Assim se apanha um liberal na curva 

João Miguel Tavares derrapou há dias numa crónica que escreveu no Público. 

O cronista tem-se definido como um  liberal, paladino do conceito de ficarmos todos melhor se tivermos menos Estado. Associadas a esta ideia costumam andar outras, como o privado é mais eficiente do que o público, ou a escolha individual não deve ser condicionada pelo interesse colectivo, ou, ainda, o melhor governo é aquele que não governa, já que o Estado deve ser mínimo mínimo e, portanto, poucas incumbências terá. 

Acontece que na frase que se destaca no seu artigo, Tavares escolheu rebaixar a “geringonça” usando como pretexto que esta nunca poderá governar o país devido a qualquer coisa que lhe passou pela cabeça. Governar o país! Que coisa tão pouco liberal. Então, não é a mão invisível que deverá conduzir a economia? Não são os cidadãos que devem ser livres de fazer as suas suas escolhas? Não deverá ser o governo um simples gabinete que faz sabe-se lá o quê, mas que deverá ser pouco? 

Pode acontecer a qualquer um. Mesmo àqueles, como João Miguel Tavares, que defendem para este governo o que o anterior não lhes deu, ao mesmo tempo que ignoram o que este  conseguiu no campo onde o outro falhou. 

Ao que isto chegou. Uma pessoa tem que passar por defensor deste governo para rejeitar a anterior abantesma.