Gaia é a cidade com mais desempregados do país

O Jornal de Notícias chama hoje à sua primeira página uma notícia sobre a descida da taxa de desemprego nos municípios portugueses, dando bizarro destaque à evolução desses números em Vila Nova de Gaia e apresentando este município como um “campeão” na descida do número de pessoas desempregadas. Acontece que o JN distorce completamente os dados, manipulando a informação e usando valores absolutos para comparar aquilo que só pode ser comparado com valores relativos de variação. Para o JN, se Gaia baixou o número de desempregados, entre 2012 e 2018, de 33.428 para 16.793, recuperando 16.635 postos de trabalho, teve uma evolução muito melhor do que Almada, por exemplo, que passou de 9.812 desempregados, em 2012, para 5.768 em 2018, recuperando “apenas” 4.044 empregos. O que o Jornal de Notícias omite é que, em termos relativos, que é o que interessa, Almada teve uma variação do número de desempregados de -58,7%, enquanto Gaia teve apenas de -50,2%, atrás de Almada, de Matosinhos e até do Porto.

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Portugal em marcha-atrás

É a variável de que se esquecem os que apontam o dedo a Portugal, acusando-nos (culpando-nos, portanto, já que medimos tudo em Culpa) de ser um dos países que mais gasta em Educação: 31,4% contra a média de 28,5% da OCDE. Esquecem-se do enorme atraso do País, fechado ao Mundo e entregue à miséria virtuosa de Salazar durante perto de meio-século. Somos subdesenvolvidos, sim, mas com a política de destruição levada a cabo pelos actuais governantes, sê-lo-emos cada vez mais. Cada direito democrático ou mecanismo de protecção social que destroem, representa anos acrescentados ao atraso do século XX. Isto significa portanto que, uma vez interrompida a progressão incrementada pela adesão à UE em 1986 (mesmo considerada a corrupção que se apoderou de parte considerável desses fundos destinados ao desenvolvimento do País), passámos em 2011 a inverter absolutamente essa marcha, iniciando um processo regressivo. Considerando a rapidez da marcha-atrás, um dia destes acordamos e voltámos à Idade Média, antes ainda da fundação da nacionalidade, poupando a Pedro Passos Coelho a necessidade de refundá-la.