Peniche

Forte de Peniche, Portugal

Forte de Peniche, Portugal

 

Esta notícia do Observador dá conta de uma série de edifícios históricos que são ou vão ser concessionados a privados. Muita coisa se podia dizer em relação a este assunto. Podia dizer-se que se por um lado há formas de rentabilizar edifícios históricos que não incluem a transformação em hotéis ou restaurantes, por outro, na actual situação económica e até cultural do país, é inevitável que isso aconteça. E na realidade esta é uma forma fácil e rentável de aproveitar edifícios com excelente potencial e que estariam condenados ao abandonado e à degradação. Eu compreendo. Eu até concordo.

Em Oeiras por exemplo, o Palácio dos Arcos esteve abandonado durante anos e anos e agora é um hotel. O hotel não mudou a traça exterior do Palácio. De qualquer forma, o Palácio não é muito relevante historicamente – o máximo a que se pode arrogar é de que teria sido do Palácio que Dom Manuel teria visto as naus a partirem para a Índia. Bonito mas uma lenda. O caso do Palácio dos Arcos e a sua transformação em hotel é uma decisão acertada. O hotel veio dinamizar a região. Reformou e manteve um edifício pelo qual a autarquia nunca tinha mostrado interesse. E de facto, com todo o respeito pela memória histórica do Palácio dos Arcos, não se pode dizer que seja um marco importante da história de Portugal. Poderá sê-lo em termos de história local mas Oeiras tem outros grandes marcos como o próprio solar do Marquês.

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O Zé julga que é historiador

O Zé acredita que é jornalista. Agora, pensava que era historiador, mas fascismo não é quando um homem quiser.

Jean-Luc Mélenchon e os bons conselhos

jean luc

 

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J’Accuse, agora e sempre

j'accuse

Foi a 13 de Janeiro de 1898 que Émile Zola publicou o seu “J’accuse” no jornal Parisiense Aurore. Uma carta aberta ao Presidente da República Félix Faure onde era denunciada a injustiça do julgamento e prisão de Alfred Dreyfus, oficial francês e judeu, acusado de traição (e efectivamente condenado por isso). Excepcionalmente, numa época em que o anti-semitismo estava absolutamente disseminado pelas sociedades europeias,  Zola teve a humanidade suficiente para perceber a imoralidade – e o perigo – do preconceito, denunciando o anti-semitismo do governo e dos oficiais que trataram do caso.

A seguir à publicação da carta, Zola foi condenado a pena de prisão. Fugiu para Inglaterra onde continuou a lutar por Dreyfus que tinha sido enviado para o exílio numa ilha na Guiana Francesa. Mais tarde, em 1899, Dreyfus regressou a França e ofereceram-lhe um perdão – por um crime que não tinha cometido. Em 1906, foi oficialmente exonerado tendo-lhe sido atribuído a Legião de Honra.

Zola morreu em 1908 e Dreyfus estava presente aquando a transferência das suas cinzas para o Panteão nacional.

Versão Portuguesa da carta.

 

Dehors les immigrants! – diz o Santos

front_national_daniel_dos_santosEu (e todos os meus amigos da escola também) tenho (e cada vez mais!) m familiar, um vizinho ou alguém próximo que emigrou para França ou já de lá voltou depois de décadas a aforrar para um futuro menos pesado. Eu, e possivelmente todos os portugueses, conheço pessoas na diáspora em quatro continentes, em latitudes distintas e múltiplos fusos horários.
Pela coragem que tiveram no momento da partida (agora já não vão num comboio de saudades) e pelas provações por que passaram, fico também reconhecido aos países que os acolheram e onde fizeram questão de se integrar.
Não tenho dúvida alguma de que Portugal seria muito mais pobre do que apenas  “o país mais pobre da Europa Ocidental” (como escrevia o The Guardian há dias).
Se Paris (teremos sempre Paris, não é?) não fosse a terceira maior cidade portuguesa, se no Luxemburgo não se falasse português, assim como em Andorra ou na Alemanha, se na Califórnia, em Toronto ou Montreal, qual teria sido a miséria dos que para lá ousaram partir?

