Morreu o aventador Norberto Pires

Faleceu Norberto Pires, vítima de acidente rodoviário.
Entre as muitas actividades que mantinha, era também autor no Aventar. O jornal Diário As Beiras relata as circunstâncias e fala um pouco sobre o Norberto.

Engenheiro Físico, Norberto Pires doutorou-se em Engenharia Mecânica, especialidade de Automação e Robótica, em 1999. Atualmente, era professor associado, com agregação, na Universidade de Coimbra. A sua grande atividade de cientista e investigador levou-o a publicar inúmeros artigos em revistas especializadas e a desenvolver projetos inovadores de transferência de tecnologia, nomeadamente, na área da robótica.
Norberto Pires era também conhecido pela intensa intervenção social, nos meios de comunicação social convencionais (imprensa e rádio), mas também nos novos media, quer colaborando com o canal web Coimbra TV quer, sobretudo, recorrendo às redes sociais para tomadas de posição de grande desassombro e profunda independência, política e intelectual.
No plano político, foi nomeado presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), em 2012, um ano após ter deixado a presidência do conselho de administração do Coimbra iParque. Em 2013, concorreu à Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, tendo sido eleito vereador.

[Diário As Beiras, 2021/08/11]

Como Aventador, recordamos a sua postura cordata e de intervenção pública na sociedade.
A maior parte de nós, aventadores, não chegou a conhecê-lo pessoalmente. Mas o respeito não é menor por causa disso. Era um de nós.
As nossas sinceras condolências à família e amigos.

Até sempre, Norberto.

Foto-galeria: almoço aventador em Coimbra

O Aventar, ou seja, os aventadores (assumindo, de antemão, que o Aventar é, também, muito mais do que apenas e só quem aventa), reuniram-se ontem em Coimbra para um almoço carregado (e regado) de boa disposição, união entre os diferentes pensadores deste espaço, encontros e reencontros e, acima de tudo, o reforço da amizade que, apesar de todas as diferenças que existem entre os que aqui escrevem, fala sempre mais alto do que qualquer outro valor (ou qualquer desavença que, por vezes, nos atinge também).

Coimbra serviu para reforçar laços, para recordar o João José Cardoso e, como é hábito, o encanto coimbrão agigantou-se quando nos fomos todos embora. Aqui ficam algumas imagens que marcaram o almoço e o dia.

As fotografias são da minha autoria.

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João José Cardoso, a árvore

Ontem, o Aventar foi almoçar a Coimbra, o que é o mesmo que dizer que alguns aventadores foram almoçar a Coimbra, levando consigo o espírito desta agremiação. Aqui não há abstenções, mesmo que haja ausências. Por sua vez, os ausentes estão sempre presentes, porque as palavras servem, entre outras coisas, para garantir a presença de todos e entre as palavras estão os nomes das pessoas.

Se é verdade que o Aventar me serve para dar vazão ao desejo de escrever e de falar, não há linha que substitua estes momentos, cheios de provocações e de abraços ao vivo, convívio de amigos improváveis e prováveis, encontros imprevisíveis, como a vida.

Depois do bacalhau com broa e da visita sacramental ao Santa Cruz, partimos à procura da árvore que foi plantada em homenagem ao João José Cardoso, como bons fiéis desta religião pagã que tem no seu altar a figura do nosso amigo, esse nosso Antero cuja força nos encantou a todos. O mito do João ou o João como mito estão assegurados, porque os que com ele conviveram passaram o deslumbramento aos que vieram depois. É vulgar, assim, ouvirmos dizer aos que nunca estiveram com ele que têm pena de que isso não tenha acontecido.

A árvore lá está e é a cara dele, ao que parece um castanheiro já com pequenos ouriços, a simbolizar aquilo a que o Francisco Miguel Valada chamou o proverbial mau feitio do João.

Se o Senhor é o pastor de algumas ovelhas, o João é o primeiro castanheiro deste souto que somos. Aqui estamos, mais uma vez, pá, à tua volta.

Não sei se nos enganámos na árvore, mas sabemos que acertámos em ti. [Read more…]

