es Trenc. O Porto é mais do que as fronteiras administrativas da cidade. Assim como Palma.

A pergunta que alguns fazem é “Mas porquê o Porto?”. Não é a cidade portuguesa mais visitada, essa é Lisboa. Nem é um destino de sol e praia como o Algarve. Pois não. Porém, é (era) um dos segredos mais bem guardados da Europa. E quanto mais conheço a Europa, mesmo sendo ainda pouco, muito pouco, menos me espanta que o Porto seja eleito por internautas de mais de 170 países – mesmo sabendo, tenhamos todos noção, que as campanhas internas de apelo ao voto certamente ajudaram muito a este resultado, sobretudo desta vez. E já agora, se me permitem um pequeno desvio, os parabéns a quem desenvolveu a referida campanha pois estava muito bem feita.

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Está assim o Porto. Vivo.

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(Santa Catarina, Porto, hoje de tarde)

Já não me lembrava de ver o Porto assim. Tanta e tanta gente que nem se consegue estacionar o carro para passear pelo centro da cidade. Foi assim desde que regressei no início de dezembro e acreditei que depois do Natal já seria possível passear com mais calma. Não se consegue. É um incómodo? É. Antes assim. Prefiro o “meu” Porto vivo que aquele outro, do passado recente, moribundo, vazio, degradado e sem pessoas.

Que bom que é ver este Porto ainda mais pujante que aquele dos anos oitenta, antes dos grandes centros comerciais e dos “Continente”. Esse Porto que conheci com o meu pai e a minha mãe, ele com as suas constantes idas ao alfaiate na 31 de Janeiro ou comprar o “seu” Le Figaro na Bertrand. Ela naquele “seu” Porto das bolas de Berlim e das amêndoas de chocolate na Páscoa na Confeitaria Cunha, da estafa de deixar o carro estacionado no Silo-Auto e fazer todo o centro, toda a baixa a pé. Sem esquecer a fruta na “Bananeira”, o queijo da Serra na loja do senhor do gato à Trindade (e cujo nome não me recordo). Ou do terror de ter a minha mãe a entrar no Silo-Auto no seu peugeot 205 pela saída. Era um Porto vivo, com pessoas e poucos turistas. Hoje é mais que vivo, é pujante e a nós juntaram-se os turistas e a todos une um enorme encanto por esta cidade renascida.

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Não esquecer…

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Porto, 2016, © jmc

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