Teoria geral da política: uma negação confirma os factos

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Jovem, queres ser bué rico? Vai p’ra prof!

Jovem, pá, não te entendo, man! Tu mais os teus amigos não querem ser profs? Mas tu não vês, jovem, que os professores portugueses, segundo a OCDE, são os únicos trabalhadores do mundo que chegam a milionários apenas com o ordenado? Diz a OCDE que os profs tugas ganham quase 30000 paus por ano, logo no início da carreira, man!

Os outros licenciados, jovem, ganham muito menos que os professores, é o que diz o pipol da OCDE. Tu, porque és jovem e, portanto, ingénuo, podias pensar uma cena tipo “Mas, se calhar, os outros é que estão mal e deviam lutar para melhorar a vida!” És mesmo jovem, jovem! Em Portugal, a coisa é ao contrário: quem está melhor é que está mal e o mundo só está certo se fizermos com que os que estão melhor fiquem tão mal como os que estão pior, tás a ver? Portanto, os professores é que ganham mais, não são os outros que ganham menos, topas? [Read more…]

Deputados e Professores

Fotografia: João Relvas/Lusa@DN

Há algumas semanas, a RTP apresentou uma reportagem sobre esse admirável mundo velho que são as mordomias principescas da classe política portuguesa, nomeadamente daqueles 230 servidores públicos que se sentam no hemiciclo, e que, para lá chegar, declararam amor eterno à causa pública, ao país e aos portugueses, como se nada mais quisessem em troca do que servir o país.

Porém, como ainda não é possível comprar carros de alta cilindrada ou pagar férias na Polinésia Francesa com amor à causa pública, muitos são os deputados que, por exemplo, tendo residência fixa em Lisboa há muitos anos, onde fazem toda a sua vida, declaram residir no local onde nasceram, apesar de raramente lá porem os pés, apenas para poder sacar uns trocos extra ao depauperado erário público. [Read more…]

Da série Coisas óbvias confirmadas por estudos

Mau comportamento é fruto da educação dada pelos pais desde o  berço, segundo uma investigação 

Circo a mais, pão a menos

[Santana Castilho]


A 22 e 23 de Março, sob organização conjunta da OCDE, do nosso ministério da Educação e da Internacional da Educação, reuniram-se em Lisboa governantes e sindicalistas de cerca de 30 países. A cimeira (assim foi apodado o encontro)  quis apurar o que fazer para que os professores se sintam bem no trabalho. Como se tal não estivesse, há muito, sobejamente identificado. 

A propósito do acontecimento, Tiago Brandão Rodrigues afirmou ser “a ocasião para levar mais longe o nosso empenhamento com os co-autores das nossas políticas de educação, os professores”. Como se os professores fossem autores de políticas de que discordam e não simples executores, obviamente coagidos.

Num comunicado recentemente tornado público, professores socialistas exprimiram perplexidade perante o comportamento do Governo no actual contencioso com os sindicatos, comportamento esse que, afirmaram, não teve em conta “a necessidade do PS recompor as relações do Governo com os professores portugueses, depois de anos de ataque” aos mesmos. Estes professores referiram que o Governo não honrou o compromisso assinado em 18 de Novembro de 2017 e lembraram a resolução nº1/2018, aprovada na AR pelo PS, BE, PCP e PEV, que lhe recomendou a contabilização de todo o tempo de serviço. Mas o patusco Tiago não ouviu. [Read more…]

Juntar o insulto à injúria

[Santana Castilho*]

António Costa virou a página da perda de rendimentos de um universo significativo de portugueses. Com isso e uma conjuntura europeia mais favorável, gerou um clima de optimismo, de que vai vivendo. O que fez contrasta, inequivocamente, com o ambiente de esmagamento do Estado social e empobrecimento da generalidade dos trabalhadores e reformados, promovido por Passos Coelho. Mas não acabou com a austeridade. Fino, apenas a redistribuiu de modo menos bruto e evidente. Que o digam os diferentes serviços públicos, com o SNS à cabeça, garroteados pelas cativações de Centeno.

Pese embora o crescimento verificado, a verdade é que a acção do Estado, como dinamizador económico, está fortemente condicionada pelo custo da enorme dívida pública. Assim, não se vê uma significativa correcção dos desequilíbrios persistentes na economia portuguesa. A industrialização é pouco expressiva, particularmente quando comparada com a terciarização, onde o turismo marca destaque. A precariedade laboral e os salários baixos persistem e é o poder financeiro que continua a captar o maior quinhão da riqueza produzida. A reestruturação da dívida da banca, politicamente acarinhada e protegida por Costa e Centeno, custou e continua a custar milhares de milhões retirados à coesão de todo um território, ciclicamente fragilizado e desprezado.

