Fui desafiado. Desafio impossível de não responder. Foi-me dito por pessoas de respeito e de saber, que os meus (últimos) escritos não são científicos nem académicos e que, aliás, escrevia em sítios não ligados à vida universitária, como por exemplo, o Aventar. Não devem saber que Marx escrevia em papel de envolver o pão comprado ou nas margens dos jornais….
É pena, porque, uma das pessoas, que me lançou o repto de luva branca, aprendeu o abecedário da ciência comigo. Uma outra, ainda não tem provas de ciência examinadas para saber se um texto é académico, científico ou se descobre uma verdade provada, isto é, não se encontra, ainda, legitimada pela Academia. Longe de mim pensar que o dito foi com má intenção, mas parece-me um desafio digno de responder.
No método científico, a hipótese é o caminho que deve levar à formulação de uma teoria. O cientista, na sua hipótese, tem dois objectivos: explicar um fato e prever outros acontecimentos dele decorrentes (deduzir as consequências). A hipótese deverá ser testada em experiências laboratoriais controladas. Se, após muitas dessas experiências, os resultados obtidos pelos pesquisadores não contrariarem a hipótese, então ela será aceite como uma lei e integrada a uma teoria e/ou sistema teórico. As minhas referências são as de Karl Popper(Viena, 28 de Julho de 1902 — Londres, 17 de Setembro de 1994). Popper cunhou o termo "Racionalismo Crítico" para descrever a sua filosofia, especialmente no livro A Sociedade Aberta e os seus Inimigos (1943), CUP base dos meus textos ingleses.
O desespero dos cientistas é a descoberta do que é o método científico. Cada intelectual procura a sua metodologia e é classificado por ela. As ciências sociais confundem-se com o senso comum já que, para além da inexistência de códigos e instrumentos específicos, todos os indivíduos procuram orientar e racionalizar as suas acções dentro de uma determinada estrutura social, verificando-se assim a dificuldade de eliminar aspectos subjectivos na análise do cientista. Tarefa difícil de realizar. O caminho mais simples é o preconizado por John Stuart Mill, filósofo e economista escocês, que em 1895 no texto Utilitarianism, editado por William Colins Sons & Co, Glasgow, diz que o caminho mais simples para saber a verdade de um facto, é o da lógica ensinada por David Hume em 1739: A Treatise on Human Nature, Oxford University Press, versão portuguesa da Editora Gulbenkian, 2001. A lógica recomendada é da indução, dedução. A indução é entender os factos que pretendemos desvendar, aplicando teoria e, através de outras hipóteses, explicar a nossa pretensão; alternativamente, mas em conjunto, a hipótese da dedução: estudar os factos e retirar deles teoria ao comparar com métodos provados de pesquisa. A meu ver, indução e dedução devem ser usados em conjunto. É impossível teorizar sem factos investigados, bem como fazer da teoria, factos. Este foi o caminho que aprendi com o meu orientador de estudos, Jack Goody, que me ensinou também que os factos são retirados do t
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balho de campo e dos arquivos onde eles constam, uma teoria teoria histórico antropológica






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