O impensável crash

Depois daquela manhã tão estranha em que nos foi dado ver, em directo, dois aviões embaterem contra as Torres Gémeas de Nova Iorque, daquele 11 de Setembro que enterrou quase quatro mil pessoas, depois disso viajar de avião tornou-se uma grande maçada. O medo, claro, vestiu a roupa da resistência militante a cada um de nós – sabemos do risco dos jihadistas, mas entendemos que devemos enfrentá-lo porque a vida continua e não a queremos adiada. A maçada são os controlos de aeroporto, as horas de espera, uma seca. Tão grande é a seca que são hoje bastantes os empresários e profissionais de Toronto que, tendo de deslocar-se semanalmente a algumas cidades dos Estados Unidos, o fazem de comboio. Mesmo que a viagem seja de cinco horas, vale a pena porque é mais ou menos o que gastariam em aeroportos e no comboio, de perna estendidas, bem servidos, a poderem ir até ao bar, a baterem uma sestazinha, a irem adiantando o seu trabalho no computador, deitando um olhar preguiçoso e regalado à paisagem. Chegam ao destino repousados e calmos. É a humanização do trabalho. [Read more…]