Vai mas é trabalhar Ricardo Salgado!

Ricardo RSI

Imagem@Notícias ao Minuto

Para além da intensa actividade no âmbito do terrorismo financeiro, descobrimos esta semana que Ricardo Salgado é também um alegado mandrião, um parasita diriam alguns, pois ao invés de ir trabalhar, prepara-se para pedir o Rendimento Social de Inserção. Pelo menos é o que avança a imprensa cor-de-rosa e o PT Jornal.

Apesar de insultuoso para quem verdadeiramente precisa deste apoio social, é interessante ver o Dono Disto Tudo nesta posição, principalmente quando há exactamente dois anos atrás surgiam declarações deste sujeito que, relativamente à entrada de mão-de-obra estrangeira em Portugal para trabalhar em explorações agrícolas na zona do Alqueva, diziam assim:

Há imigrantes que substituem os portugueses que preferem ficar com o subsídio de desemprego (…) Se os portugueses não querem trabalhar e preferem estar no subsídio de desemprego, há imigrantes que trabalham, alegremente, na agricultura e esse é um factor positivo.

Tanto quanto sei, até porque metade da minha família vive no Alentejo profundo, continua a existir muito trabalho nos campos e escassez de mão-de-obra em algumas zonas da região. E nesta altura do ano, com as temperaturas a subir em flecha e o clima cada vez mais hostil para a labuta na aridez do Baixo Alentejo, estou certo que haverá um óptimo emprego à espera de Ricardo Salgado, o precário. A menos que, tal como as pessoas que criticou em tempos, Ricardo Salgado não queira trabalhar e prefira agarrar-se a um subsídio ao invés de, por uma vez que seja na vida, enveredar por um trabalho honesto. Nesse caso (e noutro qualquer) faço votos de que o seu pedido seja prontamente negado porque Portugal não está em condições de sustentar mais parasitas. Se não estiver bem pode sempre ir para a Comporta, brincar aos pobrezinhos. Com sorte, alguém há-de reconhecê-lo por lá e dar-lhe uma côdea de pão.

Formatando… aguarde…. sistema operativo instalado

autor desconhecido

A propaganda política invade as telenovelas

Hotel no Mosteiro de Alcobaça!

Ora o que nos reserva ainda este governo? Um hotel no Mosteiro de Alcobaça!

Uma PPP, agora em Alcobaça. Mais uma vez não há justificação para isto. Se o fazem por doutrina, ao menos publiquem-na! Que vergonha! O Sr. Primeiro Ministro e o Sr. Secretário de Estado da Cultura são dois ignorantes em matéria de cultura e património. Primeiro foi a barragem do Tua, com o amén do ex-Secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas; Depois foi o Crivelli, também da “lavra” de FJV. Seguiram-se os Mirós, e o Museu dos Coches, e agora nada mais fácil. Estrangula-se a gestão e apresenta-se como alternativa um Hotel!

Se para as contas públicas seguem o que é determinado, dizem eles, pelo estrangeiro, porque é que no que diz respeito ao Património e à Cultura fazem tábua rasa dos compromissos internacionais, e fazem de conta que não há doutrina internacional sobre esta matéria?

Shame on you Sr. Primeiro Ministro! Shame on you Sr. Secretário de Estado!

Quem pagou o ataque a um hospital público?

A FMS? ou terão sido as Walk’in Clinics pertencentes ao grupo económico da Fundação Manuel dos Santos? Ou é tudo a mesma coisa e toca de atacar o SNS para abrir mercado aos privados?

O cartaz do goês ou um racista é um racista e é um racista

Sobre o ø amarelo no cartaz de Cøsta- http___blasfemias.net_2015_05_27

Do dicionário:
goês
(Goa, topónimo + -ês)
adjectivo de dois géneros (…) 2. Natural ou habitante de Goa.

racismo
(raça + -ismo)
substantivo masculino (…) 2. Atitude hostil ou discriminatória em relação a um grupo de pessoas com características diferentes, nomeadamente etnia, religião, cultura, etc.

in Blasfémias

Retrato de um país hospitalizado

O maior hospital do país está minado por interesses dos partidos, Maçonaria e Opus Dei.

