Helena Matos contra a indústria petrolífera

Putin Durão

Num grito de revolta contra o desfecho do referendo grego, Helena Matos do Observlasfémias mostrou-se indignada com a suposta proximidade entre o Atenas e Moscovo:

Por que hão-de países cujos cidadãos vivem pior que os gregos, pagam mais impostos que os gregos e se reformam mais tarde que os gregos ser “solidários” com os gregos que votam num governo que para cúmulo namora descaradamente com uma Rússia que é uma ameaça directa para segurança de alguns desses países?

Estarei errado, mas depreendo das palavras da senhora que a sua indignação é extensível, por exemplo, à poderosa indústria petrolífera ocidental, que apesar das sanções continuava, até há poucas semanas, a explorar petróleo no Mar de Kara com a estatal russa Rosneft, uma empresa controlada por oligarcas próximos de Vladimir Putin. É que o clima de tensão entre a Rússia e o Ocidente não começou no mês passado. Em Outubro já se interceptavam jactos russos por cá e a Crimeia foi invadida em Março. Quando começaram os namoros entre o Ocidente e a Rússia a ser descarados?

*****

P.S. Eu também vivo pior que a Helena Matos, pago os mesmos impostos, corro o risco de me reformar mais tarde e ainda assim tive que pagar, através dos meus impostos, os “serviços de pesquisa” que a senhora fez para séries na televisão pública que, estou certo, só trouxeram despesa para o erário público. Porquê?

Ao cuidado dos filhos do governo

Os filhos do governo descobriram os referendos e também querem, para o que chamam ajudar a Grécia, como se a responsabilidade da transferência das dívidas aos bancos para os estados fosse culpa do seu actual governo.

Eu também queria.

Quando Passos Coelho me assaltou o ordenado, depois de prometer que não o faria, também podia ter feito um referendo.

Quando Passos Coelho me aumentou os impostos depois de ter prometido que não o faria, também podia ter feito um referendo.

Quando decidiram salvar o BPN, ou o BES, com o meu dinheiro, também podiam ter feito um referendo.

Nessa altura, que fizeram os filhos do governo? ficaram calados. Mantenham o hábito que só vos ficam bem.

Uma manhã ateniense

Carlos Leite

Hoje tinha que passar pelos correios e levantar a dose de 60 euros. Pensei que tal me ocuparia toda a manhã, ou pelo menos umas boas duas horas. Qual quê! Uma hora bastou e sobrou. Os correios estavam às moscas, como uma agência funerária em Dia-de-Todos-os-Santos e dirigi-me de olhos fechados para o guichet.

A senhora do outro lado disse-me que primeiro devia tirar a senha… A senha? Tiro todas as senhas para a manhã, respondi, mas não vejo ninguém à espera. Mas tem de ser, senhor, é para fazermos as nossas contas. Muito bem, seja então a senha. Esperava que o aviso deixado pelo carteiro aqui há uns dias (nunca entregam os registados, dexam sempre o aviso sem se incomodarem a tocar à campainha, houve muitos despedimentos e agora só há tarefeiros) fosse mais uma carta registada com uma intimação a pagar uma factura ou uma contribuição na Bélgica, mas era uma encomenda de Portugal, antes isso (as últimas traduções que fiz para a Relógio d’Água, o Mendel dos Livros, do S. Zweig).

Depois fui ao banco, cem metros a subir que agora me custam imenso. Rua comercial calma, semivazia, fora do normal para uma segunda-feira de manhã, mas talvez este seja já o movimento habitual do período de férias, há já gente que partiu, não sei, mas duvido. À porta do banco, umas 20 pessoas à minha frente, com o sol a bater nos últimos chegados, mais distantes da parede. Olho para trás e já há mais quatro a cinco pessoas, que se avisam de quebrar a fila e irem refugiar-se à sombra duma árvore e numerando-se entre si. Eu fiquei ao sol. [Read more…]

Vaselina ajuda

Vaselina

Deve estar a doer taaaaaanto, até mete dó. Será que acabou o stock de vaselina na Opus Dei?

Da Grécia para a Europa

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Ontem escrevi no facebook:

Os gregos (não confundir com Tsipras) decidiram. Decidiram o seu futuro. Se bom ou mau, ninguém sabe (nem eles…). E decidiram de forma clara e esmagadora. Uma nota: conseguiram ter um referendo sobre o seu presente e futuro na Europa. Poucos países se podem gabar do mesmo. A começar por nós.

