Enquanto…

Foto: Ana Moreno

Antes assim fosse….

Obrigada, Presidente Mujica

Presidente Mujica – que de ti dizes seres um torrão de terra com pés -, ajudas-me muito, neste tempo de trumps e erdogans e putins e le pens e de offshores e de refugiados e de terrorismo e do clima avariado pelos homens e de governos vendidos – que às escondidas urdem acordos comerciais em que oferecem as pessoas como fantoches aos investidores e roubam a soberania dos seus países – e de afogamento do planeta em plástico e de muita violência e de “redes sociais” imperativas e de chefes com “espírito curto” – que com total desprezo pela destruição das espécies perseguem, neste planeta limitado, um perverso crescimento ilimitado – e por aí adiante, ajuda-me tanto, Pepe Mujica, que tu – mesmo como Presidente que leva a bom porto o seu país – continues a viver na tua casita pobre e a guiar o teu carocha velhote e que does 70% do teu ordenado para construção de casas para os mais carenciados e que sejas tu mesmo “o Presidente mais pobre do mundo”, ajuda-me muito que tu – que foste guerrilheiro e baleado, que foste durante 14 anos prisioneiro – fales com a maior simplicidade sobre o amor, e o pratiques, e que digas que é à economia que cabe servir as pessoas, não o contrário, ajuda-me tanto, Presidente, que existas e custa-me que sintas o “cansaço de uma longa viagem”, mas sei que vais continuar – como ente superior desta duvidosa humanidade – a inspirar aqueles que acreditam em ti também quando dizes “os únicos derrotados são aqueles que deixam de lutar”.

Obrigada, Presidente Mujica.

Bem digo, os tribunais é que estão a dar

Tribunal trava prospecção de petróleo no Algarve.

Catrapum, Bayer!

Werner Baumann, presidente do conselho de administração da Bayer AG e Hugh Grant, presidente e director executivo da Monsanto. | Fonte: picture alliance / dpa

“E desejar que esta decisão se faça sentir e denotar na queda das acções desse violento portento agro-químico que, a nível mundial, atenta contra a Sustentabilidade, a Biodiversidade, a Saúde e a Democracia.”

E hoje elas caíram de facto e aparatosamente na Bolsa de Frankfurt: mais de 12%, para cerca de 82 euros – o nível mais baixo desde o outono de 2013. E os 5.000 processos semelhantes contra a Monsanto em fila de espera nos EUA podem abrir mais buracos milionários. Claro que a Bayer tem, bem oleada e em alta rotação, a sua maquinaria de Lobby e o desfecho do recurso é imprevisível. Mas hoje, o sorriso cínico de Werner Baumann, presidente do conselho de administração da Bayer AG, deverá estar bem amarelecido. Para nós, cidadãos, razão para basto regojizo!

 

Presidente da República vai reflectir

 sobre as 42 mil objeções ao furo ao largo de Aljezur . Pois que medite, pondere, raciocine, cogite, analise e conclua: FURO, NÃO!

Uma boa notícia

Dewayne Johnson, que sofre de cancro linfático em fase terminal, processou a Monsanto

Ultimamente, dado o estado prostituído dos governos face às multinacionais, é o terceiro poder, o judicial, que tem produzido algumas boas notícias. É o caso desta:

Na sexta-feira, um tribunal de São Francisco, nos Estados Unidos, condenou a Monsanto a pagar 290 milhões de dólares (253 milhões de euros) por não ter informado sobre os perigos do herbicida Roundup, na origem do cancro desenvolvido pelo jardineiro Dewayne Johnson.

Claro que o monstro, a dantesca Monsanto agora deglutida pela Bayer, vai recorrer da sentença e activar o seu poderoso e eficaz lobby, que há bem pouco tempo vergou vergonhosamente a comissão europeia. Essa mesma comissão pervertida que continua a promover e financiar com o dinheiro dos contribuintes uma política agrícola baseada no veneno e nas monoculturas intensivas.

