Contacto com a população imóvel

Há um tipo de campanha eleitoral centrada no “contacto com a população” (designação um pouco tonta que todos os candidatos utilizam), mas uma população maioritariamente constituída por velhinhos, criancinhas, paralíticos, doentes, senis, institucionalizados, gente que, por um motivo ou outro, está impedida de fugir dos candidatos. O pretexto é sempre o de manifestar a extrema preocupação desse candidato com os mais débeis, a sua sensibilidade e capacidade de empatia, a ternura com que leva a colher de maçã assada à boca da D. Felismina, o carinho com que pergunta ao Joãozinho que som é que faz a vaquinha. As pessoas, mais do que pessoas, surgem como uma massa amorfa de carência social. Têm a inegável vantagem de não protestar, não contestar políticas anteriores, não interrogar, seja porque não são fisicamente capazes de fazê-lo, seja porque se sentem coagidas a calar. E ao contrário da maioria dos outros cidadãos, que podem sempre escapar a uma arruada, dar meia volta para evitar um folheto que não se deseja receber, não têm como fugir das acções de campanha. São reféns, para todos os efeitos.

Comparo este tipo de propaganda política com o assédio que sofre o senhor Sousa. [Read more…]