Foram os Gregos que decidiram. Foi-lhes permitido decidir. Agora está na mão dos políticos desta Europa saber interpretar os sinais. Sem esquecer que temos outros países a caminho de referendar questões europeias (assim de repente temos a Dinamarca e a Inglaterra).

A União Europeia é uma das mais fabulosas construções da humanidade. A livre circulação de pessoas foi uma conquista extraordinária que ajudou a mudar a Europa. Sem pretender ser exaustivo, recordo o abolir das fronteiras, o termos uma moeda comum, programas como o Erasmus e tantas outras coisas com as quais nos habituamos. Claro que existiram falhas, erros e asneiras. Como em todas as obras colectivas. Só espero, sinceramente, que todos os políticos europeus saibam estar à altura das circunstâncias. Que a arrogância tenha apanhado um valente susto. Que se lembrem que somos todos diferentes mas somos todos europeus.

Estou nos antípodas do Syriza em termos ideológicos. Porém, ser democrata é saber reconhecer e respeitar as escolhas dos povos e os gregos, nas últimas eleições, assim escolheram. Da mesma forma que, neste referendo, escolheram o “Não”. Perante a sua escolha só existem dois caminhos: compreender e procurar enquadrar a sua escolha dentro dos superiores interesses de uma Europa unida ou, o que alguns andam a salivar, retaliar. Escolhendo a segunda vamos matar o projecto europeu, esse extraordinário legado dos nossos pais. Quem quer fazer o papel de coveiro?

Líderes

Hoje, como nos últimos dias, não faltam as habituais lamentações sobre o facto de a Europa estar sem grandes líderes. Sou mais modesto, mas muito mais ambicioso. Não quero grandes líderes, que os paga a História bem caro. Queria mais: queria líderes inteligentes, corajosos, íntegros, cosmopolitas, sensatos, honestos, dotados de sentido de empatia e solidariedade e cujos valores de referência sejam a liberdade e a democracia; as reais, não os seus fantasmas. E coragem para votar neles. É pedir muito, não é?

Grécia, asneiras, mentiras e realidades

Maria Manuela

Incomensuravelmente cansada de ouvir asneiras e mentiras deliberadas sobre a Grécia, aqui ficam algumas realidades:
1- Os estados da zona euro “emprestaram” muito dinheiro à Grécia?!
Ao J P Morgan e ao Goldman Sachs querem dizer.
É que oitenta por cento dos “resgates” à Grécia, foram isso mesmo: resgates aos Centros de Controle Financeiro (já não lhes chamo bancos) que detêm e controlam o FMI e os demais bancos credores, para salvaguarda de um sistema financeiro asfixiante e criminoso.
2- Quem levou a Grécia à falência?
As mesmas famílias políticas que arrastaram Portugal para o buraco em que estávamos e estamos. Precisamente a mesma cambada de corruptos incompetentes que beneficiaram e fizeram proliferar corruptos e incompetentes. Precisamente o mesmo tipo de criminosos que desenhou, criou e expandiu uma economia sem nenhum suporte real. Apenas assente num crescimento insustentável de funcionários públicos e empresas públicas e público-privadas deficitárias, aviários e ninhos de políticos em criação ou reformados. Precisamente a mesma estirpe viral mortífera que fez incidir receita pública nos mais frágeis e, não só ilibou como incentivou à fuga aos impostos de um sistema oligárquico de suporte financeiro e eleitoral. A mesma coisa- política inominável, que foi fechando os olhos ao estabelecimento de uma economia paralela e reforçando as regalias do funcionalismo público, criando um verdadeiro estado-de-sitio apenas compatível com a sociedade pirata da ilha Tortuga.
Precisamente o mesmo bando de ladrões que levou a Grécia a recorrer a um programa de assistência financeira da troika em Maio de 2010 – solicitado na altura pelos socialistas do PASOK, que ganharam as eleições de Outubro de 2009 para revelarem no final desse ano que, afinal, o défice orçamental grego desse ano não ficaria nos cerca de 6,7% projectados pela Comissão Europeia com base em dados do anterior governo, mas seria de 12,7% (foi de MAIS de 15% do PIB).