Mas por agora, há que festejar. E desejar que esta decisão se faça sentir e denotar na queda das acções desse violento portento agro-químico que, a nível mundial, atenta contra a Sustentabilidade, a Biodiversidade, a Saúde e a Democracia.

P.S.-  Pode assinar uma petição pela proibição do Glifosato em Portugal: http://www.peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT76615

Earth Overshoot Day

Queira ou não queira, uma pessoa é obrigada a constatar a exiguidade do espírito humano. Temos os media cheios de conversa fiada sobre nomes sonantes de personalidades da actual corte política, vereadores, presidente, blá, blá, blá. Para não falar em futebóis.

Já uma notícia verdadeiramente dramática, à escala planetária, como a de se terem oficialmente esgotado, no passado dia 1 de Agosto, os recursos naturais da Terra disponíveis para 2018, não interessa nada, não interessa a ninguém.

Os cidadãos sempre prontos a consumir, os políticos a promover o comércio livre, as multis a enfunar-se de oportunidades, o espírito do negócio a modelar as relações, uma orgia alienada e indiferente às gerações futuras.

A WWF afirma que “hoje, precisaríamos de 1,7 Terras para satisfazer as nossas necessidades”. Mais do que necessidades, precisamos de mais Terra por egoísmo, falta de amor e de responsabilidade. Sobre os crimes dos nazis, muitos alemães contemporâneos diziam que de nada sabiam. Saberiam ou não. Nós, hoje, é que não podemos dizer que não sabíamos, pois a informação está disponível – só não sabe quem não quer. E nós até sabemos, não temos justificação. Somos uma reles espécie.

O Japão aqui tão perto

Já está: A UE e o Japão assinaram anteontem o JEFTA, o acordo comercial UE/Japão, criando uma zona de comércio livre com mais de 600 milhões de habitantes

Mais uma vez, a voz da sociedade civil ficou de fora; entre os cidadãos, quem ouviu falar deste colosso que sujeita às leis do comércio livre quase todas as áreas da nossa vida???

Eis apenas uns exemplos dos problemazinhos do JEFTA:

a água é considerada uma mercadoria; o princípio europeu da precaução não é mencionado; preconiza uma cooperação regulatória que nos rouba soberania; submete os serviços públicos às leis do mercado (excepto aqueles que cada governo tiver expressamente listado como excepção), limitando severamente a capacidade de governos os criarem, expandirem e regularem e de reverterem liberalizações ou privatizações; restringe ainda mais a capacidade da UE e dos Estados-membros controlarem as importações de alimentos e rações provenientes do Japão, apesar de já existirem casos documentados de importação ilegal de ração geneticamente modificada do Japão… [Read more…]

A distracção da “guerra comercial”

A “guerra comercial” vem ultimamente ocupando as primeiras páginas das notícias. Não se distraia com ela, recomenda a Greenpeace.

Não que não tenha consequências, claro que tem; porém, afasta a atenção daquilo que deveria ser, de facto, o foco essencial: as mudanças climáticas e a paz (a todos os níveis) e a sua conexão com as presentes políticas de comércio global, promovidas a todo o vapor pela Comissão Europeia e pelos estados-membros.

A “guerra” de tarifas sobre aço e a réplica na manteiga de amendoim são apenas detalhes de uma política de globalização cega, centrada no crescimento, no barato e no descartável, à custa da saúde e do planeta e ao serviço dos monstros transnacionais.

Está prontinho a sair do forno o JEFTA, o acordo comercial UE/Japão, todo confeccionado longe dos parlamentos nacionais, os quais nem sequer são devidamente informados pelos seus governos sobre um acordo de mais de 1.000 páginas, que vai limitar severamente o espaço político da UE, dos seus estados membros e até mesmo dos governos regionais e locais. [Read more…]

Festa da Diversidade

Um programa solidário para o fim de semana, no Cais do Sodré, em Lisboa.

