Ponto final

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© Jorge Colombo (desenhado com um iPhone)

Eu gostava do Aventar, de que era uma leitora assídua antes de começar a colaborar. Gostava deste pluralismo, desta gente toda a escrever em bom Português nesta espécie de jornal onde podia ir seguindo a actualidade, gostava de uma dinâmica pouco habitual nos blogues, das iniciativas cívicas, das traduções feitas da noite para o dia por dezenas de mãos, dos textos do Francisco Miguel Valada, patriota da Língua no exílio, dos do António Fernando Nabais, um professor que podia ser um jornalista, dos da Carla Romualdo, escritora a fazer-se aqui, dos do Carlos Fonseca, e de alguns outros mais.

Gostava mesmo disto, apesar do excesso de opinião levando os estandartes dos interesses próprios (fenómeno que também assola a generalidade das publicações profissionais) e da falta de outras coisas, as que diferenciam um passatempo para solitários com queda para a escrita de um projecto profissional com gente capaz de narrar o Mundo, de pensá-lo e documentá-lo na sua diversidade, e não apenas de se chegar ao computador regularmente para alinhar palavras umas atrás das outras e mandar postas de pescada nr 2 (que são aquelas mais baratas e pequenas) com base naquilo que andou a ler noutros sites e jornais.

Gostava, também, dos tantos leitores que por aqui passam, das audiências estupendas do blogue, um jornalista sem um jornal gosta sempre de saber que é lido. Mesmo que por vezes discordasse de muito do que por aqui se escreve e faz, sentia-me parte disto, e menos sozinha por poder escrever num lugar que me parecia distinguir-se do chamado “jornalismo do cidadão”, designação que pretende fazer de todos jornalistas e/ou cronistas, como se isso fosse possível ou sequer desejável, num mundo em que a liberdade de expressão de cada um para seu lado serve essencialmente para ser uma ilusão mais no vasto leque de actividades de entretenimento e passatempo que a Internet favoreceu.

O que mudam numa sociedade todas essas palavras, muitas vezes nem tanto assim diferentes (na intenção) do que pode ser lido nas caixas de comentários odiosos de toda a parte? Os textos de Joaquim Carlos Santos, o Joshua Palavroso, espelham o pior de tudo isso e têm vindo a fazer do Aventar um lugar impossível de frequentar.