3- Quais as consequências das medidas da Troika? [Read more…]

Dívida

André Serpa Soares

Ouvindo e lendo declarações de dirigentes e políticos alemães em reacção à vitória do não na Grécia, apenas me ocorre recordar o seguinte, para ver se não se esquecem nunca: nenhum país, repito, nenhum país, tem dívida maior para com a Europa do que a Alemanha. Isto é verdadeiro em termos financeiros e de dívida perdoada, mas o pior ainda é o resto

Olhos gregos, lembrando

A Europa jaz, posta nos cotovelos:

De Oriente a Ocidente jaz, fitando,

E toldam-lhe românticos cabelos

Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;

O direito é em ângulo disposto.

Aquele diz Itália onde é pousado;

Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,

O Ocidente, futuro do passado.

O rosto que fita é Portugal.

Mensagem, Fernando Pessoa

Mal sabia Fernando Pessoa que a História viria a dar outros significados ao poema “Os Castelos”, porque o tempo traz consigo novas leituras. [Read more…]

O altruísmo de Martin Schulz

Schulz

Parece que o desfecho do referendo grego nos presenteou com algo ainda mais surpreendente do que a vitória esmagadora do “não”, pelo menos para aqueles que alimentavam a especulação das sondagens fantasma que davam a vitória ao “sim”. Martin Schulz, o tal que para muitos representa a esquerda europeia – a esquerda do lado direito do espectro – foi subitamente tomado pelas preocupações sociais que durante vários anos estiveram ausentes da agenda europeia para a Grécia, que impôs uma austeridade cega que cortou a direito doesse a quem doesse:

Devemos amanhã, ou o mais tardar na terça, na discussão do encontro da zona euro, encontrar um programa de ajuda humanitária para a Grécia. O cidadão comum, os pensionistas, pessoas doentes ou as crianças nos infantários não podem pagar o preço pela situação dramática para a qual o governo grego levou o país.

Chegou tarde mas chegou. O “socialista” acordou agora para o drama do cidadão comum, dos pensionistas, dos doentes e mesmo das crianças nos infantários. As crianças nos infantários. Estou comovido. Só se lamenta a distorção da realidade presente no final da declaração. É que, é sabido, não foi este governo que atirou a Grécia para uma situação dramática. Foram os seus pares do defunto PASOK e da Nova Democracia. Mas vá, um passo de cada vez. Lá chegaremos.

 

Dúvida existencial

alguém me explica como se expulsa um país do euro? Que tratado europeu prevê esta possibilidade? Obrigado!

O chico-espertismo tuga

Nas últimas horas tenho visto no facebook, twitter e demais redes sociais vários exemplos de chico-espertismo alarve no que diz respeito à Grécia. Passo a citar alguns porque creio que o caro leitor deve precaver-se contra este tipo de coisa:

1- Ahahah estão a ver o SYRIZA a festejar com os da Aurora Dourada – diz a pessoa que é a primeira a postar discursos do Nigel Farage no Parlamento Europeu porque ele está carregadinho de razão apesar de ser racista, xenófobo e homofóbico. Como se o eurocepticismo fosse apanágio da extrema direita e não de um número cada vez maior de pessoas de esquerda, direita, centro, frente e atrás.

2- Os Gregos não queriam que Portugal entrasse na CEE e porque é a “gente” agora tem de os ajudar e ser solidários? – Tem tudo a ver claro, uma coisa é igual à outra e as pessoas até são as mesmas e tudo.

3 – As pessoas que por um lado dizem “ah mas perdoou-se a dívida à Alemanha” e que no post a seguir dizem “e eles têm que pagar o dinheiro das reparações que devem à Grécia” – Então por um lado queremos o perdão de dívidas mas por outro a Alemanha deve coisas e tem de as pagar?

4- Pessoas que acham (como o nosso Presidente) que a Grécia vai ser a única prejudicada no caso de sair do euro. Estas pessoas são especialmente hilariantes pela fé que têm na economia Europeia no geral e na Portuguesa em particular.

