Obrigado, Cavaco!

Na capa do DN desta semana, o homem que foi financiado várias vezes pelos Espírito Santo, e que, talvez por isso, nos assegurava, a poucos dias do início da derrocada, que o BES estava sólido, posa em frente ao seu elefante branco, que derrapou qualquer coisa como 500%, não se aproximando, ainda assim, do assalto que alguns criminosos seus amigos protagonizaram via BPN, com o qual Cavaco fez bom dinheiro através da compra e venda de acções. Se Portugal é lanterna vermelha do Euro, não podemos deixar de lhe agradecer o inestimável contributo.

Durão Barroso, vacinas e marxismo cultural

É o exemplo acabado de um político de carreira. Quando batia, na década de 70, doutrinou-se em marxismo cultural e foi dirigente do MRPP, extrema-esquerda a sério, maoista. Na década de 80, tornou-se social-democrata, no sentido PPE da coisa, e rapidamente chegou ao governo de Cavaco Silva. No início dos 90 já era ministro dos Negócios Estrangeiros, o ministério perfeito para fazer amigos e entregar currículos, e por ali ficou, sereno, até ao final do cavaquismo.

Uns anos de oposição depois, chegou a primeiro-ministro, mas por curto período de tempo. A sua guerra era outra, e foi como mordomo da fabricação de uma que se lançou numa imparável carreira internacional. Começou na Comissão Europeia, de fraca memória, que liderou durante o desastre que foi a resposta da União à crise das dívidas soberanas, essa que se revelou um enorme sucesso de vendas para a entidade empregadora que se seguiu na vida de Durão Barroso: o Goldman Sachs. [Read more…]

Cavaco Silva deve uma explicação ao país. Sem bolo-rei na boca

CSRS

Já era conhecido o papel determinante de Ricardo Salgado e de outros aristocratas da família, nas duas eleições ganhas por Cavaco Silva para a presidência da República, na qualidade de principais patrocinadores das campanhas eleitorais do político mais político da história da política portuguesa. Já é longa, a relação que une Cavaco e Salgado.

Hoje ficamos a saber que esse financiamento, pelo menos no que à eleição de 2011 diz respeito, terá sido canalizado através da ES Enterprises, também conhecido como saco azul do GES, sediado nas paradisíacas e fiscalmente evasivas Ilhas Virgens Britânicas. Compreendem-se agora um pouco melhor as declarações de Cavaco, na antecâmara da queda do império Espírito Santo, quando assegurava que os portugueses podiam confiar no BES. Cavaco não tinha razão de queixa. [Read more…]

O TINA de Rui Rio

JS

Chama-se Joaquim Sarmento, mais conhecido como Centeno B de Rui Rio, tem um poster de Cavaco a comer bolo-rei na porta do quarto e a parte séria desta história está no Ladrões de Bicicletas. Spoiler alert: there is no alternative.

Cavaco Silva esqueceu-se do Acordo Ortográfico de 1990

NAGG
I hope the day will come when you’ll really need to have me listen to you, and need to hear my voice, any voice.
Samuel Beckett, “Endgame

… the opportunity to use our voice for the voiceless.
Joaquin Phoenix

Todos os meus discursos saem com o acordo ortográfico mas eu, quando estou a escrever em casa, tenho alguma dificuldade e mantenho aquilo que aprendi na escola.
Cavaco Silva

***

Esta notícia chegou-me no preciso momento em que ouvia, vinda de algures, a voz do Anthony Blanche a declamar à varanda do Sebastian Flyte o The Waste Land do T. S. Eliot (“His vanity requires no response,/And makes a welcome of indifference”). Momentos antes, pensara na razão pela qual Charles Ryder/Jeremy Irons diz “we were eating the lobster Thermidor when the last guest arrived”, quando no livro temos Ryder a indicar que “when the eggs were gone and we were eating the lobster Newburg, the last guest arrived”. Aliás, antes de passarmos ao assunto do costume, ficai a saber que, embora haja (Scottish) lobster Thermidor no Simpson’s in the Strand, no filme a sugestão é “roast beef and Yorkshire pudding”, mas no livro recomenda-se “saddle of mutton”. Quer num, quer noutro, para que não haja dúvidas, “cider to drink”.