Mas, ainda que possamos achar estranho que portugueses (de segunda ou mesmo de primeira geração) a residir e trabalhar noutros países se associem a movimentos anti-imigração, a verdade é que tal acontece sobretudo a coberto de muita ignorância e alguma estupidez.

“Vêm para cá roubar os nossos empregos, baixar os salários”, dizia um… filho de um emigrante português… é por isso que é cada vez mais importantes o ensino da História nas escolas.
Por falar nisso, neste país com quase 900 anos, há um programa na tv aberta sobre História? – será por falta de tema?

(cartaz via Nuno Roby Amorim)

Pior a emenda que o soneto

As declarações de Michael Seufert sobre a inaptidão da JSD são infelizmente outro tiro no pé. No meio de uma série de considerações, o Sr. Seufert afirma:

“E se é um facto que Hitler foi derrotado no momento em que esse exército chegou a Berlim, vindo de Leste, é um reescrever da história chamar-lhe libertação ou celebrar esse dia. É que trocar um ditador – por muito horrível que fosse, como foi o caso de Hitler – por outro – e Estaline jogava com Hitler na liga dos crimes contra a humanidade – não é propriamente ficar livre ou ficar melhor. É trocar uma bota com uma suástica por outra com uma foice e martelo. As duas pisam a liberdade e a vida. Para o povo é igual.”

Vamos lá ver, que a vitória comunista não significou uma libertação é totalmente verdade porque depois foram instauradas uma série de ditaduras comunistas. Contudo, aquele imagem em concreto simboliza a vitória do comunismo, do Exército Vermelho, sobre o Nazismo (porque apesar de todas as atrocidades a verdade é que foi o avanço do Exército Vermelho que ajudou e muito à derrota do Nazismo). Portanto, a analogia é óbvia: a JSD inclui aquela bandeira ali simplesmente como símbolo do comunismo. O que se esqueceram, e o que tem verdadeiramente piada, é que ela é o símbolo da vitória do comunismo sobre o nazismo. Não necessariamente de libertação até porque como foi dito não houve para os Europeus de leste qualquer tipo de libertação. Mas o importante no dia 2 de Maio não era a libertação. Era a vitória. Portanto, a analogia que a JSD estabeleceu nada tem a ver com libertação mas com o facto de associarem, sem querer evidentemente, o anterior governo aos nazis. A bandeira simboliza a vitória comunista sobre uma Berlim em cinzas, a capital da Alemanha Nazi. Aliás, a bandeira é hasteada no dia 2 de Maio, o dia do fim da batalha de Berlim, uma das ofensivas mais sangrentas da segunda guerra, por cima do Reichtag, um dos símbolos do regime alemão. Nada tem a ver com libertação. Tem a ver com triunfo. Como, aliás, a revista TIME aponta neste artigo, dizendo: “The iconic image of Nazi Germany’s defeat”. E acrescenta: ” It was stage-crafted from beginning to end. Khaldei, in fact, had been at his Tass headquarters in Moscow when Soviet forces captured Hitler’s capital. The photographer had received orders from on high — possibly from Stalin himself, it was murmured — to rush there and produce a picture symbolizing the Soviet victory.”

Ou seja, simboliza os comunistas a triunfarem sobre os nazis. E foi essa bandeira que a JSD mostrou.

Post scriptum: Para falar em Libertação, deve-se falar no 8 de Maio. Richard Von Weizsäcker explica porquê, melhor do que ninguém.