5- Esta é especial do Paulo Rangel (mas temo que se vá espalhar rapidamente): “os outros países podem querer referendar a ajudar à Grécia” – isto é uma versão menos trolha do “ah mas eles nos anos 80 queriam lixar-nos a vida”. Epá pois é Paulo, sabes, é  mesmo tudo igual. Votar para se acabar com a austeridade porque não se aguenta mais ou votar para dar dinheiro a um país é exactamente a mesma coisa. Aliás, Portugal chegou à situação onde chegou porque os portugueses são obrigados a dar dinheiro à Grécia. Não tem nada a ver a sucessão de governos do PS e do PSD que aumentaram a despesa pública, não tem nada a ver com a corrupção. Não, não, a razão pela qual os Portugueses não têm dinheiro é porque cada contribuinte tem de dar um x à Grécia. (Claro que outros países Europeus também nos deram um “x” portanto vê lá se a ajuda for referendada também não é referendada para este canto específico). Pessoalmente, juro do fundo da minha alminha, prefiro dar os 257 euros à Grécia do que votar no PSD. São escolhas.

O povo é quem mais ordena

Oxi

Apesar da chantagem, da tentativa de ocultação de informação e da manipulação das sondagens, a democracia venceu na Grécia. Mesmo com os líderes europeus da corte de Merkel e os representantes de instituições sem legitimidade democrática a manter a pressão alta sobre os gregos, o que incluiu apelos em tom de ameaça ao voto no sim em dia de reflexão e no próprio dia do referendo, Alexis Tsipras resistiu e reforçou o seu poder negocial, o que de resto era mais do que previsível. Chama-se democracia. Quem não estiver bem com ela, tem óptimas oportunidades de ser feliz na Coreia do Norte ou na Arábia Saudita.

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Adeus Samaras

O líder da Nova Democracia não vai ficar para a pasokização do seu partido. Boa viagem!

Reacções aos resultados do referendo grego

Primeiras reacções:

oxi reaccoes

Já agora, face aos resultados até agora conhecidos, alguém explica a opinião publicada dominante sobre o suposto empate técnico?

O relatório do FMI que a corte de Merkel tentou ocultar

Debt

Enquanto se acabam de contar os votos na Grécia, sendo quase certa a vitória do “não” no referendo, importa dar eco a um acontecimento da semana que agora termina e que, saiba-se lá porquê, foi praticamente ignorado pela comunicação social e pelos unicórnios fanáticos que disseminam a propaganda do regime, que preferem filmar as filas nos multibancos ou dar eco a manipulações absolutamente repugnantes como as aqui referidas pelo J Manuel Cordeiro.

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Da Grécia, sem amor

vaso grego
Dedicado a Camilo Lourenço, José Manuel Fernandes, José Gomes Ferreira, José Rodrigues dos Santos e outros mentirosos, a todos os que por estes dias andaram por Atenas reduzindo o jornalismo a prostituição de rua, e sobretudo aos respectivos patrões.

Grécia: primeiros resultados do referendo (actualizado)

Resultados com 20% dos votos contados:

oxi

Resultados com 40% dos votos contados:

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Página com os resultados oficiais: Referendum July 2015

Projeções do referendo grego

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As projecções do referendo na Grécia segundo quatro empresas distintas.

Doutor por prescrição

Relvas, doutor por prescrição

Relvas diz que já passou o prazo para anular a sua licenciatura

 

O revolucionário do sofá

estaline mao

O revolucionário do sofá, tal como o treinador, está sempre disponível para analisar a vida política em qualquer parte do planeta. Não faz a mínima ideia do que está em campo, mas vaticina que esquerda no poder não é esquerda a menos que tenha lá chegado à porrada, e que as forças verdadeiramente revolucionárias estão concentradas naquele enorme partido de vanguarda que obteve zero vírgula qualquer coisa por cento de votos.

Para o revolucionário de sofá contemporâneo todos os males do mundo começaram com a morte de Estaline e continuaram com a de Mao. Fanático religioso, incapaz de entender Marx mas pronto a declamar as suas obras completas, só compreende a história com profetas, santos, heróis, gajos que fizeram tudo sozinhos mesmo que contra o seu povo e massacrando o seu povo, começando logo pelos comunistas que se opunham à ditadura unipessoal que instalaram. Depois caiu a URSS, fruto de uma tenebrosa conspiração internacional, a que escapa o detalhe de os povos por aqueles lados do mundo nem numa gaveta encontrarem o socialismo. Mentalmente estão ao nível infantil de quem acredita que o Muro de Berlim foi construído para evitar uma invasão pelos berlinenses de Oeste, malta desesperada e com a ideia fixa de ir viver para o outro lado.

