O País mais imbecil do mundo

Público/ Daniel Rocha

Se não somos, andamos lá perto. Estão a ver uma desgraçada que se farta de levar “arraiais de porrada” e acredita sempre e sem excepção nas palavras do FdP do companheiro que lhe promete que nunca mais o fará? Pois, de certeza que acham que, pelo menos, à segunda (exagerando porque nem 2ª oportunidade devia ser concedida) a Senhora devia virar costas, ir à Policia e colocar o “anormal” na cadeia. Estou certo, não estou?

Pois o Povo Português vai muito para além disso. É que nem sequer está no nível da Mulher que foi agredida pela tricentésima septuagésima quinta vez e acredita que é desta que o algoz vai mudar. Não. Muito pior. É a Mulher que acredita que cada vez que apanha, o companheiro está a fazer-lhe um favor porque aquilo é para o bem dela. É a Mulher que se marimba para a sua própria qualidade de vida, para o infinito sofrimento, para a desgraça porque importante (e só isso importa) são as explicações com que o agressor a intruja. 

Vai haver eleições e um trafulha como António Costa sabe bem que em Portugal não precisa de melhorar realmente nada para ganhar outra vez. Basta uns truques baratos de comunicação para convencer o eleitorado que a crescente miséria “é para o bem dele”. 

Factos:

– o que a alegada redução do IRS parece oferecer vai ser completamente ultrapassada pelo aumento dos impostos indirectos;

– aumento dos impostos indirectos que, ao contrário do que querem fazer crer, vai afectar tudo e todos;

– por exemplo, o aumento do IUC para carros anteriores a 2007 vai carregar, não os mais ricos, mas e com excepção de uma percentagem residual de “carros de colecção”, todos aqueles que não têm há muito tempo dinheiro para comprar um carro novo;

– mais uma vez vamos bater o recorde da carga fiscal, pagando mesmo fazendo as devidas correcções, muito, mas muito mais impostos que pagamos no período de emergência financeira em que estivemos só os ditames da troika (já agora por causa de uma bancarrota novamente causada pelo PS, mas aqui só estamos no nível “eu nunca mais volto a fazer isto);

– o aumento de ajudas do Estado não visa realmente ajudar as Pessoas em dificuldades, mas, hipocritamente, fazer aumentar o número de “dependentes” para que, pelo menos, esses sejam uma espécie de “voto garantido”;

– criou-se o “mito” que a culpa é dos “estrangeiros” e, por exemplo, vai-se acabar com o estatuto do “residente não habitual” o que nos vai transformar, “tarãããã”, no único País dos 27 da UE sem esse género de atractivo (algo talvez bonito em termos de ilusão ideológica, mas completamente imbecil política e económicamente);

– o investimento público vai continuar a ser limitadíssimo mesmo que o prometido fosse cumprido porque a taxa de incumprimento nos governos de Costa já chegou a atingir os 75%;

– a despesa corrente do Estado vai mais uma vez ter um aumento exponencial na prossecução da “velha máxima” do PS, “nós não estamos aqui para resolver rigorosamente nada, mas para disfarçar os problemas atirando dinheiro para cima”;

– os serviços essenciais que o Estado está obrigado a providenciar, Saúde, Educação, Justiça, Defesa, etc., estão em situação caótica, alguns deles mesmo em pré-colapso (para não dizer que já colapsaram); sendo a razão mais tangível para a existência do próprio Estado e para o pagamento de impostos, a consequência lógica é mesmo começar por questionar, pelo menos, aquela obrigação;

– lembram-se de há uns anos demonstrarmos uma pena petulante ao vermos as condições de vida nos antigos satélites soviéticos? Pois, já quase todos nos ultrapassaram e a Roménia (aquela desgraça saída do regime do Ceaușescu) ultrapassar-nos-á em 2025 se o não conseguir fazer já em 2024. 

Mas não há problema. Os Portugueses “gostam” de apanhar. E “acreditam” que é para o bem deles. 

Começa, no entanto, a notar-se uma pequena diferença: antigamente chorávamos a desgraça de ver os nossos Filhos ir trabalhar para o Estrangeiro; hoje, mesmo tendo em conta a tristeza da saudade, ficamos contentes por saber que eles, ao partirem, vão prosperar deixando para trás o País masoquista que lhes proíbe o sucesso. 