Não à romantização da História, sff

No Delito de Opinião, um comentador lamentava a ausência de uma comemoração relativa aos 600 anos da tomada de Ceuta. E eu pensei duas coisas: olha, isto lembra-me que tenho de mostrar ao Paulo um artigo sobre o D. João II e depois pensei, mais validamente, por que raio é que se havia de “comemorar” a tomada de Ceuta. Procurei, procurei e mesmo assim não consegui achar razão em mim para “comemorar” um acontecimento que teve lugar há 600 anos. Comecei então a perceber que o problema não era tanto a tomada de Ceuta mas o verbo aplicado que provavelmente até foi escolhido aleatoriamente pelo comentador, não tendo o valor qualificativo que eu lhe estou a atribuir: A comemoração. Comemorar.*

É óbvio que a tomada de Ceuta se enquadra num contexto de guerra e conquista medieval e que foi o começo de uma série de iniciativas semelhantes no Norte de África. Tudo isto tem um contexto histórico que merece obviamente ser estudado e discutido. Mas comemorar? Porquê? A comemoração de alguma coisa implica que ela é boa. A tomada de Ceuta para os portugueses do século XXI não tem que ser boa. Nem má. Todo o processo que envolveu a tomada de Ceuta e as guerras de conquista no Norte de África relacionam-se com um contexto que uma pessoa do século XXI não percebe, não compreende, não se identifica. Não partilhamos das mesmas ideias, não vemos o mundo e as vivências sociais, políticas e religiosas da mesma forma. E ainda bem que assim é, porque estamos a falar de História.

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O Dicionário Filosófico de Voltaire: Liberdade de Pensamento

 

Por volta do ano de 1707 quando os ingleses que haviam vencido a batalha de Saragoça protegiam Portugal e na mesma altura em que, durante algum tempo, deram um rei a Espanha, Lord Boldmind, um oficial que tinha sido ferido, estava a tomar as águas em Barèges. Ele encontrou nesse local Conde Médroso que tinha caído do seu cavalo atrás da bagagem, a uma légua e meia do campo de batalha e que também tomava as águas. A Inquisição era-lhe familiar enquanto Lord Boldmind era apenas familiar na forma de conversar. Um dia, após o vinho, ele teve o seguinte diálogo com Médroso:

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Um exercício em História comparativa

Pessoas no Panteão em França:

– Voltaire
– Rousseau (cidadão de Geneva a ser enterrado no Panteão francês mas está bem).
– Jean Lannes
– Victor Hugo
– Zola
– Jean Monet
– Condorcet
– Abbé Grégoire
– Louis Braille
– Pierre Curie
– Marie Curie
– Alexandre Dumas

Pessoas em Westminster Abbey:
– Isaac Newton
– William Wilberforce
– Clement Attlee
– Beatrice Webb
– Charles Darwin
– John Herschel
– Angela Burdett-Coutts
– Samuel Jonhson
– Charles Dickens
– Geoffrey Chaucer

Pessoas no Panteão em Portugal:
– Óscar Carmona
– Sidónio Pais
– Humberto Delgado
– Guerra Junqueiro
– Almeida Garrett
– Sophia de Mello Breyner Andresen
– Manuel de Arriaga
– Teófilo de Braga
– João de Deus
– Aquilino Ribeiro
– Amália
– E agora Eusébio.

Um magno embuste e outras cartas

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Anda por aí um corropio por causa de uma tal de Magna Carta que faz 800 anos. É conhecido o fenómeno da manipulação da História ao serviço das ideologias, um clássico, e que pelos vistos hoje é assumido por uma facção da chamada ciência política, instalada na “universidade” da ICAR (um excelente local de exílio para académicos de carreira fracassada nas universidades laicas).

A tal carta resulta de um clássico conflito entre nobreza feudal e poder régio. Afirma direitos aos barões perante um rei fraco. Nada de especial, a História Medieval europeia está cheia disso. Fazer dela um documento fundador da liberdade das elites faz algum sentido, simbólico. Mas qualquer carta de foral que por esse mesmo tempo em Portugal defendia os direitos dos povos perante a prepotência senhorial, nas particulares condições portuguesas que levaram os reis a com eles tantas vezes se aliaram precisamente contra os nosso barões, que eram mais condes, é um muito superior exercício da liberdade, no sentido que lhe podemos dar nesse tempo. [Read more…]

Azinheirices

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O 31 que vai pelo 31 da Armada, porque José Maria Barcia assinalou “uma alucinação de meninos com fome e frio que se tornou num dos maiores produtos de marketing da Igreja Católica“, com uma caixa de comentários que é um primor, não é bem uma questão religiosa: contam-se por dezenas as tentativas da santa aliança ICAR/talassas para através de uma aparição parirem um movimento de ataque à República. Fátima é isso, embora a coincidência com o ano da Revolução Soviética lhe tenha dado um folgo maior. Há aquela parte teológica de servir como mais um exemplo do politeísmo e paganismo dos homens do Vaticano (desde JP I), mas não me meto nessa guerra.