O Aventar e as elites


Há 11 anos, visto que não havia maneira de conseguir socialistas para escrever no blogue, o Aventar publicou um anúncio no Público a pedir “Blogger da área do PS e simpatizante do primeiro-ministro José Sócrates”.
Terá sido a primeira vez que muitos de vós terão ouvido falar do Aventar.
A polémica então criada incluiu o crash do blogue por excesso de tráfego; os ataques de falecidos blogues, como o Jugular, sem nunca referirem o nosso nome; e entrevistas de jornais – a nós e a outros por nós referidos.
Numa dessas entrevistas, a historiadora Irene Pimentel, questionada pelo Público sobre o facto de não ter respondido ao convite do Aventar, referiu que não tinha achado o convite interessante. E como não tinha achado o convite interessante, digo eu, não se deu sequer ao trabalho de responder a plebeus como nós.
São assim as tristes pseudo-elites portuguesas. Têm muito, mas falta-lhes algo tão básico como a educação.
Tudo isto para dizer que, ao fim de 11 anos, nada mudou em Portugal. Personalidades como Ana Gomes, Joana Mortágua, Joana Amaral Dias, Raquel Freire. António Barreto, Miguel Guedes, Pedro Marques Lopes ou Daniel Oliveira foram convidadas para escrever no ciclo “Do 25 de Abril à Pandemia”, em publicação, mas nem sequer se deram ao trabalho de responder.
Podiam ter dito seus merdas, acham que estou ao vosso nível?, que não tinham tempo, que não podiam, que não achavam o convite interessante, mas ter-lhes-á parecido que uma elite como é a sua não se deve misturar com gentinha como a do Aventar.
Que nunca teve nem terá dono.

Nota: Um grande obrigado a todos os que responderam ao nosso convite, tenham ou não enviado o texto solicitado.

O Aventar não é um blogue de direita. Nem de esquerda. É do pluralismo e da diversidade

Lembro-me bem dos tempos do passismo, em que a esquerda aventadora, onde me incluo, estava em ebulição. O Aventar é um blogue de esquerda, de esquerdalhos, afirmavam os juízes virtuais. E eu, esquerdalho que vê a coisa de dentro, pensava para mim que o Aventar não era de esquerda nem de direita, mas o simples facto de haver um governo de direita no poder, dava um gás adicional à esquerda da casa.

Alguns anos volvidos, leio por aí que o Aventar deu uma volta, e os juízes virtuais decretam agora que somos um blogue de direita, de direitalhos, e eu olho para o painel de autores e ele pouco se mexeu. Mesmo esta última vaga de jovens talentos, chegada nos últimos meses, praticamente ainda não publicou, com a excepção do Francisco e do João. [Read more…]

Cristina Rodrigues: Com sabor a Abril e cheiro a Cravos

(Por Cristina Rodrigues, Deputada à Assembleia da República)

Não vivi as inúmeras limitações impostas aos cidadãos – e sobretudo às mulheres – durante as décadas do Estado Novo. Não vivi o 25 de Abril de 1974, nem o Verão Quente de 1975. Os momentos atribulados do PREC – Processo Revolucionário em Curso conheço-os do que leio e oiço falar. Mas sei bem o que é viver ao abrigo das liberdades que foram conquistadas graças à Revolução dos Cravos e, nos últimos tempos, sei também o que é ter um vislumbre de as perder, devido à crise pandémica que vivemos.

Foi há pouco mais de um ano – no dia 18 de Março – decretado o primeiro Estado de Emergência e no momento em que escrevo estas linhas vivemos o 15.º. Cada um dos decretos que os regulamentam têm vindo a apresentar diferentes graus de limitações às nossas liberdades mais básicas, limitações que vamos entendendo como necessárias mas, não podemos esquecer, passíveis de dar origem a episódios alarmantes.

Por outro lado, e reconhecendo o desafio que constitui a gestão de uma crise sanitária com a garantia (possível) dos direitos e liberdades dos cidadãos de um país democrático, importa considerar fragilidades que, pré-existentes à Covid-19, se agravaram, nomeadamente a situação das mulheres e das raparigas e as questões ligadas à igualdade de género. E sem uma verdadeira igualdade podemos falar legitimamente em direitos e liberdade?

É factual que, nós, mulheres, temos sido o alvo de discriminação e que os homens têm usado a sua força ou poder com vista a dominar e constranger e, em pleno século XXI, a desigualdade de géneros continua a ser uma realidade no nosso país.

Basta conhecer o número de vítimas de femicídio e violência doméstica – sendo que durante o confinamento muitas vítimas o foram pela primeira vez. A instabilidade provocada pela Covid-19 tem tido particular impacto nas mulheres que, por medo de expor os filhos ao vírus, medo do desemprego, ou da crise económica, ficam especialmente vulneráveis perante cenários de violência doméstica.

Vejam-se também as significativas assimetrias salariais entre mulheres e homens que ocupam os mesmos cargos e executam as mesmas funções. E falando em cenário laboral, somos nós quem mais sofre assédio sexual. Também na grande generalidade dos lares, continua a existir uma divisão das próprias tarefas em casa e dos cuidados com a família que peca por continuar a sobrecarregar as mulheres.

Uma nota de esperança, contudo, surge no Gender Equality Index 2019, que classifica o nosso país como o que maior progressão conheceu em matéria de igualdade de género na União Europeia. Ora esta conquista, com um sabor a Abril e cheiro a Cravos, não admite retrocessos, nem mesmo devido à pandemia. 