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Não sou nem nunca fui simpatizante deste PS. Aliás de há muitos anos a esta parte estabeleci um cordão sanitário no que concerne ao Centrão, tão ávido de se auto alimentar nas famosas PPP,s, e na transumância entre o poder político e as grandes empresas rentistas, cá da terra.
    Hoje o PSD é a CIP e pouco mais, talvez uma série de novos ricos sempre prontos a dizer que se fartam de pagar impostos, mas quando vem uma crise sanitária, como foi no Covid 19, e se pedem apoios ao Estado, legítimos, constata-se que grande parte deles não são elegíveis, pois estão fora das ajudas por viverem com uma contabilidade zero, quando não negativa, empregados a recibos verdes, dívidas à segurança social, etc, etc.
    Mas há sempre um mas.
    Li por estes dias o artigo do Daniel Oliveira no EXPRESSO, sobre o OE 2023.
    Ele acaba de certa forma, por explicar as razões porque a direita vai andar ainda mais uns anos a ver passar o PS pelo governo, mesmo com um montão de trapalhadas.
    Como dizia o Medina, à segunda o PSD baixa o IRC, à terça baixa o IRS, à quarta aumenta os médicos e repõe os níveis salariais dos professores, à quinta aumenta o salário mínimo para 15 meses, e à sexta diz que tudo é possível porque o país até pode fazer tudo isso é reduzir a dívida

    “OE: Costa roubou a agenda de Montenegro”

    “Todos querem pagar menos impostos. Mas 58% não os quer baixar se isso levar a um aumento do défice e 74% se afetar o Estado Social. Como se relaciona o governo com este triângulo? Há um aumento geral de rendimento (graças ao SMN, reformas, IAS, abono de família e outros apoios) e as medidas fiscais anunciadas têm, em geral, um impacto positivo na chamada classe média. Mas é bom recordar que mais de 40% ganham tão pouco que nem pagam IRS. Nos jovens, basta os exemplos dados para salários nos primeiros três anos de carreira para perceber a que pequena minoria se dirige o esforço. A conclusão que se tirou da sondagem é que perante o trilema os portugueses preferiam manter o status quo. É compreensível a preocupação com o défice, depois do trauma da troika e de uma narrativa que até o PS assumiu. De tal forma que atingirá o objetivo da divida ficar abaixo dos 100% do PIB com dois anos de antecedência. Enquanto França desceu a sua divida de 115% para 110% de 2020 a 2023, Portugal desceu de 135% para 106%. E esqueçam os 0,2 de excedente. Se Medina seguir o padrão dos seus outros dois orçamentos, será mais 1,5 p.p., o correspondente a 3,4 mil milhões de euros. Dirão: ainda bem. Mas uma aposta excessiva em qualquer dos vértices do triangulo tem custos. Ao contrário do dinheiro usado em salários, investimento público e Estado Social, este é retirado da economia. A questão não é o objetivo, é a rapidez. Era essa a divergência com Passos Coelho. O vértice desprezado é o que esteve quase ausente da conferência de imprensa: o Estado Social. Há reforço na educação e na saúde. Mas não faz sentido analisá-lo ignorando os efeitos disruptivos da pandemia. O problema é de gestão, mas tem a ver com carreiras. E elas precisam de dinheiro. E a demagogia de continuar a aumentar menos os quadros médios e superiores do Estado, tornando ainda mais dramática a caminhada dos serviços públicos para o abismo, mostra que o problema é transversal. Quando a máquina não funciona por falta de qualificação, dizem que o problema é de gestão. Se não é dinheiro, por que estão professores e médicos em greve? Serão gananciosos? As greves não são causa, mas consequência do colapso depois da pandemia. Com um governo que vai muito para além do que a troika alguma vez sonhou para o défice, que põe o resto da prioridade numa compreensiva redução dos impostos progressivos diretos, mas sacrifica o Estado Social e os quadros que o podem manter vivo, deixando instalado o caos no SNS e na Escola Pública, não espanta que, sem muito para dizer, reste à direita prometer tudo a todos. Roubaram-lhe a agenda.

    https://expresso.pt/opiniao/2023-10-11-OE-Costa-roubou-a-agenda-de-Montenegro-f1b5f1f6

  2. balio says:

    aumento dos impostos indirectos que, ao contrário do que querem fazer crer, vai afectar tudo e todos

    A subida do IVA sobre os alimentos de 0% para 6% vai afetar todos.
    Os restantes aumentos, não é claro que afetem. Muitas pessoas não consomem álcool, não fumam, não têm carro, e levam os seus próprios sacos quando vão fazer compras.
    Aliás, é essa a grande vantagem dos impostos indiretos: muitas pessoas podem evitar pagá-los.

    • Mas têm a desvantagem de serem, de facto, regressivos – quem ganha pouco gasta uma fracção muito maior dos seus rendimentos nesses bens do que quem ganha muito.