Num blogue monárquico compreende-se que lhes tenha doído.

A guerra não foi um filme americano

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É natural que os vencedores escrevam a sua versão de uma guerra, as suas histórias. Não lhe chamem é História.

Setenta anos depois da derrota do nazi-fascismo Clara Barata escreve no Público, e sem se rir, sobre “o mito estalinista de que a salvação do fascismo assentou no sacrifício do povo russo“,  para depois tropeçar em sim mesma e criticar: “os 27 milhões de mortos só contam como pequena história, a história familiar, dos indivíduos, e não como análise, reflexão. Aliás, desde 2014, existe uma lei que pune com penas até cinco anos de prisão a “distorção” do papel da União Soviética na II Guerra Mundial.”

Como se o revisionismo não estivesse sujeito a idênticas condenações em França ou na Alemanha, como se a II Guerra Mundial tivesse sido um filme americano desembarcado na Normandia.

O primeiro problema historiográfico das guerras, seus vencedores e vencidos, é o da sobrevivência do positivismo oitocentista, que reduz a a História aos líderes, fazendo de Hilter o único mau da fita, elevando Churchill a homem espectáculo (e esquecendo que em Inglaterra, no poder, estava um governo de coligação) e metendo Estaline onde não é chamado. [Read more…]

São apenas pretos

No episódio 5 do documentário A Guerra de Joaquim Furtado (aquele onde se clarifica a natureza racista e esclavagista do colonialismo português) um enfermeiro moçambicano narra o seu diálogo com um superior hierárquico, a quem questionava por uma sua colega com muito menos habilitações do que ele ganhar o dobro:

– Tens dúvida de que és preto?

– Isso não tenho dúvida

– É isso, ela é branca, ganha mais do que tu, que és preto.

Há por lá mais exemplos do mesmo. Enquanto por estes dias editava o documentário de forma a poder utilizá-lo nas minhas aulas de História, apareciam-me mentalmente no monitor as imagens dos que atravessam o deserto e o Mediterrâneo, e por ali morrem. Vítimas das guerras que homens brancos foram inventar a Sul, vítimas de nem parte da globalização os deixarem ser, vítimas da natureza humana, que tem aquela pretensão, os do costume dirão estúpida, de quererem alimentar-se, vestir-se, habitar, viver. Os do costume explicam: têm dúvidas de que são pretos? E para que não as haja em sacos negros os embalarão.

O culto da imbecilização no ensino num suposto exame da 4ª classe

Tem feito furor por aí um suposto exame da 4ª classe de 1968, que circula nas redes. Acabo de descobrir que a coisa partiu de um jornal, o Dinheiro Vivo, e circula agora por várias páginas comerciais, daquelas que publicam tudo o que dê cliques. Como qualquer não-idiota pode constatar, isto não é um exame, são páginas de um caderno de exercícios:

cadernos exerfcicios primária

Nem é preciso ter a 4ª classe, ou o 4º ano para lá chegar. Não me daria ao trabalho de escrever aqui uma linha sobre o assunto, não fosse a circulação disto grave pela ideologia, e estupidez, que está a espalhar. Vamos lá ver: [Read more…]

Como era Portugal antes da Democracia?

Ando há anos a tentar utilizar excelente série da RTP Portugal, um Retrato Social, de António Barreto e Joana Pontes, nas minhas aulas de História.

Sendo objectivo do trabalho sociológico comparar o Portugal dos anos 60 com o do séc. XXI, recolheram excelentes testemunhos de como era a nossa vida antes de Abril de 1974, servindo tanto de fonte primária como de secundária. Um computador mais rapidinho permitiu-me agora editar esses extractos, numa remontagem um pouco longa e não muito bem organizada, mas sempre melhor que utilizar os dvd’s originais. Espero mais tarde completá-la com pequenos vídeos específicos (por exemplo sobre a emigração).