 

(fotografia do jornal Rostos)

 

“Do 25 de Abril até à pandemia, O Estado da Liberdade em Portugal”

No âmbito das comemorações do 12.º ano do blogue Aventar e do 47.º aniversário do 25 de Abril de 1974, o colectivo Aventar decidiu convidar um conjunto de personalidades a escrever um artigo de opinião sob o tema “Do 25 de Abril até à pandemia, O Estado da Liberdade em Portugal”.

Ao longo dos próximos dias, vamos publicar os artigos de todos os que aceitaram o nosso convite e partilhar com todos os leitores do Aventar a sua opinião. Desde já fica o nosso muito obrigado e o nosso reconhecimento.

Amanhã, serão publicados os dois primeiro contributos, da autoria do Conselheiro de Estado e fundador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã e da Deputada à Assembleia da República, Cristina Rodrigues.

Próximo dia 25 de Abril: É dia da Revolta!

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15 de Abril de 2009

Foi a 15 de Abril de 2009. A minha primeira vez.

Quando me perguntam o que mais gosto no Aventar respondo com uma simples palavra: Liberdade. Por sinal, a palavra mais bela. A palavra com sentido.A palavra para expôr ao vento.

Conversas vadias 7

A vadiagem, nesta sétima edição, é à volta dos 12 anos do Aventar e das experiências de cada um dos vadios participantes, com passagens pelo Alentejo, por Rui Nabeiro e pelos “coisos”.

Houve dois momentos especiais, com a estreia nesta vadiagem da nossa Ana Reis e a agradável surpresa do nosso Carlos Garcez Osório, que se juntaram aos vadios António Fernando Nabais, Fernando Moreira de Sá, Francisco Miguel Valada, José Mário Teixeira, Francisco Salvador Figueiredo, António de Almeida, João Mendes e Orlando Sousa.

 

Aventar Podcast
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Conversas vadias 7
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81 Mil. Porque um número é um número, é um número, é um número.

O mês de Março vai ficar para a história recente do Aventar. No conjunto leitores/ouvintes, o blogue ultrapassou os 81 mil leitores e ouvintes num só mês, números que já não se viam há muitos anos e que confirmam uma tendência de crescimento verificada desde o último trimestre de 2020. E a estes valores não foram incluídas nem as visualizações nem as estatísticas das nossas páginas nas redes sociais (onde se destaca o Twitter com uma subida consistente nos últimos meses).

A criação do PodAventar, o podcast do blogue Aventar, ajudou e muito a estes números que fazem lembrar os tempos áureos da blogosfera portuguesa. Sem esquecer a chegada de novos membros a esta equipa que continua, 12 anos depois, a renovar-se. Contudo, existe outra razão para este crescimento: a blogosfera enquanto espaço de Liberdade. Aqui (WordPress) o senhor Zucker ainda não consegue introduzir a censura. Aqui (Aventar) todos os autores são livres de escrever o que lhes apetece. Como não estamos sozinhos na blogosfera, nem ela está morta, sabemos que existe um novo fenómeno de regresso de alguns antigos bloggers à blogosfera portuguesa. O que mais nos alegra é ver uma nova geração a chegar. A geração dos nascidos depois de 1990. Cheios de curiosidade. Cheios de vontade. Com uma força tremenda. O Aventar pode orgulhar-se de ser o primeiro dos “velhinhos” a receber essa nova geração e a criar essa mistura de gerações. Sempre com uma regra: Liberdade. Liberdade de expressão. Liberdade de pensamento.

A todos os nossos leitores o devido e sentido: Obrigado.

2009 – 2021: 12 Anos a arejar

Obrigado! Obrigado! Obrigado!

Sim, estamos entre o estado de euforia e o de espanto. E graças a todos vocês! Sim, são vocês, os nossos leitores e ouvintes os responsáveis por semelhante feito. O Aventar está a poucos dias de celebrar mais um aniversário, o 12º ano consecutivo sempre online. Nos períodos áureos da blogosfera fomos crescendo em leitores diários. Fomos marcando presença nas redes sociais (Twitter e Facebook) onde fomos amealhando audiência mas sempre com a escrita no blogue como único meio de comunicação convosco. Fomos subindo nas audiências e a partir de certa altura fomos liderando nos chamados blogues de Política (sendo o Aventar bem mais do que isso). Depois a blogosfera foi definhando mas nós seguimos o nosso caminho, um caminho das pedras por onde fomos caminhando graças a vocês. Aliás, internamente, sempre foi dito que enquanto tivermos leitores, vamos continuar. Persistir. Resistir. E vocês foram o nosso oxigénio. Nos últimos meses os leitores foram crescendo. E o Aventar respondeu com a chegada de novos aventadores, de uma nova geração (não digam a ninguém mas temos aqui na casa, de entre os mais recentes, aventadores com vinte e poucos anos de idade). Até que, em Fevereiro após muita discussão ficou tomada a decisão: avançar com o PodAventar, o podcast do Aventar que serve de complemento ao blogue.