Retrato de um hospital que espelha o país. A verdadeira reforma que não se fez (e nem foi escrita com o Arial 16 do “documento” de Portas). [P]

Rosa amarela

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Alguém havia de avisar António Costa sobre o design que estão a escolher para os cartazes. Não é que me preocupe, mas, caramba, ninguém lá pelo Rato tem olhos na cara para ver que aquele amarelo do Costa não se vê na rua? Já para não falar dos anteriores cartazes que pareciam saídos duma reunião da IURD. Passa-se algo por aqueles lados, sem dúvida.

Como defender uma tese e provar o seu contrário

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Pissarides, um académico laureado, veio a Portugal e defendeu que, como vivemos mais tempo e mais saudáveis, devemos trabalhar até aos 70 anos. Pissarides nasceu em 1948.

Alcançar um tal estado de senilidade aos 67 anos é obra, e demonstra porque se deve antecipar a idade da reforma, que de resto juntamente com a redução do horário de trabalho é receita universal para criar emprego.

Estou a insultar o homem? apontam-me o dedo os leitores de direita? Bem, ele também veio a Portugal recomendar-nos outras medidas:

olhando para a situação do ponto de vista estritamente económico, é claro que se devia estar a fazer mais investimento em infraestruturas e a criar mais empregos e, dessa forma, sair da recessão.

E agora todos em coro: o Pissarides está chanfrado, temos de o internar num lar de idosos, num hospício e depressa.

Confere.

A reafectação dos factores

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Stephen Antonakos (1926–2013): Incomplete Circle (five-unit drawing with blue and red incomplete circles), 1975. Copyright:© 2015 Stephen Antonakos (http://bit.ly/1HIjMoX)

Como sabemos, foi recentemente apresentada a versão para debate público do Projeto (sic) de Programa Eleitoral do Partido Socialista. Entretanto, durante uma conferência de imprensa, António Costa afirmou que as medidas apresentadas num relatório coordenado por Mário Centeno “inspiram e vão motivar a elaboração do programa do Governo”.

É preocupante que determinadas opções apresentadas no relatório possam inspirar a elaboração do programa do Governo do Partido Socialista.

Na página 9 do relatório, podemos ler “adequada reafectação dos fatores produtivos”. Um forte aplauso para a adopção de ‘reafectação‘ quer nesta página 9, quer na página 65 — “reafectação territorial e funcional de funcionários públicos” e “reafectação de funcionários excedentários” — e uma vaia monumental às ‘afetação‘ das páginas 14, 25, 64, 73 e 74 .

Sejamos claros: a grafia ‘fatores‘, além de não pertencer ao repertório ortográfico português europeu, não é companhia que se recomende a uma reafectação. Em português europeu, como sabemos, “reafetação dos fatores” *[ʀjɐfɨtɐˌsɐ̃ũ̯ duʃ fɐˈtoɾɨʃ] não existe: a formulação grafemicamente satisfatória é “reafectação dos factores” [ʀjɐfɛtɐˌsɐ̃ũ̯ duʃ faˈtoɾɨʃ]. [Read more…]

Libertárias de Vincente Aranda (1926-2015)

Libertárias (1996, ver ficha IMDB) retrata a passagem da Guerra Civil por um grupo de mulheres catalãs, dramático mas com humor, forte mas suave, de uma imensa ternura pelas mulheres que acreditaram noutra vida, na esperança.

Com Ana Belén, Victoria Abril e Ariadna Gil. Sem legendas, original em castelhano.

Otários de esquerda

pata na poça

Entenderam os líderes dos partidos de esquerda que o Observador é um jornal online de direita mas um jornal como os outros e concederam-lhe entrevistas.

O Observador é um projecto político, e não sei se projecto será a palavra mais correcta, pago por multimilionários para substituir o que não têm coragem para fazer, fundar um partido e concorrer às eleições. Os manuais do neo-liberalismo explicam porquê.

Tem de caminho a função de fazer umas transferências bancárias para alguns opinadores da extrema-direita, gente que mete sempre o bolso à frente das causas, e contratou alguns jornalistas para disfarçar a sua verdadeira função.

Passa pela cabeça de alguém que Jerónimo de Sousa dê uma entrevista ao Povo Livre ou que Catarina Martins preste declarações ao Portugal Socialista? Pela de ambos pelos vistos passou. O resultado está à vista, não só no branqueamento que emprestaram ao pasquim, como numa fantástica peça intitulada “O que distingue as nossas esquerdas?“, onde à cabeça Catarina aparece como não querendo o poder e depois se vão “extraindo pistas” e manipulando as afirmações que proferiram, deixando um retrato da esquerda portuguesa pintado pela direita. Uma festa, e de borla.

