Para que serviu a Guerra no Irão?

Tankers struck near Strait of Hormuz amid Iran-U.S. tensions | PBS News

Aparentemente, o conflito no Irão terá chegado ao fim. E chega ao fim sem que qualquer objectivo enunciado por Trump no final de Fevereiro, quando ordenou o ataque contra o regime teocrático, tenha sido alcançado.

Contas feitas, os EUA não derrubaram o regime, não vergaram militarmente o Irão, não destruíram os proxies e, em bom rigor, não mudaram nem obliteraram coisa nenhuma. O único efeito prático da intervenção americana ordenada por Telavive foi a oferta, numa bandeja dourada, de uma nova e poderosa arma à Guarda Revolucionária Iraniana, que é quem, de facto, governa o país: o Estreito de Ormuz. Mais eficaz e fácil de usar que a hipotética arma nuclear que o Irão nunca teve nem estava perto de ter.

O regime americano sai deste conflito em pior posição no Médio Oriente. Aliados desconfiados e com elevados prejuízos, capacidade de produção e exportação de petróleo e gás altamente condicionada, portagens no Estreito de Ormuz e o stock de antiaéreas em mínimos históricos. Até os Patriot estacionados na Coreia do Sul foram transferidos para a região.

Já os oligarcas do trumpismo ganharam imenso dinheiro. Trump, os seus filhos, o seu genro, os techbros, os fundamentalistas evangélicos e os cryptomafiosos saem disto com os bolsos cheios. Os restantes – onde eu e o caro leitor nos incluímos – ficaram mais pobres.

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Um documento preciosíssimo

Eis a pronunciação dos nomes dos futebolistas e treinadores principais presentes no Mundial de 2026, ainda por cima, realizada pelos próprios. É um apontador precioso para linguistas, educadores, estudantes de línguas, jornalistas e população em geral. Um documento destes transporta, obviamente, alguma carga subjectiva. A este respeito, aponte-se a pronunciação de Stephen por Eustáquio, que me traz à memória a de Curry, e relembre-se a palavra Félix, aqui pronunciada ao vivo e a cores pelo excelente Joāo Félix. Por falar nisso, reflicta-se acerca da forma como se pronuncia Haaland, provavelmente o nome de futebolista mais badalado e tudo por causa da dúvida entre uma vogal oral velar baixa não arredondada e uma vogal oral central baixa. Há outras curiosidades, mas não vos quero estragar o filme. As selecções estão por ordem alfabética dos códigos da FIFA (descobri isso por causa da Noruega e da Nova Zelândia) e os jogadores encontram-se ordenados pelos respectivos números.

Kim Gordon: PLAY ME

Altice do Bem

A Altice é uma empresa privada à qual o Estado português (nós todos) decidiu confiar (porque é mais barato e de melhor qualidade?) uma faceta fundamental do Serviço Nacional de Saúde (a que todos têm acesso, qualquer que seja a condição social ou contributiva).

Aparentemente, os trabalhadores que desempenham aquela tarefa são duplamente precários: no vínculo laboral e na sua saúde. Tudo devidamente normalizado pelo Estado português (nós todos).

O novo normal.

A obliteração de Thomas Massie

Rep. Thomas Massie, R-Ky., listens during a joint subcommittee hearing of the House Judiciary Committee, on Capitol Hill, April 1, 2025, in Washington. (AP Photo/Mark Schiefelbein, File)

Thomas Massie já era uma estrela do partido republicano quando Trump ainda comprava e votava em candidatos democratas.

Fervoroso opositor do intervencionismo militar, adepto do controle da despesa e de um governo limitado nos seus poderes, Massie foi e é o enfant terrible do Partido Republicano, mas não era um problema para Donald Trump.

Sobretudo se Trump tivesse cumprido o que prometeu.

Mas Trump não só não cumpriu, como, em muitos casos, fez o exacto aposto daquilo que prometeu em campanha.