Adiante.

Efectivamente, é essencial acabar com a pobreza. É importante desenvolver a rede de cuidados paliativos. A corrupção deve ser combatida. Portugal não pode estar na cauda da União Europeia nem em matéria de desenvolvimento, nem em qualquer outra matéria. Tudo isto é importante, fácil de dizer, mas difícil de fazer. Todavia, acabar com o AO90, além de essencial, é fácil. Muito fácil. Extremamente fácil. Acabemos com isto, sff:

Obrigado.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Eutanásia: Mataram, mas não querem deixar morrer

 

Mataram milhares de portugueses fruto das suas políticas governativas. Porque não era possível salvar vidas a qualquer preço. Longe vão os tempos em que só restava esperar que os portugueses morressem.
No entanto, agora querem impedir que um adulto, consciente e de livre vontade, decida abreviar o seu sofrimento extremo.
Querem impedi-lo a qualquer preço. Que o povo deve ser ouvido, dizem. Como se algum dia tivessem tido algum interesse no que pensa ou no que diz o povo.

Até os mortos aparecem para falar sobre a eutanásia


Fala-se de despenalização da morte medicamente assistida e eis que, de repente, o reino dos mortos dá sinais de vida.
Os próximos tempos prometem.

Pelos animais, ração!

(houve até quem falasse de foguetes, deus nos livre)
Carla Romualdo

Who do you think it’s for? For the animals.
William Henry Duffy & Ian Robert Astbury

LE PROFESSEUR. Vous devenez un véritable animal, Marina.
MARINA. Non : je suis un animal.
— Amélie Nothomb, “Les Combustibles

***

Fonte: http://bit.ly/333I4tm, foto de 6/4/2019 (graças à EPHEMERA: http://bit.ly/2oSqVUq)

Efectivamente, o esquecimento do <r> inicial de ‘ração’ é uma das hipóteses mais plausíveis para aquele cartaz. Sim, aquele da direita. Convém recordar o que foi recentemente dito pelo porta-voz do PAN sobre a revisão do Acordo Ortográfico de 1990:

Faz sentido, a ortografia não deve ser legislada por decreto.

Isto é, em última análise e vendo bem as coisas, aquele cartaz não faz sentido.

Por outro lado e por incrível que possa parecer, não se trata apenas nem da tristeza sentida por Cavaco Silva, perante a prestação de anteontem do PSD, nem do impacto dos recentes resultados internacionais do Glorioso no ânimo do presidente do Benfica. A crónica ausência do cê medial, naquelas palavras encontradas no sítio do costume, deixa-me profundamente triste e deverá deixar os respectivos responsáveis tristes e envergonhados.

Continuação de uma óptima semana.

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Cavaco Silva, o (alegado?) financiamento ilegal do saco azul do GES e as questões que se impõem

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Era uma vez um saco azul chamado ES Enterprises. Um saco azul que serviu, segundo a investigação da Operação Marquês e do caso EDP, para financiar ilustres figuras da nossa praça, como Zeinal Bava, Manuel Pinho ou o incontornável José Sócrates, e um conjunto de jornalistas, por ele avençados, caso que foi revelado pelo escândalo Panama Papers e que o Expresso anunciou com toda a pompa, apesar de, até à data nada mais ter dito a esse respeito. Seria aquele animado grupo que foi esquiar a convite do BES? Não sabemos. Ou será que sabemos? [Read more…]

Financiamento do Cavaco

Ministério Público investiga alegado esquema do BES para financiar reeleição de Cavaco em 2011. Não esquecer, em 2006 foi o mesmo.

