Sebastião Bugalho, em boa hora porta-voz do PSD, fez declarações sobre o problema dos exames nacionais.
Como lídimo representante do povo português, recorreu à técnica da falsa insinuação das comadres, que consiste em dizer mal de alguém fingindo que se está apenas a insinuar a maledicência. Não é uma técnica ao alcance de qualquer um, porque uma falsa insinuação mal aplicada pode atingir o alvo errado ou passar ao largo do pretendido.
A falsa insinuação consubstancia-se em expressões como “certas e determinadas pessoas”, “não é como uns e outros”, “cala-te, boca” ou “e fico-me por aqui”. Ao invés de dar o dito por não-dito, a falsa insinuação dá o não-dito por dito e o que se finge não dizer fica dito de modo muito claro.
Normalmente, o emissor da falsa declaração assume uma atitude que mistura superioridade e desprezo. Sebastião Bugalho é um dos grandes especialistas nacionais nessa junção, como cultor da escola passista do descaimento das pontas labiais, que acrescenta à falsa insinuação uma sisudez que é o principal sinal de uma seriedade milenar. O risco ao lado, o fato e a gravata reforçam a imagem.
Não tive oportunidade de ler a notícia, mas a frase destacada é uma inspirada variação da falsa insinuação: Bugalho diz que não quer usar a palavra que efectivamente usa. É, no entanto, lamentável que o porta-voz de um partido venha acusar um ministro de sabotagem, mas percebe-se: para um processo correr tão mal, é difícil pensar noutra possibilidade.
P.S. – estava a brincar, li a notícia. Não vou dizer que Sebastião Bugalho é uma besta. Não é como certas e determinadas pessoas. Cala-te, boca!








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