Bordalo II

Bordalo II é o artista que faz do lixo obras de arte.

Trabalha pois para lançar o alerta sobre (a falta de) sustentabilidade desta absurda sociedade consumista. E declarou recentemente:  “Eu e o meu amigo Forest Dump temos algo a dizer acerca da ideia de explorar petróleo na costa do nosso belo Algarve”, escreveu Bordalo II. “Espero que os nossos líderes sejam inteligentes o suficiente para entender que um lucro a curto-prazo significará uma perda eterna. Portugal é um país cheio de potencial para a energia renovável, esse é o futuro.”

Houvesse mais artistas, mais „opinadores“, mais gente em geral a tomar posição e a agir. Mas não, há coisas mais chiques e agradáveis do que denunciar e combater a desapropriação que o governo insiste em realizar. Para disfarçar diz que é só para ver se há. Obrigadinha.

Lobbys e mentalidades de mãos dadas a caminho da devastação.

A insustentabilidade à vista e os tomates nos olhos

Toda a gente sabe que andamos a teimar num sistema de crescimento insustentável e destruidor.

Toda a gente sabe, mas (quase) toda a gente faz de conta que não. Aos que, há décadas, andam a alertar para os limites do planeta e a demonstrar os estragos feitos, aplica-se-lhes o carimbo de profetas da desgraça, paranóicos.

A reacção dos decisores aos profusos sintomas da destruição acontece de má vontade, ao relanti, a fingir e só depois de muito estrago – até irreversível (exemplo de fingimento aqui).

Os problemas são gritantes a nível mundial (exemplo aqui).

E, por norma, os custos das externalidades negativas são transferidos para a comunidade, esvaziando e contrariando o princípio do causador- pagador.

Demos uma olhadela à Alemanha, país considerado um caso de sucesso do sistema prevalecente e que gosta de arvorar em bem comportado também em termos ambientais. E, aqui chegados, vejamos apenas dois exemplos: [Read more…]

Dia Mundial do Ambiente, parece

E a resposta é esta brincadeira.

Um imenso teatro de fantoches

Anda tudo a fingir que o sistema funciona. O Conselho da UE “discute, altera e aprova legislação e coordena as políticas europeias“, o parlamento europeu debate e aprova; no país, o presidente “zela pelo cumprimento da constituição e fiscaliza a actividade legislativa dos outros órgãos de soberania”, os deputados na AR aprovam legislação, os cidadãos elegem e comentam; os media…  e por aí fora.

Contudo, essa aparência de normalidade democrática é um logro abismal, uma reprodução orwelliana.

De facto, mesmo as pessoas mais avessas a teorias da conspiração (como é o meu caso), lêem e constatam estupidamente abismadas que, ainda muito mais do que suspeitavam, os cordelinhos são puxados por entidades gigantescas e obscuras, como o Pedregulho Negro, aqui ou aqui.

A UE a fazer frente a Trump? Que graça! É tudo muito, muito engraçado, neste teatro surreal.

Resta enfileirar nas abomináveis hostes do mais reles cinismo?

Portugal apontado como mau exemplo no Parlamento Europeu devido aos Vistos Gold

O dealer Armand Arton, vendedor de passaportes no Global Citizen Forum, um evento para a super elite do 1%.

Portugal, em parceria com Malte e Chipre, como exemplo de más práticas financeiras pela promoção do branqueamento de capitais e corrupção através dos vistos Gold.

Não é novidade nenhuma, há 5 anos que Ana Gomes alerta para que esses esquemas incentivam a corrupção e ameaçam a integridade do sistema financeiro e a segurança dos cidadãos. Alguns nomes até são conhecidos. Isto para não falar na falta de moralidade decorrente do simples facto de que basta ser rico para se entrar e continuar os negócios como membro no clube europeu, enfim.

