Cá ou em Bruxelas, somos brandos nos costumes e nos resgates

Pais de brandos costumes

Somos o país de brandos costumes, ouço dizer desde jovem. Todavia, a proposição nunca me pareceu convincente e assertiva.

Lembremos dois templos prisionais: o Aljube e o Tarrafal (este visitei há uns anos), locais de prisão, torturas e hediondos crimes contra oposicionistas ao regime salazarista.

Dois símbolos, dos muitos, que fazem sucumbir a autenticidade da ‘tese dos brandos costumes’, com que, recorrentemente, se descreve a sociedade portuguesa.

Dispenso-me de pormenorizar os crimes da política actual. Limito-me a referir a violência da flexibilidade laboral, da ilegítima expropriação de rendimentos dos mais frágeis que o governo de PPC, a mando ou em complemento das medidas da troika, executa com fria indiferença e obscena desumanidade.

A falsidade da presunção dos “brandos costumes” é extensível a ocorrências na sociedade civil. A violência doméstica, restringida a agressões e assassínios do cônjuge perpetrados normalmente por homens; ou ainda a violência infantil, de que nos últimos anos a pedofilia, quase em exclusivo, tem sido objecto de notícias – quem trabalha em serviços hospitalares de urgência infantil sabe da frequência e gravidade dos crimes cometidos sobre crianças.

País de brandos resgates

Dos “brandos costumes” tentamos passar aos “brandos resgates”, pela mão de Bruxelas segundo o Público, reproduzindo o anunciado pelo El País. Que não, é falso!, afiançam outras notícias.

Certo, certo é que, no desmentido, o Público informa que:

A CE só avaliará as opções para apoiar Portugal no regresso aos mercados de dívida no momento devido.

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