Cá ou em Bruxelas, somos brandos nos costumes e nos resgates

Pais de brandos costumes

Somos o país de brandos costumes, ouço dizer desde jovem. Todavia, a proposição nunca me pareceu convincente e assertiva.

Lembremos dois templos prisionais: o Aljube e o Tarrafal (este visitei há uns anos), locais de prisão, torturas e hediondos crimes contra oposicionistas ao regime salazarista.

Dois símbolos, dos muitos, que fazem sucumbir a autenticidade da ‘tese dos brandos costumes’, com que, recorrentemente, se descreve a sociedade portuguesa.

Dispenso-me de pormenorizar os crimes da política actual. Limito-me a referir a violência da flexibilidade laboral, da ilegítima expropriação de rendimentos dos mais frágeis que o governo de PPC, a mando ou em complemento das medidas da troika, executa com fria indiferença e obscena desumanidade.

A falsidade da presunção dos “brandos costumes” é extensível a ocorrências na sociedade civil. A violência doméstica, restringida a agressões e assassínios do cônjuge perpetrados normalmente por homens; ou ainda a violência infantil, de que nos últimos anos a pedofilia, quase em exclusivo, tem sido objecto de notícias – quem trabalha em serviços hospitalares de urgência infantil sabe da frequência e gravidade dos crimes cometidos sobre crianças.

País de brandos resgates

Dos “brandos costumes” tentamos passar aos “brandos resgates”, pela mão de Bruxelas segundo o Público, reproduzindo o anunciado pelo El País. Que não, é falso!, afiançam outras notícias.

Certo, certo é que, no desmentido, o Público informa que:

A CE só avaliará as opções para apoiar Portugal no regresso aos mercados de dívida no momento devido.

E o momento devido é… depois das eleições na Alemanha – é imperioso não assustar o eleitorado da Sra. Merkel. Além disto, o eventual “brando resgate”, sem o FMI, requer a aprovação do Tribunal Constitucional Alemão e a aprovação dos parlamentos dos países da Zona Euro.

A coisa não está fácil e, de calças na mão, devido às políticas da ‘troika’ e do alucinado Gaspar, entre 2014 e 2016, as necessidades de financiamento do país são as indicadas no gráfico seguinte:

Fonte: FMI

Fonte: FMI

Depois das sufocantes medidas de austeridade a que o povo tem estado sujeito através da flexibilidade laboral, da expropriação inconstitucional de rendimentos e outras expropriações igualmente indevidas, do aumento de impostos, do desemprego, das insolvências e da debandada de portugueses, muitos jovens e altamente qualificados, pelos caminhos da emigração, eis onde PPC, às ordens do incompetente Gaspar, nos colocou: no aumento brutal da dívida que, em 2014, ultrapassará 130% do PIB e sem meios financeiros para liquidar dívidas a vencer.

Se até ao presente já foi doloroso, de 2014 para a frente a terapia será mesmo para matar. Brandamente.

Comments

  1. nascimento says:

    Ui a sério?Tarrafal? Aljube? E sentiste orgulho em todos os sacrificados nestas dezenas de anos?Duvido. No Tarrafallt os porcos comem as pedras….no Aljube está entregue a drogados…o edifício da Pide é hoje espaço de LUXO!!!Quem menosprezou tudo isto? A Direita?Não!Foi a”esquerda” plena de merda….Olá Soares…


  2. Odeio a palavra “povo” faz pensar no clero e na nobreza – Ainda ontem alguém falou na TV nas palavras eruditas (muitas em uso) mas na maioria que já são populares )ou popularuchas diria eu) e de entre mais de 40 mil vocóbulos os bombeiros preferem escolar cadáver, os que escrevem e falam preferem escolher povo e outras palavras menores e aqui8 neste blog os comentadores escolheram também os pensamento menores e mesmo roscofite
    Pena – não é a economia e cultura que degradam nem os governantes e decisores v- é também o tal “povo” lamentável . feio – feio – nos programas de futebol com futebolistas fala-.se melhor

  3. nascimento says:

    Ui Celeste, será Touriga Nacional??’Está marada…dass.que bela Maison…..


  4. Já anda muita gente a morrer. Será é pior a partir de 2014. O novo nazismo europeu. Quem me ler deve dizer que é um disparate, então vejam quantas pessoas a morrer de suicídio, de falta de assistência médica, e outros problemas relacionados com a tortura que o fmi anda a impor um pouco por toda a europa, tudo somadinho não dão meia dúzia de pessoas.

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