Aqui está um vídeo picante para Fernando Alexandre. Quando ele o vê, até deve fraquejar das pernas.
As questões seguintes não interessam para nada perante este aparato de modernidade (apesar de parecer modernidade do tempo da revolução industrial).
1. Este esforço todo para algo efémero, que perde valor em algumas semanas, é justificável?
2. Acrescenta algo à anterior classificação manual, quando, com esta, apenas 1.52% das provas tinham a classificação alterada devido aos pedidos de revisão dos alunos? (dados do PÚBLICO; 2*0.76=1.52)
Dantes: trabalho feito com os recursos já existentes no Estado, a tempo e horas e com fiabilidade. Agora: investimentos em crescendo, qualidade duvidosa e prazos a resvalarem. Mas, atenção, é moderno.
Tive a sorte de entrar para a Universidade no ano anterior à PGA. Sorte porque pude fazer o secundário do princípio até ao fim sem grandes alterações de programa, com a mesma fórmula de cálculo da média do secundário e sabendo ao longo do secundário qual seria a forma de concorrer à universidade. Que luxo. A partir de 1989, foi um constante corrupio de experimentação, sempre feito a meio do ano para entrar em vigor no ano lectivo prestes a começar.
Esta digitalização dos exames é mais um desses experimentalismos. Com a agravante de, no exame de filosofia do ano passado, já ter revelado os mesmos problemas que agora se repetem.
O ministro escolheu este processo. Bem ou mal (eu acho mal devido a não termos equipamentos adequados nas escolas), estava previsto que a realização dos exames fosse 100% digital. Fernando Alexandre resolveu alterar esta decisão vinda do governo de Costa e trouxe a digitalização das folhas de resposta dos exames.
O anterior sistema de classificação dava origem, em média, a 1.52% de exames com problemas na classificação. Um valor baixo, longe de justificar uma urgente mudança de sistema. A razão que Carlos Coelho, vestindo a camisola do PSD no programa Geometria Variável, usou para justificara a mudança era que a inovação estava em diminuir a parcialidade da classificação por haver vários classificadores na prova. Um argumento, portanto, de quem não confia nos professores e que, como vemos, não tem fundamento.
Todos os que justificam a mudança com o argumento da inovação continuam sem demonstrar onde é que ela existe. E porque é que devemos pagar milhões por algo que antes não tinha custo adicional, dado que as classificações eram feitas pelos professores já existentes.
Foi implementado um processo centralizador, substituindo o anterior que era descentralizado. E que funcionava sem problemas há décadas. Onde está então essa modernização? Que valor traz que ainda não existisse?
Estas são as questões centrais a colocar ao ministro e tocam directamente na sua responsabilidade. É a decisão política que está em causa, somada à incomplete execução.
Independentemente de haver ou não pautas fixadas no dia 17, o mal está feito. A credibilidade do sistema educativo está em causa devido a uma decisão do ministro sem que a devida preparação tivesse sido feita. É por isso uma falha grave na actuação do ministro, que atinge o essencial da sua responsabilidade e que, por isso, se deve demitir.








“Que valor traz que ainda não existisse? ”
Trás bastante valor à Deloitte e às empresas familiares deste país, com o bónus para os planos de muitas outras de descredibilizar o estado perante os eleitores.
Para não falar da Vinci.
Segundo ouvi dizer, este sistema foi-nos imposto pelo PRR europeu (vulgo “bazuca”). Portugal tinha que se comprometer com algumas metas de inovação digital. O governo de Costa negociou com a Comissão Europeia que uma dessas metas seria os exames passarem a ser digitais. Depois o atual governo renegociou para que somente a correção dos exames fosse digital.
Toda esta trapalhada se deve, basicamente, a o PRR nos impôr certos objetivos de digitalização.
Mas talvez eu esteja a escrever disparates, corrija-me quem souber melhor que eu.
É isso, excepto que o PRR não obrigou coisa alguma. Foi escolha de Costa avançar com a digitalização 100%, já que havia dinheiro para estoirar.
Este ministro resolveu alterar a decisão e ter os alunos a realizar as provas em papel e depois digitalizá-las. Como em tudo, quem mexe fica com a responsabilidade.
o PRR não obrigou coisa alguma
O PRR só obrigou a que os países se comprometessem com alguns avanços concretos (a negociar em detalhe) na digitalização. O Governo português negociou com a Comissão Europeia que um avanço com o qual Portugal se comprometia era a digitalização dos exames.
Infelizmente, era um objetivo irrealista, dado o facto de muitas famílias e escolas não terem computadores e/ou ligações internet suficientes e suficientemente fiáveis. O atual Governo entendeu isso e renegociou com a C.E. para somente a correção das provas ser feita em formato digital. O que era um objetivo exequível, mas manifestamente ridículo.
Não, são os dois igualmente ridículos e um desperdício de recursos, mas dentro do grande projecto de auto-destruição até parece racional.