É neste contexto que devemos analisar o contencioso entre os professores e o Governo.

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Meninas de mini-saia estão mesmo a pedi-las

 

Com o alto patrocínio da diplomacia nacional-trumpista, o director educativo municipal de Díli divulgou uma mensagem onde defende a proibição de mini-saias e roupas transparentes nas escolas de Timor-Leste, como forma de combater a violência de género. Já para as crianças e adolescentes do sexo masculino, a proibição fica-se pelo consumo de álcool e drogas no recinto escolar. Parece-me equilibrado: Introdução à Sharia para as meninas, Detox para os meninos. Pelo menos no interior das escolas. Cá fora podem beber e fumar o que lhes apetecer. Já as meninas, caso decidam seguir o caminho do pecado, é porque estão a pedi-las. [Read more…]

Contratar mercenários para proteger a tropa

Escrevi um texto há quase dois anos acerca do facto de haver empresas privadas de segurança a tratar da segurança de forças de segurança do Estado. Parece um trocadilho, mas é também a realidade a ser mais tristemente cómica do que qualquer comédia. Confirma-se: não deve faltar muito para que um arremedo de ficção seja menos verosímil do que a verdade.

Dois anos depois, um paiol foi assaltado nas calmas, tão nas calmas que poderia ter sido eu o assaltante. Ainda por cima, verifica-se que, mais uma vez, o Estado comprou serviços, pagando a privados aquilo que deveria resolver com recursos próprios. Os engravatados que governam os governos chamam a isso outsourcing, que é uma coisa tão externa que só pode ser dita em inglês.

Tenho horror a simplismos, mas parece-me demasiado óbvio que também este problema resulta das negociatas feitas em nome do Estado por gente que dele se apropriou para o vender aos bocadinhos, numa actualização da metáfora em que a raposa toma conta do galinheiro. É assim nas Forças Armadas, é assim na Educação, é assim na Saúde. Ou como escreveu Saramago: “privatize-se também/a puta que os pariu a todos.”

Tem a certeza que quer falar sobre ligeireza e irresponsabilidade, deputada Cristas?

A ex-ministra que aprovou o projecto de resolução do BES sem saber muito bem do que se tratava, assinando de cruz com a própria admitiu, veio por estes dias acusar o primeiro-ministro de ligeireza e irresponsabilidade no que toca aos temas da Segurança e da Educação. Sobre o primeiro, com o foco de Assunção Cristas a apontar para o impasse nas secretas e para a ameaça terrorista, desconheço a existência de motivos para alarme. Aliás, a falta de notícias sobre o tema leva-me a crer que, das duas uma: ou os serviços de segurança têm sido extremamente eficazes a antecipar e desmontar potenciais ameaças, ou serão os terroristas que não têm grande interesse em gastar os seus parcos recursos no Rectângulo. A ausência de chefia nas secretas, por si só, não me parece motivo de grande preocupação. Com certeza que as suas funções estão asseguradas, ainda que de forma interina. [Read more…]

Provas de aferição 2017

Alguns alunos do ensino básico fizeram hoje as provas de aferição que, em boa hora, o Ministério da Educação colocou no lugar dos exames salazarentos da 4ª classe.

Os alunos do 5º ano fizeram a prova de História e Geografia de Portugal (prova + critérios de correcção).

Os do 8º fizeram uma prova com matéria de Ciências Naturais e Físico-Química (prova + critérios de correcção).

Na próxima segunda-feira, dia 12, os mesmos alunos irão realizar a prova de matemática e ciências naturais (5ºano) e de português (8ºano).

O fim dos exames trouxe mais tranquilidade às escolas que assim deixaram de ser apenas um centro de treino para esses dias e as provas de aferição serão instrumentos interessantes para recolher informação sobre as aprendizagens dos alunos. Poderiam ser feitas por amostragem o que tornaria tudo mais simples e será muito importante que a máquina do Ministério deixe de colocar areias (pedregulhos) aos políticos. Uma parte importante dos problemas que estão a acontecer são de natureza técnica e passam, por exemplo, pela forma absurda como está a ser calendarizada a recolha de provas para classificação.

