E se…

É parca a esperança de que a crise tenha o necessário efeito duradouro rumo a uma mudança substancial, mais sustentável e socialmente mais justa. Ainda assim, as notícias de redução do consumo dão azo a uma résteazinha de luz, um alento fugidio e irreverente…

E se as pessoas, sob o choque, se apercebessem persistentemente do embuste do consumismo e se negassem a comprar as vigésimas calças, o último modelo de iphone, o todo-o-terreno topo de gama, o…

Diz assim a notícia:

Desde o início do ano, a procura de veículos de passageiros na UE diminuiu quase 40%, para 2,75 milhões de veículos. Em Março, o número de novas matrículas já tinha diminuído para mais de metade, porque durante a crise quase não foram vendidos automóveis. Em Abril, apenas cerca de 271 000 automóveis novos começaram a circular, menos 76% do que no ano anterior. 

Podia ser uma boa notícia.

Comments

  1. JgMenos says:

    E o direito ao posto de trabalho?

    • POIS! says:

      Pois mas, no caso de V. Exa, até ficava a ganhar!

      Menos automóveis a circular seriam menos a estacionar. A esquina de V. Exa. ficava muito mais visível.O posto estaria muito mais salvaguardado.

    • anticarneiros says:

      Sempre a vomitar JgMenos. Uma Alkazelsa talvez ajudasse

    • Paulo Marques says:

      O direito ao trabalho não é direito ao posto de trabalho.


  2. As pessoas deixaram de consumir porque simplesmente estiveram confinadas em casa dois meses. Basta ver agora as bichas para a Zara para ver como absolutamente nada mudou! nem vai mudar, até à destruição final.


  3. Cada cidadão quer é a satisfação da sua pessoa e o planeta que se lixe. Por outro lado, menos consumo significa menos postos de trabalho e o que fazer a tanto desempregado?

    • Democrata_Cristão says:

      O s donos disto tudo, vão encarregar-se disso. Qualquer dia não há ninguém nas lojas a vender


  4. Gostava de saber por que menos consumo significa nenos postos de trabalho. Falamos de que trabalho afinal?


    • Duvida que menos consumo significa menos necessidade de produção e portanto menos postos de trabalho ? Pergunte ás empresas transportadoras quantos camiões têm diariamente na Europa, desesperadamente á espera de conseguir carga para Portugal………….


    • E eu pergunto :
      Qual a riqueza afinal que se cria em Portugal a não ser a de 3 ou 4 monopolistas e em proveito próprio, sendo sobretudo
      país de prestação de serviços e consumo em que o sector produtivo agrícola tradicional essencial foi abandonado em interior desertificado ou empresta-dado/alugado/vendido a espanhóis e outras empresas de mercado e lucros para culturas intensivas de produtos alimentares geneticamente modificados e envenenados com químicos e hormonas e pesticidas, produtos genuinamente portugueses como fruta legumes, cereais, azeite, e floresta de árvores autóctones mediterrânea, e generosa rede hidrográfica e boas condições naturais, e animais, vários, de raças autóctones……. a não ser frangos e suínos e bovinos feitos máquinas de crescer e engordar artificialmente contra natura mais veneno que alimento , qual a riqueza afinal portuguesa que se produz ??!

      ….ide à Galiza aqui tão perto e vereis a diferença !!!!

      http://novas.gal/a-importancia-das-racas-de-gado-autoctones-da-galiza/

      • Daniel says:

        Bem… vamos assumir que é apenas ignorância…
        Alguém referir a Galiza (realidade que claramente desconhece) quando pouco sabe do que se passa em Portugal, nunca poderia dar bom resultado…


        • A um comentário avulso e indelicado, respondo sem resposta com um canto à Galiza que eu conheço e amo num poema de Rosalia de Castro :

          • Daniel says:

            A escolha musical foi bem mais interessante do que os dispatates completamente fora do contexo do post anterior!…

  5. Paulo Marques says:

    Oh, Ana, até parece que estamos numa situação em que tropeçamos na primeira crise esperada do século (que nem será das maiores), à qual, assumidamente, a teoria económica vigente não tem resposta, teoria cujas bases começavam a falhar as contas certas de forma visível a todos.

    • Ana Moreno says:

      Olá Paulo, pois não tem resposta porque os interesses a quem serve são demasiado poderosos. Precisamos de um reset – por isso é que a história dos postos de trabalho é areia para os olhos, há é que criá-los noutras áreas e cercear os vampiros.

