“Juntam-se duas coisas que nunca se tinham juntado antes”

A “Lagoa dos Peixes” passa boa parte do ano congelada. Saber isto provoca algum desconforto, porque é inevitável pensar nos peixes, os tais que dão o nome à lagoa, e que passam nove meses aprisionados num cubo de gelo. Talvez houvesse peixes muito lá no fundo, sob a capa glaciar que reveste a lagoa. Talvez seja esta, afinal, a época mais tranquila das suas vidas, quando são poucos os seres humanos que se aproximam da lagoa e nenhum ousa perturbar a sua superfície gelada.

A estrada sinuosa que conduz ao lugar estava desimpedida, apesar do muito gelo que ainda havia no topo da montanha. E foi na beira dessa estrada que encontrei María de los Milagros, uma velhinha de cara enxuta e mãos fortes que me agarraram com força para a fotografia. Estava sentada a tomar o precioso sol de Inverno serrão, ela e um grupo de gente da sua idade, homens e mulheres, imóveis como pedras, mas com o olhar perspicaz para avistar forasteiros e rir, sem mover um músculo, dos seus arrebatamentos paisagísticos. [Read more…]