Público, um jornal socialista, ou comunista, ou lá o que é

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A imprensa portuguesa, é sabido, é toda de esquerda. Tirando o Diabo, o Observador e o Angelus TV, é tudo esquerdalho. O Público, diz a narrativa dominante, é dos mais esquerdalhos. Ouvi até dizer que é socialista, ou comunista, que, sendo duas palavras diferentes, têm hoje o mesmo significado. Porque sim.

Duarte Lima foi dirigente, deputado e líder da bancada parlamentar do PSD durante o cavaquismo, ao qual está intimamente ligado. Desempenhou um papel de relevo na fraude do século, o BPN, protagonizada por um conjunto de cavaquistas que, contas redondas, lesaram o país em vários milhares de milhões de euros, parte dos quais garante hoje a quase todos os envolvidos uma reforma dourada, a par com uma ou outra subvenção vitalícia, igualmente dourada. [Read more…]

A direita incapaz de se livrar do diabo

Agora foi Cavaco Silva que surgiu a auspiciar algo de grave lá para 2050, mas o que constato é que, infelizmente, de há uns largos anos a esta parte, a direita não oferece nenhuma ideia positiva de governação, remetendo-se ao papel de lançar medos de um futuro que nos esmagará! Não há uma luz futura, um caminho que não seja de trevas e que não nos conduza a um abismo de labaredas infernais!

Gus Fink – Clown Apocalipse

Isto não é oposição, é um portefólio de profecias de demoníacos apocalipses!

Cavaco Silva, um moralista com pés de barro

CS

Imagem via Expresso

Sempre moralista, sempre igual a si próprio, Cavaco Silva tentou cavalgar a onda de indignação que vem incendiando o país, à medida que as revelações sobre a monarquia governamental socialista se foram avolumando. [Read more…]

«Temos que nos livrar do acordo ortográfico»

Will you bite the hand that feeds?
— Trent Reznor (cf. “Will you chew until it bleeds?“)

Adulteri, nescitis quia amicitia huius mundi inimica est Dei?Quicumque ergo voluerit amicus esse saeculi huius, inimicus Dei constituitur.Iac 4,4

Nós resolvemos reunir um grupo bem pequeno.
— Lígia Prado Fragonard

***

Foto: Francisco Miguel Valada (Bruxelas, 4/4/2019)

Ao ler as seguintes palavras de Filipe G. Martins, assessor especial de Jair Bolsonaro (via João Roque Dias, no Acordo Ortogrãfico Não!, e via Tradutores Contra o Acordo Ortográfico) (negritos meus):

Depois de nos livrarmos do horário de verão, temos que nos livrar da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas inauditávris [‘sic’, i.e., ‘inauditáveis’] e do acordo ortográfico,

lembrei-me imediatamente das palavras de Pedro Santana Lopes, secretário de Estado da Cultura no XI Governo Constitucional de Portugal, no famoso artigo do “agora facto é igual a fato (de roupa)“, em que é dada muita importância aos 21 anos e pouca às 21 bases :

Para os que não sabem, quando há 21 anos, no início de Janeiro de 1990, Cavaco Silva me convidou para secretário de Estado da Cultura, foram essas, precisamente, as duas principais tarefas de que me encarregou: assegurar que o CCB [Centro Cultural de Belém] estivesse pronto a tempo de receber a 1.ª presidência portuguesa das Comunidades Europeias, a 1 de Janeiro de 1992, e negociar e assinar o Acordo Ortográfico.

Há uns meses, em entrevista ao Portal Luso, tive a oportunidade de dizer que

não me interessa por aí além aquilo que outros [“a maioria dos países da CPLP”] fazem em termos de adopção do AO90. Aquilo que me preocupa é Portugal querer à força toda adoptar o AO90, independentemente da realidade. Preocupar-me-ia imenso que Portugal deixasse de adoptar o AO90 porque outros não adoptam, em vez de deixar de adoptar o AO90 pelo motivo mais natural de todos: porque é inadequado para a norma portuguesa europeia. Preocupar-me-ia, repito. Todavia, considerando um certo historial, não me admiraria nada que fosse esse o caminho.

A seguir cenas dos próximos capítulos (e não “a seguir, cenas dos próximos capítulos”).