      • JgMenos says:

        Há de facto áreas com enorme potencial de criação de emprego como seja :
        – apoio psicológico,
        – apoio pedagógico,
        – apoio sociológico
        – apoio à higiene pessoal e ambiental
        – … e outras áreas em que o Estado cuida dos seus cidadãos do berço à cova e do despertar ao toque de recolher.

        • POIS! says:

          Pois eu não seria tão otimista.

          V. Exa. não deve tomar as necessidades dos outros pelas suas. Principalmente no que respeita á quarta alínea. Bem sei que já tentou contratar um assistente para lhe pegar no sabonete e puxar o autoclismo, mas não sei se tal atividade poderá vir a ter expressão profissional. Talvez um start-upper direitrolha-liberaleiro possa desenvolver uma espécie de Uber para esse setor Nunca se sabe.

        • Paulo Marques says:

          Limpeza das matas; compras para pessoas com dificuldades de movimento, ou que se deviam estar a confinar; tapar os infindáveis buracos no asfalto, trocar as estradas por carris; rastreamento de contactos no meio da pandemia; obras para maior eficiência energética na maior parte das construções; manutenção de edifícios públicos e monumentos; maior reutilização e reciclagem; agricultura e indústria mais manual; melhores sistemas informáticos para a administração pública…
          Trabalho não falta, é preciso é querer. A impressora do Banco de Inglaterra tem feito brrrr sem inflação, não é a única e não tem que ser para a banca.

  6. Rui Naldinho says:

    Não sei, não sei…
    Não sei se as gerações mais jovens estão assim tão dispostas a mudanças?
    Prometem-lhes empregos precários, quantas vezes mal pagos. Dão-lhes horários de trabalho por turnos, anos a fio.
    Despedem-nas se engravidam.
    Só tem horário para entrar. Para sair, mesmo que seja necessário ir com o filho ao médico, a coisa complica-se.
    Muita desta gente já vem de relações parentais desestruturadas, sem grande suporte cultural e cívico. O amor próprio é escasso. Outros, com mais sorte, estão respaldados no dinheiro do papá e da mamã, e nesse contexto, mudar de hábitos é coisa que não lhes ocorre.
    Muitos dizem-me:
    Temos de viver cada dia como se fosse o último dia das nossas vidas.
    Assim sendo, parece-me que a mudança se ficará pelo susto e pouco mais.
    Há uns anos um amigo disse-me isto:
    Só os pobres não esbanjam, por não terem meios de subsistência adequados.
    Só os ricos não esbanjam dinheiro, pela ganância de terem sempre mais.
    Já as classes remediadas consomem compulsivamente, por não terem a certeza do amanhã.

    • Ana Moreno says:

      Também tenho muitas dúvidas, Rui, sobretudo quando vejo como são formatados os jovens de hoje para servir o sistema. E no entanto, são eles que vão ter de aguentar o que este uso e abuso do planeta acabará por provocar…

  7. socorrro! says:

    e se negassem a comprar as vigésimas calças, o último modelo de iphone, o todo-o-terreno topo de gama, o…

    E depois, como é que se faz inveja ao vizinho do 2º Esq.

  8. Filipe Bastos says:

    Esta questão assusta mais qualquer governo do que dez covidas. A verdade é que ninguém sabe como vai ser.

    Passámos o último século a acelerar, a um ritmo hoje vertiginoso, numa direcção onde só há um muro.

    Seja pela automatização do trabalho, pela população, pelos recursos, pelo planeta, pela falência do capitalismo, pelo absurdo deste sistema monetário ou do casino chamado ‘mercados’, a única dúvida é a que distância está o muro e quão espectacular será o espetanço.

    Há, claro, salas cheias de lobbies e comissões e ‘think tanks’ que tentam antecipá-lo, mas o barco é tão grande que não se vê como possa virar – sem, logicamente, afectar a segurança e o conforto dos passageiros VIP do piso superior, a sua única prioridade.

    O covidas foi uma surpresa: julgo que ninguém esperava que fosse possível uma paragem tão súbita e tão profunda. O mantra do ‘crescimento infinito’ parecia invencível.

    Como o covidas foi exagerado, isso é óbvio há bastante tempo, qual terá sido o seu verdadeiro objectivo? Porque a trajectória continua a mesma; não se vê ainda qualquer mudança significativa.

    • Ana Moreno says:

      “pelo absurdo deste sistema monetário ou do casino chamado ‘mercados’, a única dúvida é a que distância está o muro e quão espectacular será o espetanço.” Bem dito.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.