O PodAventar não é um podcast, é o podcast do blogue. Porque o Aventar será sempre um blogue e o PodAventar será apenas mais uma plataforma do blogue, tal como o WordPress é apenas a plataforma da nossa escrita. O Aventar, como os nosso leitores sabem, é um blog colectivo e as decisões são tomadas em grupo. Demoram. São meditadas. Por isso o podcast não nasceu de um dia para o outro. Nem é uma coisa profissional: é gravado via zoom mas só aproveitando o áudio (ainda estamos na fase de ter algum pudor) e gravado onde calha, na varanda de casa, no escritório, na esplanada do café ou em locais ainda mais esconsos. E, de repente, como quem não quer a coisa e estando o blogue apenas alojado na plataforma do blog (WordPress) verificamos que eram muitos, mesmo muitos os que nos ouviam. Até perguntarem no nosso fórum interno: “Será que alguém nos ouve?”. Ao que o WordPress respondeu assim: Só ontem foram 2.514 almas. E as audiências continuaram a subir. E o nosso cepticismo com os números da WordPress também. Até hoje.

Quando hoje recebemos os dados da Apple (só estamos na Apple desde o início desta semana) ficamos sem palavras. E por isso queremos partilhar convosco. São vocês, como atrás se escreveu, o oxigénio que permitiu manter o blogue vivo mesmo quando alguns repetem aos fiéis que a blogosfera morreu. Até escrevem uns livritos sobre isso. Só que existem por aí uns teimosos a contradizer, com factos. Um deles dá pelo nome de Aventar e se as audiências do blogue estavam a subir, agora com o PodAventar triplicaram. Pelos vistos, só somos batidos (na categoria daily news e na Apple) pelos pesos pesados internacionais. Quem são estes gajos do New York Times? Ou aqueles ali do The Economist ou da CNN? Estamos em sétimo lugar, logo acima do segundo português na lista, a Antena 1 – Notícias. Ou seja, estamos em boa companhia. Como sempre. Na sua companhia.

Por isso, OBRIGADO! Muito Obrigado a si. E sigam as gravações que isto ainda agora começou.

Estreia a Aventar

[Renato Teixeira]

Em tempos, quando saí do 5Dias, cheguei a conspirar com o João José Cardoso para rumar ao Aventar. Hoje já não temos entre nós o saudoso JJC mas essa conspiração ganhou forma pelo convite do Fernando Moreira de Sá. A blogosfera mudou muito nos últimos anos e eu não serei excepção a esse fenómeno. Dos acesos debates sobre este mundo e o outro, onde o tempo era mais importante que a gramática, agora o que se mantém vivo parece ser à conta mais da análise do que pelo relato do quotidiano. Mais pela investigação e denúncia, do que pelo pulsar de estados de alma. Não sei, agora que dou início a esta participação, o que mais me motivará, cá estaremos, eu e vocês, para o descobrir. Para quem nunca se tenha cruzado comigo cabe-me fazer a devida apresentação e declaração de interesses. Sou jornalista de formação e trabalho como consultor de comunicação, actualmente ao serviço do Sindicato dos Estivadores. Como jornalista trabalhei sobretudo temas relacionados com a política nacional e internacional e como consultor de comunicação passei de forma fugaz pela NextPower, do universo da LPM, e de forma mais prolongada pela CV&A. Politicamente comecei o meu envolvimento no movimento estudantil e no movimento antiglobalização e estive nos primeiros anos do Bloco de Esquerda, projecto que abandonei quando a maioria do partido deixou de colocar o PS no arco da governação para o passar a ter em conta para uma alternativa política. O Zé que fazia falta ao PS na CML, foi mesmo o balão de ensaio da geringonça. Depois de sair do partido dediquei-me sobretudo ao movimento social e sindical, bem como à causa palestiniana. Sou um refugiado de Coimbra em Lisboa, antigo da República Prá-kys-tão, apreciador de futebol e de gastronomia e serei sempre antifascista antes de tudo o resto. Obrigado ao colectivo pela abertura das portas deste espaço, onde espero poder contribuir para a bonita história de longevidade e diversidade que o Aventar representa.

Não podia dar inicio à minha participação no Aventar sem a devida homenagem a João José Cardoso, com quem partilhei a experiência militante, o amor pela escrita e a paixão pela Briosa.