Já os eurodeputados Paulo Rangel e Nuno Melo acham muito bem que a elite dos super abastados tenha direitos especiais e oportunidade de fazer o que lhe convém com os montantes obtidos de modo ilícito ou não; Para defender a pouca vergonha dos vistos gold de Portugal, Paulo Rangel aponta – e com razão – o dedo à pouca vergonha de países como a Holanda, com a baixeza das suas taxas fiscais; ou seja, a UE é um chiqueiro em matéria de regulamentação financeira e fiscal e as hipocrisias são estridentes. Mas a Comissão diz que não tem competências nesta matéria. Pois era o que faltava, as competências que tem utiliza-as para investir em projectos destinados a subjugar os cidadãos ao capital global (acordos de livre comércio, tribunal multilateral de investimento). Isso é que vale a pena e obtém o apoio dos estados-membros no Conselho.

E é assim que os governos competem entre si para engraxar os sapatos às grandes empresas com paleio seboso e à custa do suor dos cidadãos europeus, desapropriando-os de valores e direitos.

Depois façam-se de admirados pelas facturas “populistas” que andam a receber…

Quem se lixa é o mexilhão

Um dos temas da agenda da reunião do Conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) que se realiza hoje em Bruxelas é o Irão e as consequências do abandono do acordo nuclear iraniano pelos Estados Unidos.

A Europa quer, obviamente bem, demarcar-se de mais um desvario incendiário e manter o acordo. Agora, é bom sabermos o que está em jogo:

“O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, divulgou uma lista de exigências aos países europeus para que o acordo nuclear assinado em 2015 entre Teerã e seis potências mundiais permaneça em vigor.”

Segundo Khamenei, “a Europa tem que garantir plenamente as exportações de petróleo ao Irão”. (…) “Significa isto que, se os EUA impõem o seu embargo às nossas exportações de petróleo, os europeus têm de garantir o volume de exportações desejado pela República do Irão”.

Além disso, os bancos europeus terão de garantir as transacções comerciais com o Irão – transacções monetárias privadas e das empresas estatais.

Khamenei: “Se os europeus hesitarem em responder a nossas exigências, o Irã tem o direito de retomar suas actividades nucleares”.

Já se fala também em compensações para empresas europeias que investiram no Irão após a assinatura do acordo e de apoio às empresas contra as retaliações dos EUA.

É que não há volta a dar, quem se lixa é o mexilhão.

Chapeau, Ana Gomes!

Já uma vez lhe prestei uma humilde homenagem: Ana Gomes, a corajosa e consequente.

E continua a merecê-la.

Aqui https://observador.pt/2018/05/26/ana-gomes-erramos-deixando-que-o-pantano-atolasse-o-pais/

aqui https://www.publico.pt/2018/05/11/sociedade/noticia/transferencia-para-angola-e-tremenda-demissao-da-justica-portuguesa-1829651

ou aqui https://www.youtube.com/watch?v=QafVCcHF0gg&feature=youtu.be

Ana Gomes é uma voz que dignifica a classe política, enfrentando os dissimulados, seja do seu partido, seja da união europeia.

Sobre a 5a Diretiva Anti Branqueamento de Capitais aprovada no mês passado pelo Parlamento Europeu, Ana Gomes afirma que, embora sendo um passo na direcção certa: Ficamos aquém de um resultado que poderia ter um impacto global no que respeita à transparência financeira, por responsabilidade do Conselho onde se sentam os nossos governos”.

(…) ainda há muito por fazer, – alguns dos “paraísos fiscais” e esquemas desregulados que facilitam o branqueamento de capitais por organizações criminosas, corruptos e corruptores do mundo inteiro estão instalados – e bem instalados na UE, valendo-se do vazio de décadas de desregulação financeira neoliberal. Há muito a fazer, em especial, contra a captura de alguns Estados Membros por interesses sinistros, como os das máfias que controlam o “e-gambling” e investem em criptomoedas”.

