Gostaria de partilhar com o leitor os primeiros conceitos que formaram a ciência da Antropologia. Enquanto pesquisava, encontrei as melhores ideias do melhor educador que conheci, além de Paulo Freire: o meu antigo professor, já falecido, Meyer Fortes.
O seu sentido da educação era profundo. Há uma história sobre ele, não estou certo de a ter transferido já ou não, por isso volto a referi-la da forma e maneira que Meyer Fortes me contou: corriam os anos 40, de facto, em 1945 do século passado, estudava a etnia Tallensi do Ghana (antiga Costa do Ouro) do Norte e um membro de chefia Tallensi, contava-me um episódio que tinha acontecido dentro da sua família, uma das suas filhas tinha sido violada por um guerreiro, que são os que mais ordenam, defendem o povo, arriscam a sua vida pelos outros, especialmente nas eternas guerras com os Ashante, os seus vizinhos, quer um quer outro entravam em terras que não eram deles, para pilhar. Numa dessas pilhagens a sua filha tinha sido abusada por um guerreiro Ashante. Contra os guerreiros nada pode ser feito, pelo que teve que aceitar o facto e adoptar a neta como filha. Como, aliás, acontece em muitos povos, os mais novos são filhos de todos os pais jovens se são da mesma fratria ou clã. Entre os Mapuche do Chile, no outro extremo do mundo, que tenho estudado durante anos, a família é semelhante, como entre os Massim da Melanésia, analisados por Malinowski







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