O Aventar agora, também, em Podcast – PodAventar

Sejam bem vindos ao PodAventar, o podcast do blogue Aventar

A partir de agora, tudo o que se passa no Aventar também se passa no PodAventar. Todos os dias o Aventar vai actualizar os seus conteúdos no PodAventar e temos uma programação diária para os nossos leitores:

“Sons do Aventar”: Segundas e Sextas feiras por volta das 12 horas com uma selecção de músicas escolhidas por diferentes aventadores/as
 
“Sopa de Letras”: Terças feiras pelas 12 horas um magazine cultural
 
“Pod ser ou nem por isso” (debate): Quartas feiras pelas 18 horas é lançado mais um debate livre
 
“Com o pé que está mais à mão”: As Quintas feiras ficam dedicadas ao futebol (18 horas)
 
“Conversas vadias”: As Sextas feiras são dia de conversas vadias não aconselháveis a menores de idade e pessoas susceptíveis. É o Aventar em roda livre. Sempre a partir das 22h
 
“Aventar com”: Aos Sábados a entrevista com um convidado/a (18 horas)
 
“Esquerda Direita Volver” (debate): Aos Domingos a política em debate a partir das 18h
 
“Pod do dia”: Todos os dias e a qualquer hora pode ser ouvir o Pod do Dia. 

 

Aventar Podcast
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O Aventar agora, também, em Podcast - PodAventar
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João

Mais mês, menos mês, faz dez anos que o João me convidou para o Aventar.

Ao João não se podia recusar um convite sem ele se tornar chato. Um chato especial, é certo, mas chato.
O João podia ser um chato maravilhoso, cheio de doçura e candura, insinuante e convincente, e podia ser ríspido e cortante como um x-acto. Era capaz de ser chato quando falava e tataramudeava, e era capaz de ser chato quando se calava e nos olhava com olhinhos trocistas e aquele sorrizinho fuinha.
O João era capaz de ser chato até quando nos encantava. Se alguém não acredita que se pode ser chato e encantador, não conheceu o João. Mas também podia ser um adversário terrível, persistente até ao tutano, determinado como só um grande chato o pode ser.
O João, para dizer a verdade, até na morte foi chato. Não apenas porque morreu, porque essa é a suprema chatice, mas também pela forma como não morreu. Os outros muito nossos que morreram, o Tó, o Rui, o Paulo e mais alguns, ficaram postos em sossego e, depois de devidamente chorados, só aparecem raramente, de longe em longe, numa imagem fugaz, numa frase que recordamos, numa história que contamos, e regressam de novo ao seu repouso lá para os lados obscuros da eternidade. É como se tivessem morrido antes de nós para nos ensinar como se morre, como se permanece imóvel e ausente na penumbra, como, afinal de contas, se comporta um morto depois depois de ter morrido.
O chato do João, não. Está sempre a aparecer quando vamos na rua, quando bebemos um copo, quando discutimos uns com os outros. É inconveniente, interrompe-nos a leitura de um livro sem pedir licença, distrai-nos quando vemos um filme, espreita por cima do ombro se escrevemos um texto, fala-nos ao ouvido quando estamos em silêncio, põe-se a dizer larachas, a fazer advertências, a responder sem ser perguntado. E continua a mandar-nos à merda sem respeito nenhum. “Porra, pá, nunca mais aprendes”, “eu tinha-te avisado”, “és sempre a mesma merda mas já estou habituado”, “se eu não te conhecesse, até era capaz de te dar razão”, “se queres ir aí, vai, mas é só porque não percebes nada do assunto”, “Já te disse mil vezes onde é que se come o melhor cabrito aqui perto, isto se conseguisses imaginar o que é um cabrito a sério”.
O João é tão chato, aliás, que me obriga, para além de o ouvir, a falar com ele quase todos os dias, a fazer-lhe perguntas, a dar respostas por ele, a interrogar-me sobre o que ele acharia disto ou daquilo, a desatinar com ele e apanhar-me a dizer em voz alta “tá as a ver, meu cabrão, aconteceu exactamente como eu te tinha dito”, “olha, João, vai à merda mais o teu cabrito. Descobri um muito melhor que o teu, mas tu é que percebes de cabrito”, ou, quando ele, só para chatear, me vem falar do FCP, “epá, João, às vezes consegues ser quase tão fanático como o Pinto da Costa”. E leva-me regularmente a desabafos “Percebes, João? Esta treta não é fácil”, “Já viste isto?…”, “Repete lá aquela cena…”

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O elogio da saudade

João Branco

 

