Um par mortífero

Já aqui contei que a minha cadela Rita adoptou um gato vadio, o Chico. Nos outros lugares, menos virtuais, onde também o contei, a reacção foi sempre de ternura embevecida. Punham-se as cabecinhas de lado quando ouviam a história, aquele sinal inegável de que os ouvintes responderiam com adjectivos como fofo, lindo, queriducho, e outros termos detestáveis. A história começou a correr e eu fiquei conhecida em certos meios como “a dona da cadela que vive com um gato”. Houve até um vizinho que veio ter comigo na rua para perguntar-me se era eu que escrevia no Aventar porque tinha lido o post e reconhecido a cadela e o gato que ele via do seu quintal. A Rita e o Chico devolviam a uma pequena amostra de seres humanos a fé quase perdida na possibilidade de um mundo de paz e harmonia.

Embalada com o sucesso da história, não me coibi de ir partilhando detalhes mais actualizados. E aí, para meu espanto, o entusiasmo esmoreceu de forma súbita. É que a cadela começou a ensinar o gato a caçar. Ele tinha o talento inato mas faltava-lhe a aprendizagem dos procedimentos. Começaram pelas ratazanas. Ao que o Chico tinha de rapidez e agilidade, a Rita respondeu com astúcia e experiência. Percebi logo que estavam ali dois assassinos em série. Orgulhoso, o Chico foi deixando um rasto de roedores chacinados por todo o lado, a sua forma de retribuir o carinho a quem lhe dá de comer. A Rita também ficou orgulhosa dele, mas disfarçou mostrando uma entediada indiferença quando ele empurrava as ratazanas mortas para junto da cama dela, uma das mais tocantes manifestações de afecto a que se pode assistir neste mundo. [Read more...]

Quanto vale uma cabeça?

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Mandaram os serviços da ministra da justiça que se soubesse que havia suspeita de sabotagem no arranque do novo CITIUS, que a PGR está a investigar e que há dois bodes expiatórios, perdão, visados no relatório sobre o caos no Instituto de Gestão Financeira e dos Equipamentos da Justiça (IGFEJ), relatório esse feito pelo próprio IGFEJ, embora não tendo vindo a público quem o assinou, nem quem investigou. Pormaiores para que se possa aferir a isenção do dedo acusador.

Sem conhecer os meandros deste caso, afirmo, com grande confiança, face ao que é padrão na industria de software, que estamos perante uma encenação para salvar a cabeça da ministra e, consequentemente, lavar a cara do governo. Passo a explicar. [Read more...]

Da manteiga e da planta

Escreveu Rodrigo Viana de Freitas, “É para mim mais do que certo: quando este vento passar, será todo este talento que nos fará navegar“, na P3 do Público sobre a geração 20-30. Um texto que recomendo e com o qual concordo.

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Censurado

nos bolsos deles
Do ensaio visual A luta voltou ao muro, de Ricardo Campos, censurado da revista Análise Social.

O anedótico e incompetente jihadista Machete

Machete

(hum… acho que fiz merda. Again…)

É possível que não exista outra forma de abordar o complexo Rui Machete que não seja através do humor. Após mais um episódio verdadeiramente patético protagonizado pela estrela do clássico “Perdoa-nos Angola, O Ministério Público não sabe o que faz”, o Inimigo Público atribuiu-lhe o título de Jihadista Honorário e rebaptizou-o de Al BPN (para quem Alá tem 70 reformas milionárias reservadas no Paraíso), um nome que lhe assenta que nem uma luva, apesar do gabinete de Passos Coelho não ter entendido que assentasse tão bem no seu CV. Detalhes.

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Anticyclone

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© Sandra Rocha

Durante cinco anos, entre 2009 e 2013, Sandra Rocha regressou à ilha Terceira, onde nasceu e viveu até aos vinte anos, para visitar e fotografar a sua família. [Read more...]

Vem aí a super-esquadra-mega-agrupamento-escolar

Imagem5Segundo os computadores da OCDE, Portugal ainda tem polícias e professores a mais. Nestas áreas, de acordo com o Jornal de Negócios, é necessário “um ajustamento mais substancial”. Alguns, mais ingénuos, poderão pensar que “ajustamento” é um eufemismo de “despedimento”, mas estão enganados: para haver eufemismo, os trabalhadores teriam de ser considerados pessoas, o que, felizmente, já não acontece.

Nuno Crato, o ministro mais rápido do Faroeste, já pensava que o único professor bom era um professor despedido. A OCDE, qual sétimo de cavalaria, faz soar o cornetim e vem em socorro dos ministros acossados no forte.

É fundamental, então, que polícias e professores se preparem para os tempos que aí vêm, porque é fácil adivinhar o futuro, tendo em conta o governo reformista que temos.

Não, não será suficiente despedir alguns professores e outros tantos polícias. O governo irá, com certeza, mais longe do que isso.

A solução estará na fusão de super-esquadras com mega-agrupamentos e as vantagens são evidentes.