O caldo começou a entornar-se quando Massie decidiu exigir toda a verdade sobre os ficheiros Epstein. E agravou-se com a oposição à Guerra do Irão e com a denuncia de um alegado “takeover” da administração Trump e do Tesouro Americano por parte do Estado de Israel, representado nos EUA pela poderosa e opaca AIPAC. Thomas Massie cumpriu a sua promessa eleitoral. Donald Trump, que fez campanha a prometer revelar os ficheiros, acabar com as forever wars e meter todas as fichas no America First, não.

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“Sem pedir desculpa”

É verdade. Escreveu aquele “agora facto é igual a fato (de roupa)” e nunca se retractou.

Foto:Paulo Novais/Lusa

 

O congresso

Estive a ouvir o Hugo Soares em declarações à RTP.

Muito divertido.

Diz que ficou à espera do telefonema do Chega e este não veio. Coitados dos que sofrem de paixões não correspondidas.

Falou ainda do acordo que tinham firmado com o Chega para, logo a seguir, evocar as linhas vermelhas.

Isto só não se pode chamar de stand-up comedy porque ele estava sentado.

É preciso topete, como diria o ministro playmobil, para falar de linhas vermelhas depois de se enrolarem na cama.

Pois a linha vermelha é clara. Vale tudo menos beijar na boca, que isso é muito íntimo.

O resto, passa-se debaixo dos lençóis e só espero que depois do serviço não tenham ficado esquecidos os 50€ na mesinha de cabeceira.

Se bem que não sei bem quem estaria ali a pagar, apesar do Passos Coelho ter sido claro sobre quem era o prostituto.

Uma ADVENTURA no Parlamento

Psycho ADVENTURA

A AD e Ventura deliciaram-nos com a demonstração prática da Gaiola Dourada onde vive a coligação AD / CHEGA.

Foi uma tragicomédia. Assistimos à tragédia de o Governo continuar a trazer temas sem relevo para o país como forma de desviar a atenção da forma como não resolve os problemas da nação. E acabou com a comédia da facada do CHEGA, como se alguém com dois dedos de testa negociasse com um demagogo traiçoeiro.

Hoje está a decorrer um epílogo onde o PSD procura colar o PS ao CHEGA com uma suposta aliança entre estes dois partidos.

Tem a sua graça termos visto Montenegro mendigar o apoio de Ventura para agora vir com esta teoria.

Deve ter sido mais um golpe de asa da agência de comunicação que governa o Governo.

A Gaiola Dourada


A Gaiola Dourada da AD



Historicamente, os partidos tradicionais de direita que aceitaram alianças com a extrema-direita achavam sempre que os conseguiriam domesticar e conter dentro das instituições democráticas. Uma estratégia que correu invariavelmente mal na Europa dos anos 30 e que, passados 100 anos, continua a correr mal aos partidos que ocupavam o espaço da direita moderada.

Julgando aplicar essa velha cartilha, o PSD assumiu o governo em minoria achando que conseguiria construir uma gaiola dourada para conter o crescimento do Chega e, simultaneamente, beneficiar desses deputados para conseguir a maioria que os portugueses não lhe deram. O que o centro-direita não percebeu é que a armadilha funciona ao contrário: a governação tornou-se a verdadeira gaiola, e o isco é a própria ilusão de estabilidade.

O PSD mantém-se no poder, mas cada votação é um exercício de cativeiro. Nesta aliança enjaulada, a chave da sobrevivência legislativa está no bolso da extrema-direita, que vai abrindo e fechando a porta num jogo calculista de toca e foge. O PSD descobrirá, tarde demais, que a fera controla o ritmo dos seus passos e que, mesmo governando, é Montenegro e o seu governo que estão dentro da jaula.

Os Knicks são campeões!

Os cigarros e os médicos do David Hockney (1937-2026) não interessam a ninguém,

The Guardian. O que interessa é a arte, a arte, a arte!

(Foto de Francis Goodman/Getty Images)

MANGOS

Depois do acrónimo FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix, Google), eis os novos reis da arena IT: MANGOS (Meta, Anthropic, Nvidia, Google, OpenAI, SpaxeX).