Que os dirigentes partidários não leiam blogues, e não tenham percebido o que é o Observador, já sabia, agora que ninguém os tenha avisado, isso estranho. Fica a originalidade: como as esquerdas portuguesas meteram a pata na poça. Agora sacudam a lama.

Taylor Swift agradece à Sociedade Portuguesa de Autores pela lei da cópia privada

taylor-swift-thank-you

 

O objectivo é remunerar os artistas pelas suas vendas, não é? Mesmo que à conta do negócio de terceiros. Agora quero ver como é que a SPA e a AGECOP vão recompensar quem vende em Portugal.

Estamos a falar da VIOLETTA (venda de 60.000 unidades dos vários discos da série) e de Roberto Carlos (em Maio de 2015 recebeu um galardão referente às vendas de 1,5 milhões de discos em Portugal). [fonte]

E de Taylor Swift, bem mais simpática, que já mandou beijinhos aos fofinhos da SPA. Entretanto, a resistência começa (aquiali, e por aí).

Jangada de papel

As televisões portuguesas acabam de soprar a Espanha para um continente distante. Portugal continua no mesmo sítio.

Quem quer ser milionário?

500euros

PJ apreende duas malas com um milhão de euros no Aeroporto de Lisboa
O dinheiro em causa estava na posse de uma mulher e de um homem que se preparavam para embarcar num avião com destino a Xangai, na China. Os suspeitos de branqueamento têm 22 e 47 anos e, segundo a mesma nota da Polícia Judiciária, tinham “vistos de permanência em Portugal”. Ambos os detidos foram constituídos arguidos, “prosseguindo a investigação para completo apuramento dos factos”.

Dinheiro português a voar para a China, com visto (gold?) permanente. Entretanto, por outras paragens, o assunto já é notícia para a Europol desde 2009.

Euros become currency of drug cartels
Smugglers and launderers use €500 notes instead of $100 bills to save space

Aqui está a prova de que o país está melhor. Há uns valentes anos dizia-se que Portugal tinha um atraso, comparativamente com a Europa, de 20 anos. Agora foram apenas 6. Quem ver que Passos Coelho tem razão, o país está melhor as pessoas é que não notam?

Maré republicana no estado espanhol

barcelona

A menos que o PSOE decida suicidar-se ainda mais (e não parece que o vá fazer) à direita e extrema-direita do PP resta governar uma grande cidade peninsular, Málaga.

Tendo conseguido segurar a sangria para a nova direita de cara lavada, Ciudadanos, pode criar a ilusão a cegos que não queiram ver de ter tido enquanto partido mais votos que os restantes concorrentes. Mas ao contrário do nosso sistema autárquico, os poderes locais e regionais no estado espanhol são parlamentaristas, e quem fica em primeiro só governa em minoria com o acordo da maioria, tudo indica que não será o caso.

Coisas que se aprendem:

– onde a esquerda soube recriar frentes populares republicanas e de esquerda, ultrapassou todas as expectativas: Barcelona tem uma alcadessa vinda da luta nas ruas, e Madrid poderá ter uma defensora dos direitos humanos a governá-la. O mesmo podemos dizer que sucedeu na Galiza, sendo de notar que nesses locais o PSOE (e o BNG) foram arrasados.

– essas frentes alargaram, e muito, os resultados do Podemos, vítima de uma campanha de calúnia e difamação que relembra injecções atrás da orelha, com toda a força mediática do poder das castas. Não basta um novo partido, é preciso alargá-lo em movimento.

– a Esquerda Unida apenas se salva nas Astúrias. O sectarismo das  vanguardas um dia termina por pagar a conta, e em versão estalinista (PCPE) nem aparece no mapa.

E agora tudo se joga na Grécia: é mais que sabido que a chantagem sobre o governo grego visa impedir uma viragem à esquerda em Novembro (e ibericamente falando também em Outubro). Ai as cartas estão na mesa: em Junho, ou há acordo, ou a Grécia (onde o Syriza continua a ter mais apoio popular do que teve votantes) não paga aos credores. Haja confiança.

Cortamos o que escolhemos cortar

Os cofres estão cheios mas preparam-se novos cortes em pensões.

Noruegueses, esses comunas

O que faz com que a Noruega surja sempre no topo dos índices de desenvolvimento?

