Portugal em marcha-atrás

É a variável de que se esquecem os que apontam o dedo a Portugal, acusando-nos (culpando-nos, portanto, já que medimos tudo em Culpa) de ser um dos países que mais gasta em Educação: 31,4% contra a média de 28,5% da OCDE. Esquecem-se do enorme atraso do País, fechado ao Mundo e entregue à miséria virtuosa de Salazar durante perto de meio-século. Somos subdesenvolvidos, sim, mas com a política de destruição levada a cabo pelos actuais governantes, sê-lo-emos cada vez mais. Cada direito democrático ou mecanismo de protecção social que destroem, representa anos acrescentados ao atraso do século XX. Isto significa portanto que, uma vez interrompida a progressão incrementada pela adesão à UE em 1986 (mesmo considerada a corrupção que se apoderou de parte considerável desses fundos destinados ao desenvolvimento do País), passámos em 2011 a inverter absolutamente essa marcha, iniciando um processo regressivo. Considerando a rapidez da marcha-atrás, um dia destes acordamos e voltámos à Idade Média, antes ainda da fundação da nacionalidade, poupando a Pedro Passos Coelho a necessidade de refundá-la.

Comments

  1. João Riqueto says:

    E Tudo o (Vento) o fenómeno economicista refundador, Gaspanomics, levou!
    .

  2. João Riqueto says:

    A Economia ou é política ou não é científica.
    Quando deixou de ser o que era, passou a processar tecnologia monetária, uma das suas ferramentas, até tem um nome bem sugestivo; zaitech.

  3. João Riqueto says:

    O Estado ou é Social ou não é Estado.
    O Estado que temos cuida das elites, contra os interesses dos cidadãos portugueses, é um estado fantoche nas mãos dos detentores do capital.
    .


    • João,

      Nem chega a ser fantoche é isso sim um estado ladrão, porque é o mesmo estado que indemniza os que sacaram e penhora os que ficaram com pequenas dividas ao banco, banco que no entretanto foi oferecido a outra quadrilha que como é obvio borrifaram-se nas dividas e ficaram apenas com a gordura.

      Ladrões, simplesmente ladrões encartados

  4. Luís says:

    Se o Farsola não é um traidor que está a apunhalar pelas costas os cidadãos deste país, eu já não sei o que é um traidor.
    Perante a indiferença do Farsola e quase perante a indiferença geral, 85.000 portugueses abandonaram o país no ano anterior – segundo dizem são muito qualificados. (chocante verem-se portugueses com 50 e 60 anos a recomeçarem nova vida no estrangeiro!)
    Milhares de portugueses perderam as suas casas, pelas quais já tinham pago, entrada, juros, amortizações, avaliação bancária, registos de hipoteca, registo de propriedade, escritura, impostos diversos, etc.
    Milhares de portugueses perderam o seu emprego e, pela sua idade, jamais terão outro.
    A natalidade, desprotegida, diminuiu de tal forma que a população está a decrescer.
    Os desgraçados que vão arranjando trabalho, são precários a recibo verde e, num acto de imoralidade absoluta, esses poucos proventos são ferozmente devorados pelos impostos, SS e seguros que são obrigados a ter para trabalharem.
    Os reformados, que não vegetam com pensões esfomeadas, têm agora sérias dificuldades em viver, pois o confisco a que estão sujeiros impedem-nos de ter uma vida razoável e, pior que tudo, impede-os muitas vezes de apoiar filhos desempregados e netos, nas suas necessidades mais básicas.
    Os pequenos empresários nas chamadas empresas refúgio, como são as pequenas empresas familiares, vão perdendo as suas empresas por falta de clientes e, principalmente, pelo confisco fiscal.

    Se esta situação não é uma situação de catástrofe social, eu não sei o que é uma catástrofe social – talvez uma epidemia de peste negra, um terramoto tipo 1755, uma guerra,,,

    Perante tudo isto, o que é que faz o Farsola?
    Dá 1.100 milhões de euros ao Banif dos burlões da Madeira, (mas não pede mais dinheiro à troika para financiar empresas), aplica novas portagens nas auto estradas porque não consegue “convencer” os donos das PPPs a reduzirem os seus lucros imorais, as rendas das electricas vão-se mantendo, as Câmaras Municipais não se fundem, inunda os gabinetes de bóis “especialistas”, continua a encher os bolsos dos escritórios de advogados, principalmente o do militante Arnaud (veraneante do Copacabana Palace com o trafulha do BPN e o trafulha do governo), com milhões de euros das privatizações etc.
    Entretanto o “dono de Portugal e do regime” “esquece-se” de pagar 8 milhões de euros de impostos e nada lhe acontece.

    Se este crápula não é um traidor ao povo português, digam-me então o que é um traidor!

  5. João Riqueto says:

    A Responsabilidade Social, não deve ser uma atribuição das empresas; concordo. Num mercado livre, globalizado e concorrencial, deve dizer respeito ao Estado. Mas há uma questão fundamental que terá de ser observada para esse desiderato faça correcto sentido; o Estado não pode ser um estado-refém nas mãos dos donos dessas empresas, como acontece com o Estado Fantoche Português.