Foi bonita a festa, pá!

Santana Castilho *

1. Ganhámos dois santos, recebemos o Papa, celebrámos o tetra e temos a Europa a cantar em português. A economia cresceu 2,8% no primeiro trimestre deste ano, face ao mesmo período do ano passado, e o desemprego desceu. Graças à “geringonça”, Portugal é outro e os portugueses sorriem. Jacinta, Francisco e Bergoglio, na onda sacra, Rui Vitória e Sobral na terrena, sopraram as vaquinhas que voam com a magia de António Costa. Só a da Educação tem pés de chumbo e traseiro grudado ao chão. 

2. Na minha última crónica, escrita a 2 de Maio, referi estarem produzidas milhares de páginas com o que o secretário de Estado da Educação iria concluir depois de feitas as provas de aferição. Ele deu-me razão, nesse mesmo dia, ao anunciar, sem sequer esperar pelos resultados, decisões que obviamente já estavam tomadas sobre o respectivo currículo. Exagerei ao qualificar de imbecil toda esta encenação?  [Read more…]

O melhor que ficou por contar

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Helena Ferro de Gouveia

Muitas pessoas inteligentes, incluindo jornalistas, derrapam na complexidade do ser-se refugiado (não apenas na sua dimensão humana, mas nas questões geopoliticas). Se há algo impossível de apreender de longe, lendo apenas ou pela internet é um campo de refugiados e os que o habitam.
É preciso entrar nele na ponta dos pés e pedindo licença, ver bem de perto e ter o cuidado para não compreender depressa demais.
O campo de refugiados é a última fronteira. Não há mais para onde ir. A única forma de quebrar a espiral, de sair da trilha da desesperança, é a educação e é disso que quero falar.
Lembram-se do Elliah, do Peter e do Malual, refugiados sul-sudaneses que adoptámos no projecto I have a dream?
Têm as propinas, o material escolar e o uniforme garantidos durante dois anos graças à vossa generosidade. A gestão será feita pelos franciscanos.

O frenesim reformista na Educação

Uma “revolução na educação” ou uma educação como “empresa de desumanização do homem”?

Delírio em Torremolinos

Foi há 37 anos, em Abril de 1980, que no Parlamento português se falou sobre um grupo de centenas de estudantes, acompanhado por uma única professora (estagiária), que foram numa viagem de curso para Torremolinos. A então deputada do PS Teresa Ambrósio falava em quatro a seis jovens mortos em acidentes com motorizadas, duas jovens que se teriam suicidado, violência física, traumas psicológicos, acomodações vandalizadas, distúrbios nas ruas, roubos, em especial a supermercados, e esfaqueamentos em Algeciras.

Tudo isto para dizer que, houvesse por lá um smartphone, e o que estes jovens da classe de 2017 andaram por lá a fazer na semana passada seria reduzido a uma festa na garagem dos pais com 4 cervejas quentes a dividir por 30 e malta muito insana a cometer loucuras como praticar air guitar. E a diferença é mesmo essa. Não haver nenhum smartphone. Ou redes sociais para a miudagem se gabar do feito. Isso, os mortos, as facadas e os assaltos a supermercados (espero eu). É caso para dizer que já não se fazem rufias como antigamente. [Read more…]

Falta o banco

Mas não é para a prova. É mesmo para as aulas.

O extraordinariamente habilidoso PSD

Mandatado pelo PSD, Duarte Pacheco expressou o seu lamento pelo atingimento de um défice historicamente baixo, que reduziu a aritmética de Maria Luís Albuquerque ao absoluto ridículo. Diz o deputado que a redução do défice é um dado positivo mas que foi obtida “pelo caminho errado“. Porque o caminho certo, como todos sabemos, consistia na desvalorização salarial, nos cortes temporários que afinal eram permanentes, na desregulação das leis laborais e no ataque desenfreado ao Estado Social. É ver os excelentes resultados obtidos pelo anterior governo em matéria de défice para perceber isso mesmo.  [Read more…]

Interliga, Cristas, interliga

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Assunção Cristas, em permanente campanha por todo o lado, surgiu ontem de ar grave e semblante taciturno a comentar a consolidação orçamental. Engole em seco quando afirma que “a consolidação orçamental é relevante“, imediatamente rematando com um “é preciso ver como é que é feita essa consolidação orçamental e o que vemos é uma grande degradação de serviços públicos“, apontando baterias ao estado da Saúde e da Educação.