Certo dia, Jean-Paul Sartre afirmou que “cada palavra proferida surte as suas consequências, mas, cada silêncio também”. O silêncio mata mais do que um berro, do que uma discussão acalorada, fruto do momento. O silêncio é a arte da tristeza, os píncaros da solidão, o maior inimigo humano. Antoine Saint-Exupery pintou o quadro construtivista da nossa existência enquanto ser social, quando ditou que “somos responsáveis por todos aqueles que cativamos”.
O tempo, esse magnífico escultor de Yourcenar, não perdoa e avança a galope pela estrada fora, qual Julian Alaphillippe nos cumes dessa Europa. Se a minha vida fosse uma subida ao Muur-Kapelmuur ou ao Muur de Huy, certamente nunca teria passado da base.
Como um dia cantou Kate Bush: “se eu pudesse fazer um acordo com esse Deus de mil faces, e o convencesse a mudarmos de posições, eu subiria com todo o gosto essa estrada, essa colina, esse edifício” vezes sem conta, mesmo se não fosse para cortar a fita na primeira posição, porque saberia de antemão que estaria a chegar e a aspirar sempre a um mundo melhor.
Tu és e sabes que és o meu mundo melhor. A crítica mais certeira e aquela que me doeu mais nos últimos anos, porque de facto roça a obscenidade da verdade, esse valor tão raro nos dias que correm e como tal tão obsceno para tantas pessoas, foi proferida por uma das pessoas descritas neste breve exercício de ajuste de contas com o meu passado, com esse tenebroso monstro que por vezes não nos deixa avançar: “Tu prometes mundos e fundos às pessoas e depois nunca cumpres, não porque não queiras ou porque não trabalhes para isso, mas porque as tuas expectativas são sempre superiores à tua capacidade de trabalho”. Passaram 10 anos sobre a formação desta casa aberta por uma das pessoas com as quais me pretendo reconciliar nesta casa com este texto, o Ricardo. Porém, antes de passar ao Ricardo, que ainda está vivinho e de boa saúde, vêm-me à mente duas outras pessoas do meu passado com quem me quero reconciliar: uma infelizmente não está entre nós. A outra ainda está mais presente do que nunca, apesar da distância. Este post é dedicado ao Ricardo, ao João José e à Natascha, três das pessoas que mais rasto deixaram na minha existência, três das pessoas que mais marcas me deixaram no corpo.

“Eu sei que a saudade está morta… Quem mandou a flecha fui eu” – Conan Osiris

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Aventar – Foi há 10 anos

No dia 30 deste mês que hoje se inicia, o Aventar vai comemorar 10 anos.

Uma década não é muito. Aliás, uma década não é nada. Num universo de milhares de milhões de anos e de milhares e milhões de pessoas, o que são 10 anos? O que é uma pessoa?

Ainda assim, porque cada um de nós tem uma história, queremos assinalar a data. Porque o Aventar tem sido muito importante na nossa vida. E porque vai perdurar mesmo depois do fim. Por muitas razões, mas sobretudo pelas amizades que se fizeram por aqui ao longo deste tempo.

Queremos que comemorem connosco. Escrevendo, que é o que se faz por aqui. Autores, ex-autores, comentadores, leitores, bloggers, políticos, humoristas e por aí fora. Sobre o que quiserem e da forma que quiserem. Nem que seja para dizerem mal de nós, que poder de encaixe é o que não falta ao pessoal (bem, a alguns…).

Estão todos convidados. O mail para envio dos textos é este:
e

O Aventar não é de Esquerda

Há dois dias, saiu na SIC uma peça sobre Fake News. Não nos pronunciando sobre o conteúdo da peça, algo que apenas faz sentido em publicações individuais, dada a inexistência de uma linha editorial no blog, não podemos deixar passar em branco uma imprecisão jornalística, nomeadamente a afirmação sobre o Aventar ser “um blog de esquerda“.

O Aventar é, desde o seu início, um blog pluralista, com autores de todos os quadrantes, políticos e não só. Quem lê o Aventar com continuidade, poderá constatar que assim é. Cada autor publica sobre os temas que bem entende e quando acha oportuno. Daí poderá resultar um maior número de posts considerados “de esquerda” – tanto quanto estas categorias ainda sejam referenciais válidos. Apenas artigos assinados pelo autor Aventar constituem posições colectivas de comum acordo.

O Aventar é, há 9 anos, um espaço pluralista, de controvérsia e de saudável debate. E assim continuará a ser.

Pelos vistos, Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da CM de Gaia, acha que se quiser pode escrever no Aventar. Não pode.

Disse quem lá esteve, e pelos vistos terá mesmo sido gravado, que durante o julgamento de Eduardo Vítor Rodrigues por difamação, o autarca de Gaia terá referido que, caso quisesse, poderia escrever no Aventar. Não sei se o militante do PS terá confundido o Aventar com o Acção Socialista, mas este blogue, portuguesmente falando, não é o Largo do Rato nem a casa da mãe Joana.