Ana Gomes é genuinamente íntegra e destemida e, como tal, só pode ser desconfortável para o PS e para o PE. Chapeau, Ana Gomes!

Gandas Lojas…

No contexto do debate sobre a legalização da eutanásia,

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa recebeu, em audiência no Palácio de Belém, Júlio Meirinhos, Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / Grande Loja Regular de Portugal (GLLP/GLRP) e Isabel Corker, Grã-Mestre da Grande Loja Feminina de Portugal.

“Grande Loja Feminina de Portugal”??? … Nossa!!! a quantidade de mundos importantes que para aí há sem que uma pessoa se dê conta! “Grande Loja Feminina de Portugal” soa-me… sei lá, a …. saldos? Crónica feminina? Mas não pode ser, pois se foram a audiência presidencial…

Fui ver. A ilustre Grã-Mestre Isabel Maria Corker, ostentando subtis sinais que de certo logram ser interpretados pelo grupo-alvo a que se destinarão, explica: [Read more…]

Zuckerberg no Parlamento Europeu

Zuckerberg no Parlamento Europeu hoje das 17:20 às 18:30h (hora em Portugal), para ver e ouvir aqui:

#Livestream: https://www.facebook.com/greensefa
ou no webstream do Parlamento Europeu:
http://www.europarl.europa.eu/ep-live/de/other-events/video?event=20180522-1820-SPECIAL-UNKN

Zuckerberg para ouvir

Conseguido! Vai ser pública a audição de Zuckerberg no Parlamento Europeu. O link para o streaming está a chegar.

Para quem puder e quiser, é óbvio.

 

Menos direito a transparência???

Mark Zuckerberg pretende que a sua audição no Parlamento Europeu, marcada para a próxima terça-feira, tenha lugar à porta fechada. Na conferência de líderes dos grupos políticos, a maioria dos democratas-cristãos e populistas de direita decidiram apoiar Zuckerberg, aceitando que a audição seja realizada em segredo. É sabido que nos EUA a audição foi pública. Temos menos direito a transparência do que os cidadãos americanos???

P.S.- Pode dirigir um email ao presidente do Parlamento Europeu Antonio Tajani, requerendo uma audição pública (antonio.tajani@europarl.europa.eu )

A ajudinha de Trump ao “comércio livre”

Cecilia Malmström, a amazona europeia do comércio livre, tem um objectivo claro: arrematar o maior número possível de acordos comerciais e de investimento antes das próximas eleições europeias, marcadas para Maio de 2019.

Até lá, a coisa corre-lhe de feição, contando até com uma ajudinha de Trump. Porquê? Se por um lado o proteccionismo trumpista está a dar fortes dores de cabeça à comissária por via da ameaça de aumento das tarifas sobre o aço e o alumínio, por outro lado está a facilitar-lhe o trabalho. É que os vigorosos e alargados protestos de milhões de cidadãos europeus durante as negociações do TTIP e do CETA quedaram emudecidos, neutralizados, por via da sonora lógica maniqueísta: Trump é proteccionista e MAU, portanto o comércio livre é BOM. É como dizer que quem critica as derivações perversas do capitalismo é comunista. Uma estratégia populista e fácil, de que a Sra. Malmström se utiliza e desfruta para enfiar as esporas anti-democráticas e passar a galope acordos para o comércio dito “livre”, entendido à boa maneira neoliberal: privatização, liberalização, desregulamentação. Desenvolvimento sustentável?? Fica emoldurado para inglês ver num capitulozito muito jeitoso e simbólico, sem sanções. Porque o resto das mais de mil páginas dos acordos é gerido pela perspectiva que interessa: transladar – e aí sim, com mão de ferro – para esferas superiores e inteiramente fora do nosso alcance, as normas de tudo o que possa ser comercializado e garantir aos investidores a margem de actuação que tanto merecem. [Read more…]

Dêem-nos música

E isso interessa a quem? The show must go on. Cheers!