A lata não surpreende. Apesar de ter integrado um dos governos que mais atacou o Estado Social, que desinvestiu brutalmente na Educação e que deixou os serviços de urgências do país a rebentar pelas costuras, sem que a preocupação que agora procura demonstrar estivesse presente, a líder do CDS-PP parece esquecer-se que, mesmo assim, o executivo co-liderado pelo seu antecessor falhou todas as metas do défice. Todas. E que o país pagou caro os sucessivos falhanços. Na relação com a UE como na degradação dos serviços públicos que agora parece ter descoberto. [Read more…]

O caso dramático do Liceu José Falcão em Coimbra

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Crateras na parede, fileiras de moisaco partido, fios eléctricos descarnados saídos das paredes da escola, vidros partidos, humidade por todo o lado, o piso do ginásio com falhas perigosas que podem provocar lesões aos jovens no decorrer das aulas de educação física, baldes em todos os cantos para recolher a água da chuva, em todos os cantos, inclusive nas salas de aulas, onde os alunos já são obrigados a levar mantas para se poderem aquecer. Este poderia ser o exemplo de uma escola num país de terceiro mundo ou a passar por uma guerra, mas não, é a realidade de uma escola quase bicentenária situada em pleno coração da cidade de Coimbra, onde estudaram personalidades ilustres da história deste país como Teófilo Braga, Almada Negreiros, Eça de Queirós, António Almeida Santos, Jaime Cortesão, Zeca Afonso, Eugénio de Castro, Carlos Da Mota Pinto, Bissaya Barreto, Vitorino Nemésio, Miguel Torga ou Rómulo de Carvalho.

Uma autêntica vergonha, escondida pelo Parque Escolar, com todas as suas virtudes e fracassos, que ameaça seriamente o ensino público na cidade de Coimbra e que não é mais do que, possivelmente, um pretexto para se fechar de uma vez por todas a escola e obrigar os cidadãos a procurar a vasta oferta privada que existe na cidade.

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Concursos de professores, a minha proposta

Os concursos de professores foram, em tempos, uma causa nacional. Vivi por dentro, nesta temática, a incompetência de sucessivos governos. Uns atrás dos outros e, quanto mais mexiam, pior a coisa ficava.

Até há uns dez anos, a coisa era simples:

  • nota de curso (faculdade) + tempo de serviço ( um valor por cada 365 dias)*.

Desta “fórmula” resultava uma graduação profissional e foi com esta metodologia que a Escola Pública se afirmou como um dos pilares da nossa democracia. Historicamente, os professores começavam o seu percurso profissional (carreira, era assim que se chamava uma coisa que existiu em tempos) longe de casa, iam concorrendo para se aproximar e como tudo tinha uma lógica, uma racionalidade suportada num sentimento de justiça e de igualdade, era um modelo consensual.

Com Maria de Lurdes, a confusão instalou-se com sucessivas alterações que mexeram no que era mais sagrado – a tal fórmula e começou a existir um acumular de injustiças que tornam quase impossível criar um novo modelo de concursos. Teoricamente, só um momento zero, em que todos os professores, mesmo os “efectivos há 30 anos”, iriam a concurso poderia trazer justiça às escolas. Mas, esta proposta, de tão estúpida, é impossível de aplicar e por isso, só podemos pensar num processo que possa ser justo, mesmo sabendo que assenta em injustiças.

E qual seria esse modelo? [Read more…]

O Bem e o Mal, Soares.

Nasci depois de Abril e há experiências que, até por isso, não tive.

Tal como a Bárbara, também eu tive a bandeira na mão. Mas, a minha não era do mal. Com 12 anos a explicação que me davam em 86 era simples – o Soares é o bom. O Freitas? É o mau.

É a primeira experiência política de que me lembro. Tinha uma “espécie de colete” com sacos do Soares é Fixe. Os mesmos que deitaram abaixo a palmeira do Sr. José, pendurados num fio, que o camião do lixo, se calhar de direita, puxou até ao chão.

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Os comícios no Porto!!! Brutal!

A Avenida dos Aliados COMPLETAMENTE (mas mesmo COMPLETAMENTE!) cheia pelo povo, pelas pessoas boas. Recordo também, com saudades, as conversas que ouvia sobre o Freitas do Amaral e o que ele significava de regresso a 23 de Abril. Falava-se de política.

