As saladas portuguesas no ‘buffet’ da crise mundial

A gastronomia portuguesa é histórica, saborosa, prestigiada e prolífera. Somos um povo multisecular, nascido e disseminado por terras e ‘mares nunca dantes navegados’. Somos, naturalmente, o povo da miscigenação universal – Património Material, Dinâmico e Multiplicador da Humanidade. 

Sim falo, por ora, dessa miscigenação, a mais comum, gozada a dois e procriadora. No entanto, acrescento ter sido banhada por fluídos leitos em roteiros culturais e hábitos de vida. Com destaque para a  criatividade culinária, onde se inscreve o caril de caranguejo à goesa, a cabo-verdiana cachupa, a muamba e misongué de Angola ou ainda o bolo de caju e batata e o caril de frango moçambicanos. A tudo isto e muito mais, juntam-se outras iguarias do solo pátrio: da caldeirada ao cozida à portuguesa, da sardinha assada às tripas à modo do Porto, do cabrito à padeiro às ferreiras algarvias na grelha, há um mundo interminável de sabores, de belos sabores.

Todavia, em época de doentes crónicos e de “tesos” à força, os nossos hábitos alimentares têm estado em permanente e gradual depressão. Subordinados ao ‘buffet’ da crise financeira mundial, o cardápio nacional reduz-se agora a meras saladas, como estas:

Com estas e outras indigestas hortaliças, estamos na expectativa de saber se terminamos em estado de prurido anal, coceira no ânus e obstipação crónica; ou de diarreia, ao menos resolúvel com terapêutica  eficaz, a fim de evitar a liquefação pútrida e letal de muitos portugueses. É que nem o hipoclorito de sódio ou outro anti-corrosivo têm capacidade de eliminar fungos, bactérias e outros germens acomodados em tais saladas.