Tobis

Temos sido bombardeados de más notícias. Desde o aumento brutal dos combustíveis, aos raides surpresa as reformas antecipadas, aos zigues zagues da reforma administrativa, à perda do poder de compra, à instabilidade laboral na função pública, ao encerramento anunciado de unidades hospitalares, empresas, fundações e associações públicas.

Desculpem ocupar o nosso tempo com algo de menor importância quando há pessoas que passam dificuldades e não conseguem ver a luz no final do túnel.

No meio desta tempestade pouco tempo há para falarmos de políticas culturais, de língua portuguesa – salvo acordo ortográfico – e da salvaguarda da nossa identidade cultural.

É de crucial importância a publicação, em Diário da República, da designação do acervo da Tobis como património de natureza arquivística e audiovisual.

Que os angolanos fiquem com os estúdios mas estes arquivos tem de ser devidamente tratados e disponibilizados ao público como o verdadeiro Tesouro Nacional que são.

Basta ler parte do preambulo para sabermos que nesse arquivo temos alguns dos mais importantes filmes dos anos trinta e quarenta. Desde Maria Papoila, (Leitão de Barros, 1937), O Pai Tirano (António Lopes Ribeiro, 1941), Aniki-Bóbó (Manoel de Oliveira, 1942), O Costa do Castelo (Arthur Duarte, 1943), ou O Leão da Estrela (Arthur Duarte, 1947).

A TOBIS foi Vendida

Foi Oitenta Anos Portuguesa, Agora é Angolana
Foi criada em 1932 para fomentar o Cinema Português. De uma maneira ou de outra, conseguiu os seus intentos. Agora, cheia de dificuldades financeiras, com toda a gente a lutar dentro da empresa, foi posta à venda e comprada, não por empresas Portuguesas (não as há com capital para comprar seja o que for), não por empresas Europeias (não há nenhuma que acredite em nós), não por empresas Chinesas (para já estão ainda a digerir a EDP), mas, desta vez, por uma empresa Angolana (para irem somando empresas ex-Portuguesas, em competição com a China).
A venda da Tobis é quase um crime de “lesa-magestade” com o património fílmico e imobiliário a permanecer nas mãos do Estado Português, garantia de um responsável, uma garantia que vale o que vale, não tivesse também garantido que foram salvaguardados os direitos dos trabalhadores, quando o acordo prevê o despedimento de metade deles.
Enfim, estamos a preço de saldo, nós todos, e não parece haver quem nos acuda.