      • balio says:

        O IVA é um imposto regressivo. Mas a taxa de IVA não vai aumentar em 2024. Isso não está em causa.
        Se há taxas que vão aumentar, são as dos impostos especiais sobre o tabaco e sobre o álcool. Mas esses impostos não são regressivos – nada impõe a uma pessoa pobre que gaste o seu rendimento com esses produtos, e de facto muitas pessoas pobres não o fazem.

        • Anonimo says:

          Exacto. Estatisticamente comprovado que o consumo de álcool é proporcional ao rendimento

  3. Tal & Qual says:

    Vai haver eleições e um trafulha como António Costa
    Sei bem que o Costa não é flor que se cheire, mas querias o quê ? Os trafulhas do PSD a dizerem-te :
    temos de empobrecer? Vai ver se o mar dá chocos …

  4. Luis says:

    Pois, “Com o dinheiro dos outros qualquer um é rico”, ou “o socialismo acaba, quando acaba o dinheiro dos outros”.
    O dinheiro do Estado não é do governo, mas é o governo que o gere.

    A oposição, com o PSD a alinhar pela cartilha do BE e PCP, acha que tudo se pode fazer e tudo se pode dar, porque o dinheiro está com o governo.

    Fosse o PSD governo e logo se veria se tudo se podia fazer e tudo se podia dar.

    Quanto aos restantes partidos, da esquerda à direita, nem vale a pena ter em conta, vivem noutra dimensão.

  5. balio says:

    Neste país há dois tipos de pessoas: aquelas que preferem que desça o imposto direto (o IRS) e aquelas que preferem que desça os impostos indiretos (o IVA e diversos impostos sobre consumos especiais).
    Eu faço parte do primeiro grupo de pessoas. São pessoas que ganham um salário regular, ao qual o IRS é subtraído. Não podem fugir a pagá-lo. Mas podem fugir a pagar alguns impostos indiretos: podem não fumar, não beber, não comprar sacos de plástico, não beber bebidas açucaradas, etc. E podem, claro, fazer algumas compras sem fatura.
    Há um segundo grupo de pessoas que fogem ao IRS porque ganham dinheiro através de biscates, comissões, gorjetas e outros esquemas. Essa pessoas preferem que sejam os impostos indiretos a descer. Não é o meu caso.

    • Podem não comer, podem não sair, podem não comprar roupa, podem não ter luz, podem não ter água canalizada, podem não pinar, tudo para ficar limpar o pecado original. Nem percebo para que querem mercados, era mais simples sem nos preocuparmos com dívida, ou quem sabe moeda.

    • Anonimo says:

      “E podem, claro, fazer algumas compras sem fatura.”

      Exacto, é o que se quer.

  6. Continuo fascinado com a capacidade da direita se sentir encornada pelo centro-esquerda ter sucesso a implementar as suas medidas, mas têm azar na terra dos pobres, mas supostamente honrados – é que aceitam tanto o empobrecimento permanente das regras europeias como qualquer outra propaganda que diga que deve deixar a sua política (social, económica, militar, …) para os vencedores da história, sacrificando-se em nome duns quaisquer amanhãs que cantam em que valerá tudo a pena.
    Olhe, o nosso PIB per capita também pode melhorar quando emigrarmos mais e vierem menos imigrantes, a vida das pessoas é que continua sem ter nada a ver com um indicador qualquer que dá para dizer coisas. Mas mais hilariante é a ideia que os filhos vão prosperar por saírem para países a fazer o mesmo. Boa sorte com isso, há-de resultar; nem que seja preciso começar a espiar e prender quem duvida, cambada de terroristas putinistas!, e apoiar mais umas bolhas financeiras.
    Siga.

  7. POIS! says:

    Pois cá temos…

    Mais um título bombástico!

    Ou não fosse o escriba um estrondoso especialista!

    Aliás, desde a sua 899ª despedida do blogue que não se via um tão cheio de bombasticidade!

  8. Zabka says:

    Sim, é um país cheio de Imbecis neoLiberais, a começar pela diarreia mental do morcão de blazer

  9. Zé Povinho says:

    Apesar de tudo(não votei no Ps) os pafiosos ainda roubaram Bancos cortaram Subsídios a trabalhadores e reformados, um role de burlas e corrupção, etc

    • Tuga says:

      Mas como dizia o outro, o Povo é sereno e esquece-se que o PPD/PSD ou como lhe queiram chamar, nada mais é que o partido de Marcelo Caetano Recauchutado

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