Para alguns portugueses – incluindo André Ventura, que parecia um groupie erecto a contemplar o criador – Pedro Passos Coelho é uma espécie de figura messiânica e impoluta que paira acima do comum mortal.
Ainda tenho memória das mentiras pré-eleitorais, daquilo que foi feito a Manuela Ferreira Leite, da escolha entre a aprovação do PEC IV ou eleições internas, da Tecnoforma, do “ir além da Troika” e de outros sucessos de bilheteira que demonstram, de forma categórica, que Passos não só não paira como está ao nível de qualquer comum mortal, com virtudes – eu não as conheço, mas seguramente as terá – e defeitos.
Seja como for, Passos é, como todos nós, fruto das suas próprias circunstâncias. Tem todo o direito a ter aspirações políticas e de poder, como tem todo o direito de se converter ao radicalismo de direita. Mas a ideia de reserva moral da nação é solo estéril que não dá frutos. Nem flores. Nem ervas daninhas.
Não vou perder tempo a explorar o oportunismo de quem, no espaço de 10 anos, passou de se apresentar como um social-democrata, para de seguida se converter num neoliberal e terminar em tertúlias semanais com a direita radical e a extrema-direita.
Mas vê-lo descer ao pedropintismo de chamar “prostituta” a Luís Montenegro é degradante e revela bem quem Passos Coelho é sem o filtro politicamente correcto que usava na década passada.
Não surpreende, por isso, que defenda, de forma tão acérrima, a aproximação entre conservadores e populistas protofascistas. Move-se bem entre os primeiros, que vêm nele uma divindade, e é fluente no idioma dos segundos, que o veneram como os primeiros. Qualquer dia ainda se juntam para criar um culto como aquele que se instalou na Casa Branca.






Mas atenção, só na Casa Branca!