De empresas de subscrições a empresas de infraestrutura. Sendo algumas delas repetidas.

Como a AI vê o lado positivo deste mundo futuro:

E como a mesma AI vê o lado negro deste futuro:

Claro que a IA não vê nada, pelo que as imagens resultaram dos meus prompts. É assim com qualquer ferramenta: o lado bom ou mau prevalece em função do que as pessoas fizerem com ela.

Produtividade

Volta e meia lá vem o tema da produtividade como justificação habitual para aumentar a carga do trabalho, diminuir a retribuição pelo trabalho, ou ambos.

Mas falamos de quê?

Esta é a definição clássica de produtividade. Sendo uma divisão, aumenta a produtividade se aumentar o numerador ou se baixar o denominador.

A fórmula seguinte acaba por ser equivalente  e traduz a perspectiva financeira:

Produtividade = (valor gerado)/(custo para gerar o valor)

Porém, quando os paineleiros do comentário, os doutos lentes da academia e os nobres políticos que efemeramente governam o país falam de produtividade têm uma obsessão apenas com uma das componentes da fórmula. Nomeadamente, o custo para gerar valor e, em particular, o custo do trabalho. Quando há outras variáveis no custo, como custo das matérias primas, custo da energia, impostos, etc.

Podíamos ver esta gente falar em aumentar a produtividade sob a perspectiva de aumentar o numerador. Por vezes, ouvem-se uns ecos sobre aumentar a eficiência mas, até isso, consiste em mexer no denominador.

Para verdadeiramente aumentar a produtividade é preciso mexer no numerador e isso implica transformar o modelo económico do país. Obriga a não estar no final da cadeia de valor onde o diferenciador está no custo com salários. Requer planeamento muito para além de uma legislatura, ou seja fora do ciclo de resultados imediatos das eleições. Precisa que produzamos bens, materiais ou imateriais, de enorme valor acrescentado.

Porque os nossos políticos estão mais interessados em ganhar a próxima eleição do que em transformar o país, não saímos deste lodo há décadas. Tem havido uns momentos de ilusão graças aos dinheiros da CEE e da UE e, agora, com o turismo.

Mas onde está a verdadeira produção criada desde que entrámos na CEE?

Vimos, isso sim, o país ser transformado num centro de serviços, uma colónia balnear, com produção própria residual, extramente dependente do estrangeiro e sem um sector onde possamos dizer que damos cartas.

Os sucessivos governos fizeram obra com o pressuposto que o resto viria. Afinal, a obra era a indústria ela mesma e aqui estamos a discutir produtividade num país que não consegue descolar dos salários baixos como modelo económico.

Aumentar a produtividade pelo aumento do valor gerado é tema literalmente ausente no discurso económico e político em Portugal.

Porquê? Porque são burros e não sabem como se define a produtividade? Ou porque estão apenas a olhar para resultados imediatos sem de facto mudarem o país?

Nenhuma das hipóteses lhes assenta bem.

Ao cuidado dos fãs mais distraídos dos Knicks (e dos Spurs)

You know, I remember in high school, already I was pretty old. I suddenly asked myself at one point, why do I care if my high school team wins the football game? [laughter] I mean, I don’t know anybody on the team, you know? [audience roars] I mean, they have nothing to do with me, I mean, why I am cheering for my team? It doesn’t mean any — it doesn’t make sense. But the point is, it does make sense: it’s a way of building up irrational attitudes of submission to authority, and group cohesion behind leadership elements — in fact, it’s training in irrational jingoism.
Noam Chomsky

***

Efectivamente, esta será a terceira final nacional seguida dos Knicks contra os Spurs: a final da NBA perdida em 1999, a recente vitória na Taça NBA e o momento que começa daqui a pouco.

Quanto a essa longínqua final de 1999, registe-se a curiosidade da presença, no plantel dos Knicks, de Rick Brunson, o pai do magnífico Jalen Brunson (entrou no jogo 3, no final do segundo período) e, no dos Spurs, de uma das maiores estrelas do basquetebol português: Mario Elie, craque da Ovarense, que viria a ser campeão da NBA por três vezes: exactamente, Mario Elie.

