É inacreditável que Cavaco tenha publicado memórias sobre o seu último mandato, estando em funções que são a continuidade desse mandato, mais uma vez se comprovando que é a sua agenda pessoal que o move. Vejo este livro como uma forma deste político “não profissional”, como ele próprio se definiu ao definir os outros de “profissionais da política”, como uma reacção ao recente comentário desbocado sobre os seus vencimentos, numa tentativa de se elevar rebaixando o morto. Agenda pessoal, portanto. Naturalmente que quem anda à chuva, molha-se, especialmente devido à opção pela intriga palaciana em vez de comentar o que se fez à economia.
O segundo aspecto óbvio desde o primeiro momento, salvo para aqueles que preferiram engolir a propaganda socrática, é que Sócrates quis fugir dos seus seis anos de governação, que não resolveram os problemas do país e que ainda os agravaram. Recorde-se, por exemplo, a injecção de dinheiro em algumas empresas no período pré-eleitoral (Parque Escolar, só para citar uma), deixando-nos ainda mais fragilizados perante os detentores de dívida pública (os famosos mercados). E lembremos-nos da nacionalização do BPN (que transformou um problema privado num problema de todos) e do caso BPP. Se os anteriores governos abriram a cova, os de Sócrates mataram o moribundo e o actual governo está a fazer o enterro.
Cavaco volta a sair mal na foto e ainda tem quatro anos de mandato pela frente. Aguentar-se-á? Claro que sim. O Presidente da República não pode ser demitido e este não tem estaleca para se demitir.






Recent Comments