A ANTROPOLOGIA TEM VOZ

A voz da Antropologia não é apenas a voz do Povo que o Antropólogo analisa. Nem é a voz do Antropólogo que os estuda. A voz da Antropologia é a sua utilidade social, é o que o analista entende do povo que estuda, como tenho referido em outros textos meus e aparecem nos textos dos Antropólogos que tenho criado, orientado e ensinado durante o tempo transcorrido entre o dia que fui Antropólogo teórico e o dia em que fui Antropólogo de campo. Por outras palavras, entre os dias de aulas, biblioteca, orientação, ensaios, livros escritos, viver no meio da poeira dos livros, especialmente essas imensas salas de leitura que eu costumava visitar dia após dia, para aprender mais.

No entanto, a voz da Antropologia é a voz uniformizada entre a de que analisa e vive com um grupo de seres humanos que estuda, e, sem dar por isso, os representa. Não é por acaso que tenho colocado a imagem de Kaspar Bronislaw Malinowski (Cracóvia, 7 de Abril de 1884 — New Haven, 16 de Maio de 1942). Como sabemos, aos 22 anos era Doutor em Física pela Universidade de Cracóvia, e mais tarde, em Leipzig (Alemanha) foi orientado por Karl Bücher e Wilheem Wundt para formar-se em psicologia, que mais tarde usaria na sua análise do povo Mailu na Polinésia e entre os Massim do arquipélago da Kiriwina nos mares do Sul da Polinésia, sítio no qual ficou mais anos do que pensava e encontrou, para a sua surpresa, que a família não era monogâmica, por outras palavras, não era apenas um casal de um ele com uma ela e o cuidado dos seus descendentes. [Read more…]