Tais declarações, que não passam de fake news com um toque nada subtil de fanfarronice, são um completo disparate. Eduardo Vítor Rodrigues NÃO pode escrever no Aventar. Não pode e não lhe adianta nada querer. E não pode por uma razão muito simples e concreta: porque eu não quero, e o meu querer, ao contrário do querer do autarca de Gaia, tem impacto directo na gestão do Aventar. [Read more…]

Botões de partilha nas redes sociais

O Aventar deixou de usar há algumas semanas os botões padrão para partilha de artigos no Facebook e no Twitter. A razão desta opção não é nova e até já é conhecida há muito. Estes botões adicionam código ao Aventar (e a todos os sitios que os usem, na verdade) que permitem ao Facebook e Twitter saberem o que é que os nossos leitores fazem no blog. Inclusivamente para não utilizadores destes serviços, há recolha de informação que é usada para alimentar perfis sem nome atribuído.

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9 anos de Aventar

Em Março passado, no dia 9, o Aventar fez 9 anos. O blog deve estar a chegar àquela idade em que não se fala de aniversários, já que a data não passou de uma brisa, que se sente, mas sem merecer grande reparo. Talvez voltemos a falar no assunto quando chegar a data redonda, quiçá cunhada no livro de que falamos há anos.

Por hoje, fica este apontamento e uma nota sobre o dia 4 de Abril de 2014 onde, num único dia, o Aventar foi lido por mais de 133 mil visitantes. Aproveitando para para partilhar mais um pouco sobre a vida interna do blog, desde que estamos nesta plataforma, há 7 anos, foram publicados 32 mil posts, que trouxeram 16.6 milhões de visitas por parte de 6.4 milhões de visitantes.

Obrigado a todos os que fazem diariamente este espaço, leitores e autores.

Sobre a classificação de posts e comentários

Houve uma operação inesperada que alterou algumas configurações do Aventar. Estamos progressivamente a repor as funcionalidades, mas algumas não ficarão no estado anterior a este incidente. Uma delas é as votações dos posts e comentários (polegares para cima e para baixo), que se perderam, estando agora a zeros. Lamentamos o inconveniente, mas são ossos ofício.

Actualização: Foi possível repor os votos dos polegarezinhos.

O Aventar faz 8 anos


Ao mexer em papéis velhos, encontrei esta relíquia que nem sabia que ainda tinha.
Na tal noite de boémia de Cinfães, a certa altura peguei num papel e escrevi isto. A história do Aventar começava aí…
Parabéns a nós.

Andas com pouco sentido de humor, comentador do Aventar

Como sabes, comentador do Aventar, eu sou de Esquerda. Mas de Esquerda mesmo Esquerda. Não deste PS travestido de Esquerda que hoje governa o país com o apoio da Esquerda mesmo Esquerda. Eu é mais PCP ou Bloco.
Mas desde que deixei de ser um aspirante a betinho do Pinheiro Manso sem qualquer consciência política, nunca mudei.
No blogue, também não. Bati sem descanso em José Sócrates e dei descanso à Direita. Bati como se não houvesse amanhã em Pedro Passos Coelho e esqueci os ontens de José Sócrates. E agora, para dizer a verdade, comentador do Aventar, não quero saber de Pedro Passos Coelho para nada e interessa-me é o que está este Governo a fazer. E sempre que estiver a fazer mal, António Costa há-de levar como levaram os outros. Isto porque tenho uma ideologia, mas não tenho grandes ilusões acerca do ser humano.
Sabes, vou dizer-te um segredo: o meu maior sonho era ver um Governo de Esquerda mesmo Esquerda a governar Portugal. Um Governo do PCP e do Bloco! Mas nesse mesmo dia, estaria na linha da frente para lhe bater sempre que fosse preciso.
Eu não mudei, pois. Mas algo mudou.
É que a certa altura, comentador do Aventar, vinhas para cá fiado de que ias ler coisas de Esquerda. E ultimamente – e como rejubilo! – a Direita voltou finalmente à luta e agora volta a haver um certo equilíbrio.
Isso não deve tirar-te o sentido de humor. Por exemplo: [Read more…]

O Aventar não é (nem nunca foi) um blogue de Esquerda

Nunca é demais contar a História do Aventar, até porque começa hoje o mês em que comemoramos 8 anos de vida.
Recordo: vindo do 5 Dias, um blogue de comunistas e bloquistas, decidi criar um blogue que, ao contrário da maioria, fosse pluralista. Ou seja, com pessoas de Esquerda e de Direita e sem qualquer tipo de alinhamento ideológico definido.
Foi assim que comecei por convidar o Luís Moreira, que estava na área do PSD e que chegou a desempenhar cargos políticos de relevo durante os Governos de Cavaco Silva.
Depois dos restantes fundadores, dos quais só restam hoje a Carla Romualdo e o João Paulo Silva, o Aventar foi vendo aumentar o número de escribas, sempre com a preocupação de manter um certo equilíbrio. Ao fim de poucos meses, tínhamos gente como o Fernando Moreira de Sá, o Carlos Garcez Osório ou a Daniela Major, na área do PSD e do CDS, e gente como o João José Cardoso, o Fernando Nabais ou o Jorge Fliscorno, todos de Esquerda. Com a excepção do nosso Maior, todos os outros por cá andam. [Read more…]

Da Capela à Adega

Tudo começou na esplanada da “Capela Incomum” entre conversas e copos de vinho (o Evel Branco estava muito bom), o ponto de encontro para mais um jantar do Aventar onde o Porto foi repetente.