Aqui fica à disposição dos interessados, que podem igualmente efectuar o seu download directo.

Humberto Delgado, o aeroporto e os ceguinhos

Humberto_Delgado_coimbraAntónio Costa apresentou uma proposta no sentido de o Aeroporto da Portela ser baptizado com o nome de Humberto Delgado. Acho bem. Passam 50 anos sobre o seu assassinato e o homem até foi aviador.

Curioso é o 31 que a extrema-direita levanta a propósito da proposta. A coisa desce ao nível disto: ” Deverá ser esta a primeira personagem histórica a conhecer por quem nos visita?”

Portugal tem três aeroportos internacionais. O segundo, em volume de tráfego, chama-se Sá Carneiro. É essa a primeira personagem histórica que quem nos visita também conhece, um líder partidário  (que muita falta faz ao seu partido, mas isso é outra conversa).

Mas enfim, quem a seguir acrescenta a conquista de Ceuta (só a maior imbecilidade da autoria de governantes portugueses, que apenas trouxe despesas e nenhum benefício) e Afonso de Albuquerque como glórias nacionais, deve ter um problema qualquer com o turismo marroquino ou indiano. Com a História tem de certeza absoluta, e não é miopia, é cegueira pura.

Imagem: comício de Humberto Delgado em Coimbra. Entre a multidão o meu tio e o meu pai, com muito orgulho.

O neoliberalismo não é um slogan – histórias de uma ideia poderosa

Afinal o que é isso do neoliberalismo? João Rodrigues, em quatro colóquios que tiveram lugar na Cultugeste, disseca a História da corrente ideológica que hoje, discretamente, domina o mundo. Quatro magistrais lições que podem ser ouvistas na respectiva página, da qual republico a primeira por ter um erro de edição no original.

Em louvor e glória dos egrégios avós

antonio mattoso

Anda pela nossa extrema-direita dita liberal uma vaga de revisionismo histórico (ou de regresso à historiografia à moda do séc. XIX, mas essa deixo para outro dia).

Agora é o Ferreira, putativo candidato a salazarinho que quer fazer “fazer uma carta aberta aos portugueses a explicar porque é que a história é muito maior do que se diz. Escrever uma carta aos portugueses sobre “A tua história foi muito maior do que te dizem”, por exemplo. É que nós somos mesmo bons.” Modéstia e ignorância.

Já o ex-maoísta, ex-pioneiro do eduquês de Boston, ex-formador de professores mal formados, ex-autor de um blogue que apagou porque ali defendeu a escola pública contra os ataques da dupla Valter/ Rodrigues, aliás também ex-apagador de calúnias sobre um conhecido cronista que se lixe a colega que as reproduziu e deu com os costados em tribunal, e actual e único grande defensor do Crato e do “ensino” vocacionado para a mão-de-obra desqualificada e barata, Ramiro Marques, vem em defesa, imaginem, de Putin, e proclama que o Ocidente tem motivos para se orgulhar do seu passado e para celebrar os seus valores comuns. Não há sítio melhor para fazer isso do que as escolas. [Read more…]

Rescrever a História? – II

-O assunto nem merece toda esta polémica que se levantou à volta dos bustos. Mas estão porque não retirar os quadros de todos os Presidentes da República que estão expostos no Palácio de Belém. Durante 40 anos ninguém levantou a questão. Nestes 40 anos em sucessivas audiencias aos diversos P.R. terão passado extremistas e radicais durante o PREC, enquanto líderes de oposição Álvaro Cunhal, Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã entre outros. Quando este programa foi para o ar na RTP, ocupava o Palácio de Belém como chefe de Estado, Mário Soares. Será ele também um perigoso revisionista que pretende branquear o passado? Os quadros podem ficar expostos em Belém, mas os bustos em S.Bento já são intoleráveis? Porquê agora, passados 40 anos? Ou tem apenas a ver com o momento político e querem à força arranjar mais uma disputa ideológica?