Antes de mais, está para nascer uma nova profissão que poderá passar a chamar-se profelícia ou polissor. Alguns especialistas já se pronunciaram contra o primeiro termo, uma vez que se aproximará demasiado de delícia e convém evitar a lubricidade latente. De qualquer modo, a designação deste cruzamento entre professor e polícia está em consulta pública, pelo que a caixa de comentários está à vossa disposição, como serviço público que gostamos de ser. [Read more...]

Devia ser proibido falar assim dos políticos

A problemática da condecoração socrática

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Alguns jornais portugueses, como o I ou o Diário de Notícias, dão hoje conta desse imperativo do campo da ética e da moral, de singular importância para o país e para os portugueses, que diz respeito às condecorações de antigos primeiros-ministros, neste caso Pedro Santana Lopes e José Sócrates.

Trata-se de uma questão que, a par do problema das contas públicas ou da situação do BES, constitui um motivo de especial preocupação para todos. Países civilizados não deixam primeiros-ministros por condecorar e é sabido que este tipo de condecorações tem impacto directo nos juros da dívida e nas notas atribuídas pelas santíssimas agências de notação financeira norte-americanas. Adiar um problema destes é adiar o futuro do país pelo que este é um debate urgente e central para Portugal.

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Medalhas

santana lopes

Cavaco, Santana Lopes (ahahah), Barroso, e mais tarde ou mais cedo Coelho. Qual é o problema com Sócrates?

Apetece-me recordar

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Artigo publicado durante a campanha eleitoral das legislativas de 2011

Isto é só para recordar a condição de flagrante mentira como arma política por parte deste governo. Não é novidade nenhuma? Pois não. Mas é verdade. E, é bom não esquecer, é sobre este prisma que tudo o que este governo diz deve ser lido.

Ao ver o salário diminuir desta forma…

Importa perguntar que tipo de funções exerce o antigo governante? Será apenas a função de boy, preenchendo a quota do PS na instituição?

Pedro Marques Lopes trucida o cherne no DN

Durão Barroso saiu mal de Portugal e deixou a União Europeia ainda pior. É um político que entra sempre pela porta grande e sai sempre por uma muito pequena. O seu mandato só não fica para a história como um terrível fracasso porque nem para a história fica.

Mário Almeida traça o rumo dos escalões jovens

sub213A Field Hockey Zone é uma comunidade espanhola das gentes do hóquei em campo e tem como director uma referência da modalidae no país vizinho, Marc Salinas. Na apresentação do site e da sua página no Facebook, Marc escreve que o projecto “se baseia na união de perfis heterogéneos, unidos por um amor incondicional ao nosso desporto” e “se esperas estar informado, ler opiniões de quem realmente sabe de hóquei e sobretudo disfrutar, partilhando experiências, asseguro que vais ficar connosco por muito tempo”. E acrescenta: “Sejas quem fores, venhas de onde vieres, e acredites naquilo em que acreditas, sente que esta página também é tua, porque é. E lembra-te: não te limites a observar, faz parte do projecto”. [Read more...]

Se a informação tem autoestradas, então deve pagar portagem

autoestrada da informação

Basicamente é isto que diz o governo da Hungria ao querer colocar um imposto real sobre algo virtual – a circulação de bits. Dirão que é ridículo, e eu concordarei, mas não temos nós, para citar apenas um exemplo, uma fiscalidade verde com o pretexto de ser boa para o ambiente, quando, cinismo à parte, se trata essencialmente, de aumentar o imposto sobre os produtos petrolíferos?

Já o governo húngaro diz que serão os fornecedores de Internet, e não os consumidores, a suportar este imposto, apesar dos primeiros dizerem que a factura irá mesmo para os consumidores. Onde é que, entre nós, ainda recentemente, ouvimos este argumento de novos impostos serem pagos pelas empresas e não pelos consumidores? Pois, foi exactamente na questão da cópia privada, com a SPA e governo a dizerem que a taxa sobre memórias e armazenamento digital não recairá sobre os consumidores.

Agora, com a pressão nas ruas, o governo húngaro ofereceu-se para baixar o novo imposto, sem no entanto desistir desta ideia peregrina. À semelhança do que por cá fez o governo quanto ao imposto da cópia privada, baixando-o mas, mais importante, mantendo a intenção de o aplicar, apesar da injustiça que está na sua base.

Com tantas semelhanças entre o nosso governo e o congénere húngaro, vão-se preparando. É uma questão de tempo até que a sede de impostos chegue onde nem lhe passava pela cabeça que tal fosse taxável. Sim, sim, isso em que está a pensar também.

«O impasse [deliberado]

é uma forma de conservar o poder, o estatuto, os privilégios de quem os detém (…).» António Pinto Ribeiro, sempre na mouche, fazendo as relações certas entre memória e esquecimento, o que vemos e nos vê, e sobretudo entre o que não se diz e a devastação da Europa. A que apenas poderemos contrapor «vanguardas ásperas e precisas», diz. Ásperas e precisas, tomem nota.