Vivemos em contacto com a natureza e beneficiamos da força do trabalho de homens e mulheres. Tomamos decisões políticas para dividir a riqueza gerada por toda a população. Assim, temos muito poucos ricos e muito poucos pobres, todos estão no meio. Penso também que encontrámos um bom equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Quando tudo isto se soma explicam-se os nossos resultados elevados nos índices. 

Ove Thorsheim, embaixador da Noruega em Lisboa, em entrevista ao jornal I.

Abundância pré-eleitoral

Ministro da Defesa anuncia 6.088 promoções nas Forças Armadas (DE)

First they took Barcelona, then they almost took Madrid

15M

Foto: P3/Público

Em Espanha, mesmo aqui ao lado, acontecem coisas. Visto com determinado tipo de óculos, poderá parecer uma loucura utópica, um oportunismo ou mesmo uma qualquer experiência conspirativa bolivariana. Na realidade são pessoas normais. Os primeiros a abrir brechas no antigo regime. Em Barcelona, o bloco central espanhol ficou-se por um modesto terço. Em Madrid, foi fraco e à tangente. E agora Espanha?

Trottoir

O Marinho acaba de declarar que fará aliança com qualquer (sublinhou: qualquer) partido, aceitando como termos de tal acordo, exclusivamente, a honestidade e a seriedade (estou a tentar manter-me sério enquanto escrevo isto).

Não sei o que te diga, Marinho. Ou, bem vistas as coisas, não precisas que te diga nada: sabe-la toda, oh lá se sabes!…

Mais uma vez, Manuel Buiça, eles demonstram a tua razão

professor manuel buiça

É rotineiro, caro Manuel Buiça, de volta e meia voltam a insultar a tua memória sem se aperceberem que te estão a glorificar. Os do costume, herdeiros da vil aristocracia, esse gente medíocre e preguiçosa que durante séculos sugou a pátria pela qual morreste.

Nem se apercebem do ridículo, choramingam agora porque um jornalista invocou o pai que foste, e até nisso te sacrificaste. Querem retirar-te o estatuto de humano, tu que amaste, defendendo eles uma das muitas famílias artificiais como sempre foi da natureza dos matrimónios régios, gente que casava por razões diplomáticas, obrigada a viver com quem lhe encomendaram, com a consequência óbvia de se multiplicarem os bastardos e o gosto natural das rainhas pelos tectos elevados, que sempre lhes poupavam as testas.

Invocam que executaste um chefe de estado, sem cuidar da nula legitimidade de quem ocupa um cargo por herança, da sua responsabilidade na ditadura de João Franco, mas esquecendo que quem nasce com direitos superiores ao do comum dos mortais pode bem morrer para se igualar com eles, omitindo que o regicídio é um vulgar acidente de trabalho na vida de um monarca. [Read more…]

Concordo.

Passos defende que se deixe “para trás das costas os fatalismos” [P]

Comecemos pela coligação. Não há fatalismo se não for reeleita.

O problema é que se sabe o que esperar da coligação

“Nós temos, portanto, de dizer às pessoas quais são as nossas prioridades, o que é que queremos fazer; com o resto, não se preocupem, as pessoas sabem com o que contam do PSD. Por isso é que nós não temos pressa de apresentar programas, nem medidas, nem ideias, porque temo-las apresentado consistentemente ao longo destes anos, e as pessoas sabem com o que é que contam da nossa parte“, afirmou Pedro Passos Coelho.

E o que se pode contar da parte desta gente é austeridade eterna.

Mais cortes nas pensões e mais cortes nos salários. Quanto às pensões, o governo ainda não explicou,  e nem vai explicar, como se constata pelas declarações de Passos Coelho, de onde vêem os 600 milhões que a ministra das finanças disse serem precisos. É o programa escondido,  para ser revelado depois das eleições. Quanto a salários, Cartoga, o ideólogo do programa deste governo, afirmou na passada semana, em duas ocasiões,  que se devia ter cortado mais nos salários. Se é isso que devia ter sido feito e não o foi, está claro o que é que a coligação vai fazer se voltar a ser governo. Novamente, o programa escondido, esse mesmo que Passos Coelho diz que não precisa de apresentar, porque os portugueses sabem o que esperar.
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Os tele-psicossociólogos (ou, como diz a Júlia, os especialistas)

Sabemos todos da prudência que nos deve acompanhar quando usamos armas pesadas e de pontaria duvidosa como as Ciências Sociais. Porém, ai de nós, elas parecem contagiar muita gente com a convicção de que tais saberes se podem usar sem que deles se tenha grande conhecimento, isto é, não faltam os “especialistas” que, tendo lido um digest de tretas sobre, por exemplo, Psicologia e Direito, desatem a disparar sentenças que, à falta de verdadeira ciência, se sustentam em dogmas e no senso comum do mais rasteiro. E se sujeitos que tais forem pagos para isso, vale tudo, a coisa transforma-se em espectáculo, numa espécie de feira de freeks muito praticada pelas estações de televisão nos programas da manhã.

