Bom proveito!

Ou, como dizem os franceses, bon appétit!

Um país a papas

Ainda não estamos totalmente a «pão e água», mas para lá caminhamos…

Lê-se hoje no Público: ” Uma refeição que custa 23 cêntimos ganha outro significado quando o orçamento familiar está em derrapagem. Por isso, a Nestlé já sabia que as vendas da sua histórica marca Nestum iriam crescer com a crise. Contudo, o gigante alimentar não contava com uma subida tão expressiva (…) mais 7% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado. (…)Não são só as crianças entre os três e os 10 anos que estão a comer mais Nestum. Também os mais velhos, acima dos 60, substituem o jantar ou o almoço por um prato de papa que “custa menos do que um café e é nutricionalmente equilibrado.”

Nestum ao pequeno-almoço, Nestum ao almoço e Nestum ao jantar.

«- O que nos diz a isto sr. PM?»

«- Há sempre as variantes Nestum Figos, Nestum Mel, Nestum Flocos de Cereais, Nestum Maça Canela…».

Dia do Planeta Terra

Algumas ideias avulsas que me ocorre dizer neste dia…

A população mundial chegou aos 7 mil milhões, mas está muito envelhecida e não sabe lidar bem com isso. 

Os idosos morrem sós…

O Homem ainda não aprendeu a aceitar as rugas no rosto e no resto do corpo por mais voltas que a Terra dê. Muito menos a natural morte por mais que assista à das plantas e dos animais e de tantos seres humanos ao seu redor.

A esperança média de vida aumentou, mas morremos por doenças diferentes às que matavam no passado. Doenças deste tempo: ansiedade, stress, depressão e outras bem nossas conhecidas. [Read more…]

Uns pedem pão, outros compram IPad

  

Dois mundos completamente diferentes coexistindo, no nosso tempo.

Enquanto que a Etiópia procura que todas as suas crianças tenham acesso ao ensino primário; enquanto muitas mulheres do Senegal anseiam pelo curso de alfabetização (querem somente aprender a ler e a escrever), agora que mais libertas de tarefas como moer milho (constato surpreendida que ainda há mulheres que moem milho); enquanto Moçambique luta por diminuir a taxa de mortalidade infantil e a Tunísia reduzir a de mortalidade materna; enquanto na África do Sul ainda não é possível garantir a todos o acesso a água potável;

os americanos ou nós, países mais desenvolvidos e ricos, esperámos exibir o último brinquedo tecnológico e, de preferência, ser o primeiro a comprá-lo para aparecer numa foto de jornal, na internet, no mural do facebook, etc. [Read more…]

Hoje dá na Net: Libertação Animal


Libertação Animal, livro do filósofo e professor australiano Peter Singer. O seguimento natural dos filmes apresentados anteriormente nesta rubrica, Earthlings: Terráqueos e Food, inc..
«Libertação Animal» é considerada a Bíblia dos Vegetarianos. Neste livro, a que se seguiram muitos outros, Peter Singer desenvolve o conceito do Especismo, equivalente ao Racismo mas direccionado para as Espécies. Ou seja, a discriminação contra determinados seres por causa da sua espécie é intolerável. Assim, considera, a dieta vegetariana é a única aceitável e a única que não implica sofrimento para os animais.
Para os interessados, aconselho a leitura de dois textos, «Vegeterianismo Ético», publicados no Aventar por Maria Pinto Teixeira.
O livro completo de Peter Singer, Libertação Animal, Edição Portuguesa, pode ser lido aqui.

Hoje dá na Net: Food, inc.

Food, Inc. é um documentário que chegou a ser nomeado para os oscares em 2010 e que retrata a realidade americana da indústria da alimentação.

Desde a concentração num pequeno número de empresas da quase totalidade da produção alimentar, ao impacto das cadeias de fast-food, passando pela produção verdadeiramente industrializada do que comemos (seja animal ou vegetal) e não esquecendo os lobbies e as relações perigosas entre regulamentadores e empresas regulamentadas este documentário deixa-nos um cenário bastante sombrio dessa indústria.

“A indústria (da alimentação) não quer que saiba o que está a comer, porque se soubesse talvez não a quisesse comer.”

O que vale é que na europa é tudo diferente…. ou não?

Página do IMDB.Legendado em português


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Um restaurante em Coimbra

Tenho dois amigos visionários, casados um com o outro, ele, um comunicador puro, ela, uma mulher de acção. Há uns anos, contra todas as expectativas, resolveram criar um restaurante numa aldeia improvável, perto da Guarda. Deixando para trás comodidades e enfrentando riscos, o Eugénio, hedonista a tempo inteiro e antigo relações públicas, fez-se chefe de sala; a Manucha saltou dos jornais e das escolas para a cozinha, dotada também de mãos que tornam simples o acto de criar pratos extraordinários. [Read more…]

Desperdício

 Buenos Aires gera muito desperdício Buenos Aires gera muito desperdício

 O desperdício.