***

Endogamia social-democrata

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Se julgava que o FamilyGate socialista era uma novidade no panorama político português, caro leitor, lamento informá-lo que estava enganado. A prática parece remontar (pelo menos) aos anos do cavaquismo, durante os quais inúmeros ministros e secretários de estado, como o spin master Marques Mendes ou o incorruptível Dias Loureiro, nomeavam entre si as suas esposas, para cargos nos gabinetes dos seus companheiros de partido. Exactamente o que está a acontecer agora com o governo socialista.

Se hoje temos o casal Eduardo Cabrita e Ana Paula Vitorino no conselho de ministros de António Costa, no passado tivemos os irmãos Leonor e Miguel Beleza no conselho de ministros de Cavaco Silva. Se hoje temos Vieira da Silva e a sua filha, Mariana, no executivo governamental, na era cavaquista tínhamos Diamantino Durão e o seu filho, Durão Barroso. [Read more…]

E outros dias

Quinta-feira é o dia de copos e vadiagem aqui por Coimbra. Terça também, mas menos. Ainda há dias, vendo junto à porta de casa um folião que suportava, com auxílio da parede, os ataques da lei da gravidade, confidenciava para quem me acompanhava:

É quinta-feira, nota-se…

Quinta-feira e outros dias!… – atalhou o oscilante etilizado com voz entaramelada, dedo indicador apontado aos céus e a dignidade altaneira dos bêbados.

É para que vejam: mesmo in vino, o estudante tocado não perdeu a oportunidade de uma referência político-literária. Cavaco Silva ficaria orgulhoso!

Mário Centeno e a Geringonça: Cavaco tem razão

Aníbal Cavaco Silva, provavelmente o mais nocivo político português do pós-25 de Abril. Um tumor maligno que, ao longo de 30 anos, medrou sem parar por todo o país, com efeitos que ainda hoje se fazem sentir.
Acredito que nunca tenha tido dúvidas, mas também é verdade que raramente acertou. Daí o meu espanto ao ouvi-lo dizer recentemente, na TSF, duas frases muito acertadas:
– Mário Centeno poderia ser ministro das Finanças em qualquer Governo de Direita.
– É espantosa a facilidade com que PCP e Bloco de Esquerda se vergaram às políticas do PS.
Um Governo que até começou bem, acabando com a vergonha dos contratos de associação no ensino, mas que em termos de políticas de Esquerda a sério se ficou por aí. Se alguém pensava que doravante os poderosos seriam o alvo do PS, enganou-se redondamente.
Estando o PCP e o Bloco reféns do apoio que deram ao Governo, compreende-se até certo ponto que os sucessivos Orçamentos tenham sido viabilizados. Mas aceitar continuadamente o perdão de milhões à Banca e à Energia, que não tem parado de aumentar ao longo da Legislatura, é mais difícil de engolir.
Entre as ajudas aos Bancos e as rendas e rendinhas à EDP, já se foram mais de 40 mil milhões. Só para dar um exemplo, dava para pagar o Rendimento Mínimo durante mais de 130 anos.
E isso transforma a Esquerda em conivente, desde 2015, das políticas neo-liberais do Bloco Central que nos governam há 40 anos.

Olha quem fala

O valor da fala ou do texto político são inseparáveis de quem o produz. Não faltam, por estes tempos, as críticas de esquerda ao Governo. Elas têm origem nas pessoas e forças que pertencem ou apoiam os partidos da solução governamental. Percebe-se a insatisfação quanto aos investimentos públicos, designadamente em áreas especialmente sensíveis a caras à esquerda – saúde, ensino, segurança social, direitos laborais, transportes e obras públicas e tudo o mais. Elas entendem-se e são, na sua maioria, justas.
Mas ouvir críticas semelhantes vindas de quem toda a vida combateu o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança Social e todas as áreas em que as suas propostas não passaram de tentativas de destruição e privatização do serviço e património públicos e empobrecimento de quem trabalha, quando não é cómico, é revoltante. A direita portuguesa tem-se desdobrado em piedosas lágrimas pela situação do SNS que sempre odiou e, quando foi governo, quase destruiu. O mesmo acontece no que respeita a todas esferas de obrigação social do Estado, as quais deixou exangues.
Mas agora há mais. [Read more…]