Mas és cliente de tais programas, perguntareis vós? Na verdade, não. Mas, infelizmente, não me têm faltado oportunidades para os ver sempre que tenho de passar ocasionais férias nos HUC. A simpatia com que alguns serviços instalam televisões nos quartos tem este preço – tendo a vantagem inopinada de nos testar e consolidar o sistema imunitário. Também em zaps caseiros páro, por vezes espantado, ao ouvir as peremptórias ”análises” supostamente psicossociológicas, dos enérgicos comentadores residentes. A irresponsabilidade, a indigência científica, a falta do mais elementar sentido ético, andam à solta. E não me venham com eventuais currículos lustrosos ou argumentos de autoridade. Quem se sujeita – a troco de uma boa remuneração, claro – a transformar a sua ciência em instrumento de predação pública de verdadeiros problemas humanos – sobretudo se a tais problemas puder ser dado aquele tom berrante que tão bem acompanha as indignações de papelão – não merece a menor consideração. E a entusiástica gritaria com que os pivôs de serviço acompanham estas sessões de banha-da-cobra jurídico-psicossociológica não ajuda nada. Mas, parece, vende bem.

José Sócrates e a agenda do Observador

Pulseira Electrónica

A orientação politico-ideológica do “jornal” Observador só será novidade para quem não sabe o que é o Observador. Com uma linha editorial claramente de direita, um painel repleto de colunistas de direita e extrema-direita – aguarda-se com expectativa a indignação de Rui Ramos contra mais este episódio de facciosismo só ao nível do lobby dos humoristas de esquerda – e uma estreia logo a mostrar ao que vinha, na qual recorrendo a meias verdades levou a cabo um exercício de beatificação do destacado criminoso neo-nazi Mário Machado, este órgão que congrega a fina flor dos neoliberais fanáticos pela submissão total do Estado ao sector privado e dos saudosistas do Estado Novo, entre outros, nunca tentou esconder ao que vinha. Nem precisa. Eles são o que escolhem ser.

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Brexitleaks

O Banco central britânico está a fazer uma avaliação ao impacto da saída da UE para o país, e os riscos que isso acarreta. Mas os Planos Brexit foram parar ao e-mail do The Guardian.” (Diário Económico)

Finanças penhora conta bancária por 24 cêntimos

Aqui está a prova que me chegou às mãos, à qual retirei dados de identificação.

Finanças penhora conta-ordenado por 24 cêntimos

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A história é simples. Houve um erro quanto a juros de mora e as finanças penhoraram a conta da pessoa em causa, na totalidade, por causa de 24 cêntimos.

Quem vai ser responsabilizado por uma pessoa ter sido impedida de aceder à sua conta durante 6 dias? Quem a vai indemnizar pelos danos causados? Pagamentos recusados, cheques devolvidos, lista negra dos cheques, não ter dinheiro para o dia-a-dia. Haverá responsabilidades técnicas mas há, sem dúvida, responsabilidade política por parte de quem decretou estes automatismos. E esses responsáveis são Paulo Núncio, Maria Luís Albuquerque e Pedro Passos Coelho (também conhecido por “Aquele Que Se Esquece Das Suas Obrigações Fiscais Mas Ao Qual Nenhuma Consequência Aconteceu”).

O erro foi das finanças mas isso nem sequer é relevante, já que em causa está uma insignificância que nunca deveria dar origem a uma penhora. Mesmo que o erro fosse do contribuinte, não é admissível usar um canhão para matar uma mosca. O Estado não pode ser pessoa de mal!

Eis o país onde não falta dinheiro para prémios de produtividade em função das cobranças coercivas no fisco, para perdões fiscais ao ex-BES e para os buracos da banca.  Mas é o país, também, onde falta seriedade e esta não se saca com uma penhora a quem não a tem.

