Pedido de ajuda

E, caro leitor, é mesmo um pedido sério porque me parece que o mais alto cargo da nação merece a nossa atenção. Repare, por um lado, diz:

A última palavra cabe à Assembleia da República ou, mais precisamente, aos Deputados à Assembleia da República.

Mas, no mesmo discurso, diz:

Considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas.

Aliás, é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível.

O maior defensor da Constituição sublinha que há uns deputados com cotação diversa, em função do  seu lugar no Paralento. Trata-se de uma interpretação absolutamente insólita do documento fundador. Por um lado, os Deputados têm a responsabilidade de decidir, mas se for para escolher como ele quer. Se a Democracia parlamentar escolher um Governo de Esquerda, então, ai Jesus! Nem pensar. O senhor não quer. Os mercados não deixam.

Só uma atenção da área clínica poderá ajudar a resolver tantas contradições, já que, ao nível político não há nada mais para dizer, ou se calhar até há: nunca mais chega o dia de Portugal se ver livre de Cavaco Silva.

 

Cá ou em Bruxelas, somos brandos nos costumes e nos resgates

Pais de brandos costumes

Somos o país de brandos costumes, ouço dizer desde jovem. Todavia, a proposição nunca me pareceu convincente e assertiva.

Lembremos dois templos prisionais: o Aljube e o Tarrafal (este visitei há uns anos), locais de prisão, torturas e hediondos crimes contra oposicionistas ao regime salazarista.

Dois símbolos, dos muitos, que fazem sucumbir a autenticidade da ‘tese dos brandos costumes’, com que, recorrentemente, se descreve a sociedade portuguesa.

Dispenso-me de pormenorizar os crimes da política actual. Limito-me a referir a violência da flexibilidade laboral, da ilegítima expropriação de rendimentos dos mais frágeis que o governo de PPC, a mando ou em complemento das medidas da troika, executa com fria indiferença e obscena desumanidade.

A falsidade da presunção dos “brandos costumes” é extensível a ocorrências na sociedade civil. A violência doméstica, restringida a agressões e assassínios do cônjuge perpetrados normalmente por homens; ou ainda a violência infantil, de que nos últimos anos a pedofilia, quase em exclusivo, tem sido objecto de notícias – quem trabalha em serviços hospitalares de urgência infantil sabe da frequência e gravidade dos crimes cometidos sobre crianças.

País de brandos resgates

Dos “brandos costumes” tentamos passar aos “brandos resgates”, pela mão de Bruxelas segundo o Público, reproduzindo o anunciado pelo El País. Que não, é falso!, afiançam outras notícias.

Certo, certo é que, no desmentido, o Público informa que:

A CE só avaliará as opções para apoiar Portugal no regresso aos mercados de dívida no momento devido.

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