Cavaco, O Ressabiado

Parece que alguém que ainda não engoliu o sapo das últimas legislativas verteu o ressabiamento em forma de livro. É o retrato do sujeito que condicionou quase 3 décadas da vida dos portugueses, tendo conseguido, com esta lápide de papel impresso, resumir-se ao intriguista que nunca deixou de ser

Por falar em livros e em intrigas, é de recordar outro, o do seu assessor, onde se relata, inadvertidamente, a inventona de Belém.

Seria bem mais interessante ouvir uma explicação do próprio sobre este tema e, já agora, se não fosse maçada, da sua relação com o gangue do BPN. Afinal de contas, andamos todos a pagar o desfalque gigante feito pelos seus companheiros de partido.

Mas, para esse exemplo de honestidade, à qual não se chega nem morrendo duas vezes, importante mesmo é a pequena vingança em forma de adjectivação barata.

Ainda bem que escreveu estas coisas. Assim a História não se enganará no retrato que dele fizer.

Cá se fazem…

O Presidente da República classificou esta segunda-feira de “falta de senso e falta de gosto” o veto governamental, em 1992, da candidatura da obra de José Saramago O Evangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Literário Europeu. [Público]

Cavaco afirmou, entretanto, que não iria comentar por estar na hora de ir nanar. Mesmo assim, ainda referiu que não lê jornais e que quer é que o deixem trabalhar.

Run, Cavaco, Run

A atrapalhada fuga de Cavaco Silva, poucos minutos após a chegada do presidente Marcelo à inauguração do novo campus da Universidade Nova, foi uma das cenas mais hilariantes a que assisti na vida. Cavaco, em passo acelerado, como se um jovem de 20 e poucos anos se tratasse, a escapulir-se esfarrapadamente do evento, não fosse Marcelo descer ao seu nível, é um momento de televisão para recordar. [Read more…]

“Estranhíssimo”, disse Cavaco

Cavaco Silva classificou de “estranhíssima” a decisão de substituir Joana Marques Vidal. Já eu classifico de “estranhíssimo” o facto de não haver um único dos seus amigalhaços do BPN atrás das grades, apesar da épica cruzada da PGR cessante. Ele há coisas estranhíssimas, não há?

Mas, uma vez que estamos no campo do “estranhíssimo”, quem se lembra daquela vez em que o candidato Cavaco convidou uns quantos amigos da Sociedade Lusa de Negócios, dona do BPN, para a comissão de honra da sua segunda candidatura à presidência da República? Entre outros “notáveis“, estava lá Fernando Fantasia, o tal da célebre (e estranhíssima) permuta na aldeia do cavaquistão, esse grande amigo de Cavaco Silva que nos deve quase 250 milhões de euros. Por falar em dívidas, alguém me sabe dizer se Cavaco Silva já pagou o que nos deve do IMI que não pagou da sua residência na rua do BPN? É no mínimo estranhíssimo que um político tão experimentado, que ocupou os mais variados cargos, incluindo a pasta das Finanças, não conheça as suas obrigações fiscais. [Read more…]

Palavras do homem que considerou muito estranha a não recondução de Joana Marques Vidal

Cavaco Silva, ainda e sempre, comentou o facto de Joana Marques Vidal não ter sido reconduzida no cargo, acrescentando ruído à barulheira. Tendo em conta a minha pouquíssima fé nos políticos e nos magistrados portugueses agarrados a um centrão corrupto e inclinado para a direita, devo confessar-me agnóstico ou mesmo indiferente no meio desta disputa religiosa. Para que não fiquem dúvidas sobre a credibilidade de Cavaco para comentar seja o que for, copio uns vídeos que mostram o esplendor da desonestidade intelectual do homem que, infelizmente, marcou a história da democracia portuguesa. Vede e ride, que tristezas não pagam mais-valias. [Read more…]

Ricardo Salgado e Cavaco Silva

Desenganem-se aqueles que julgam que daqui sairá alguma acusação de que Cavaco Silva foi um politico corrupto, até porque todos sabemos que seria preciso, ao comum dos mortais, nascer duas vezes para ser mais honesto que o político mais político de todos os políticos, que apesar da sua condição gosta de falar dos políticos e da situação deste país como se não fosse nada com ele.