Fábulas de transparência parte II

Depois da lata de Passos, a canonização por José António Saraiva. A coisa é tão absurda que até as mentiras eleitorais tentou branquear. Estaremos a entrar numa nova fase de manipulação à la Relvas?

Europa, querida Europa

Quando julgamos ver-te um sinal de compaixão e humanidade, tiras-nos em seguida o tapete de debaixo dos pés.

 (…) a Bélgica revelou ter interrompido, desde meados de Agosto, todas as expulsões forçadas de imigrantes para os países africanos onde a epidemia de ébola alastra. Cada expulsão por via aérea exige que pelo menos dois polícias acompanhem a pessoa expulsa – tendo por vezes de levar as pessoas até aos serviços de imigração do país. “Não podemos pôr em perigo a saúde do nosso pessoal”, explicou Agnès Reis, porta-voz da polícia federal belga. (daqui)

 

Da série Crato é a escolha certa (5)

A meio do 1.º período, ainda há 128 horários completos por preencher nas escolas

Tiago Rodrigues vai dirigir o Teatro Nacional D. Maria II

A mudança, finalmente. Lugar aos novos, e a um teatro que não cheire a môfo.

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Ver e rever: The Muppets: Bohemian Rhapsody

Genial em todos os aspectos. Destacando um, é notável o movimento de câmara a partir do minuto 2:54, onde os bonecos parecem ganhar outra vida.

Politicamente correcto…

A comunicação social e, até, alguns amigos nesta rede social, não se cansam de comentar a vitória da PresidentA Dilma. Se acompanho quem saúda a sua vitória, confundem-me os que persistem em usar substantivo no feminino, embora não ignore que a própria Dilma prefere assim – o que não é importante; ela é Presidente e não professora de português. Mas eu pergunto: se ganhasse o Aécio, seria o PresidentO? De qualquer modo, quanto ao resultado, fiquei contente (ou contento?…).

O plano para matar a Nessie

A imprensa inglesa noticia hoje que o Museu de História Natural, em Londres, concebeu um plano monstruoso para capturar e assassinar o impropriamente chamado “Monstro” do Lago Ness, essa esquiva e pacífica criatura chamada Nessie, e que o caro aventador Francisco Miguel Valada em tempos me elucidou que é tido, pelos locais, como sendo uma menina.

O perverso director do Museu à data (estávamos nos primeiros anos da década de 1930) contratou “caçadores de cabeças” que teriam como missão rumar à Escócia, assassinar a Nessie e enviar a sua carcaça para que fosse exibida em Londres. Caso não conseguissem cumprir a missão com êxito absoluto, deveriam pelo menos enviar uma barbatana, um maxilar, um dente, qualquer troféu arrancado ao corpo da pobre criatura. [Read more...]

Um sistema bancário que respira saúde

Banco

 

(Reparem no semblante matador de Ricardo Salgado. As pobrezinhas da Comporta devem suspirar que nem umas malucas…)

Na pátria de grandes banqueiros como Oliveira e Costa e Dias Loureiro, o sistema bancário respira saúde. O BES é agora um Novo Banco mas as mil empresas Espirito Santo qualquer coisa ou qualquer coisa Espírito Santo continuam a causar estragos. A PT que o diga! Mas vêm aí os testes de stress do BCE e a “verdade” virá ao de cima. Aguardemos.

Por falar em testes de stress do BCE, parece que o BCP chumbou. Mas está tudo bem e nem os prejuízos acumulados ao mês de Setembro, uns irrisórios 98 milhões de euros, beliscam o optimismo da administração. O optimismo é tal que Nuno Amado fez questão de dizer que, se os testes fossem hoje, o BCP passaria com certeza. Essa malta do BCE é que escolheu aquela data mesmo para os lixar…

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Capitão sub-títulos traduz Maria Luís Albuquerque

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Pedimos desculpa pela tradução incompleta. O Capitão Sub-títulos crashou ao tentar traduzir “mais confortável“.

Preparem as algibeiras

Ah, o BCP, coiso e tal, está tudo controlado, não houve vigarice nenhuma, apenas uma simples maquilhagem. BPN, BES, o BCP é já a seguir.

Gestão da água entregue a privados por 50 anos

Município de Braga está prestes a fechar um negócio que pode render 6 milhões anuais.

Trabalhos forçados

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para repor o que o Governo tirou às pensões, para ajudar os filhos, pagar a casa e as contas, comprar medicamentos.
Um trabalho de Ricardo Rodrigues para a Notícias Magazine.

Não estarão a atribuir demasiada importância?

A moça não quis ofender os portugueses ou menosprezar Portugal, apenas procurou um trocadilho para criar uma graçola, ressabiada com o resultado da eleição. Saiu mal, o resto é apenas burrice…

Juntando os pontos…

“Temos um nível de transparência como nunca existiu em 40 anos” PPC

“Membros do Governo tinham mais de um milhão de euros no GES quando decidiram o seu futuro” PÚBLICO

A transparência é total: o conflito de interesses é claro como água.