de menina subordinada a figura carísmática

 

Maria de Lurdes Pintassilgo

Por assuntos políticos, tive um desgosto  por causa de um texto meu, dito copiado, repetitivo, nada original, referia quem criticava. Quem leu, não entendeu e lembrei-me deste texto dedicado a uma amiga com quem partilhámos até as nossas visitas a Vilar de Perdizes e debatíamos de teologia popular e de teologia doutoral, ela e eu, como tantos outros: os meus discípulos, outros escritores, estudantes e camponeses. Cada um de nós, tinha uma parte da verdade. Especialmente com Natália Correia, que costumava dizer que tinha terror de mim: eu sabia muito, e ela, apenas era uma escritora política, membro da Assembleia nos seus dias. Natália falava assim, para nós consola-la, adorava ser louvada! E conseguíamos, também em Vilar de Perdizes. Bem sabemos que por Aristóteles, quer por Descartes, que a verdade não é unívoca. Bem ao contrário, é de uma larga heterogeneidade, tem que se ajustar aos minutos de debate que no nosso país sempre houve. O texto impingido, punido, mal falado no espaço público do nosso blogue para assim todos saberem que eu era um péssimo escritor. Lembrei-me, assim, de outra amiga, suave, firme, forte e que sabia calar quando não era conveniente dizer palavras, como Natália, Maria de Lurdes Pintassilgo fumava imenso. Com anos de diferença, não muitos, deixaram-nos. Nada digo de Natália, éramos de ideias diferentes. Mas Maria de Lurdes faz-nos falta hoje, quando estamos desgovernados, não temos autoridades que definam que fazer em esta época de crises política e económica. Ela sabia, também teve os seus problemas quando passou a ser a primeira mulher de Portugal a  ser eleita Primeiro-ministro da nossa República e a segunda da Europa, antes de entrar a da Grã-Bretanha. [Read more…]

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