A carreira de revolucionário de sofá é prometedora: pensemos num Barroso, num Fernandes ou num Espada, mas ele sabe que antes de dar o salto tem de demonstrar as suas capacidades. [Read more…]

A data mais temida

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A data mais temida pelo sistema financeiro e pelos governos europeus que o servem fielmente é a data das eleições espanholas, agendadas para dezembro deste ano. Se um Syriza incomoda os mercados, um Syriza e um Podemos incomodam muito mais. Para os mercados financeiros seria um pesadelo gerir (leia-se manipular) cimeiras europeias com Tsipras e Iglesias do Podemos. Este é o cenário mais temido, tudo o resto que acontecer até às eleições espanholas não será mais do que um longo esforço para fazer do Syriza um exemplo a não ser seguido em Espanha, na Irlanda onde o Sinn Féin tem 20% nas sondagens, na Escócia onde o Partido Nacional Escocês é maioritário e em Portugal se o Bloco continuar a sua subida nas sondagens.

Ao contrário de outros comentadores, não sou vidente e não sei o que se sucederá na Grécia. Sei que os gregos e o Syriza não querem sair do euro e muito menos da União Europeia. Sei de governos que gostariam de os empurrar para fora do euro e de muitos mais que rezam pela queda do governo do Syriza. Não estou otimista para hoje. Se o governo do Syriza cair, não pense a oligarquia financeira que se vai livrar das suas responsabilidades. Depois do Syriza a política não voltará a ser a mesma, o povo reconhece hoje melhor do que nunca a diferença entre os submissos ao poder financeiro e os que lutam contra aqueles que em Genebra, na City londrina, no Luxemburgo, na Holanda ou na Jerónimo Martins continuam a ter lucros com a crise e a esmagar o povo.

Adaptação de artigo publicado no diário As Beiras a 02/07/2015.

“É muito difícil dizer não a um amigo”

Retrato_oficial_Miguel_RelvasOntem, Miguel Relvas lançou um livro que terá alegadamente escrito. O facto de ter o seu nome na capa fará com que, no mínimo, tenha equivalência a autor. De qualquer modo, para bem do sucesso da obra, espero que a capacidade argumentativa de Relvas tenha melhorado ou sido melhorada.

A peça do Público é absolutamente exemplar, ao permitir que a realidade se mostre a si mesma. Basta ver a quantidade de vezes que palavras como “amigo” ou “amizade” foram utilizadas pelos entrevistados para justificar o título do texto: “O outro lado da governação são os amigos”.

Numa assistência constituída sobretudo por políticos, todos negaram ou, no mínimo, omitiram essa qualidade, substituindo-a pela de “amigo”. Paula Teixeira da Cruz classificou mesmo a sua presença como “um acto pessoal, muito pessoal”, talvez por oposição a actos menos pessoais ou pouco pessoais e num contraponto às justificações dos assassinos mafiosos que pedem desculpa ao iminente assassinado dizendo-lhe: “Não é pessoal, é negócio.”

Face às afirmações de alguns dos presentes, ou seja, dos amigos, fico, no entanto, com a impressão de que há, por vezes, a confissão de que a sua presença implicou, aparentemente, alguns sacrifícios. [Read more…]

Angela Merkel, uma aluna petulante e mal comportada

Senhora chanceler, vá fazer isso noutro sítio

Foi desta forma que, após duas chamadas de atenção, o presidente do Parlamento alemão puxou as orelhas à tagarela que, em total desrespeito pelo deputado que intervinha na tribuna, conversava alto e em bom som com o líder parlamentar do SPD. Petulante, a chanceler levantou-se e, na companhia do seu colega reguila, foi sentar-se nas cadeiras vazias mais atrás para continuar na sua amena cavaqueira, ignorando os trabalhos em curso no Bundestag. Um belo exemplo da cultura democrática da mais alta figura do país que mais lições de moral dá aos europeus.