Peninsulares

Iberian_peninsulaOnde, na Europa, um parlamento expõe bustos dos seus ditadores do séc. XX? na Alemanha ou em França, países com legislação anti-revisionista, que têm metido na cadeia os que tentam branquear a História?

Imaginam vária imprensa e imensos blogues a glorificarem um criminoso de guerra e terrorista confesso por altura do seu falecimento nesses dois países, ou numa Bélgica ou Holanda?

Estão a ver os partidos de um governo na defesa da “memória” de um Hitler (que até foi eleito), das estátuas de Estaline ou pregando por Petain?

Neste canto da Europa, o ibérico, também a desgraça nos une. O governo espanhol e o português juntam-se na mesma mistificação, são governos  sabonete, lavam e ainda perfumam. Somos o canto das ditaduras que não soubemos extirpar, uns trocaram a democracia pela desonra dos seus milhares de heróis assassinados pelo bárbaro Franco, nós deixámos que lentamente o Estado Novo seja visto com a brandura habitual proclamada pelos seus herdeiros.

Somos a vergonha da Europa.

Rescrever a História?

-O Estado Novo existiu. É um tempo Histórico que ninguém deseja ver repetido, mas também não deve ser esquecido. Muito menos apagado como se entre 1926 e 1974 ninguém tivesse exercido o cargo de Presidente da República em Portugal. Ou não se realizaria uma exposição e parece-me duvidoso que a presença de 3 personagens o justifique, ou se vamos pelo carácter provavelmente alguns dos políticos da 1ª república talvez merecessem um escrutínio mais apertado. Isto para não ir mais longe, porque se abrirmos a caixa de Pandora acabamos a retirar as estátuas do Marquês de Pombal. Tenham juízo. Apagar imagens e rescrever História é prática de regimes totalitários, não de Democracias.

A História dos últimos 39 anos em Portugal

É de enaltecer que Mário Soares tenda cada vez mais para uma sinceridade que chega a ser comovente. Que viva muitos anos e mais episódios sejam contados, completando a História do empreendedorismo à portuguesa, sempre alapado aos governantes e ao estado.

O oportuno vídeo é do 31 da Armada, que se enganou no título: são 39 e não 40 anos. Vindo de quem comemora com tanto afinco o 25 de Novembro foi um deslize indesculpável.

Saudades do império

Augusto, o menino guineense  Exposição Colonial Portuguesa 1934

Os colonialistas sem colónias querem os brasões imperiais que rondam o mamarracho de Cottinelli Telmo viçosos e tratadinhos. Indignam-se as bestas, que querem apagar a História, valha-lhes o deus em que acreditam.

Apagar a História é esconder séculos de genocídios e escravidão que não orgulham um país civilizado, são pelo contrário a sua vergonha. É esquecer que aqueles brasões insultam quem nos visita e é natural dos países que sofreram a nossa ocupação. É também a ignorância dos que metem no mesmo pacote os Jerónimos e a Torre de Belém (uma mera fortificação defensiva), que não provocam ninguém. É fingir que a memória dos impérios europeus ainda hoje mata, através das fronteiras traçadas a regra e esquadro nas conferências coloniais.

Este revisionismo cultural mostra como a arrogância dos antigos colonizadores e a sua auto-desculpabilização permanecem. É ver como em Oslo causa protestos uma bem engendrada recriação de uma daquelas expos em que os europeus visitavam os pretinhos em suas jaulas. Saudade do pretinho Augusto, que terá deliciado os portuenses, saudade da divisão dos humanos entre supostos civilizados e selvagens a quem tratavam como animais. Os canalhas restam saudosos de si mesmos, e convinha percebermos porquê.

Este post

é gesnial!

