Memórias do 25 de Novembro: A «moca» de Rio Maior

Em 1974, o 25 de Abril culmina um processo marcado por longos anos de esperanças sem efeito. Tudo aquilo que se esboçara em 1958, mas sem sucesso, tinha agora efectiva concretização. De Santarém partiu a revolução, no dia em que o capitão Salgueiro Maia liderou os seus homens em direcção a Lisboa.
Quanto a Rio Maior, sobressaiu especialmente nos momentos que se seguiram à Revolução. O «Verão Quente» de 1975, cuja memória e os traumas ainda hoje perpassam parte da sociedade portuguesa que os viveu. A «moca» de Rio Maior ficou então famosa, ao ponto de ainda hoje ser citada frequentemente a propósito desta ou daquela altercação.
Nunca como naquela altura a ameaça de Guerra Civil foi tão grande. Acaso tivesse acontecido, poderia muito bem ter surgido uma divisão entre o sul, mais esquerdista, mais revolucionário, e o norte, mais reaccionário, mais arreigado às antigas convicções, mais dominado pela Igreja Católica.
Como referia em tempos o «Barnabé», «estávamos na fronteira entre Azambuja e Rio Maior, e nem nos dávamos conta de que se o país entrasse em guerra civil, se partiria ao meio exactamente por ali.»
Em 13 de Julho de 1975, deu-se o famoso assalto à sede do PCP em Rio Maior. [Read more…]