 

O projeto e a acção

acção socialista

O Partido Socialista tem um projeto (sic) de programa eleitoral e um jornal que se chama Acção Socialista. Anteontem, foi apresentada a versão para debate público do Projeto (sic) de Programa Eleitoral. Como o Projeto (sic) é para debate público, convinha que se discutisse publicamente aquilo que o PS “procurará dinamizar”. Por exemplo, convém debater

A implementação das ações [sic] necessárias à harmonização ortográfica da língua portuguesa e da terminologia técnica e científica, nos termos dos acordos estabelecidos.

Harmonização gráfica da língua portuguesa” é exactamente a mesma expressão adoptada na página 59 do documento estratégico orientador Agenda para a Década (ou Agenda pára a Década? — a dúvida mantém-se) e é algo que nem sequer o aspirante a dinamizador das “ações (sic) necessárias à harmonização ortográfica da língua portuguesa” consegue fazer na sua própria estrutura, pois apresenta-nos um Projeto (sic) e tem um jornal que se chama Acção Socialista.

Aliás, o Acção Socialista presta um esclarecimento («O “Acção Socialista” já adotou [sic] as normas do novo Acordo Ortográfico») ortograficamente desarmonioso e que encerra em si mesmo uma contradição, uma incorrecção e uma inexactidão.

Quanto à contradição, das duas, uma:

1) «O “Acção Socialista” não adoptou as normas do novo Acordo Ortográfico»

ou

2) «O “Ação Socialista” adotou as normas do novo Acordo Ortográfico».

Tertium — ou seja, «O “Acção Socialista” já adotou as normas do novo Acordo Ortográfico» — non datur.

No que diz respeito à incorrecção, efectivamente, o número 1396 do Acção Socialista, além de ter ‘diretora’ (sic), ‘reacionárias’ (sic), ‘dececionadas’ (sic), ‘deceção’ (sic), ‘rutura’ (sic) e ‘ótica’ (sic), contém ‘perspectiva’, ‘actual’, ‘objectos’, ‘actividade’, ‘activismo’, ‘abstracto’ e ‘aspectos’.

Por fim, a inexactidão: “novo acordo ortográfico”. Como escrevi há uns tempos, “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990″ é o nome da coisa.

Aproveitando a coincidência de encontrarmos esta matéria extremamente controversa no projecto de programa eleitoral do Partido Socialista e de António Costa ter admitido “proceder a partir de agora a uma discussão mais focada sobre as matérias mais controversas constantes no projeto [sic] de programa eleitoral“, ficamos então à espera dessa “discussão mais focada”.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Existe petróleo em Palmira?

Palmira

Foto@Expresso

A escumalha do Estado Islâmico continua a deixar um rasto de destruição por onde quer que passe. Depois de Hatra, Nimrud ou da destruição das estátuas em Mossul, os radicais que empunham armas ocidentais amavelmente cedidas para combater o demónio Al-Assad controlam agora as ruínas da cidade de Palmira, património da UNESCO e um dos registos históricos mais antigos da humanidade. Pelo caminho, pilhas de cadáveres acumulam-se nas bermas das estradas e mulheres que nunca chegaram a conhecer o significado da palavra liberdade são agora escravas sexuais destes vermes sunitas.

Não consigo, por muito que me esforce, encontrar uma justificação para a passividade dos polícias do mundo. Invadiram o Afeganistão com o pretexto de apanhar Bin Laden, invadiram o Iraque usando pretextos absurdos quando o seu único intuito era controlar os recursos do país e substituir o outrora amigo Saddam por novas marionetas, armaram terroristas para derrubar Al-Assad e agora que este lixo humano mata e destrói tudo a sua volta é vê-los quietos e calados, entre ocasionais ataques aéreos que não parecem sequer beliscar a rolo compressor que oprime a Síria e o Iraque. Será que as jazidas secaram por aqueles lados?

Desvendado o mistério da “longevidade” de Dias Loureiro

DL

Creio ter desvendado o mistério da longevidade de Dias Loureiro. Não me refiro, claro, aos 63 anos bem vividos, parte deles a mamar na teta do Estado, outra parte no banco fraudulento do cavaquismo. Refiro-me a forma com vem fintando a “extinção”. Até porque trafulhas políticos é o que não falta neste país. Dias Loureiros são mais raros. E o segredo parece estar nos amigos e aconselhados. E nessa massa una que é o bloco central.

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