Volto ao bar do Sérgio e a esse exercício disfórico que é deixar atrás de mim a tarde ainda tão diurna para entrar a meio dela na escuridão de um bar. Outros já lá estão, companheiros do primeiro jogo, cumprimentamo-nos como náufragos que se reencontram numa gruta sombria para fazer juntos qualquer coisa ilícita. A rua fica de novo subitamente deserta, a tarde outra vez suspensa durante o tempo de um jogo de futebol que é muito mais do que um jogo de futebol. Naquele jogo joga-se a ideia de um país. Quantas expectativas há nele depositadas, como apostas delirantes jogadas em favor de uma ideia de grandeza cuja comunhão apenas através dele se realiza? No bar do Sérgio temos todos fé, ou não fôssemos nós portugueses. A palavra milagre anda por ali perto e queremos todos ser testemunhas desse fenómeno extraordinário que premeia os crentes.
Última crónica do Mundial [Portugal/Gana]
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