A História do Banco do Meu Avô

Carlos Paz

jose maria e filhos

Vamos IMAGINAR coisas…

Vamos imaginar que o meu avô tinha criado um Banco num País retrógrado, a viver debaixo de um regime ditatorial.
Depois, ocorreu uma revolução.
Foi nomeado um Primeiro-Ministro que, apesar de ser comunista, era filho do dono de uma casa de câmbios. Por esta razão, o dito Primeiro-Ministro demorou muito tempo a decidir a nacionalização da Banca (e, como tal, do Banco do meu avô).
Durante esse período, que mediou entre a revolução e a nacionalização, a minha família, tal como outras semelhantes, conseguiu retirar uma grande fortuna para a América do Sul (e saímos todos livremente do País, apesar do envolvimento direto no regime ditatorial).

Continuemos a IMAGINAR coisas…

Após um período de normal conturbação revolucionária, o País entrou num regime democrático estável. Para acalmar os instintos revolucionários do povo, os políticos, em vez de tentarem explicar a realidade às pessoas, preferiram ser eleitoralistas e “torrar dinheiro”.
Assim, endividaram o País até entrar em banca-rota, por duas vezes (na década de 80).
Nessa altura, perante uma enorme dívida pública, os políticos resolveram privatizar uma parte significativa do património que tinha sido nacionalizado.
Entre este, estava o Banco do meu avô.

E, continuando a IMAGINAR coisas…
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Vírus na campanha

auschwitz-concentration
O Paulo Rangel, em vez de ficar muito abespinhado com a referência feita por Manuel Alegre, devia ir estudar, já que as palavras do seu discurso que motivaram este confronto podem, de facto, ser lidas como uma séria provocação. Nas habilidades retóricas não cabe tudo. A ignorância em História ostentada por incontinentes verbais como Paulo Rangel leva-os a este tipo de situação.

Isto não é novo. Não esqueçamos a proclamação, há tempos, de Paulo Portas, segundo a qual “o trabalho liberta”, palavras, como se sabe, inscritas no portão de Auschwitz. É inteiramente legitimo, da parte de quem ouve, duvidar da inocência deste tipo de afirmações, sobretudo vindas de quem quer convencer o auditório de que é muito culto e inteligente, como acontece com estas duas personagens. Quem semeia palavras ao vento, arrisca-se a colher a tempestade das respostas.

A economia dispensa a história

Já dizia o pequeno comentador do economiquês nacional que os professores de história em nada contribuem para o crescimento e o certo é que vamos confirmando que, nesta nova Europa utilitarista, as humanidades são entretenimento para inúteis. Os resultados nem estão a demorar muito a aparecer. Desmemoriada e cega pelos números, a Europa condena-se a repetir os seus horrores.

Leia-se esta reportagem de Maria João Guimarães, em Marselha, acerca do clima de rejeição aos estrangeiros, sobretudo em zonas multiculturais, e de como os partidos nacionalistas estão a capitalizar o descontentamento face à situação económica e a desconfiança em relação à diferença. Quem tem memória de um passado não tão longínquo, como o reformado Auguste Olive com quem a repórter falou, não pode evitar as comparações: [Read more…]

Leitura recomendada a retornados   mentirosos

Uma “descolonização exemplar” teria sido possível?

Hitler descobre que manuais escolares dizem que comunismo e nazismo são a mesma coisa

Chegou aos manuais, nem por isso às novas metas educativas do 9º ano, nem é por isso que se justifica este vídeo:

mas porque realmente virou moda, a partir de uma taxonomia das ditaduras que mede mais o horror e menos a natureza social, e económica, misturar uma ideologia que nasceu para combater a outra fazê-la igual à que a derrotou, coisa tão tola como esquecer que a Rússia em geral tem uma certa experiência nas vitórias contra a Alemanha, e esqueceram-se agora mesmo muito em Berlim.

Texto (não concordando com tudo, é um bom todo) do Bruno Carvalho.

Vive la Révolution

Este artigo de Pedro Cardim é das coisas mais pertinentes que já li nos últimos tempos no que diz respeito à questão dos nacionalismos ibéricos. A questão da Catalunha é secundária, apesar de começar por ser a razão do texto. O que interessa verdadeiramente são as considerações do autor sobre o chamado “nacionalismo” português. Infelizmente, alguns comentários ao artigo são, como sempre, mostras de alguma ingenuidade e anacronismo.

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