  6. João paz says:

    Concordo com a grande maioria do que diz neste seu artigo Sarah Adamoupolos. Há contudo uma frase “a progressão incrementada pela adesão à UE em 1986” de que discordo.
    De facto, a meu ver, a adesão á UE (e anteriormente à CEE) não trouxe “progressão incrementada” mas sim uma progressão retardada e acompanhada de um peso que nos levou ao afundamento.
    Porque afirmo isto?
    Para situar melhor as razões da minha anterior afirmação começo por citar as palvras do candidato Social Democrata às próximas eleições alemãs quando este afirmou emconferência de imprensa que “a Alemanha ganhou 3 vezes mais do que o que dispendeu com as “ajudas” á integração” ( as aspas em ajudas são da minha autoria como é óbvio).
    De facto a entrada da CEE e dxepois da UE em Portugal levaram-nos Estaleiros navais, siderurgia, minas, pescas, agricultura e grande parte das restantes indústrias de que éramos possuidores.
    Isto fez com a dívida soberana de Portugal tivesse saltado de uns aceitaveis 40% do PIB para os incomportaveis 130% e a subir emque nos encontramos.
    Os milhões que vieram tinham duas “bombas ao retardador” que agora sentimos na pele.
    A primeira é que eram investidos naquilo que os “nossos parceiros” europeus queriam (daí p. ex. o excesso de autoestradas que para mais não serve do que para escoar rapida e eficazmente os produtos vindos da UE).
    A segunda é a de que essas “ajudas” implicaram sempre empréstimos bancários ( grande parte a bancos alemães) que nos levaram ao buiraco a que chegámos.
    Pelo meio houve corrupção, é certo, e não foi de pouca monta mas as condições de base parecem-me ser as que descrevo acima.
    Por tudo isto falo de uma progressão retardada e associada a condições que só nos poderiam levar á situação de protectorado que hoje sofremos.
    Que PS e PSD (por vezes acolitados pelo CDS) tenham aplaudido é natural pois eram os principais beneficários não só dos milhões que vinham como DAS ILUSÕES QUE ELES FOMENTAVAM quando de facto se destinavam a calar-nos enquanto procediam ao desmantelamento da nossa produção (agora drásticamente acelerada é verdade).
    Quanto ao que fala acerca da educação subscrevo por inteiro.

    • Sarah Adamopoulos says:

      João quando referi a ‘progressão incrementada’ pela adesão à UE (ex-CEE) não qualifiquei essa progressão como sendo no sentido de um verdadeiro desenvolvimento, sendo para mim certo que se tratou de um incremento bem específico (as infra-estruturas que refere, designadamente), que servia os desígnios europeus ditados pela França e pela Alemanha, e que era sobretudo, e como diz, acelerado. Lamento que essa urgência não se tenha detido noutros progressos, esses sim verdadeiramente geradores de desenvolvimento: a Educação e a Cultura, e a prová-lo está justamente a impreparação (endémica) da classe política e das elites portuguesas.

      Aconteceu que ao mesmo tempo que se aceitava esse dinheiro europeu (alemão) para construir estradas, aceitaram-se sem qualquer visão prospectiva e estratégica de defesa dos interesses nacionais, por razões eminentemente ideológicas, que têm que ver justamente com uma certa ideia de progresso (que de modo algum partilho) todos os compromissos que levaram ao abandono das actividades próprias do País. Ao mesmo tempo, assistiu-se a um rol de reformas condicionadas pelos ciclos políticos, uma vez mais sem visão de futuro, incapazes de gerar verdadeiro desenvolvimento (mas quase só e apenas sistemas informáticos, que passaram a infernizar de burocracia economicista e financeira todos os sectores da sociedade – sendo as escolas paradigma disso mesmo).

      A negociação europeia foi desde o começo inquinada por esse ideário liberal, por essa ideia de economia de mercado, que de resto começou desde logo a ser ensinada nos liceus e nas faculdades nos anos 80. E parece que ninguém pensou verdadeiramente no que significava, muito menos nas consequências – que é o que temos hoje, na sua pior visão, com um país de gente que achou que o emprego e que o crédito eram para sempre (e todos quiseram comprar casas, pois poucos as tinham), mas mais grave, de gente que não quer saber, que não vota (mais de 4 milhões!), e que assim agindo permitiu a eleição deste Governo, que representando outros interesses, não pode naturalmente representar os portugueses. E dito isto, não me esqueço de como são perigosos os nacionalismos.

      • João paz says:

        Com estas suas explicações fico a perceber muito melhor o que escrevera antes Sarah Adamopoulos. E esquecer de como são perigosos os nacionalismos é um dos piores ,senão mesmo o pior, erros que poderemos cometer.

  7. João Riqueto says:

    Caro João Paz, concordo plenamente. Análise perfeita.
    .