Daí, dou um salto ao dia em nos vimos (pensava eu na altura) livres do Cavaco. Corri para a mesma Avenida festejar a chegada de Guterres ao poder. Sem qualquer vida partidária até então, via em Cavaco um inimigo, o mau. Guterres era uma forma de libertação e, ao mesmo tempo, de esperança. Com Sócrates fugi da casa mãe. Senti um afastamento muito grande e, anos mais tarde, acompanhei de perto e por dentro o nascimento do Bloco que era, para mim, uma espécie de geringonça onde gente diferente se juntava em torno de um projecto comum.  [Read more…]

Ensino privado na liderança absoluta do ranking das notas aldrabadas

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Surgiu uma interessante notícia no Público, sobre o estado da Educação em Portugal. Não, não é da autoria de Clara Viana. Deus a livre de tal heresia! Onde é que já se viu denunciar que dois terços das escolas que mais inflacionam as notas pertencem ao ensino privado, quando ensino privado representa apenas 17% do universo escolar nacional? E andamos nós a enfiar dezenas de milhões de euros nestas instituições, que lucram outros tantos milhões e ainda manipulam resultados. Não admira que te queiram fazer a folha, Tiago.

Imagem via Uma Página Numa Rede Social

Do Egipto a Lutero, numa conversa sobre a Escola a Tempo Inteiro

O mais novo vai ter teste a história e o Egipto é um dos temas em avaliação. Na dimensão religiosa da temática ele percebeu a importância do estudo “destas coisas porque elas explicam as nossas religiões”. Lá foi caminhando a conversa e o mais velho, “especializado” em Lutero (no ano passado) foi dizendo que a “aposta dos Protestantes na Educação foi importante porque as pessoas tinham que ter acesso livre à palavra de Deus.”

Chega à conversa a aula de Geografia onde a Europa foi apresentada às fatias, a do sul, a do norte. Sugeri a ligação entre as dificuldades do sul, hoje conhecidas, e a dimensão histórica que tínhamos conversado. E a conversa continuou pelo jantar dentro.

E, lembrei-me de partilhar consigo, caro ou cara leitor(a), esta pequena prosa a propósito da notícia de hoje do público :”Empresas obrigadas a dar horário flexível a mães e pais.”

Já o escrevi e mantenho – sou completamente a favor de Educação a tempo inteiro, como resposta à não Educação. Houve um tempo – talvez o meu, em que a rua fazia parte da minha educação. A responsabilidade era partilhada por todos os putos, ali no Meiral, nas ruas de Rio Tinto. Cada um de Nós, além da responsabilidade individual era igualmente responsável por “tomar conta” de todos os outros. E, todos, mais novos e mais velhos, rapazes e raparigas, aprendiam com todos. Claro que havia sempre por perto, muitas mães, que à janela gritavam quando os horários das refeições apertavam. Havia toda uma rua para educar cada uma das crianças. [Read more…]

Os tocadores dos tambores do empreendedorismo

Santana Castilho

Pelo Expresso de 22 de Outubro, fiquei a saber que está criada uma “fábrica de líderes” (sic) em Cascais. A matéria-prima para a fabricação são 10 mil alunos de 50 escolas de Cascais. Diz a notícia que se trata do “maior programa municipal de empreendedorismo nas escolas” e afirma o obreiro mor, vereador Nuno Piteira Lopes, que quer “despertar o espírito empreendedor dos mais novos, dando-lhes ferramentas para encararem a criação de negócio próprio”. A iniciativa é da DNA Cascais, dita pelos costumes como associação sem fins lucrativos, mas verificada, de facto, como uma emanação da Câmara Municipal de Cascais. Com efeito, os associados fundadores são empresas municipais e a própria câmara e os órgãos sociais confundem-se, ora com políticos do PSD, ora com elementos da autarquia. Tudo em casa, pois, com a municipalização da Educação a passar de fininho, sob a égide da geringonça.

Softkills” (é talvez um acto falhado, mas é assim que está escrito no texto que cito) e “coaching”, são dois instrumentos pedagógicos com que o despertador de espíritos, Piteira Lopes, conta para catequisar 10 mil indígenas. O presidente da Câmara Municipal de Óbidos, o primeiro que se chegou à frente logo que a municipalização deu os primeiros passos, aquele que anunciou filosofia para os alunos do 1º ciclo do básico, yoga para os do jardim-de-infância e golf e eco design para os do secundário, não está mais só em matéria de arrojo. Já só faltam 306 contributos das restantes câmaras do país, no prometedor caminho da municipalização da Educação, para termos o curriculum nacional transformado numa empreendedora nave de loucos. [Read more…]

O Professor hoje e os desafios de amanhã (iii)

No encontro de Professores organizado pela FENPROF estiveram também David Rodrigues e Licínio Lima.