Acontece que, e à luz dos mais recentes desenvolvimentos em torno da operação/processo/caso Marquês, sabemos hoje que existem fortes indícios – vá, vamos todos fazer de conta que respeitamos o princípio da presunção da inocência – de que Ricardo Salgado abriu os cordões à bolsa para corromper grandes figurões como José Sócrates, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, apenas para citar alguns nomes. E que, para aqui chegar, foi preciso mover mundos e fundos, que levantam questões pertinentes sobre aquilo que parece a microscópica ponta de um gigantesco icebergue. [Read more…]

Ele vive!

image cavaco

Muitos pediram e ei-lo que regressa, impante e em grande forma.

O 5 de Outubro e as saudades que eu já tinha do meu alegre Cavaquinho

Cavaco Silva, esse belo animal político que a República nos deu. Pendurado nos cofres públicos desde 1980. Continua a achar que não teve nada a ver com o estado a que isto chegou. Políticos são os outros.

Cavaco Silva, o precursor das viagens pagas a políticos por empresas privadas

Foi no Independente de Paulo Portas, do tempo em que o PSD estava apinhado de quadros muito muito medíocres, e conta-nos a história das férias do primeiro-ministro Cavaco Silva em Salzburgo, pagas pelas Nestlé. A viagem no Falcon, essa, ficou a cargo dos nossos impostos. Piu.

A ideologia de Cavaco

Houve um tempo em que ideologia falou mais alto que a realidade. Cavaco Silva, um daqueles saudosistas que, à semelhança do outro indivíduo que figura na imagem em cima, fez uso de um partido para o qual se estava nas tintas, apenas para se perpetuar no poder, defendia, no longínquo ano de 1992, que a Europa não era para toda a vida, fazendo jus à ideologia isolacionista na qual se sentia orgulhosamente integrado, e cujos sabujos condecorou como heróis de guerra. Agora, dá o ar da sua graça em Castelo de Vide, dando lições de europeísmo a quem teve pachorra para o ouvir.

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Um certo sarro de tempos longínquos

Ontem foi dia de festa na “universidade” (não uso minúscula mais pequena porque não há). Aníbal, o Cavaco, falava. E do que disse escorreu bílis, sobrou mediocridade, soprou vacuidade. Há nele um certo sarro de tempos longínquos, uma desconformidade com o que de mais nobre tem a democracia. Há nele aquele ódio que gela o espírito dos que pensam ser médium de uma qualquer verdade absoluta que paira no ar e, ao fim de muitos anos, começam penosamente a suspeitar de que talvez se enganem e, pior, que talvez tenham perdido a capacidade de enganar os outros. Em nós há a náusea, a incontível náusea.

O regresso do cavaco-vivo

A universidade de Verão de Castelo de Vide está para o Ensino Superior como as notas do Monopólio estão para o dinheiro, o que quer dizer que as aulas que ali decorrem não são, portanto, aulas, concluindo-se, portanto, que os docentes não são professores e que os alunos, portanto, os alunos, dizia eu, não estão ali para aprender. Pronto, confesso: é um rodízio de comícios.

Cavaco Silva foi um dos “professores” convidados e, de modo coerente, confirmou aquilo que de pior tem em si, que é, afinal, o melhor que pode dar ao mundo. O político que fingiu, durante anos, não ser político deu mais uma lição de vacuidade, o que, afinal, faz sentido na universidade de Verão de Castelo de Vide. [Read more…]