E que melhor sítio do que uma capela para redimir os “pecados de escrita” destes bloggers que teimam em continuar livres e fieis à blogosfera. Nestes tempos em que os blogues vão finando, o Aventar continua a resistir. A romaria seguiu para a Adega do Carregal, não sem antes um dos presentes exigir a presença de uma televisão para assistir ao FCPorto-Tondela. A que não faltou o tiro certeiro do nosso Lucky Luke – “E a federação não faz nada?”. Nada, não fez nada e a Adega não tinha a SportTV. Mesmo assim, ouviram-se juras à veracidade da grande penalidade.

Da posta ao bacalhau passando pelos rojões, não ficou pedra sobre pedra numa noite onde se discutiu Guimarães, Sabrosa, Viseu, Viriato, Fernão de Magalhães, Sócrates, Cavaco, Marcelo, Costa, Geringonça, Turismo, futebol, cinema, literatura e não se esqueceu as referências às viúvas, Galamba e ao Abrantes. Venha o próximo repasto.

Ajustes directos à Lupa

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A cidadania, salvo melhor definição, é o conjunto de direitos e deveres do indivíduo em relação à sociedade em que vive. A cidadania é a representação máxima do nosso direito de ter e expressar ideias, de poder livremente votar sem qualquer constrangimento exercendo plenamente os nossos direitos civis, políticos e sociais.

Ora, ao longo dos anos o Aventar sempre procurou ser um instrumento de Cidadania. O exemplo mais conhecido foi a tradução para português do famoso “Memorando da Troika”, um documento de fundamental importância para todos os portugueses e que os poderes públicos à época nem se dignaram a traduzir para a nossa língua.

Estando a chegar mais um período de eleições autárquicas e pela importância das mesmas para a nossa vida quotidiana e tendo presente que Portugal continua a viver sob o jugo de uma enorme dívida externa contraída ao longo dos anos pelos diferentes detentores do poder político executivo, o colectivo Aventar entendeu que é importante que todos nós, detentores do livre direito ao voto, possamos conhecer em que é gasto o nosso dinheiro. A promoção da transparência na gestão da coisa pública – eis aquele que é um dos nossos deveres (e direitos).

Melhor dito, é importante que todos saibam como é gasto o nosso dinheiro, ainda para mais quando vivemos uma época de “vacas magras”. Todos sabemos, até porque outros blogues e sites, antes de nós, também têm tentado fazer este serviço público, que os gastos das 308 autarquias locais não são fáceis de escrutinar pelos cidadãos. [Read more…]

Feliz Natal


Quando penso em canções de Natal, não consigo abandonar estas duas. Uma delas, a dos Killers, um grupo muito ligado à história do Aventar; e a outra de alguém que admiro muitíssimo, Shane MacGowan,o vocalista dos Pogues.
Trago sempre estas canções neste dia, é possível que me esteja a tornar repetitivo. Já pareço o nosso João Mendes com o seu Passos Coelho (estou a brincar, meu querido, o teu trabalho é valioso e alguém tem de o fazer, eu só não o faço porque nunca gostei lá muito de bater em mortos).
A verdade é que gosto muito do Natal. Mesmo sendo um ateu empedernido e detestando esta sociedade de consumo globalizada em que o mundo se tornou. Enfim, o ser humano é feito de contradições. Quando se tem crianças em casa, vemos a realidade de forma diferente ou, pelo menos, tentamos.
Neste dia em que, ao fim de 45 anos, estou pela primeira vez sem o meu pai, desejo um Feliz Natal a todos.

Os bons, os maus e o comboio

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Dou por mim parado na estação de Coimbra B e recordo-me do dia em que vi, pela primeira vez, o João José Cardoso. O João José, a Noémia e o Ricardo, a Carla e o petiz, o Dario, o Orlando e o Nabais e acho que, do pouca-terra que partira de Campanhã, éramos estes. Em Coimbra, naquele belo tasco forrado a retalhos de individuais de papel, com palavras de ordem e devaneios boémios, conheci mais uns quantos. Se a memória não me trai estava lá o Valada, a Eva, o Jorge e o Fernando, que chegou mais tarde. Um dia bem passado, bem regado e de pança cheia. Um raro dia de convívio em que ocupamos o mesmo espaço físico, não descurando todos os dias em que nos encontramos, virtualmente, para arquitectar conspirações, parvoíces e coisas sérias. [Read more…]

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