A Brigada de Intervenção ataca as parcerias público-privadas

Não às parcerias público-privadas

Estamos sempre a ser roubados, em quantias avultadas.

Nem mais!

Jornalismo independente é crime

Imagem retirada do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2018

Ontem, um tribunal turco condenou a penas de prisão de dois anos e meio a oito anos vários colaboradores do jornal da oposição Cumhuriyet, num processo emblemático da erosão da liberdade de imprensa na Turquia.

Com mais de uma centena e meia de jornalistas encarcerados, a Turquia é, no ranking dos Repórteres sem Fronteiras, “a maior prisão do mundo para os profissionais dos meios de comunicação”.

O sultão do Bósforo anunciou a semana passada a antecipação das eleições presidenciais e legislativas para 24 de Junho, um ano e meio antes da data prevista. Dá-lhe mais jeito.

Nota: No âmbito das ajudas de pré-adesão à UE está previsto para a Turquia um montante total de 11,69 mil milhões de euros (valor indicativo), do qual, para o período actual (2014 a 2020) está prevista a atribuição de 4,45 mil milhões de euros (valor indicativo).

Para a promoção do sector „Democracia e Estado de Direito” foram alocados 780,5 milhões de euros, tendo já sido desembolsados 193,6 milhões de euros.(Informação prestada pelo Bundestag, a 15 de Junho de 2017)

Negociata de “gestão” de refugiados inteiramente à parte.

“Há patifes por todo o lado. A situação é desesperante”

No dia em que se celebra a conquista da Liberdade e Democracia em Portugal, a organização não governamental Repórteres sem Fronteiras publica o seu relatório de “Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa 2018″, denunciando um sério agravamento da hostilidade contra os mídia/jornalistas no continente europeu.

Entre os países europeus, em que a liberdade de expressão e de informação está mais fortemente refém dos interesses de regimes autoritários, figuram a Hungria, Polónia, Tchetchénia, Eslováquia e, claro, Malta – o paraíso fiscal onde em Outubro do ano passado foi assassinada a corajosa jornalista Daphne Caruana Galizia, por explosão de uma bomba colocada no seu automóvel. Sabia demais sobre corrupção nos mais altos círculos governamentais. “Há patifes por todo o lado. A situação é desesperante” – foram as últimas palavras que Daphne escreveu no seu blog.

Tal como demais sabia o jornalista eslovaco Jan Kuciak, assassinado a tiro juntamente com a sua companheira em Fevereiro passado, enquanto investigava fraude fiscal e corrupção de alto nível envolvendo a máfia italiana e políticos do seu país.

O tecido de que são feitos os tão aclamados princípios europeus está a esgaçar-se por todo o lado, sob a tensão do primado do lucro e o ataque das traças neoliberais, acarinhadas por governos eleitos por povos supostamente sem alternativa, mantidos cansados e espremidos – para produzirem baratinho – e alienados por via do consumo, futebóis ou redes sociais.

Há, sim, saquinhos de cânfora ou lavanda, como o “Projecto Daphne”, e valha-nos isso.

Mas os insectos são cada vez mais vorazes e, enquanto acenam com a profusão de pechinchas que podemos comprar à custa de condições de produção e transporte degradantes e nocivas que não interessam a ninguém, transformam em farrapos as conquistas das gerações que lutaram pelos Direitos, pela Democracia.

Nota: Surpreendentemente, Portugal subiu quatro lugares na classificação e ocupa agora o 14.º lugar.
Contudo, de acordo com o relatório, divulgado desde 2002, a “atitude grosseira”, por parte dos agentes do futebol, representa um dos principais problemas para os meios de comunicação.

