O Diário do Professor Arnaldo (7 de Outubro)

Esta semana tem sido muito desgastante. Feriado municipal cá da terra na segunda-feira, feriado nacional na terça-feira, consulta médica com o meu pai na quarta-feira. O raio do velho está agora com as almorródias, como ele lhe chama, e ainda por cima só confia no médico de família. Que não percebe, claro, nada do assunto.
Para compensar, a semana acaba mal. Hoje senti-me verdadeiramente humilhado por causa das aulas de substituição. É que muitos professores, no momento em que eram chamados, nunca estavam. Ou tinham ido à casa de banho, ou estavam «convenientemente» noutra sala que não a dos Professores, ou diziam que estavam em serviço. Cheguei a ver um – que por acaso é um dos muitos padres que dão aulas nesta escola – escondido atrás de um daqueles placards com informação sindical. Ninguém o viu, a não ser eu, que já estava de olho, mas pôde dizer que estava na Sala de Professores. No ensino, a padralhada é do pior que existe.
Daí a fazerem o que nos fizeram é uma humilhação. A partir de hoje, logo que toca todos os professores em horário de substituição devem dirigir-se a uma sala própria em pleno pavilhão das aulas, ficando sentados num banquinho que aí puseram para esse efeito. Se forem necessários, dirigem-se à sala respectiva por ordem da funcionária – desculpem, assistente operacional. Se não forem, ficam ali sentados durante 45 minutos. De castigo, parece! A justificação é a de que um aluno pode ir para a rua com falta disciplinar e é preciso que o professor em substituição o acompanhe.
Vi hoje uma grande revolta de colegas que habitualmente são muito calmos. Sentados num banco, durante 45 minutos, num sítio onde todos os alunos nos podem ver? Não se faz, isto não se faz.