A culpa é deles

Malgastam o dinheiro do pequeno-almoço dos filhos pelos cafés, endividam-se com plasmas e férias em Benidorm, preferem comprar maços de cigarros ao livro de português do miúdo, entregam-se, irresponsavelmente, à farra das greves, provocam as forças da ordem quando insistem em sair às ruas e gritar. A cada dia, aumenta o seu rol de pecados: hoje, é o do desperdício alimentar. Compram comida a mais e deixam-na estragar-se no frigorífico, perdulários como são, com mais olhos que barriga.

Curiosamente, não se ouviram referências às campanhas publicitárias das grandes superfícies, que ainda na semana passada facturaram em grande com a recolha de alimentos para o Banco Alimentar. Muito menos se recordam os super-descontos em dia de greve, que levaram os tais perdulários a comprar mais do que precisariam.

Há consciências que precisam desse embalo, do sossego que advém do convencimento de que só é pobre quem quer. E a esses, aos pobres por opção, bem se pode tentar ensinar, com caridosa paciência ou ríspido autoritarismo, mas é difícil que aprendam.