  8. economista says:

    Para MEMÓRIA futura
    Apocalypse ???
    … fugir a tempo à Espiral Recessiva
    # A REFORMA do ESTADO só pode ser feita segundo determinados princípios , incluindo o da Moral (non omne
    quod licet honestum est ) e como tal não pode ser realizada
    por agentes sem qualquer respeito pela Moral v.g. o pseudo
    dr. Relvas que abandona a familia para uma “legitima” promiscuidade matrimonial com a “secretária” do seu amigo e senhor Primeiro Ministro !… Só falta dormirem os quatro na mesma cama …
    # E naquela Reforma não pode faltar a criminalização dos pretensos actos governativos desconformes com a Lei e a Moral
    Não sendo resolúvel em Democracia , segundo algumas Teorias das Escolhas Publicas , arriscamos , a solução da Quadratura da “Tragédia Lusa” , passa pela seguinte TRILOGIA :
    I
    Descida significativa dos impostos a par de uma Planificação e Racionalização da Despesa Publica , sem despedimentos mas com uma provisória descida de salários da f.p. sob a forma de empréstimo forçado .
    Moralidade e Estabilidade num Sistema Universal de Reformas
    (pensão minima ou apenas de acordo com as contribuições empregador/trabalhador)
    II
    Dinamização da Oferta e da Procura . Crédito às PME. Crédito ao Consumo .
    2 Bancos de Fomento Nacional + 2 Sociedades de Seguro de Crédito .
    Binário : INVESTIMENTO EMPREGO
    “CONDITIO SINE QUA NON” para o INVESTIMENTO :
    ESTABILIDADE e EFICIÊNCIA adequada nos
    SISTEMAS de JUSTIÇA , FISCAL e POLITICO
    a par de um feroz combate ao crime de corrupção e enriquecimento ilicito com inversão do ónus da prova ,
    relativamente à sanção patrimonial e com a nulidade de todas
    as transferências ocorridas posteriormente ao crime ou com ele conexas (mais ambicioso , alteração constitucional para ter efeito retroactivo…)

    III

    “Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência.” – Henry Ford
    “NÃO TEMOS MEDO DOS MERCADOS , ELES QUE PAGUEM A CRISE”
    “E ninguém há-de morrer de fome num País com mais ovelhas que Gente e mais canas de pesca que telemóveis” (OLAFUR GRIMSSON – Presidente da ISLÂNDIA)
    E deixa o aviso :
    Não será encerrada nenhuma Escola , um Infantário ou um Hospital para pagamento das “aventuras e cowboiadas” da Banca e da Bolsa .
    O resultado é 4 anos após a crise é o País que mais está a crescer na Europa , tendo o Desemprego caido de 14% para 7% e a Divida Externa desceu apenas para 30% do PIB !…
    Concluindo ,
    Abandono da reincidente “socrática versus petrus obecessão
    pela ida aos mercados” .
    Assumir a enorme Divida Publica actual ,
    mas
    Reestruturação da Divida Publica e dos Juros
    Ambos indexados ao crescimento do Rendimento Nacional .

    BANDARRA

  9. economista says:

    A não PROGRESSIVIDADE do IRS (2013)
    com violação do artigo 104º da C.R.P.

    Dentro de cada escalão do IRS , o imposto é proporcional(%) .
    Quanto menos escalões tiver o imposto não progressivo mais proporcional ele se torna . No limite , apenas um escalão , o imposto é simplesmente proporcional .
    Para que o imposto seja progressivo , é necessário e suficiente que se verifiquem as seguintes inequações relativamente às crescentes taxas do imposto :
    t2 > t1 ; t3 > 2 x t2 – t1 ; t4 > 2 x t3 – t2 ; t5 > 2 x t4 – t3 ; t6 > 2 x t5 – t4

    No artigo 68º do CIRS(2013) , o Governo teve necessidade de reduzir o número de escalões de 8 para 5 , pois com o par inicial de taxas 14,50%/28,50% , para haver progressividade , o 8º e
    último escalão teria de ser com 100% !… o que aliás viria a
    acontecer com o adicional artigo 68º-A do CIRS (2013) , o
    que revela bem a agressividade fiscal que existe nestes dois primeiros escalões .
    De facto o Governo através do artigo 68º-A do CIRS (2013)
    acabou por legislar com 6 escalões , mas violando ainda o
    principio da progressividade .
    Na verdade ,
    250.000 53,00 % (99,70%)
    Entre parênteses indicam-se as taxas mínimas para a
    existência de uma progressividade no IRS(2013) , onde o último escalão (6º) teria que ser 99,70% .
    Verifica-se assim mais uma censurável forma de anestesia fiscal, onde o também numericamente iletrado contribuinte não está em condições de avaliar o modo como lhe é fiscalmente exigido o IRS(2013) . Vicio formal ?

Trackbacks


  1. […] daqui a uns tempos possamos pedir à UE a justa indemnização pelas perdas e danos a que o seu programa dito de convergência sujeitou […]


  2. […] do que uma vez escrevi no Aventar sobre o subdesenvolvimento português, cuja verdadeira dimensão talvez só agora comece a ser revelada. A greve que os professores […]

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.