As lições de propaganda de Marques Mendes

MarquesM

Em artigo de despedida do painel de cronistas da visão, Marques Mendes dedicou algumas linhas a elogiar Jorge Sampaio, recentemente distinguido com o Prémio Nelson Mandela. Não irei discutir a justiça na entrega do galardão mas apenas a conclusão genial do barão social-democrata: esta distinção é relevante por ser ilustrativa da afirmação de personalidades portuguesas à escala planetária. E aproveita a deixa, claro, para fazer um mimo ao amigo Durão Barroso.

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Sala de espera

Sento-me entre estas mulheres, eu que apenas espero por quem há-de sair, como se partilhasse a angústia delas, uma mais entre elas, na sala de espera, eu tão vestida –  de roupa, de palavras, de artifícios -, elas nuas com a sua roupa coçada, os seus gestos bruscos, o seu cansaço de muitos anos. Mulheres castigadas, que até da doença se sentem culpadas, que se deitam para que um médico as toque como se assim se rebaixassem, que sentem o corpo como algo que lhes não pertence mas do qual devem sentir vergonha. [Read more…]

Aceitam-se legendas

felatio_laico_republicano© autor desconhecido

Assis está definitivamente perdido

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Francisco Teixeira

Assis escreve hoje outro texto no Público que constitui a continuação da sua perdição cultural e ideológica que, no essencial, mostra que quando não é vácuo está errado e não percebeu, dos salões luxemburgueses, a Europa em que as pessoas reais vivem.
Centro-me apenas nos erros mais evidentes e confrangedores…

Erro 1: “Grécia tornou-se o pedaço doente da nova Europa.”
Assis repete aqui os piores e mais soezes estereótipos ultradireitistas: o problema europeu é a Grécia!
Nem sequer imagino como um tipo como o Assis pode pensar isto, e dizê-lo! Por decoro, nem sequer contra-argumento.
Erro 2: “Ocorreu em 2011, quando Georgios Papandreou, recém investido nas funções de primeiro-ministro, informou uma Europa incrédula de que as contas relativas às finanças públicas helénicas tinham sido aldrabadas. Começou aí a crise das dívidas soberanas que tanto prejuízo causou no Velho Continente.” [Read more…]

O alcarnache

Na lavoura, o alcarnache é sobejamente conhecido. Corta-se-lhe a rama mas basta um pedaço de raiz para a erva regressar com igual esplendor. Adapta-se aos herbicidas, torna-se forte com as adversidades e só desaparece quando tudo o resto secou.

Há personagens assim na política e a apresentação do livro de Miguel Relvas reuniu uma parte delas. A revista Sábado publicou esta semana um depoimento de Norberto Pires, ex-presidente da CCDR Centro, a denunciar como funcionam as pressões partidárias, no caso do PSD/CDS mas podia perfeitamente ser do PS, os partidos que têm passado pelo poder. É o mundo de Relvas, e de outros, como Marco António Costa, os homens do partido, que decidem lugares nas listas de deputados e nas nomeações. A corte esteve presente na apresentação do doutor por prescrição. [Read more…]

O futuro aprisionado no passado

fantoche

O season finale do Prós e Contras encheu-se de malta nova para debater o futuro do país. Independentemente da minha concordância ou discordância com as opiniões dos membros do painel, que dentro daquilo que é a sua ideologia política ou pensamento económico souberam argumentar com coerência, não posso deixar de referir a pobreza das intervenções dos líderes das duas maiores juventudes partidárias do país. O líder da JS limitou-se a fazer campanha por António Costa, sendo mesmo acusado por Mendes da Silva de estar a ler o teleponto no telemóvel, insistindo no discurso repetitivo e vago que, em parte e contra todas as expectativas, permitiu à coligação PSD/CDS-PP ultrapassar o PS nas sondagens. Já o líder da JSD regressou à narrativa gasta do confronto geracional, apontando o dedo aos nossos país e avós, responsáveis pela herança de dívida que nós, os jovens, carregamos aos ombros. Uma não-questão. Uma não-questão porque o único erro que os nossos pais e avós cometeram, no limite, foi votarem nos nossos carrascos. Porque quem onerou a minha geração e as que estão para vir foi uma casta de políticos irresponsáveis do chamado arco do poder, cuja incompetência aliada ao eterno embuste eleitoralista, cultura despesista e gestão clientelista em função dos interesses do costume nos trouxe até aqui. Creio, se a lógica não me falha, que Simão Ribeiro estaria com certeza a falar para dentro. Será que os barões do seu partido ouviram?