Ele é a faixa mais larga de todo o acontecer no universo.

E na vida.

Que mundo incrível se perdeu com as pessoas que se não cumpriram, que fração enorme do cérebro ficou sem aplicação.

E numa simples vida, que gasto enorme no comer e no dormir.

(…) nessa desproporção alucinante entre o que se desperdiça e o que se aproveita, o homem cria o espaço para ser maior que o universo.

                                                      (Vergílio Ferreira, Pensar)

As saladas portuguesas no ‘buffet’ da crise mundial

A gastronomia portuguesa é histórica, saborosa, prestigiada e prolífera. Somos um povo multisecular, nascido e disseminado por terras e ‘mares nunca dantes navegados’. Somos, naturalmente, o povo da miscigenação universal – Património Material, Dinâmico e Multiplicador da Humanidade. 

Sim falo, por ora, dessa miscigenação, a mais comum, gozada a dois e procriadora. No entanto, acrescento ter sido banhada por fluídos leitos em roteiros culturais e hábitos de vida. Com destaque para a  criatividade culinária, onde se inscreve o caril de caranguejo à goesa, a cabo-verdiana cachupa, a muamba e misongué de Angola ou ainda o bolo de caju e batata e o caril de frango moçambicanos. A tudo isto e muito mais, juntam-se outras iguarias do solo pátrio: da caldeirada ao cozida à portuguesa, da sardinha assada às tripas à modo do Porto, do cabrito à padeiro às ferreiras algarvias na grelha, há um mundo interminável de sabores, de belos sabores.

Todavia, em época de doentes crónicos e de “tesos” à força, os nossos hábitos alimentares têm estado em permanente e gradual depressão. Subordinados ao ‘buffet’ da crise financeira mundial, o cardápio nacional reduz-se agora a meras saladas, como estas:

Com estas e outras indigestas hortaliças, estamos na expectativa de saber se terminamos em estado de prurido anal, coceira no ânus e obstipação crónica; ou de diarreia, ao menos resolúvel com terapêutica  eficaz, a fim de evitar a liquefação pútrida e letal de muitos portugueses. É que nem o hipoclorito de sódio ou outro anti-corrosivo têm capacidade de eliminar fungos, bactérias e outros germens acomodados em tais saladas.

Do fast food

Por principio sou quase sempre contra taxar alguma coisa. Soa-me sempre a proibição e embirro com isto. Gosto de fazer o que quero e não chateio ninguém. Assim, acho que esta ideia de se taxar o fast food é, vá, estúpida. Eu entendo que para os médicos seria muito bom se toda a gente comesse peixe e verduras e não houvesse obesidade. É só pena que o peixe esteja ao preço a que está e um kg de cerejas custe para ai 5 euros.
É bonita a ideia. Mas voltamos à questão. A fast food é boa de facto, sou a primeira a admitir que aprecio um bom hamburger repleto de químicos e batatas fritas cheias de sal que me vão matar antes de eu chegar aos 40. Mas…pergunto-me, não será que a decisão de ter 100 quilos e morrer antes do 50 é minha?
Para além disto, não será também verdade que um prato saudável confeccionado em casa custa o dobro do que ir comprar um congelado qualquer e po-lo no microondas? Em vez de taxarem o fast food não aumentem o IVA em alimentos saudáveis. Isso sim era uma medida coerente. Esta notícia do expresso: Europa prepara-se para declarar guerra ao lixo alimentar é bem demonstrativa disto. Quais foram os países que implementaram com sucesso esta medida? Os países mais ricos. Finlândia, Dinamarca, Suiça, Áustria. Por seu lado, a Roménia bem tentou mas desistiu.
Isto é tudo muito idílico de facto. Que bom seria viver num país onde uma criança pela-se por uma boa couve ou por uma verde alface. Mas a verdade é que um big mac alimenta para o dia todo e custa 4.90. E é verdade também que ainda ontem, falando em médicos, na RTP uma notícia dizia que as crianças estão a deixar de tomar as vacinas para a meningite porque não há dinheiro para as pagar. Isto tem tudo uma ligação. É pensar e olhar em volta antes de abrir a boca.

A sardinha quer-se como a mulher

(Foto do "Super Receitas")

Diz o povo que “a mulher quer-se como a sardinha: pequenina”.

Pois eu prefiro a sardinha como a mulher: boa. E sardinha boa é coisa cada vez mais rara. Não sei se se passa o mesmo convosco, mas este ano só me tem caído no prato sardinha congelada, e em pleno S. João. Uma miséria.