 

Portugal à venda

Diz assim o anúncio:

Quer residir ou investir em Portugal? Nos dias 15 e 18 de Maio, vamos ter duas sessões de apresentação exclusivas sobre o mercado imobiliário em Portugal, os regimes de incentivo ao investimento (Visto Gold e Residentes Não-Habituais) e reuniões individuais para esclarecimento de dúvidas.

e é da empresa JLL:

uma consultora internacional especializada na prestação de serviços de imobiliário para clientes que procuram obter valor acrescentado na promoção, na ocupação ou no investimento imobiliário. Com mais de 300 escritórios em 80 países, servimos as necessidades locais, regionais e mundiais de clientes, fazendo crescer a nossa empresa ao longo do processo.

Impacto disto, já real, é:

“Fundos imobiliários, bancos e seguradoras compraram ruas inteiras e as consequências são desastrosas”.

E o resultado, também já real ou a caminho disso, é este:

Quando se olha para o que se está a passar em Lisboa (e no Porto) percebe-se essa tendência. Os centros das cidades estão a ser ocupados por quem tem dinheiro para investir e isso vai conduzir à desertificação dos cidadãos locais, mesmo daqueles que, como classe média, ainda tentavam resistir. E Portugal, nesse aspecto, surge como um lugar seguro para elites francesas ou brasileiras. O centro das cidades começa a parecer-se com enormes condomínios privados. Um dia destes os presidentes das juntas de freguesia da parte central de Lisboa serão eleitos por eles próprios, porque não haverá eleitores. Ou seja, a democracia está a suicidar-se com esta aparente “economia de mercado”.

Tudo, mas TUDO, se transforma em mercadoria. Vencem os poderosos.

É uma história muito simples. Tão simples e que tanto dói.

Faça e vá, não tem desculpa!

Digam lá, passa pela cabeça de alguém – a menos que tenha gigantescos cifrões luminosos no lugar das órbitas, com prolongamentos para as circunvoluções cerebrais – nesta altura do campeonato deste massacrado planeta, andar a fazer furos para prospecção de petróleo??? E, neste caso mais imediato (mas estão concessionadas vastas partes da costa e algumas regiões do território terrestre português), em águas profundas a cerca de 46 quilómetros de Aljezur, no Algarve???

Pois é isso que intenta o consórcio internacional ENI/Galp, com o beneplácito do governo português. Um governo português traidor do futuro dos cidadãos e do planeta, enquanto faz, com falinhas mansas, promessas para enganar tolos na Conferência do Clima das Nações Unidas.

Hipocrisia a combinar tão bem com os sinais do tempo.

Há duas coisas urgentes a fazer:

  1. Participar na consulta pública que decorre até segunda-feira para decidir se o projecto de sondagem de petróleo ao largo de Aljezur deve ser submetido a procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA)… E como não???     Pode fazê-lo em: participa.pt   Bom, ressalvo a posteriori que isto é complicadíssimo de preencher… não será por acaso…
  2. Ir manifestar-se no sábado, 14 de Abril, na Praça Camões, em Lisboa. “Enterrar de Vez o Furo, Tirar as Petrolíferas do Mar”. Contra a brutalidade das petrolíferas e das energéticas e o servilismo vendido dos governos. Pelo futuro.

É obrigatório.

Desalojados em luta

pelo direito à habitação.

Páscoa para que te quero

Na sua oração no final da Via Sacra no Coliseu de Roma, realizada ontem, o Papa Francisco pronunciou palavras que, de tão verdadeiras e dolorosas, ultrapassam todas as fronteiras, sejam elas religiosas ou as do mais profundo ateísmo: “Vergonha porque as nossas gerações estão a deixar aos jovens um mundo fracturado por divisões e guerras, um mundo consumido pelo egoísmo onde os jovens, os fracos, os doentes e os idosos são marginalizados”.

Entre a indiferença individual e a entrega à manipulação pelos poderosos, estamos – nós, os privilegiados que podemos fazer escolhas – não só resignados, mas também a contribuir activamente com o nosso comportamento quotidiano para deixar aos nossos filhos e a todos os outros um mundo de egoísmo e um planeta devastado.

Não nos esqueçamos de comprar coelhinhos da Páscoa para as nossas criancinhas.