David Rodrigues reflectiu sobre o  Desafio da Inclusão.

 

Licínio Lima, por sua vez, apresentou uma comunicação sobre o Desafio da Democratização da Escola.

O Professor hoje e os desafios de amanhã (ii)

A segunda parte da intervenção de António Sampaio da Nóvoa, no seminário organizado pela FENPROF, em Coimbra, por ocasião do Dia Mundial dos Professores.

O Professor hoje e os desafios de amanhã

A FENPROF organizou na passada sexta-feira um encontro em Coimbra onde a Educação esteve no centro da reflexão. Trago, neste dia especial para o Aventar. Neste dia em que um de Nós partiu. Neste dia em que um de Coimbra partiu. Neste dia em que um Professor partiu, nada melhor do que celebrar  a sua memória, trazendo até si, caro leitor, as intervenções de António Sampaio da Nóvoa, de Licínio Lima e de David Rodrigues.

Contigo sempre junto de Nós, amigo JJC, vamos continuar, porque nada substitui um bom professor!

As proezas de Joaquim Mota e Silva

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Apresento-vos Joaquim Mota e Silva, outrora deputado do PSD, hoje presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto. Do seu vasto curriculum constam proezas como a adjudicação, por ajuste directo, de uma prestação de serviços, no valor de 56.800€, à empresa dos seus pais, a única que a autarquia que dirige contactou para o efeito. Estranho? Nada disso. Tudo não passou de um lapso. Segundo o jornal O Minho, o autarca afirmou que desconhecia que a empresa de consultoria contratada era da sua família. Quem nunca adjudicou uma pipa de massa a uma empresa da sua família, sem dar por ela que os donos eram os seus progenitores, que atire a primeira pedra.

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Respeitar os Professores

É, por exemplo, dar tempo para fazer a mala! Sr. Ministro, vai demorar muito a publicar as listas?

Incêndios: o que tu podes fazer?

Aqui há anos – tantos que nem os sete dias da box me valem – havia uma piada entre os estudantes da Academia. A ideia era simples. Num primeiro momento, quando a malta se cruzava com Engenheiros, dizia:

– Os engenheiros são nossos amigos.

Ao que se seguia uma música:

– Vamos fazer amigos entre os animais, que amigos destes não são demais na vida … lá … lá…

Desculpem lá a franqueza, mas é sempre disto que me lembro quando vejo  a paixão sazonal que os tugas e as tugas sentem pelos nossos bombeiros e pela floresta do nosso país. E, apetece-me gritar bem alto, vão todos para …, mas acho que o momento é o que é e já que aqui estamos, vamos ao debate.

Perante um problema desta dimensão, a frase feita do Presidente faz todo o sentido: o que podemos, cada um de Nós, fazer para ajudar a resolver isto?

Do ponto de vista da Escola, creio que a questão se pode colocar a dois níveis:

  • na formação dos mais novos,
  • na dinamização de projectos de intervenção local.

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Jogos Olímpicos e Educação: lutar bem

desporto escolarO circo à volta do negócio dos jogos é algo que me incomoda e muito. Sou desde criança um seguidor fiel das transmissões da RTP (obrigado Serviço Público!) e, se calhar por isso, no ensino secundário fiz o curso de Desporto. Ali, na saudosa Escola do Cerco, na zona oriental do Porto vivi algumas das mais fantásticas experiências desportivas da minha vida. Para além da experimentação de quase todas as modalidades colectivas, tive ainda o prazer de conhecer melhor as diferentes disciplinas do atletismo e como elas são exigentes. Percebi, muito cedo, como os processos são cruciais, quase sempre mais importantes que os resultados.

Foi algo que me ficou para a vida.

Hoje, com um destino profissional que me afastou mais do Desporto do que eu pensava naquela altura, faço desta máxima uma forma de vida.

Quando li as palavras de Gustavo Pires no seu perfil do “livro de caras”, senti que alguém tinha encontrado as palavras certas para explicar o que me vai na alma. Se me permitem o abuso, trago parte significativa do texto, pedindo a devida autorização ao autor: [Read more…]