Voltando à actualidade, passados os 4-0 aos Cavs na meia-final (final da Conferência Leste), com uma recuperação histórica no primeiro jogo, vejamos o que acontece frente aos Spurs do extraordinário Wembanyama. Aconteça o que acontecer, já há um campeão: Sochan foi transferido durante esta época dos Spurs para o Benfica… perdão… para os Knicks.

SAN ANTONIO, TX – 29 de Março de 2024: Victor Wembanyama (#1), dos San Antonio Spurs, defende contra Jalen Brunson (#11), dos New York Knicks, a 29 de Março de 2024, no Frost Bank Center, em San Antonio, Texas. Darren Carroll/NBAE via Getty Images https://bleacherreport.com/articles/10114948-knicks-jalen-brunson-scores-61-victor-wembanyama-electrifies-nba-fans-in-spurs-win

Eis uma cábula, com o calendário e os plantéis (se detectardes erros, utilizai sff a caixa dos comentários).

Calendário (hora portuguesa):

  • Jogo 1: 04/06/26 — 01h30 (Knicks em San Antonio)
  • Jogo 2: 06/06/26 — 01h30 (Knicks em San Antonio)
  • Jogo 3: 09/06/26 — 01h30 (Spurs em Nova Iorque)
  • Jogo 4: 11/06/26 — 01h30 (Spurs em Nova Iorque)
  • Jogo 5* (se necessário): 14/06/26 — 01h30 (Knicks em San Antonio)
  • Jogo 6* (se necessário): 17/06/26 — 01h30 (Spurs em Nova Iorque)
  • Jogo 7* (se necessário): 20/06/26 — 01h30 (Knicks em San Antonio

PLANTÉIS

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O grevista e o português

Montenegro espera que os grevistas “deixem os portugueses trabalhar”

Português: Olha lá, o que é que estás aqui a fazer?

Grevista: Greve.

Português: Então és um grevista…

Grevista: Sim, especialmente quando faço greve.

Português: Vai para a tua terra!

Grevista: Mas eu sou daqui!

Português: Daqui donde?

Grevista: Sou português.

Português: Não pode ser!

Grevista: Não pode ser como?

Português: O nosso primeiro-ministro disse que quem é grevista não é português.

Grevista: Olha que carago! Queres ver que perco a nacionalidade por fazer greve?!

Português: Não sei de nada! Se o Montenegro disse, é porque é verdade.

Grevista: Olha aqui o cartão de cidadão, pá!

Português: Isso é um bocado de plástico, deve ter sido o sindicato dos comunas que te arranjou isso. Vai para a tua terra!

Grevista: Então e qual é a minha terra?

Português: Deve ser a terra das greves, sei lá!

Grevista: E nessa terra, as pessoas estão sempre em greve?

Português: De certeza, é gente que não quer trabalhar.

Grevista: Então, um grevista é alguém que não quer trabalhar?

Português: Se quisesse, trabalhava.

Grevista: E se trabalhar, já é português?

Português: Claro.

Grevista: Pronto, às vezes, é preciso não ser português.

Prostituição política

“O resultado natural destas eleições é a vitória da AD”: a convicção de  Passos Coelho no regresso aos holofotes

Para alguns portugueses – incluindo André Ventura, que parecia um groupie erecto a contemplar o criador – Pedro Passos Coelho é uma espécie de figura messiânica e impoluta que paira acima do comum mortal.

Não é o meu caso.

Ainda tenho memória das mentiras pré-eleitorais, daquilo que foi feito a Manuela Ferreira Leite, da escolha entre a aprovação do PEC IV ou eleições internas, da Tecnoforma, do “ir além da Troika” e de outros sucessos de bilheteira que demonstram, de forma categórica, que Passos não só não paira como está ao nível de qualquer comum mortal, com virtudes – eu não as conheço, mas seguramente as terá – e defeitos.

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