O presidente da APB e a falta de liquidez da Banca

António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) adverte que a banca nacional vive momentos de fragilidade, correndo o risco de reduzir a concessão de crédito. Em entrevista à Antena 1, afirmou:

A situação dos bancos é complicada, como nunca o foi anteriormente, nem mesmo no pico da crise.

A situação, argumenta, é causada pelo aumento de juros da dívida pública. A justificação é aceitável, dada a repercussão da dívida do Estado (dívida soberana) nos mercados e investidores internacionais.

Considero, porém, não se tratar de razão única. Atente-se que a dívida externa privada é igualmente elevada. Sobretudo, nasceu e expandiu-se através dos incentivos ao consumismo desenfreado, sob financiamento promovido intensamente pelos bancos portugueses – quem não se recorda dos insistentes ‘spots’ publicitários do BES, do Santander-Totta e de outras sociedades do sector financeiro, como, por exemplo, a Cofidis? Resultado: por escassez de fundos nacionais, as instituições de crédito tiveram de recorrer ao financiamento externo. Como, de resto, o fizeram para financiar avultados investimentos públicos, através da integração da banca em grandes consórcios, como, no caso do BES, denunciado pela escritora Rita Ferro – o texto foi publicado em edição do ‘Expresso’ de Junho passado.

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